17.6.07

O Livro dos Espíritos

Recordo-me, menino ainda assustado,
De ter tomado nas mãos aquele livro
Cuja autoria maior era inequívoca...
Recordo-me, menino impressionado,
Das primeiras leituras, sem motivo,
E da impressão que me causou, magnífica.

Era um menino
De muitos sonhares,
Muitos poemas por escrever,
De um dia conhecer muitos lugares,
E muitas gentes para conhecer.

Era um menino
Cheio de perguntas
Que os outros meninos não sabiam responder.
E eram tantas, cada vez mais muitas,
Que eu insistia em fazer.

Era um menino
Ainda, quando um dia,
Tomei aquele livro em minha mão
Como se fosse um clarão na noite fria
Iluminando a minha escuridão.

E assustado, o menino, ao folheá-lo,
E antes que eu percebesse ou concordasse,
Aquele livro foi me convencendo.
E sem que ninguém me pedisse que o lesse,
E sem que ninguém me obrigasse,
Aquele livro foi me envolvendo.

Que é Deus? Decidido, perguntava.
Que se deve entender por Infinito?
É dado ao homem conhecer o princípio das coisas? continuava,
E o menino lia tudo, aflito...


Quando começou a Terra a ser povoada?
De onde vieram para a Terra os seres vivos?
E a cada pergunta formulada,
Respostas. Ensinamentos expressivos.
E as dúvidas que tem a alma encarnada
Formavam as respostas desse livro.

Que sucede à alma no instante da morte?
Como se explica a vida intra-uterina?
Em que consiste a missão dos espíritos encarnados?
E, como lista sem fim que não termina,
Do mesmo modo que o Mestre quando ensina,
A responderam espíritos abnegados.

Era uma onda imensa e benfazeja,
De luz intensa, arrebatadora,
Era o alicerce de uma nova igreja,
Sem rituais, sem reis, mas reveladora.

Recordo-me, menino ainda assustado,
Como colhido por um redemoinho,
Que já não me era possível mais fugir.
Recordo-me, absolutamente extasiado,
Daquele grande mapa do caminho
Do qual era impossível desistir.

Hoje, o menino de ontem, já crescido,
Ao deparar-se com aquelas mesmas letras,
Confessa-se ainda emocionado
Ao compreender-se um recém-nascido,
Um pó na infinitude dos planetas
E pela mesma grande Lei subjugado.

Hoje, o menino de ontem, quase nada,
Toma nas mãos o Livro dos Espíritos
E para si mesmo diz: Tudo o que eu sei
Vai nestas letras atribuídas a Kardec:
Nascer, viver, morrer,
Renascer ainda
E progredir continuamente,
Esta é a lei.

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