14.3.12
8.3.12
Eu comemoro a mulher
Eu comemoro a mulher que amamenta,
Eu comemoro a mulher que não,
Eu comemoro a mulher que não esquenta,
Eu comemoro a mulher-preocupação,
Eu comemoro a mulher que é aos 80,
Eu comemoro a mulher que ainda é um grão,
Eu comemoro a mulher briguenta,
Eu comemoro a mulher pena e compaixão,
Eu comemoro a mulher que se pinta,
A mulher de trinta, a de tres vezes trinta,
A mulher que acaba de nascer,
A mulher que procria, a mulher que não procria,
A mulher tristeza, a mulher alegria,
A mulher... Sem ela, o que se há de fazer?
21.2.12
Onde?
Onde a poesia que eu pensei que havia
Que você tem de desaparecer...
E eu que cheguei a pensar que a conhecia...
Como é que eu deixei isso acontecer?
A poesia que era quase minha...
Antes de me contar o que continha...
Deixado aqui pra depois escrever?
Poxa, poesia, mas que maniaQue você tem de desaparecer...
Não foi a primeira vez que a poesia
Sumiu da minha frente sem eu ver...E eu que cheguei a pensar que a conhecia...
Como é que eu deixei isso acontecer?
Na minha frente, e não mais que de repente,
Desaparece da minha frenteA poesia que era quase minha...
A poesia que eu pensei que era,
Sumiu, porque a poesia não espera,Antes de me contar o que continha...
20.2.12
Em algum lugar
Onde o poema que era pra estar aqui?
Em que lugar aquele verso se meteu?
Pra onde ele foi que eu não vi?
Pra que lado ele correu?
Onde o poema que, quando eu me distrai,
Aproveitando, desapareceu?
Onde o poema que eu quase escrevi?
Onde o poema que pensei ia ser meu?
A pagina de papel espera, em branco,
A versejada que desejei tanto
Que quase comecei a rabiscar...
Pra onde foi aquela poesia
Que me deixou -distração ou ironia?-
Esta outra poesia em seu lugar?
Em que lugar aquele verso se meteu?
Pra onde ele foi que eu não vi?
Pra que lado ele correu?
Onde o poema que, quando eu me distrai,
Aproveitando, desapareceu?
Onde o poema que eu quase escrevi?
Onde o poema que pensei ia ser meu?
A pagina de papel espera, em branco,
A versejada que desejei tanto
Que quase comecei a rabiscar...
Pra onde foi aquela poesia
Que me deixou -distração ou ironia?-
Esta outra poesia em seu lugar?
16.2.12
Fim de férias
De volta à vida diária e rotineira,
Ao atendimento ambulatorial,
À vida que tem sido pela vida inteira
A minha vida normal,
De volta à vida receitadeira:
Paracetamol, metroclopramida, fenobarbital,
De volta à vida sem sol, sem prainha cervejeira,
De volta à vida sem bailes de carnaval...
De volta à vida diária: a da pereba,
A do enterobius vermiculares, a da giárdia e ameba,
À vida que desidrata em disenteria,
De volta ao mundo das convulsões febris,
De volta, feliz, a esse mundo infeliz,
De volta ao meu mundo, ao meu dia a dia...
Ao atendimento ambulatorial,
À vida que tem sido pela vida inteira
A minha vida normal,
De volta à vida receitadeira:
Paracetamol, metroclopramida, fenobarbital,
De volta à vida sem sol, sem prainha cervejeira,
De volta à vida sem bailes de carnaval...
De volta à vida diária: a da pereba,
A do enterobius vermiculares, a da giárdia e ameba,
À vida que desidrata em disenteria,
De volta ao mundo das convulsões febris,
De volta, feliz, a esse mundo infeliz,
De volta ao meu mundo, ao meu dia a dia...
Poeminha insone
Aos que não tem sono e não conseguem dormir,
Aos que navegam bem na madrugada,
Aos que passeiam daqui pra ali,
Transformando a navegação numa embolada,
Aos que se deitam, mas voltam pra curtir,
Pra compartilhar, pra postar, pra dar risada,
Aos que não conseguem nem tentam insistir,
E levam a noite nessa virada,
Aos sonâmbulos que quase não bocejam,
Mas, ao invés disso, festejam
A noite e essa solidão que não machuca...
Aos que não tem sono pelo mundo afora,
Esse sonetinho escrito agora,
Às duas da manhã, com café sem açúcar...
12.2.12
Poeminha aerado
(escrito em 8 de fevereiro durante a viagem do Rio a Natal)
Um poeminha escrito a 12 mil metros de altura,
Um outro escrito ao nivel do mar...
Em que pedaço de céu o primeiro deles se segura?
Em que pedaço de chão ao outro é dado voar?
Um poeminha escrito a 12 mil metros... Que loucura...
O que mais a poesia é capaz de inventar?
É como se não cessasse nunca essa procura:
Inspirar, fluir, nascer, crescer, ficar...
A 12 mil metros, um poeminha inteiro
Entre o Rio Grande do Norte e o de Janeiro,
Entre Natal e o Rio essa visita.
A 12 mil metros, frases pousando,
Criando versos que vão se entrelaçando
A 12 mil metros... Que coisa mais bonita...
Um poeminha escrito a 12 mil metros de altura,
Um outro escrito ao nivel do mar...
Em que pedaço de céu o primeiro deles se segura?
Em que pedaço de chão ao outro é dado voar?
Um poeminha escrito a 12 mil metros... Que loucura...
O que mais a poesia é capaz de inventar?
É como se não cessasse nunca essa procura:
Inspirar, fluir, nascer, crescer, ficar...
A 12 mil metros, um poeminha inteiro
Entre o Rio Grande do Norte e o de Janeiro,
Entre Natal e o Rio essa visita.
A 12 mil metros, frases pousando,
Criando versos que vão se entrelaçando
A 12 mil metros... Que coisa mais bonita...
5.2.12
Tricolor de coração
Sou tricolor de coração,
Sou do time tantas vezes de me dar tanta alegria,
Tantas vezes vitorioso, tantas outras não...
O bom da felicidade é não possuir garantia...
Sou tricolor de coração... Um azarão?
E o que me importa? E por que me importaria?
Sou do time tantas vezes que me causa essa aflição,
Sou do time tantas vezes que me causa essa poesia...
Sou tricolor. E o que mais, além disso, me interessa?
Sou tricolor. Já não tenho pressa
Nem necessidade de vencer ou vencer...
Sou tricolor. Isso pra mim é suficiente.
Poupe-me portanto desse seu acre inconsequente.
Sou tricolor, e isso me dá prazer...
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