5.5.21
Saudades
Paulo Gustavo
Em conceitos sublimes e profundos,
Respondeu-me em acentos colossais:
— “Verme que volves dos esterquilínios,
Cessa a miséria de teus raciocínios,
Não insultes as leis universais.”
3.5.21
Por tras de toda dor existe dor
2.5.21
Sala de parto
1.5.21
Primeiro de maio
30.4.21
A minha irmã morte
Os escotomas
27.4.21
A alegria empática
O medo
25.4.21
Mãe
A sala de parto
22.4.21
O sono
Alberto Mussa
19.4.21
O meu poema
13.4.21
Hoje contém esperança
11.4.21
Comunhão
10.4.21
O chaveiro
9.4.21
As notícias difíceis
Porque são noticias complicadas de se dar,
Como uma carta escrita em letras ilegíveis
Que a gente precisa entender e entregar...
Notícias difíceis de efeitos irreversíveis,
Não há como ler para depois apagar,
Noticias difíceis, porque os caminhos não são fáceis,
Nem fácil é o jeito de caminhar...
Noticias difíceis, mas porque necessárias,
É necessário compreender as várias
Formas de transmiti-las com leveza...
Noticias difíceis, como são os enigmas,
Notícias difíceis, como são os estigmas,
Um exercício improvável de delicadeza...
5.4.21
A cidade asfixiada
E o virus impedido de ter por onde andar,
Aqui ninguém, naquela esquina nada,
Porque ninguém mais pode se contaminar,
O médico está cansado, a UTI lotada,
E a enfermeira com vontade de chorar,
Pára, cidade, sua saude está quebrada,
Seu oxigênio já começa a escassear...
Silencio, cidade. Mais de trezentos mil mortos.
Não há sepultura para tantos corpos.
A esperança precisa dar um jeito de voltar,
Porque hoje, minha cidade asfixiada,
Ou você para, ou acaba sepultada,
Não há nenhuma outra forma de escapar...
28.3.21
As fotografias
Ver as fotografias
Das UTIs vazias
E dos vários monitores ociosos,
Dos medicos e enfermeiros não fazendo nada,
Da maca desocupada,
Da maleta de reanimação fechada,
E das cadeiras sobrando na recepção,
Eu precisava tanto
Ver as fotografias
Das balas de oxigênio ainda lacradas,
Das quipes nas emergências contando piadas,
E das bombas infusoras desligadas por ninguém precisar de bombas de infusão,
Ampolas de pancuronio engavetadas
E faceshields descansando no balcão,
Ver funerárias de portas cerradas,
Precisava ver gentes sorrindo
E contando seus causos de recuperação...
Eu precisava tanto ver fotografias
Que desmentissem as notícias que passam na televisão,
Ver ambulâncias paradas nas garagens,
E não em remoções de vida ou morte,
Cortando caminho pela contramão...
Brava gente brasileira,
Queridissimos irmãos,
Obedeçam as ordens do chefe da nação:
Invadam postos e hospitais vazios,
E mostrem para mim médicos sadios
E de braços cruzados,
Porque eu quero ver leitos desocupados,
E preciso muito acreditar nessa versão:
É tudo mentira,
Coisa de jornalista esquerdinha e traira
Pra meter medo na população...
Não deixem que eles continuem espalhando isso não,
Enviem fotos
De nossa pátria amada,
Idolatrada,
E bem cuidada,
Mostrem pra mim que não está acontecendo nada,
Porque eu preciso ter certeza de que tudo isso não passa de invenção,
Deixem o número de óbitos pros pessimistas,
Sejamos imperialistas,
Sigamos o exemplo do capitão,
Contem pra mim que essa dor nunca existiu,
São fantasias
De alguns filhos desvairados
De seu solo, oh, mãe gentil,
Patria amada,
Brasil,
Por isso eu precisava muito ver essas fotografias,
Mostrem pra mim,
Porque já não cabe tanto medo
E tanta dor
No que restou
Do meu cansado coração...
23.3.21
A balada
22.3.21
A minha cidade
19.3.21
O Rio de Janeiro
A orla mais linda do planeta está parada,
Antes que o Rio inteiro se torne um covideiro,
E a praia de Copacabana não sirva mais pra nada...
Um Rio sem praias, sinal de desespero,
Ipanema com a sua beira mar abandonada,
A morte tocando o terror no rio inteiro:
Fecharam a praia pra salvar a moçada...
Tempos difíceis, decisões difíceis,
Como se estivéssemos caminhando entre mísseis
Prestes a detonar...
Fecharam as praias do Rio, que pecado,
Pra ver se o Rio fechado
Ainda tem chance de se salvar...
16.3.21
O Ministro da Saúde
Tudo errado
14.3.21
Poema para Ana
O silencio
Do que seguir falando por falar:
Palavra é como um bem quase sagrado
Que não se pode desperdiçar...
Falar, às vezes, é um gesto exagerado
Nesses dias, quando o coração quer se calar,
O silencio quase sempre é menos complicado,
E bem mais fácil de se pronunciar,
Até que um dia chega o tempo apropriado,
E a palavra, que parecia ter se abandonado,
Volta, provando que continua a respirar,
E tudo segue no seu tempo, bem alinhado,
A palavra e o silencio, lado a lado,
Pra nós, de resto, só nos resta respeitar...
10.3.21
Grupo de cuidados paliativos
8.3.21
Dia internacional das mulheres
7.3.21
Madrugada
21.2.21
Domingo
19.2.21
Aposta errada
10.2.21
Poesia compassiva
25.1.21
Falar de amor
19.1.21
Contém esperança...
Contém esperança o que está por acontecer:
Gente com esperança auxiliando gente
Com esperança de parar de sofrer...
Um dia abençoado, um dia potente,
O cansaço e o desanimo não vão vencer,
Uma formiguinha, outra formiguinha, e, de repente,
Um formigueiro. E formigueiros tem poder
De carregar esperança por onde vão,
Porque a esperança do seu coração
Se espalha mais rapidamente que a pandemia...
Por isso um dia cheio de esperança,
A dor dói menos onde a mão do amor alcança,
E onde há amor, o sofrimento se esvazia...
16.1.21
A Lei de Deus
15.1.21
Sartreana
13.1.21
Gael
O tempo
6.1.21
A democracia
Hoje a democracia sai ferida,
Subtraida, esbofeteada,
E tenta, desesperada, uma saida,
Procura ainda respirar, desesperada,
E levantar-se, mesmo enfraquecida,
Resistindo em se confessar desanimada,
Como de outras vezes, quando quase foi vencida,
Como de outras vezes, quando quase foi executada...
A democracia, covardemente agredida
Por uma multidão enfurecida,
Por uma multidão desembestada...
A democracia, quase interrompida,
Que tenta se refazer, fortalecida,
Que não aceita morrer silenciada...
1.1.21
Ano Novo
Falamos de você o ano passado inteiro.
13.12.20
Vacina
12.12.20
Diretivas
7.12.20
Impermanência
Quando tudo parece desabar,
Dias pesados de atitudes frias,
Um pesadelo que se recusa a acordar,
Dias difíceis: chuva, ventania,
Parece que está tudo fora do lugar,
Expectativas secas e sombrias,
A impressão é de que pouca coisa vai sobrar,
Mas eis que a vida, com sua impermanência,
Aproxima-se, terá sido coincidencia?,
E me abraça, procurando me acalmar,
E me convence: tudo é passageiro,
A liberdade, o algoz e o cativeiro,
Respira fundo e acredite: vai passar...
28.11.20
O poema novo
Mas sem motivo nenhum para escrever,
17.11.20
Gigantes
4.11.20
Obrigado
1.11.20
O remédio
27.10.20
Oração
19.10.20
A dor
13.10.20
A poesia
É como um copo d'água no calor,
Um pão com queijo pra barriga vazia,
É como um machado pro lenhador,
Um pires de leite pro gato que mia,
Uma pista para o cão farejador,
É como o burrinho que levava José e Maria
Sem perceber que também levava o Salvador...
É hora estelar. Não se atrasa. Não se adia.
E quando você menos desconfia,
Ela se mostra com seu dom confortador.
E até a noite escura, com poesia,
É a nossa chance de escutar o criador...
Farmácia de poesia
_Bom dia Doutor
_Bom dia, como passou a semana?
_Estou melhor, sim senhor,
Depois de Mário Quintana,
Estou triste,
As vezes penso besteira
Eu não queria me sentir assim dessa maneira...
_Vou te passar um Thiago de Melo,
E antes de dormir, um Bandeira.
_Como vai?
_Melhor.
_ Maravilha.
_Pois é. Só notícia boa.
Não tem como ser diferente
Depois de Fernando Pessoa...
_Passou o enjoo?
_Mas claro, Doutor
Já estou bom.
Estou me sentindo mais leve
Depois de Carlos Drummond.
_Muito obrigado, Doutor,
Não uso mais fluoxetina,
Troquei aquelas caixinhas
Pela Cora Coralina.
_E Cecilia, tem usado
Pra aquela angústia que você sentia?
_Diariamente, Doutor,
Fiquei bom com poesia.
Vinicius me fez mais leve,
Manoel de Barros
Me devolveu a razão,
Mas foi com Augusto dos Anjos
Que eu consegui consertar meu coração...
Farmácia de poesia,
Todo dia
Poesia deixa a gente se curar.
Porque o verso, “caindo na alma,
É germe que faz a palma
É gota que faz o mar”
10.10.20
Um bebê que se vai
9.10.20
Tradução
4.10.20
Waze (meu coração)
Por onde eu devo seguir?
Por quais esquinas eu não posso cruzar?
De que rotatórias é necessário fugir?
Em que momentos eu preciso acelerar?
Em que momentos eu preciso reduzir?
Como ter certeza de que eu não vou me atrasar
Ou chegar antes do portão abrir?
Como saber se alguém vai me esperar?
Como pedir se alguém pode me ensinar
A perder o medo de não conseguir?
E se eu decidir parar prá descansar?
E se a bateria acabar?
E se no meio do caminho eu desistir?
A esperança
E quase sempre volta logo em seguida,
Cutuca o coração da gente toda hora,
Acompanha a gente durante toda a vida,
Fica escondida quando a gente chora,
Mas, fingindo-se de desentendida,
Espera a gente do lado de fora,
E não desiste da gente, decidida,
A esperança, como um sobrenome,
Indisfarçável sempre, como a fome,
Como um documento de identidade,
Insubstituível, a esperança,
A gente se cansa, mas ela não se cansa,
E segue com a gente para além da eternidade...
3.10.20
O ruído desnecessário
O tom de voz desmedido da pessoa,
O volume desrespeitoso da risada,
A palavra. sem sentido e dita à toa,
A cuba sobre a incubadora, quase nada
Além do som excessivo que ressoa,
A pequena bebê, dessaturada,
Não tendo como lutar, então perdoa...
Desnecessário,
Mais que excessivo, cruel e solitário,
O ruído, castigo análogo à tortura...
_Silencio!! Cantam os anjos e os poemas,
Silencio, apenas,
E, de algum modo, é por ai a cura...
2.10.20
A esperança
Vamos plantar esperança,
A esperança é toda feita
De pedacinhos de amor,
Sem esperança
O coração se cansa,
E o coração, cansado,
Sente dor...
Por isso, espalhar esperança
E dividir esperança,
Porque a esperança espalhada
Frutifica,
A esperança
É uma bem-aventurança,
E não custa nada a esperança,
Fica a dica...
O tempo é hoje,
Vamos cuidar da esperança,
Vamos tratar a esperança,
Como se fosse um poema autografado
De Chico Buarque,
De Carlos Drummond,
De Cecília,
De Mário,
De Vinicius,
De Adélia Prado,
Vamos seguir a esperança,
Compartilhar a esperança,
A esperança é assim:
Nunca se gasta,
Você entrega, ela sobra,
Você oferece, ela volta,
Como um perfume que é bom
Quando se alastra,
Vamos olhar com esperança,
Vamos viver com esperança,
Qualquer semelhança com a luz
É a pura realidade,
Não há nada mais doce
Em toda vizinhança,
A esperança é o que existe de melhor
Na humanidade...
24.9.20
Paliativas
17.9.20
As aulas da Ana
8.9.20
A compaixão
Do que se pode fazer,
Do que se tenta,
E do que a gente tenta conseguir,
Não tem limites, a compaixão,
É sempre atenta,
Ela é caminho mais certo pra seguir,
Às vezes a gente é fraco,
Quase não aguenta,
E nessas horas ela vem nos acudir,
Cuidando de quem cuida
De quem está mergulhado na tormenta,
A compaixão dá conta,
Sem desistir.
A compaixão dá conta de tudo,
Até da lágrima,
Da saudade,
E do cair,
Mesmo da morte a compaixão dá conta,
Receita pronta:
Compaixão.
Não tem melhor remédio pra dormir.
O mapa do caminho
Receita para quem pensa que não gosta de poesia
6.9.20
22265 dias
5.9.20
Preciso do seu voto
1.9.20
A caminhada
29.8.20
O Rio de Janeiro
26.8.20
Espero
24.8.20
Desafinado
Tentando o acompanhamento da canção...
A vida, com seus acordes dissonantes,
Percebe minhas cordas discordantes,
E às vezes me chama atenção:
_Acerta a sexta corda, a quinta, a quarta!
_Um pouco mais de sol! _Não, assim não!
E eu sigo, distraído, procurando
Seguir as pistas que a vida vai me dando,
Sem pressa, como quem dita a lição,
E tento um dó menor, quase consigo,
Não fosse essa terrível desconcentração,
Aperto as cordas, afrouxo, desafino,
E sigo tentando assim, desde menino,
Sem desistência e sem reclamação,
Meu coração, desafinado, leve,
Tentando um samba, como o de João,
Segue apertando e afrouxando, corda a corda,
Às vezes dorme, outras vezes acorda,
E só poucas vezes consegue, rara inspiração,
Meu coração, esse violão desafinado,
Já sabe o ritmo, o toque, a marcação,
Mas se distrai quando não deveria...
Ainda bem que existe a poesia...
Ainda bem que existe o perdão...
22.8.20
Poesia
16.8.20
Escrevo
Como um recurso contra a depressão,
Como um motivo que não precisa de motivo,
Como quem erra e não precisa de perdão,
Como quem sonha com a página de um livro,
Como quem pula da página pra canção,
Como quem depois do fim, segue o caminho, vivo,
Depois da festa, cadeado no portão,
Como quem olha, como quem espera,
Como quem nega, como quem pondera,
Como quem não sabe como continuar
O verso que acabou de ser escrito,
Como quem voa do zero ao infinito
Sem precisar sair do seu lugar...
8.8.20
Cem mil mortos
4.8.20
Almas humanas
31.7.20
A fotografia
30.7.20
Música cuida do coração da gente
29.7.20
Noventa mil mortos
Noventa mil que não mais irão voltar,
Um silêncio que é cada vez mais difícil
De imaginar, de entender, de acreditar...
Noventa mil, descaso e sacrifício,
Noventa mil, porque não aguentaram esperar,
Noventa mil condenados ao suplício,
Que não aprenderam como escapar...
Noventa mil mortos. E muitos nem perceberam
Ou como se tornaram parte dessa conta:
Noventa mil mortos. E ainda não terminamos...
Como chegamos até aqui onde chegamos?
Por que esse futuro nos amedronta?
27.7.20
A compaixão dá conta de tudo
A compaixão dá conta de tudo:
Do que não tem remédio nem descanso,
Da morte, do desespero, da solidão,
Das noite sem esperanças e desses dias
Contaminados por notícias frias,
Não importa, dá conta de tudo a compaixão...
A compaixão dá conta de tudo:
Do que não tem conserto nem saída,
Da pena eterna, para a qual não tem perdão,
A compaixão dá conta do aconchego
Para o coração sem norte e sem sossego,
Porque dá conta de tudo a compaixão...
A compaixão dá conta de tudo:
Do medo, da saudade, da descrença,
Da crueldade, da ingratidão,
Da dor do corte, do sangramento,
E, mais do que da dor, do sofrimento,
Ela dá conta de tudo, a compaixão...
A compaixão dá conta de tudo,
Cuidando da dor que há por trás de toda dor,
E mesmo quando não se encontra explicação,
Como se fosse um manto, mais que a cura,
É como se fosse a mão firme que segura
O coração que sofre, a compaixão
26.7.20
O tempo lá fora
23.7.20
Autobiografia
Mas com o coração está nascendo agora...
Foi preciso durar uma vida quase inteira
Para finalmente ver chegada a hora
De ver a vida de uma outra maneira,
(Durar uma vida inteira, quanta demora)
Mas quando uma percepção é verdadeira,
A caminhada do tempo só melhora,
E nunca é tarde demais quando acontece,
Pois muitas vezes o atraso que parece
Uma falha, é como o pequeno grão e a plantação:
O tempo que passa inaparente e escondido
É o tempo necessário para o grão, amadurecido,
Brotar em folha, flor e fruto desde o chão...
19.7.20
As imprescindíveis
16.7.20
O Prefeito
13.7.20
Mudança de planos
Porque na verdade não temos, apenas usamos,
Até um dia, quando devolvemos
O que não era nosso, o que emprestamos...
Difícil, mas lá no fundo percebemos,
Ou fácil, mas geralmente complicamos,
Trazemos nada, um dia, de onde viemos,
E na despedida, outro dia, nada levamos,
E tudo que cerca esse pedaço de tempo que vivemos,
Diferentemente do modo como aprendemos,
Não nos pertence... Essa é a tralha que arrastamos,
A vida melhora, então, quando aprendemos
Que podemos ser bem mais, tendo bem menos,
E assim, mais leves, mudamos nossos planos...
Conversando sobre a vida em tempos de pandemia
11.7.20
Gotas que importam
10.7.20
Soneto pra minha cidade
5.7.20
Minha cidade
29.6.20
O currículo
21.6.20
Cincoenta mil mortos
A prorrogação dos mandatos
Mais dois e vai estar tudo acabado,
Um município completamente falido
Por um governo completamente abestado,
Seis anos de mandato. Isso não faz sentido.
Esse corona deixou o mundo aloprado.
É tempo demais prum governo tão descomprometido,
Tempo demais prum governo tão mal intencionado,
São mais dois anos de um mandato fouxo,
Sao mais dois anos de um mandato mocho,
Um povo triste, sem rumo e maltratado,
Se essa regra passar vai ser o fim da picada.
Os abutres famintos não vão deixar sobrar nada.
É o fim dos tempos, fato consumado.
Feliz aniversário
Francisco soberano, artista brasileiro,
Hoje é seu dia, hoje você é quem manda,
Chico Buarque do Rio de Janeiro,
A sua poesia, desde lá de A Banda
Ganhou o coração do mundo inteiro,
Por conta disso é que a minha gente hoje anda
Cantando suas canções, meu poeta primeiro,
Pra escapar do mal tempo e do nevoeiro,
Pra viajar no samba verdadeiro,
E pra ver a banda passar
Falando de amor e esbanjando poesia...
Feliz aniversário poeta, hoje é seu dia,
Por isso a barra do dia pedindo pra gente cantar...
Sumiço
19.6.20
Chico Buarque de Hollanda faz 76
Francisco soberano, artista brasileiro,
Hoje é seu dia, hoje você é quem manda,
Chico Buarque do Rio de Janeiro,
A sua poesia, desde lá de A Banda
Ganhou o coração do mundo inteiro,
Por conta disso é que a minha gente hoje anda
Cantando suas canções, meu poeta primeiro,
Pra escapar do mal tempo e do nevoeiro,
Pra viajar no samba verdadeiro,
E pra ver a banda passar
Falando de amor e derramando poesia...
Feliz aniversário poeta, hoje é seu dia,
Por isso a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar...
17.6.20
A poesia, como a madrugada
15.6.20
Vidas importam
13.6.20
Teremos
Teremos de volta nossa felicidade.
Vamos voltar a produzir ocitocina,
Esquecer esse tempo de obscuridade.
Teremos a vida de volta. E a vida ensina
Que a noite nunca vence a claridade.
Será como achar o mapa da mina
A vida livre de brutalidade.
Teremos poesia. Música. Mesa posta.
É disso que a gente gosta.
É disso que tá todo mundo precisando.
Teremos pão e circo. E consciência.
O tempo da delicadeza e da decência.
É isso que a gente anda tramando...
Mortos
Vamos passear no shopping?
Vamos perder a vergonha e a proteção?
Vamos desobedecer aquele aviso
Que dizia "fique em casa"? Partiu aglomeração?
Vamos passear no paraíso?
Vamos comprar a morte no cartão?
Vamos? Ou tem alguém que ainda tá indeciso?
Isolamento? Já deu. Não dá mais não.
Enquanto passeamos, nas UTIs lotadas,
Entre famílias inteiras, desesperadas,
O número de mortes não para de aumentar...
Vamos perder a vergonha? Quem se importa?
A era do bom senso já está morta.
O último a sair encoste a porta. Vamos passear.










