A lenta caminhada
Depois de escutar as canções de Todo Caetano...
"Às vezes é solitário viver"...
Às vezes é impossivel voltar...
Às vezes, imprevisível saber...
Às vezes, maravilhoso sonhar...
Às vezes é necessário crescer...
Às vezes muito dificil falar...
Às vezes imprescindivel escrever...
Às vezes desnecessário rimar...
Às vezes é complicado morrer...
Às vezes mais triste é continuar...
Às vezes é muito para aprender...
Às vezes nadica para ensinar...
Ás vezes só tempo prá perceber...
Às vezes segundos para acabar...
Às vezes há tanto prá se fazer...
Às vezes é tão cruel acordar...
Às vezes é solidário poder
Dividir, dar, distribuir, entregar...
Às vezes é solitário fazer...
Às vezes é necessário chorar...
30.12.02
27.12.02
24.12.02
Sobre o "escrever bonitinho"...
Resposta à um comentário recebido sobre meu modo de escrever...
Estive por aqui e voce escreve muito bonitinho.
Foram as sua palavras...
As primeiras que li...
Escrever bonitinho...
Imaginei:
O que seria escrever bonitinho?...
Eu só conseguiria entender como escrever bonitinho
Escrever com a alma...
Transcrever o pensamento e o pulso do coração...
Qualquer tentativa que eu fizesse de escrever a forma
E a rima
E o ritimo
Que não passasse por escrever dessa forma
Não seria escrever bonitinho.
Por isso aceitei suas palavras
E pus uma medalha no peito com orgulho:
Eu escrevo bonitinho.
Minha letra é bonitinha,
E a minha rima
Porque é do coração que elas nascem
E é lá no coração que elas crescem...
O mesmo lugar aonde nasce e cresce o amor...
Qualquer palavra minha que não venha dai,
Qualquer idéia,
Qualquer rima
Não será esse escrever bonitinho
Porque será feito a ave empalhada
De voo ralo,
Ou feito o rio de escoar confuso e lento
Insuficiente para o pensamento...
Que bom voce ter percebido
Como é bonitinho meu escrever...
Somente desse modo tentarei meu texto
Porque somente deste modo
Eu o compreenderia
Bonitinho...
Obrigado por sua visita
E seu carinho...
Resposta à um comentário recebido sobre meu modo de escrever...
Estive por aqui e voce escreve muito bonitinho.
Foram as sua palavras...
As primeiras que li...
Escrever bonitinho...
Imaginei:
O que seria escrever bonitinho?...
Eu só conseguiria entender como escrever bonitinho
Escrever com a alma...
Transcrever o pensamento e o pulso do coração...
Qualquer tentativa que eu fizesse de escrever a forma
E a rima
E o ritimo
Que não passasse por escrever dessa forma
Não seria escrever bonitinho.
Por isso aceitei suas palavras
E pus uma medalha no peito com orgulho:
Eu escrevo bonitinho.
Minha letra é bonitinha,
E a minha rima
Porque é do coração que elas nascem
E é lá no coração que elas crescem...
O mesmo lugar aonde nasce e cresce o amor...
Qualquer palavra minha que não venha dai,
Qualquer idéia,
Qualquer rima
Não será esse escrever bonitinho
Porque será feito a ave empalhada
De voo ralo,
Ou feito o rio de escoar confuso e lento
Insuficiente para o pensamento...
Que bom voce ter percebido
Como é bonitinho meu escrever...
Somente desse modo tentarei meu texto
Porque somente deste modo
Eu o compreenderia
Bonitinho...
Obrigado por sua visita
E seu carinho...
A Tua Nobreza
Poeminha em 3 partes para Paola Faria
I
Reserva um canto prá guardá-la, inteira:
O coração, o sonho, a poesia...
Protege-a da maldade traiçoeira...
Afaste-a sempre da má companhia...
Jamais troque-a por nada, em qualquer tempo...
Jamais a exiba com ar de superior...
Não deixe que pereça à chuva e ao vento
E nem que se desbote e perca a cor...
Como se fosse pedra preciosa,
Como se fosse a Fonte milagrosa,
Como se fosse a luz sobre a incerteza,
Trate de conservá-la com cuidado...
Trate de resguardá-la do pecado...
Trate de protege-la da maldade...
Porque se buscas a Felicidade
O teu caminho é a tua dignidade
E a tua dignidade é a tua nobreza...
Poeminha em 3 partes para Paola Faria
I
Reserva um canto prá guardá-la, inteira:
O coração, o sonho, a poesia...
Protege-a da maldade traiçoeira...
Afaste-a sempre da má companhia...
Jamais troque-a por nada, em qualquer tempo...
Jamais a exiba com ar de superior...
Não deixe que pereça à chuva e ao vento
E nem que se desbote e perca a cor...
Como se fosse pedra preciosa,
Como se fosse a Fonte milagrosa,
Como se fosse a luz sobre a incerteza,
Trate de conservá-la com cuidado...
Trate de resguardá-la do pecado...
Trate de protege-la da maldade...
Porque se buscas a Felicidade
O teu caminho é a tua dignidade
E a tua dignidade é a tua nobreza...
16.12.02
Estava escrito no cartão...
À minha prima Bárbara Abud.
O importante é sonhar,
Não interessa em que altura
Estava escrito no cartão.
E eu completei assim:
O importante é que tu permaneças
Essa mistura
De ternura
E inquietude...
O importante é que não te percas
Da tua grande virtude:
A tua dignidade.
O importante
É que a tua verdade
E a tua razão
Nunca sufoquem Deus
No teu maravilhoso coração.
Seu primo,
Luis.
À minha prima Bárbara Abud.
O importante é sonhar,
Não interessa em que altura
Estava escrito no cartão.
E eu completei assim:
O importante é que tu permaneças
Essa mistura
De ternura
E inquietude...
O importante é que não te percas
Da tua grande virtude:
A tua dignidade.
O importante
É que a tua verdade
E a tua razão
Nunca sufoquem Deus
No teu maravilhoso coração.
Seu primo,
Luis.
A Febre
Madrugada. Febre alta. Era a agonia.
Quarenta graus de morte e de calor.
A febre sufocava. A dor doía...
Cansaço. Desconforto. Mal. Torpor.
Febre alta. Agonia. Madrugada.
O corpo parecia se entregar.
A voz gritava, desesperada.
Tudo que a voz sabia era gritar.
Febre alta. Quarenta. Desespero.
Um desacerto. Um dano. Um exagero.
A dor agonizando a madrugada.
Às vezes também é assim a vida:
Tem dias que arde em febre descabida
Como quem traz a alma sufocada.
A febre ardendo. A alma torporosa.
Cansaço. Desconforto. Mal-estar.
Uma agonia insana e escandalosa.
A alma parecendo sufocar
Como se fosse eterna a madrugada,
Como se fosse imensa essa agonia,
Como se fosse um sol que incendiava,
Como se a noite devorasse o dia...
A alma padecendo em desconforto
Como quem se desgarra e perde o porto...
Como quem é só descontentamento...
Algum lugar há de existir, no entanto,
Que ponha fim à dor e ao desencanto
E que amenize a cor do sofrimento...
Madrugada. Febre alta. Era a agonia.
Quarenta graus de morte e de calor.
A febre sufocava. A dor doía...
Cansaço. Desconforto. Mal. Torpor.
Febre alta. Agonia. Madrugada.
O corpo parecia se entregar.
A voz gritava, desesperada.
Tudo que a voz sabia era gritar.
Febre alta. Quarenta. Desespero.
Um desacerto. Um dano. Um exagero.
A dor agonizando a madrugada.
Às vezes também é assim a vida:
Tem dias que arde em febre descabida
Como quem traz a alma sufocada.
A febre ardendo. A alma torporosa.
Cansaço. Desconforto. Mal-estar.
Uma agonia insana e escandalosa.
A alma parecendo sufocar
Como se fosse eterna a madrugada,
Como se fosse imensa essa agonia,
Como se fosse um sol que incendiava,
Como se a noite devorasse o dia...
A alma padecendo em desconforto
Como quem se desgarra e perde o porto...
Como quem é só descontentamento...
Algum lugar há de existir, no entanto,
Que ponha fim à dor e ao desencanto
E que amenize a cor do sofrimento...
12.12.02
Canalha
A uma amiga que me ofendeu sem me dizer o motivo, provavelmente vitima do mal da mentira, esse poema...
Não deverias me chamar _Canalha!!!!
Sem que eu pudesse me defender...
Fizeste da palavra a tua navalha,
Arma que mata sem conhecer...
_Canalha!!!! Sem me dar nenhum motivo...
Nenhuma forma de explicação...
Como se fosse um gesto obsessivo...
Como se fosses a dona da razão...
_Canalha!!!! Foi assim que me chamaste...
Como se eu fosse um troco, um trapo, um traste...
Foi essa a tua atitude inconsequente...
Toma cuidado. A letra descuidada
Com que tu ofendes é a mesma que te enquadra
E te condena, invariávelmente...
A uma amiga que me ofendeu sem me dizer o motivo, provavelmente vitima do mal da mentira, esse poema...
Não deverias me chamar _Canalha!!!!
Sem que eu pudesse me defender...
Fizeste da palavra a tua navalha,
Arma que mata sem conhecer...
_Canalha!!!! Sem me dar nenhum motivo...
Nenhuma forma de explicação...
Como se fosse um gesto obsessivo...
Como se fosses a dona da razão...
_Canalha!!!! Foi assim que me chamaste...
Como se eu fosse um troco, um trapo, um traste...
Foi essa a tua atitude inconsequente...
Toma cuidado. A letra descuidada
Com que tu ofendes é a mesma que te enquadra
E te condena, invariávelmente...
29.11.02
Oração pelos jovens médicos
Para Cibele Durães, Fernanda de Paula, Juliana Starling, Kellen Dalla e Rachel Cunha.
Amigas que o carinho da vida me permitiu conhecer e cujos corações amorosos e cheios de delicadeza me sensibilizaram desde o primeiro momento.
Hoje, 29 de novembro de 2002 estas meninas superpoderosas recebem seu Diploma de Médico.
É para elas hoje o meu carinho e a minha poesia.
Senhor,
Abençoa estes filhos incansáveis do teu amor...
Já médicos, ainda tão moços...
Fazei com que o tempo que hoje se inicia
Reafirme em seus corações diariamente
A convicção de seus ideais
E de sua vocação
E a coroação de seus esforços e de seus sacrifícios.
Provê, Senhor, os seus cinco sentidos,
Com a beleza e com o mistério da arte da cura,
Fazendo com que estejam sempre preparados para perceber
A palavra não dita,
O sintoma insidioso e não revelado,
Ou sinal que ainda não apareceu...
Permite que, como novos magos
Embriagados de ciência e coração,
Manipulem a dor, ainda que tamanha,
Devolvendo serenidade ao aflito
E alegria ao triste.
Alimenta os seus corações
Com a paz e a serenidade diante dos teus desígnios...
Preserva o sorriso de cada um destes rostos, Senhor,
Já médicos, ainda tão moços.
Protegendo-os da intolerância,
Dos maldizeres,
Das mentiras e queixas e intransigências
Com as quais o seu trabalho se defrontará diariamente...
Seca-lhes as lágrimas das suas tristezas
Para que tragam sempre na alma a serenidade necessária
À difícil tarefa
De combater a dor
E as lágrimas dos que os procurarem...
Concede-lhes a verdadeira alegria,
Fruto do bem estar de propiciar a cura...
Mas quando esta, por algum motivo não for possível,
Permite que mantenham-se serenos e obstinados
Na busca do equilíbrio e da estabilização
Daqueles males ditos incuráveis,
Daquelas dores ditas incessantes,
E dos martírios sem fim...
E naquelas vezes em que também esta estabilidade se perder
E parecer impossível,
Faz com que se vistam de perseverança e determinação
E assim, imensamente alimentados dessa grandeza invisível,
Lutem, como guerreiros incansáveis,
Contra a constatação da morte...
E
Mesmo quando a morte, com sua certeza implacável, vier chegar
Permite que se utilizem ainda de alguma insistência incompreensível
E de uma fascinação inexplicável,
A reanimação,
A fim de vencer a morte
Mesmo quando ela está aparentemente estabelecida.
Mas nos dias em que o insucesso e o fracasso de suas tentativas
Transformar em nada os seus esforços
E em coisa alguma a sua luta,
Seus dias a fio,
E suas noites em claro,
E o óbito ocupar o lugar da cura,
Permite, Senhor,
Que os seus corações se mantenham vivos em sua serenidade e em sua inquietude
Como é sereno o coração dos justos
E como é inquieto o coração dos que procuram o caminho
Da cura,
Do equilíbrio,
Da reanimação
E da aceitação da morte...
Insufla o coração destes meninos, Senhor,
E destas meninas,
Já médicos, ainda tão moços,
Com o signo da paciência
E com a bandeira da tolerância.
Hoje eles sabem que o caminho em que agora se iniciam,
Como pássaros iniciam o seu vôo na amplidão,
É um caminho que se renova
Em um animo que se remultiplica.
É mais que uma profissão.
E proporcionará muito mais que a conquista de empregos, status, nome, títulos e glória.
O caminho que hoje se lhes apresenta é como a energia
Que se mistura a cada parte de seus corpos
E invade cada pedaço de seus pensamentos,
Fazendo com que o respirem quando andarem
E o pronunciem cada vez que conversarem.
Vai se revelar cada vez que se vestirem.
Em cada pedaço de cada coisa que comerem.
E em cada vez que amarem.
E cada vez que cantarem
E chorarem
E sorrirem,
E a cada vez que brincarem,
E a cada vez que durmirem,
Vibrará em cada um destes meninos,
Destas meninas,
Já médicos, ainda tão moços,
O caminho que hoje se inicia.
E este caminho que se inicia passará a fazer parte de seus dias
Como um nome numa certidão de nascimento,
Como uma família,
Como um filho
Do qual em tempo algum será possível
Recusar reconhecer-lhe a consangüinidade.
Nunca permite, Senhor,
Por conta disso,
Que seus amores se afastem
Ou os deixem
Queixando-se egoisticamente de desatenção
Ou falta de tempo.
Faz com que cada um destes corações delicados,
Já médicos, ainda tão moços,
Contaminem suas companhias com a força desse caminho que hoje começa
E recebam delas o apoio e o carinho necessário
Para essa tarefa solitária
Intima
E profunda
Que é ser médico.
Que a alegria que transborda hoje de cada um destes corações delicados
Seja tão gloriosa quanto o futuro que espera por cada um deles.
Ah, Senhor...
Agradeço a felicidade de em algum tempo no curso da minha vida
Ter cruzado com estes corações tão meigos,
Sorrisos tão delicados,
E vozes tão gentis.
Guarda-os Senhor, na tua paz
E os abençoa na tua grandeza.
Hoje e sempre.
Amém.
Para Cibele Durães, Fernanda de Paula, Juliana Starling, Kellen Dalla e Rachel Cunha.
Amigas que o carinho da vida me permitiu conhecer e cujos corações amorosos e cheios de delicadeza me sensibilizaram desde o primeiro momento.
Hoje, 29 de novembro de 2002 estas meninas superpoderosas recebem seu Diploma de Médico.
É para elas hoje o meu carinho e a minha poesia.
Senhor,
Abençoa estes filhos incansáveis do teu amor...
Já médicos, ainda tão moços...
Fazei com que o tempo que hoje se inicia
Reafirme em seus corações diariamente
A convicção de seus ideais
E de sua vocação
E a coroação de seus esforços e de seus sacrifícios.
Provê, Senhor, os seus cinco sentidos,
Com a beleza e com o mistério da arte da cura,
Fazendo com que estejam sempre preparados para perceber
A palavra não dita,
O sintoma insidioso e não revelado,
Ou sinal que ainda não apareceu...
Permite que, como novos magos
Embriagados de ciência e coração,
Manipulem a dor, ainda que tamanha,
Devolvendo serenidade ao aflito
E alegria ao triste.
Alimenta os seus corações
Com a paz e a serenidade diante dos teus desígnios...
Preserva o sorriso de cada um destes rostos, Senhor,
Já médicos, ainda tão moços.
Protegendo-os da intolerância,
Dos maldizeres,
Das mentiras e queixas e intransigências
Com as quais o seu trabalho se defrontará diariamente...
Seca-lhes as lágrimas das suas tristezas
Para que tragam sempre na alma a serenidade necessária
À difícil tarefa
De combater a dor
E as lágrimas dos que os procurarem...
Concede-lhes a verdadeira alegria,
Fruto do bem estar de propiciar a cura...
Mas quando esta, por algum motivo não for possível,
Permite que mantenham-se serenos e obstinados
Na busca do equilíbrio e da estabilização
Daqueles males ditos incuráveis,
Daquelas dores ditas incessantes,
E dos martírios sem fim...
E naquelas vezes em que também esta estabilidade se perder
E parecer impossível,
Faz com que se vistam de perseverança e determinação
E assim, imensamente alimentados dessa grandeza invisível,
Lutem, como guerreiros incansáveis,
Contra a constatação da morte...
E
Mesmo quando a morte, com sua certeza implacável, vier chegar
Permite que se utilizem ainda de alguma insistência incompreensível
E de uma fascinação inexplicável,
A reanimação,
A fim de vencer a morte
Mesmo quando ela está aparentemente estabelecida.
Mas nos dias em que o insucesso e o fracasso de suas tentativas
Transformar em nada os seus esforços
E em coisa alguma a sua luta,
Seus dias a fio,
E suas noites em claro,
E o óbito ocupar o lugar da cura,
Permite, Senhor,
Que os seus corações se mantenham vivos em sua serenidade e em sua inquietude
Como é sereno o coração dos justos
E como é inquieto o coração dos que procuram o caminho
Da cura,
Do equilíbrio,
Da reanimação
E da aceitação da morte...
Insufla o coração destes meninos, Senhor,
E destas meninas,
Já médicos, ainda tão moços,
Com o signo da paciência
E com a bandeira da tolerância.
Hoje eles sabem que o caminho em que agora se iniciam,
Como pássaros iniciam o seu vôo na amplidão,
É um caminho que se renova
Em um animo que se remultiplica.
É mais que uma profissão.
E proporcionará muito mais que a conquista de empregos, status, nome, títulos e glória.
O caminho que hoje se lhes apresenta é como a energia
Que se mistura a cada parte de seus corpos
E invade cada pedaço de seus pensamentos,
Fazendo com que o respirem quando andarem
E o pronunciem cada vez que conversarem.
Vai se revelar cada vez que se vestirem.
Em cada pedaço de cada coisa que comerem.
E em cada vez que amarem.
E cada vez que cantarem
E chorarem
E sorrirem,
E a cada vez que brincarem,
E a cada vez que durmirem,
Vibrará em cada um destes meninos,
Destas meninas,
Já médicos, ainda tão moços,
O caminho que hoje se inicia.
E este caminho que se inicia passará a fazer parte de seus dias
Como um nome numa certidão de nascimento,
Como uma família,
Como um filho
Do qual em tempo algum será possível
Recusar reconhecer-lhe a consangüinidade.
Nunca permite, Senhor,
Por conta disso,
Que seus amores se afastem
Ou os deixem
Queixando-se egoisticamente de desatenção
Ou falta de tempo.
Faz com que cada um destes corações delicados,
Já médicos, ainda tão moços,
Contaminem suas companhias com a força desse caminho que hoje começa
E recebam delas o apoio e o carinho necessário
Para essa tarefa solitária
Intima
E profunda
Que é ser médico.
Que a alegria que transborda hoje de cada um destes corações delicados
Seja tão gloriosa quanto o futuro que espera por cada um deles.
Ah, Senhor...
Agradeço a felicidade de em algum tempo no curso da minha vida
Ter cruzado com estes corações tão meigos,
Sorrisos tão delicados,
E vozes tão gentis.
Guarda-os Senhor, na tua paz
E os abençoa na tua grandeza.
Hoje e sempre.
Amém.
13.11.02
Poeminha meio injuriado
Em Campos uma mesma Fundação que gere dois Hospitais decidiu dobrar o valor do salário de um deles e preservar o do outro, criando para médicos com a mesma função salários completammente diferentes.
Se o meu trabalho não é meia-sola
E se eu não fiz só meia-faculdade
E se salário é direito e não esmola,
Porque é que o patrão que me controla
Insiste em me pagar pela metade?
Em Campos uma mesma Fundação que gere dois Hospitais decidiu dobrar o valor do salário de um deles e preservar o do outro, criando para médicos com a mesma função salários completammente diferentes.
Se o meu trabalho não é meia-sola
E se eu não fiz só meia-faculdade
E se salário é direito e não esmola,
Porque é que o patrão que me controla
Insiste em me pagar pela metade?
8.11.02
Segunda Feira
Manhã de segunda feira, 28 de outubro de 2002...
Era manhã de segunda feira.
A expressão da face brasileira
Era a expressão natural de quem sorria
Como se fosse a manhã de um novo dia...
Como se fosse o começo de um futuro,
O fim de um tempo ruim, de um tempo escuro,
A redenção que de tanto anunciada
Era chegada.
Era manhã de segunda.
A treva parecia moribunda.
A dor se desmanchava em agonia.
O desespero se diluia.
O medo, tantas vezes decantado,
Padecia, indefeso e assustado
E sem saída...
Segunda feira cheia de vida.
Parto sem dor da Nação revigorada.
Conto de Fada
De um povo proletário:
Um Presidente operário
Redescobrindo a Nação...
A esperança vencendo a escuridão...
Era a manhã de segunda que trazia
A Anunciação. A luz da Estrela-guia.
Era a manhã de segunda feira
Lavando enfim a alma brasileira...
...
E eu devo ter percebido nesse dia
A cor vermelha da flor que parecia
A Pátria apaixonada. A mãe gentil.
Era segunda feira em meu Brasil...
Manhã de segunda feira, 28 de outubro de 2002...
Era manhã de segunda feira.
A expressão da face brasileira
Era a expressão natural de quem sorria
Como se fosse a manhã de um novo dia...
Como se fosse o começo de um futuro,
O fim de um tempo ruim, de um tempo escuro,
A redenção que de tanto anunciada
Era chegada.
Era manhã de segunda.
A treva parecia moribunda.
A dor se desmanchava em agonia.
O desespero se diluia.
O medo, tantas vezes decantado,
Padecia, indefeso e assustado
E sem saída...
Segunda feira cheia de vida.
Parto sem dor da Nação revigorada.
Conto de Fada
De um povo proletário:
Um Presidente operário
Redescobrindo a Nação...
A esperança vencendo a escuridão...
Era a manhã de segunda que trazia
A Anunciação. A luz da Estrela-guia.
Era a manhã de segunda feira
Lavando enfim a alma brasileira...
...
E eu devo ter percebido nesse dia
A cor vermelha da flor que parecia
A Pátria apaixonada. A mãe gentil.
Era segunda feira em meu Brasil...
O meio do caminho
No meio do caminho
Tinha um poeta.
No meio do poeta
Um coração.
No coração do poeta
Uma palavra.
Correta.
Pura.
Mansa.
Doce.
Brava.
No meio da palavra
Uma emoção.
No meio do caminho do poeta
Tinha um poema
Sem definição,
Como a palavra
Escrita e incompleta,
Como a poesia
Da imaginação.
Imensa ao mesmo tempo
Que é discreta.
Quieta ao mesmo tempo
Que é trovão.
No meio do caminho a descoberta
Da poesia,
Musica sem som...
No meio do caminho
Havia um poeta
Magrinho
Chamado Carlos Drummond.
No meio do caminho
Tinha um poeta.
No meio do poeta
Um coração.
No coração do poeta
Uma palavra.
Correta.
Pura.
Mansa.
Doce.
Brava.
No meio da palavra
Uma emoção.
No meio do caminho do poeta
Tinha um poema
Sem definição,
Como a palavra
Escrita e incompleta,
Como a poesia
Da imaginação.
Imensa ao mesmo tempo
Que é discreta.
Quieta ao mesmo tempo
Que é trovão.
No meio do caminho a descoberta
Da poesia,
Musica sem som...
No meio do caminho
Havia um poeta
Magrinho
Chamado Carlos Drummond.
A vida como ela dói
Febre. Tosse. Prenhez Tubária.
Parada cardio-respiratória.
Sarampo. Coqueluche. Miliária.
Bronquiolite. Artrite migratória.
Conjuntivite. Dengue. Hemorragia.
Pseudoparalisia de Parrot.
Ptiríase. Escabiose. Mialgia.
Fratura. Entorse. Congestão. Tumor.
Glomerulonefrite. Asfixia.
Claudicação. Angina. Pneuomia.
Hemangioma. Choque. Afogamento.
Nenhuma relação de dores drásticas,
Palavras mórbidas ou dramáticas.
Somente um Boletim de Atendimento...
Febre. Tosse. Prenhez Tubária.
Parada cardio-respiratória.
Sarampo. Coqueluche. Miliária.
Bronquiolite. Artrite migratória.
Conjuntivite. Dengue. Hemorragia.
Pseudoparalisia de Parrot.
Ptiríase. Escabiose. Mialgia.
Fratura. Entorse. Congestão. Tumor.
Glomerulonefrite. Asfixia.
Claudicação. Angina. Pneuomia.
Hemangioma. Choque. Afogamento.
Nenhuma relação de dores drásticas,
Palavras mórbidas ou dramáticas.
Somente um Boletim de Atendimento...
4.11.02
Testemunho
Eu nunca escrevi nenhuma poesia...
Não sou poeta e nunca fui, portanto...
Eu tento é amenizar minha agonia
E às vezes me esconder da chuva fria
No meu canto...
Jamais eu escrevi nenhum poema...
Não tenho o dom da escrita absoluta...
Mas quando o acre da vida me envenena
E o meu desequilibrio me condena
Somente a minha letra é quem me escuta...
Não sou portanto o ilustre literato...
Não faço versos como quem conhece...
Porém se o tempo é cruel e é insensato
E é rude e é insensível e é ingrato
Eu faço da poesia a minha prece...
Não sei fazer sonetos, redondilhas,
Não trago em mim a alma parnasiana...
A rima me defende de armadilhas
E o ritimo me aponta novas trilhas.
No verso é que eu me escapo do meu drama...
Por isso eu nunca rascunhei poesia...
Não sou poeta. Um náufrago somente.
Mas se a grandeza do mar me desafia
Com sua furia audaciosa e doentia
A minha letra me faz sobrevivente...
Eu nunca escrevi nenhuma poesia...
Não sou poeta e nunca fui, portanto...
Eu tento é amenizar minha agonia
E às vezes me esconder da chuva fria
No meu canto...
Jamais eu escrevi nenhum poema...
Não tenho o dom da escrita absoluta...
Mas quando o acre da vida me envenena
E o meu desequilibrio me condena
Somente a minha letra é quem me escuta...
Não sou portanto o ilustre literato...
Não faço versos como quem conhece...
Porém se o tempo é cruel e é insensato
E é rude e é insensível e é ingrato
Eu faço da poesia a minha prece...
Não sei fazer sonetos, redondilhas,
Não trago em mim a alma parnasiana...
A rima me defende de armadilhas
E o ritimo me aponta novas trilhas.
No verso é que eu me escapo do meu drama...
Por isso eu nunca rascunhei poesia...
Não sou poeta. Um náufrago somente.
Mas se a grandeza do mar me desafia
Com sua furia audaciosa e doentia
A minha letra me faz sobrevivente...
Poema para Juliana
Minha amiga Juliana Starling, carioquíssima e apaixonada pelo Rio, se forma em Medicina nos próximos dias pela Faculdade de Medicina de Campos. Acompanhei, como pediatra, sua formação em Obstetricia. Sei o tamanho do sacrificio que ela fez para chegar até aqui. A voce, Juliana, nosso carinho e nossa torcida.
É só pra te contar dessa saudade...
É só pra descontar essa distancia...
É só pra recordar nossa amizade...
É só prá te saudar com elegancia...
É só prá te dizer do meu afeto...
É só pra te encontrar feliz da vida...
É só para tentar chegar mais perto...
É só prá não falar em despedida...
É só prá me alegrar da tua alegria...
É só prá estar na tua companhia...
É só prá ter lugar na tua torcida...
É só por conhecer a tua estória...
É só para aplaudir tua vitória
Suada, longa, limpa e merecida...
Minha amiga Juliana Starling, carioquíssima e apaixonada pelo Rio, se forma em Medicina nos próximos dias pela Faculdade de Medicina de Campos. Acompanhei, como pediatra, sua formação em Obstetricia. Sei o tamanho do sacrificio que ela fez para chegar até aqui. A voce, Juliana, nosso carinho e nossa torcida.
É só pra te contar dessa saudade...
É só pra descontar essa distancia...
É só pra recordar nossa amizade...
É só prá te saudar com elegancia...
É só prá te dizer do meu afeto...
É só pra te encontrar feliz da vida...
É só para tentar chegar mais perto...
É só prá não falar em despedida...
É só prá me alegrar da tua alegria...
É só prá estar na tua companhia...
É só prá ter lugar na tua torcida...
É só por conhecer a tua estória...
É só para aplaudir tua vitória
Suada, longa, limpa e merecida...
29.10.02
Outro soneto imperfeito para passarinha...
Passarinha carioca de alma livre
Que não se assusta com tempestade...
Absoluta na forma como vive
E soberana em sua liberdade...
Passarinha carioca. Toda inteira.
De loura cabeleira e pele clara.
Faz sexta parecer segunda feira.
Faz água parecer bebida rara...
Passarinha carioca. Soberana.
Gostosa feito Copacabana.
Dona de Campo Grande e de Ipanema...
Passarinha carioca. Toda fibra.
Deliciosa feito Guaratiba.
Toma esse beijo em forma de poema...
Passarinha carioca de alma livre
Que não se assusta com tempestade...
Absoluta na forma como vive
E soberana em sua liberdade...
Passarinha carioca. Toda inteira.
De loura cabeleira e pele clara.
Faz sexta parecer segunda feira.
Faz água parecer bebida rara...
Passarinha carioca. Soberana.
Gostosa feito Copacabana.
Dona de Campo Grande e de Ipanema...
Passarinha carioca. Toda fibra.
Deliciosa feito Guaratiba.
Toma esse beijo em forma de poema...
23.10.02
O Medo
Tem gente que tem medo de Lula...
Tem gente que tem medo de coice de mula...
Tem gente que tem medo de mula-sem-cabeça...
Eu tenho medo é de que a nossa capacidade de indignação desapareça...
Tem gente que tem medo do castigo...
Tem gente que tem medo de perder o abrigo...
Tem gente que tem medo do exílio, do degredo...
Eu tenho medo é de ficar com medo...
Tem gente que tem medo de dormir no escuro...
Tem gente que tem medo de pular o muro...
Tem gente que tem medo da ameaça à bala...
Eu tenho medo é de ter medo da mão que me apunhala...
Tem gente que tem medo de poesia...
Tem gente que tem medo de encarar a luz do dia...
Tem gente que tem medo do que escreve e diz...
Eu tenho medo é de um dia ter medo de ser feliz...
Tem gente que tem medo de levar um tiro...
Tem gente que tem medo do beijo do vampiro...
Tem gente que tem medo só de imaginar...
Eu tenho medo é de um dia eu ter medo de sonhar...
Tem gente que tem medo de encarar o tapa...
Tem gente que tem medo de sair na capa...
Tem gente que tem medo do próprio retrato...
Eu tenho medo é de deixar barato...
Tem gente que tem medo da arbitrariedade...
Tem gente que tem medo da verdade...
Tem gente que tem medo da perseguição...
Eu tenho medo é de acordar com medo de escutar a voz que vem do coração.
Tem gente que tem medo da Primeira Dama...
Tem gente que tem medo da segunda cesariana...
Tem gente que tem medo da Terceira Guerra...
Eu tenho medo é do medo que me emperra...
Tem gente que tem medo de lutar. E morre.
Tem gente que tem medo de enfrentar. E corre...
Tem gente que tem medo de cumprir a pena...
Eu tenho medo é de qualquer dia amanhecer com medo de escrever poema...
Tem gente que tem medo de Lula...
Tem gente que tem medo de coice de mula...
Tem gente que tem medo de mula-sem-cabeça...
Eu tenho medo é de que a nossa capacidade de indignação desapareça...
Tem gente que tem medo do castigo...
Tem gente que tem medo de perder o abrigo...
Tem gente que tem medo do exílio, do degredo...
Eu tenho medo é de ficar com medo...
Tem gente que tem medo de dormir no escuro...
Tem gente que tem medo de pular o muro...
Tem gente que tem medo da ameaça à bala...
Eu tenho medo é de ter medo da mão que me apunhala...
Tem gente que tem medo de poesia...
Tem gente que tem medo de encarar a luz do dia...
Tem gente que tem medo do que escreve e diz...
Eu tenho medo é de um dia ter medo de ser feliz...
Tem gente que tem medo de levar um tiro...
Tem gente que tem medo do beijo do vampiro...
Tem gente que tem medo só de imaginar...
Eu tenho medo é de um dia eu ter medo de sonhar...
Tem gente que tem medo de encarar o tapa...
Tem gente que tem medo de sair na capa...
Tem gente que tem medo do próprio retrato...
Eu tenho medo é de deixar barato...
Tem gente que tem medo da arbitrariedade...
Tem gente que tem medo da verdade...
Tem gente que tem medo da perseguição...
Eu tenho medo é de acordar com medo de escutar a voz que vem do coração.
Tem gente que tem medo da Primeira Dama...
Tem gente que tem medo da segunda cesariana...
Tem gente que tem medo da Terceira Guerra...
Eu tenho medo é do medo que me emperra...
Tem gente que tem medo de lutar. E morre.
Tem gente que tem medo de enfrentar. E corre...
Tem gente que tem medo de cumprir a pena...
Eu tenho medo é de qualquer dia amanhecer com medo de escrever poema...
9.10.02
A Lição da Estrada
Ninguém é dono da tua vontade.
Não há remédio prá não se matar.
A Pílula de Vida de verdade
É ter algum motivo para amar...
Ninguém estabelece o teu caminho
Ou vive em teu lugar a tua vida.
Não é feliz quem é feliz sozinho.
Há sempre alguma fresta de saida.
Portanto toma conta do teu rumo.
Segura em tuas mãos teu próprio prumo.
O Sol não morre após a tempestade.
Não te disperses nas correntezas.
Jamais te asfixies em tuas tristezas.
Este é o sabor da tua Felicidade.
Ninguém é dono da tua vontade.
Não há remédio prá não se matar.
A Pílula de Vida de verdade
É ter algum motivo para amar...
Ninguém estabelece o teu caminho
Ou vive em teu lugar a tua vida.
Não é feliz quem é feliz sozinho.
Há sempre alguma fresta de saida.
Portanto toma conta do teu rumo.
Segura em tuas mãos teu próprio prumo.
O Sol não morre após a tempestade.
Não te disperses nas correntezas.
Jamais te asfixies em tuas tristezas.
Este é o sabor da tua Felicidade.
A Estrela
A Luis Inácio Lula da Silva, Presidente do Brasil
“Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel”
O Cio da Terra - Chico Buarque/Milton Nascimento.
" Só faltava o mel, só faltava o mel
Mas o mel chegou!
Pingava mel, da parede escorria mel
Eu passava o dedo
E provava sem medo e sem temor"
Na Casa Dela - Gilberto Gil
Tocar a mão na Estrela...
Banhar o coração na claridade...
Houve um período feito de maldade,
Da noite em meu País, da impunidade,
E ao mesmo tempo
Um tempo de delírio, fantasia,
De encantamento...
A poesia da ingenuidade...
Tocar a Estrela, quase uma heresia...
Tocá-la, quase a impossibilidade...
E, como se desejos impossíveis
Teassem fios inimagináveis,
Delírios que eram quase inatingíveis
Tornaram-se, aos poucos, permissíveis,
E, por assim dizer, realizáveis...
Tocar a Estrela com o Coração
Como se fosse a Voz de uma Nação,
Como se fosse o seu Hino...
E, mais do que tocar, pegar na mão...
A Estrela foi tornando uma opção...
Foi deixando de ser um desatino...
E foi assim:
João Desempregado disse sim,
Pedro Desiludido se animou,
Chico do Contra, embora achando ruim,
Quase no fim concordou, depois sorriu,
Juca Indeciso se decidiu,
Zé Otimista se convenceu,
Paulo Maluco esse dia nem surtou,
O Pecador porque se arrependeu,
O Filho Pródigo porque voltou,
O Guarda Noturno porque o sol nasceu,
A bela Atriz porque a noite chegou,
O Estudante por falta de medo,
O Apressado por um segundo,
O Encabulado quase em segredo,
O Profeta pra tentar salvar o mundo,
Tião Fazendeiro por distração,
Zeca Pedreiro por querer demais,
O Metalúrgico por opinião,
O Metaleiro porque tanto faz,
O Padre por amor à sua batina
E o Pastor por não ter que se confessar,
E o menino por causa da menina,
E o Pescador por causa do mar,
Cada um a seu modo e do seu jeito
Imaginou ser digno do direito,
Merecedor, por conceito,
De ver a Estrela brilhar...
Paolinha mandou fazer um vestido,
Geórgia convenceu o namorado,
Fernanda com seu jeito distraído,
Renata com seu modo comportado,
Simone fez questão de acordar cedo,
Andréya passou lendo a noite inteira,
Francine cruzou o dedo,
Cartola foi lembrado na Mangueira,
Flávia Cristina voltou da França,
Dra. Francis faltou plantão,
A Bárbara parecia uma criança
Passeando de avião,
A Poesia ficou toda prosa,
A luz do dia, cheia de si,
Copacabana amanheceu maravilhosa
De tanto rir
Porque de repente
Toda essa gente
Crioula, branca, pálida, amarela,
Foi desejando completamente
A Luz da Estrela...
Tocar a mão suada na Estrela...
Banhar o suor em sua claridade...
Como quem passa livre da maldade...
Como quem desrespeita a impunidade...
Como quem desafia o próprio tempo...
Como quem vive a própria fantasia...
Como quem faz o próprio encantamento...
Como quem canta a própria ingenuidade...
Como quem legaliza uma heresia
E desconhece a impossibilidade...
Daquela Estrela jorrava mel...
Brotava mel de dentro do chão...
E das paredes das casas e dos rios
E dos espaços vazios e das ruas
O mel suava, jorrava
E escorria...
Era a Estrela que se aproximava...
Era a Estrela que permitia
A toda gente, naquele instante,
Uma aproximação impressionante
Como uma Boa Nova que chegava,
Como se fosse um banho de alegria...
E toda gente
Sedenta, lúcida, leve e em paz radiante,
Tocou a Estrela imensa feito o Céu...
Bebeu da Estrela a doçura do mel...
Se lambuzou de mel...
E se fartou de mel...
E, pelo que se soube,
Até onde se diz,
A gente brasileira
Pela primeira vez e derradeira
Pegou na mão, tomou a sua Estrela,
E desse dia em diante
Foi feliz...
A Luis Inácio Lula da Silva, Presidente do Brasil
“Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel”
O Cio da Terra - Chico Buarque/Milton Nascimento.
" Só faltava o mel, só faltava o mel
Mas o mel chegou!
Pingava mel, da parede escorria mel
Eu passava o dedo
E provava sem medo e sem temor"
Na Casa Dela - Gilberto Gil
Tocar a mão na Estrela...
Banhar o coração na claridade...
Houve um período feito de maldade,
Da noite em meu País, da impunidade,
E ao mesmo tempo
Um tempo de delírio, fantasia,
De encantamento...
A poesia da ingenuidade...
Tocar a Estrela, quase uma heresia...
Tocá-la, quase a impossibilidade...
E, como se desejos impossíveis
Teassem fios inimagináveis,
Delírios que eram quase inatingíveis
Tornaram-se, aos poucos, permissíveis,
E, por assim dizer, realizáveis...
Tocar a Estrela com o Coração
Como se fosse a Voz de uma Nação,
Como se fosse o seu Hino...
E, mais do que tocar, pegar na mão...
A Estrela foi tornando uma opção...
Foi deixando de ser um desatino...
E foi assim:
João Desempregado disse sim,
Pedro Desiludido se animou,
Chico do Contra, embora achando ruim,
Quase no fim concordou, depois sorriu,
Juca Indeciso se decidiu,
Zé Otimista se convenceu,
Paulo Maluco esse dia nem surtou,
O Pecador porque se arrependeu,
O Filho Pródigo porque voltou,
O Guarda Noturno porque o sol nasceu,
A bela Atriz porque a noite chegou,
O Estudante por falta de medo,
O Apressado por um segundo,
O Encabulado quase em segredo,
O Profeta pra tentar salvar o mundo,
Tião Fazendeiro por distração,
Zeca Pedreiro por querer demais,
O Metalúrgico por opinião,
O Metaleiro porque tanto faz,
O Padre por amor à sua batina
E o Pastor por não ter que se confessar,
E o menino por causa da menina,
E o Pescador por causa do mar,
Cada um a seu modo e do seu jeito
Imaginou ser digno do direito,
Merecedor, por conceito,
De ver a Estrela brilhar...
Paolinha mandou fazer um vestido,
Geórgia convenceu o namorado,
Fernanda com seu jeito distraído,
Renata com seu modo comportado,
Simone fez questão de acordar cedo,
Andréya passou lendo a noite inteira,
Francine cruzou o dedo,
Cartola foi lembrado na Mangueira,
Flávia Cristina voltou da França,
Dra. Francis faltou plantão,
A Bárbara parecia uma criança
Passeando de avião,
A Poesia ficou toda prosa,
A luz do dia, cheia de si,
Copacabana amanheceu maravilhosa
De tanto rir
Porque de repente
Toda essa gente
Crioula, branca, pálida, amarela,
Foi desejando completamente
A Luz da Estrela...
Tocar a mão suada na Estrela...
Banhar o suor em sua claridade...
Como quem passa livre da maldade...
Como quem desrespeita a impunidade...
Como quem desafia o próprio tempo...
Como quem vive a própria fantasia...
Como quem faz o próprio encantamento...
Como quem canta a própria ingenuidade...
Como quem legaliza uma heresia
E desconhece a impossibilidade...
Daquela Estrela jorrava mel...
Brotava mel de dentro do chão...
E das paredes das casas e dos rios
E dos espaços vazios e das ruas
O mel suava, jorrava
E escorria...
Era a Estrela que se aproximava...
Era a Estrela que permitia
A toda gente, naquele instante,
Uma aproximação impressionante
Como uma Boa Nova que chegava,
Como se fosse um banho de alegria...
E toda gente
Sedenta, lúcida, leve e em paz radiante,
Tocou a Estrela imensa feito o Céu...
Bebeu da Estrela a doçura do mel...
Se lambuzou de mel...
E se fartou de mel...
E, pelo que se soube,
Até onde se diz,
A gente brasileira
Pela primeira vez e derradeira
Pegou na mão, tomou a sua Estrela,
E desse dia em diante
Foi feliz...
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