9.4.09

O coração

O coração, espírito incontido,
Grande demais para ser formatado,
Ou, muitas vezes, para ser compreendido,
E muitas outras para poder ser explicado,
Por isso, alto demais para ser medido,
Complexo demais para ser domesticado,
Imenso o coração para ser todo lido,
Quase sem fim para ser inteiro decorado,
Etéreo demais para ser tolido,
Ou para ser, o coração, desativado,
Convicto demais para ser banido,
Coerente demais para ser barrado,
Barulhento demais para ser esquecido,
Inalcançavel demais para ser arrastado,
Vivo demais para ser desaprendido,
Veloz demais para ser desacelerado,
Enorme para ser todo destruido,
Ou para ser, por conta disso, controlado,
O coração. Como um poema vivo...
Como um poema, o coração, alado...

Um comentário:

Vovó Albertina disse...

Ai! Não entendi ainda por que você não ganhou o "Prêmio Nobel do Poema" ... Não entendo... como não entendo tanta coisa...

Tem poema que a gente lê e não encontra o que procura. Seu poema poetiza...seu poema sangra... seu poema vibra... seu poema fala, ri canta, dança, sente, pisca, rola... Seu poema chora e ao mesmo tempo limpa a lágrima... engraçado... seu poema encaixa direitinho na palma da mão e nos faz segurar... e mirar e rimar... e esperar, cada dia, outro...


...ali.