Carta ao Prefeito de Campos dos Goytacazes
Carta escrita para representar a equipe médica da Emergencia do Hospital Geral de Guarus em Campos, RJ, junto à Prefeitura após fracassarem inumeras tentativas de contato. Publicada na edição de hoje da Folha da Manhã, um dos principais jornais de nossa região.
Sr. Prefeito,
Desculpe-nos a forma inusitada e incomum de comunicação.
Mas reconheça:
Um Prefeito é mais difícil de ser encontrado
Do que um médico de plantão.
A gente bem que tentou, Sr. Prefeito,
Mas em vão.
Até documento assinado e carimbado
Foi devidamente por seu Gabinete protocolado
Mas nenhuma resposta chegou à nossa mão.
Por isso é que arriscamos essa carta inusitada
E nos organizamos para que fosse publicada
Nesse jornal de grande circulação.
É a sua ajuda que pedimos, Sr. Prefeito,
E a sua compreensão.
A gente tem trabalhado com presteza
Tentando estar à altura da grandeza
Do Hospital Geral de Guarus,
A menina dos olhos da sua gestão.
Mas não tem sido fácil, Sr. Prefeito.
É imenso e complicado e desgastante
O atendimento à população.
É gente grave que chega à cada instante
Precisando de atenção.
E a eficiência na forma do atendimento
Nem sempre é reconhecida
E nem sempre é tratada com gratidão.
É mais fácil para um Prefeito receber o reconhecimento
Do que para um médico de plantão.
Mas se é aqui que se diagnostica e trata, Sr. Prefeito,
O infarto, a arritmia, a hipertensão,
A hipofonese das bulhas,
A precordialgia e a fibrilação,
Se a gente não pode contar com o apoio
Daquele que é conhecido como o Prefeito do Coração
Com o apoio de quem a gente poderá contar então?
E não é muito o que a gente quer, Sr. Prefeito:
Somente conversar sobre a nossa complementação.
Um adicional qualquer sobre o salário
Que é ganho com tanto trabalho
E que merece uma compensação.
Por ser sincero nosso pedido
E delicada a nossa situação
Já recebemos o apoio da nossa Direção.
Igual apoio tivemos
Do Presidente da Fundação.
Todo esse apoio legitima nossa luta, Sr. Prefeito,
E reconhece que o salário que recebemos
Precisa de uma injeção.
Mas sem a sua palavra, Sr. Prefeito,
Sem a sua aprovação,
Tudo dito, nada feito,
Não há solução.
Por isso essa forma inusitada, Sr. Prefeito
Merecidamente eleito
Publicamente merecedor do conceito
De melhor Prefeito da Região,
Por isso esse pedido: Sr. Prefeito
Recebe nossa Comissão.
É de uma boa conversa
Que muitas vezes
Nasce a tranqüilidade e a harmonização.
Recebe nosso respeito,
Sr. Prefeito,
Nosso colega de profissão.
Agradecemos sua paciência
E desde já aguardamos a sua convocação.
16.3.03
6.3.03
A primeira vez que eu vi um anjo...
Ao meu irmão Carlinhos
Perdi de alguma maneira o meu irmão Carlinhos em fevereiro de 1973 aos 17 anos de idade. Aos 7 meses, de uma queda acidental de seu carrinho, foi ao chão. Acudiram-lhe dois anjos incansáveis: meu pai e minha mãe. Em 3 de março Carlinhos estaria fazendo 47 anos. Foi a primeira vez que vi um anjo...
I
Foi a primeira vez que eu vi um anjo.
Cabelos negros. Pele clara. E ria.
Ele falava sem usar palavra.
Trazia em seu olhar a sua energia.
E quase não se mexia e nem andava.
Não pronunciava as coisas que dizia.
Era a linguagem dos anjos que ele usava.
Era a voz do seu coração que a gente ouvia.
Talvez a linda negra cabeleira
E a pele branca e leve feito pêra
Deixassem sugerir fragilidade...
Foi a primeira vez que vi um anjo.
Eu sempre vi meu irmão dessa maneira.
Sem culpa. Sem pecado. Sem maldade.
II
Foi a primeira vez que vi um anjo.
De nome Carlos, mas que poderia
Chamar-se luminosidade, cântico,
Delicadeza, abnegação, poesia...
E numa madrugada, fevereiro,
Sobressaltado, acordei. Meu pai chorava.
Jesus chamou nosso anjo... ele dizia...
E a madrugada, longa, não passava.
Naquela noite eu pude ouvir um anjo
Chorando um outro anjo que partia,
Esvaziando aquela madrugada.
A noite mais cruel. A mais comprida.
A derradeira dor da despedida.
A curva anunciando a nova estrada.
III
Foi a primeira vez que vi um anjo.
Como era doce a cor do seu olhar.
Falava a língua dos anjos. Parecia
Que não precisava da voz para falar.
Que era a sua alma que sorria.
Que percorria tudo sem andar.
Um pássaro sem asas que sabia
Como voar e para onde voar.
Foi a primeira. A mais desconcertante.
A mais especial e impressionante.
Um sonho sem dormir nem acordar.
Foi a primeira vez que vi um anjo.
E hoje eu trago em mim a sua estória.
E guardo dentro de mim o seu olhar.
Ao meu irmão Carlinhos
Perdi de alguma maneira o meu irmão Carlinhos em fevereiro de 1973 aos 17 anos de idade. Aos 7 meses, de uma queda acidental de seu carrinho, foi ao chão. Acudiram-lhe dois anjos incansáveis: meu pai e minha mãe. Em 3 de março Carlinhos estaria fazendo 47 anos. Foi a primeira vez que vi um anjo...
I
Foi a primeira vez que eu vi um anjo.
Cabelos negros. Pele clara. E ria.
Ele falava sem usar palavra.
Trazia em seu olhar a sua energia.
E quase não se mexia e nem andava.
Não pronunciava as coisas que dizia.
Era a linguagem dos anjos que ele usava.
Era a voz do seu coração que a gente ouvia.
Talvez a linda negra cabeleira
E a pele branca e leve feito pêra
Deixassem sugerir fragilidade...
Foi a primeira vez que vi um anjo.
Eu sempre vi meu irmão dessa maneira.
Sem culpa. Sem pecado. Sem maldade.
II
Foi a primeira vez que vi um anjo.
De nome Carlos, mas que poderia
Chamar-se luminosidade, cântico,
Delicadeza, abnegação, poesia...
E numa madrugada, fevereiro,
Sobressaltado, acordei. Meu pai chorava.
Jesus chamou nosso anjo... ele dizia...
E a madrugada, longa, não passava.
Naquela noite eu pude ouvir um anjo
Chorando um outro anjo que partia,
Esvaziando aquela madrugada.
A noite mais cruel. A mais comprida.
A derradeira dor da despedida.
A curva anunciando a nova estrada.
III
Foi a primeira vez que vi um anjo.
Como era doce a cor do seu olhar.
Falava a língua dos anjos. Parecia
Que não precisava da voz para falar.
Que era a sua alma que sorria.
Que percorria tudo sem andar.
Um pássaro sem asas que sabia
Como voar e para onde voar.
Foi a primeira. A mais desconcertante.
A mais especial e impressionante.
Um sonho sem dormir nem acordar.
Foi a primeira vez que vi um anjo.
E hoje eu trago em mim a sua estória.
E guardo dentro de mim o seu olhar.
24.2.03
A palavra dada
Entra à vontade. A casa não tem portão.
Pode chegar.
Olhar não paga. Ficar não paga. Nem levar não.
Se quiser pode pegar
Porque não estraga.
Abre a boca. Abre os olhos. Abre a mão.
Se quiser pode copiar, clonar, distribuir.
Nem precisa pedir,
É só pegar.
Não desmonta, não desbota,
Não se gasta, não se esgota
E cabe em qualquer lugar:
Na cabeça, na viola,
Na hora de namorar,
Nas palavras do discurso de formatura,
No bar,
Na coisa não inventada,
Na conduta mais vulgar...
Pode entrar e pegar. Não paga nada.
Pode chegar e ficar.
Pode pegar só um terço ou só metade
Ou pode pegar inteira e ampliar.
Se não gostar, passsa a frente.
Se gostar, experimente
Rascunhar.
Não precisa ser moderna,
Nem careta, nem carente,
Nem católica, nem crente,
Basta ter necessidade de falar.
Não precisa ser perfeita,
Politicamente correta,
Sem defeito,
Pode ser só brincadeira de rimar.
Pode entrar. Fica à vontade.
E não repare na simplicidade
Do lugar.
Mas não estranha.
Tem dia
Que sair por ai pra ler poesia
Pode dar uma vontade de chorar...
Por isso não precisa disfarçar.
Pode entrar.
Pode pegar.
Selecionar,
Copiar,
Colar
E encaminhar.
Fique à vontade.
A poesia se chama liberdade
Ou companhia
Ou alimento...
E mesmo quando contém felicidade,
E mesmo quando é pedaços de lamento,
E mesmo quando se perde na saudade,
E mesmo quando disfarça o sofrimento,
E mesmo quando é metade,
E mesmo quando ultrapassa os cem por cento,
A poesia é assim:
Convidativa.
Não tem limite,
Nem hora,
Nem tem tempo
Nem lugar.
Não tem fronteira,
Nem freio,
Não tem hora de recreio,
Não tem muro
Mas tem mar.
Por isso pode chegar.
Fica à vontade.
Por distração ou por necessidade,
Por prazer ou por acaso, pode entrar...
Não paga nada.
A poesia é assim:
Prá ser escrita e lida e copiada.
Palavra feita prá criar palavra.
Palavra dada
Que não se pode privatizar.
Palavra dada
Que não se pode tomar.
Palavra dada
Fundamental feito o ar.
Palavra dada.
Não é preciso pedir.
Pode levar.
Entra à vontade. A casa não tem portão.
Pode chegar.
Olhar não paga. Ficar não paga. Nem levar não.
Se quiser pode pegar
Porque não estraga.
Abre a boca. Abre os olhos. Abre a mão.
Se quiser pode copiar, clonar, distribuir.
Nem precisa pedir,
É só pegar.
Não desmonta, não desbota,
Não se gasta, não se esgota
E cabe em qualquer lugar:
Na cabeça, na viola,
Na hora de namorar,
Nas palavras do discurso de formatura,
No bar,
Na coisa não inventada,
Na conduta mais vulgar...
Pode entrar e pegar. Não paga nada.
Pode chegar e ficar.
Pode pegar só um terço ou só metade
Ou pode pegar inteira e ampliar.
Se não gostar, passsa a frente.
Se gostar, experimente
Rascunhar.
Não precisa ser moderna,
Nem careta, nem carente,
Nem católica, nem crente,
Basta ter necessidade de falar.
Não precisa ser perfeita,
Politicamente correta,
Sem defeito,
Pode ser só brincadeira de rimar.
Pode entrar. Fica à vontade.
E não repare na simplicidade
Do lugar.
Mas não estranha.
Tem dia
Que sair por ai pra ler poesia
Pode dar uma vontade de chorar...
Por isso não precisa disfarçar.
Pode entrar.
Pode pegar.
Selecionar,
Copiar,
Colar
E encaminhar.
Fique à vontade.
A poesia se chama liberdade
Ou companhia
Ou alimento...
E mesmo quando contém felicidade,
E mesmo quando é pedaços de lamento,
E mesmo quando se perde na saudade,
E mesmo quando disfarça o sofrimento,
E mesmo quando é metade,
E mesmo quando ultrapassa os cem por cento,
A poesia é assim:
Convidativa.
Não tem limite,
Nem hora,
Nem tem tempo
Nem lugar.
Não tem fronteira,
Nem freio,
Não tem hora de recreio,
Não tem muro
Mas tem mar.
Por isso pode chegar.
Fica à vontade.
Por distração ou por necessidade,
Por prazer ou por acaso, pode entrar...
Não paga nada.
A poesia é assim:
Prá ser escrita e lida e copiada.
Palavra feita prá criar palavra.
Palavra dada
Que não se pode privatizar.
Palavra dada
Que não se pode tomar.
Palavra dada
Fundamental feito o ar.
Palavra dada.
Não é preciso pedir.
Pode levar.
18.2.03
17.2.03
Poema da Despedida
Escrito em dezembro de 1999 quando em meu coração chovia. Perdi este poema e hoje encontrei-o por acaso ao arrumar meus papéis. Sempre me intriga imaginar como tive o dominio para escrêve-lo num periodo em que me encontrava tão desencontrado. E hoje, sempre quando o releio, impressiona-me encontrar nele sinais de rumo, de recaminho, de recomeço naquele tempo de tanta aridez... Quem há de compreender a inspiração? Se o verso é calmo e a alma é tão aflita como é que o verso vem do coração?
Ei-lo.
Redesenhar os caminhos
Por sobre as águas do mar...
Redescobrir novos rumos
E navegar... Navegar...
Buscar pouso em terra firme.
Aprender como chegar.
Atravessar tempestades
Sem medo de naufragar.
Há muito deixei meu porto,
Minha cidade, meu lar...
Descobri novos poetas,
Novas formas de rimar,
Novas vozes, novos cantos,
Novo jeito de dançar.
Há muito deixei, eu lembro,
Meus amigos de brincar.
Conheci novas paisagens.
Vi vento novo soprar
Trazendo novos aromas
Gostosos de respirar.
Vivenciei esses dias
A ponto de me tornar
Autor de novas poesias
Que aprendi a rabiscar.
Mas de seguir navegando
Por sobre as águas do mar
Eu fui me desgovernando
Até me desgovernar.
Hoje, solto no oceano,
Ainda sei flutuar.
Ainda busco caminhos,
Ainda quero ancorar.
Ainda que mais sozinho
Do que fui ao começar,
Ainda que em desalinho,
Preciso lançar-me ao mar.
Redescobrir novos rumos,
Novos poemas criar,
Atravessando tormentas
Sem me desestruturar.
Recomeço a minha estória.
Desconheço onde vai dar.
Meu verso é a minha escora,
Meu lenço de não chorar.
Eu levo, na despedida,
Eterno recomeçar,
Lembranças da minha vida
Que o tempo não vai levar:
O carinho dos amigos,
O amor que me fez sonhar,
As horas tristes e as boas
De que aprendi a gostar.
As madrugadas em claro
Sem ver a luz do luar.
Os tantos versos escritos
Que eu não soube declamar.
Tantos fatos tão bonitos
Que já nem sei separar
O que é de mim, o que posso
E o que não posso levar.
Há muito deixei, tranquilo,
Na ânsia de navegar,
Meu porto, seguro e firme,
Mas muito menor que o mar.
E hoje, na despedida,
Não vou precisar chorar.
Ainda me resta a vida,
Ainda quero sonhar,
Ainda que enfraquecida
A voz ainda quer cantar,
Ainda que à deriva
Sobre a imensidão do mar,
A nau não está perdida
Porque sabe flutuar.
Nessa hora da partida
Ainda quero buscar
O canto dos novos rumos,
As notas de um novo lar,
Os versos de um novo tempo,
Poemas de renovar...
Meu pai tem muitas moradas,
Alguma há de me abrigar.
Ainda que faça noite...
Ainda que falte o ar...
Ainda que eu sinta frio...
Ainda que eu perca o mar...
Na despedida eu escrevo
Prá que eu possa me lembrar:
Redesenhar os caminhos
Por sobre as águas do mar...
Redescobrir novos rumos
E navegar... Navegar...
Escrito em dezembro de 1999 quando em meu coração chovia. Perdi este poema e hoje encontrei-o por acaso ao arrumar meus papéis. Sempre me intriga imaginar como tive o dominio para escrêve-lo num periodo em que me encontrava tão desencontrado. E hoje, sempre quando o releio, impressiona-me encontrar nele sinais de rumo, de recaminho, de recomeço naquele tempo de tanta aridez... Quem há de compreender a inspiração? Se o verso é calmo e a alma é tão aflita como é que o verso vem do coração?
Ei-lo.
Redesenhar os caminhos
Por sobre as águas do mar...
Redescobrir novos rumos
E navegar... Navegar...
Buscar pouso em terra firme.
Aprender como chegar.
Atravessar tempestades
Sem medo de naufragar.
Há muito deixei meu porto,
Minha cidade, meu lar...
Descobri novos poetas,
Novas formas de rimar,
Novas vozes, novos cantos,
Novo jeito de dançar.
Há muito deixei, eu lembro,
Meus amigos de brincar.
Conheci novas paisagens.
Vi vento novo soprar
Trazendo novos aromas
Gostosos de respirar.
Vivenciei esses dias
A ponto de me tornar
Autor de novas poesias
Que aprendi a rabiscar.
Mas de seguir navegando
Por sobre as águas do mar
Eu fui me desgovernando
Até me desgovernar.
Hoje, solto no oceano,
Ainda sei flutuar.
Ainda busco caminhos,
Ainda quero ancorar.
Ainda que mais sozinho
Do que fui ao começar,
Ainda que em desalinho,
Preciso lançar-me ao mar.
Redescobrir novos rumos,
Novos poemas criar,
Atravessando tormentas
Sem me desestruturar.
Recomeço a minha estória.
Desconheço onde vai dar.
Meu verso é a minha escora,
Meu lenço de não chorar.
Eu levo, na despedida,
Eterno recomeçar,
Lembranças da minha vida
Que o tempo não vai levar:
O carinho dos amigos,
O amor que me fez sonhar,
As horas tristes e as boas
De que aprendi a gostar.
As madrugadas em claro
Sem ver a luz do luar.
Os tantos versos escritos
Que eu não soube declamar.
Tantos fatos tão bonitos
Que já nem sei separar
O que é de mim, o que posso
E o que não posso levar.
Há muito deixei, tranquilo,
Na ânsia de navegar,
Meu porto, seguro e firme,
Mas muito menor que o mar.
E hoje, na despedida,
Não vou precisar chorar.
Ainda me resta a vida,
Ainda quero sonhar,
Ainda que enfraquecida
A voz ainda quer cantar,
Ainda que à deriva
Sobre a imensidão do mar,
A nau não está perdida
Porque sabe flutuar.
Nessa hora da partida
Ainda quero buscar
O canto dos novos rumos,
As notas de um novo lar,
Os versos de um novo tempo,
Poemas de renovar...
Meu pai tem muitas moradas,
Alguma há de me abrigar.
Ainda que faça noite...
Ainda que falte o ar...
Ainda que eu sinta frio...
Ainda que eu perca o mar...
Na despedida eu escrevo
Prá que eu possa me lembrar:
Redesenhar os caminhos
Por sobre as águas do mar...
Redescobrir novos rumos
E navegar... Navegar...
Da minha maneira...
Eu vou vivendo...
Às vezes fico meio chateado.
Às vezes fico meio sonolento.
Às vezes ando meio que de lado.
Às vezes quase parado.
Às vezes corro mais que o pensamento.
E vou levando.
Às vezes como quem vai se enganando.
Às vezes carregado de razão.
Às vezes é razão que vai me guiando.
Às vezes é o coração.
E vou dizendo.
Às vezes vou escrevendo.
Às vezes cantarolando.
Às vezes fico só observando.
Às vezes fico me intrometendo.
Às vezes fico sabendo.
Às vezes finjo que não estou entendendo.
Eu vou gostando.
Às vezes nem tanto.
Às vezes demais da conta.
Às vezes eu admito que me espanto
Com as contas que a vida apronta.
E vou colhendo.
Às vezes eu vou plantando.
Às vezes eu me pego prometendo.
Às vezes eu me apanho sonegando.
Às vezes eu me pego devolvendo.
Às vezes eu me pego despistando.
Às vezes eu me pego dependendo.
Eu vou tentando.
Às vezes é um toró que vai caindo.
Às vezes um friozinho incomodando.
Às vezes amanhece um sol tão lindo.
Às vezes anoitece trovejando.
Às vezes nem percebo e eu estou rindo.
Às vezes, sem motivo, estou chorando.
Às vezes, à tardinha, um vento frio.
Às vezes só calor e insolação.
Às vezes tudo em volta é tão vazio.
Vazando todo meu coração.
Mas eu vou bem.
Apesar do pesar do dia a dia.
Às vezes não preciso ver ninguém.
Às vezes eu procuro companhia.
Às vezes eu me faço de refém
Da poesia.
Às vezes numa folha de papel tudo é tão zen
Que eu nem sabia...
Eu vou vivendo...
Às vezes fico meio chateado.
Às vezes fico meio sonolento.
Às vezes ando meio que de lado.
Às vezes quase parado.
Às vezes corro mais que o pensamento.
E vou levando.
Às vezes como quem vai se enganando.
Às vezes carregado de razão.
Às vezes é razão que vai me guiando.
Às vezes é o coração.
E vou dizendo.
Às vezes vou escrevendo.
Às vezes cantarolando.
Às vezes fico só observando.
Às vezes fico me intrometendo.
Às vezes fico sabendo.
Às vezes finjo que não estou entendendo.
Eu vou gostando.
Às vezes nem tanto.
Às vezes demais da conta.
Às vezes eu admito que me espanto
Com as contas que a vida apronta.
E vou colhendo.
Às vezes eu vou plantando.
Às vezes eu me pego prometendo.
Às vezes eu me apanho sonegando.
Às vezes eu me pego devolvendo.
Às vezes eu me pego despistando.
Às vezes eu me pego dependendo.
Eu vou tentando.
Às vezes é um toró que vai caindo.
Às vezes um friozinho incomodando.
Às vezes amanhece um sol tão lindo.
Às vezes anoitece trovejando.
Às vezes nem percebo e eu estou rindo.
Às vezes, sem motivo, estou chorando.
Às vezes, à tardinha, um vento frio.
Às vezes só calor e insolação.
Às vezes tudo em volta é tão vazio.
Vazando todo meu coração.
Mas eu vou bem.
Apesar do pesar do dia a dia.
Às vezes não preciso ver ninguém.
Às vezes eu procuro companhia.
Às vezes eu me faço de refém
Da poesia.
Às vezes numa folha de papel tudo é tão zen
Que eu nem sabia...
Quitanda de Versos
Escrito recuperado por acaso ao encontrar esta página inicial de uma compilação que tentei fazer dos meus escritos e que ao rele-lo resolvi dividi-lo aqui no blog...
Isso que dá entrar em férias, revisar e futucar papeladas que dormiam...
Não espere encontrar numa quitanda o artigo fino que você procura.
Procure ali ovo da roça, a goiabada caseira, o feijão, a fruta colhida do pé...
A mercadoria comum. O diário. O simples. O fácil. O óbvio.
Foi assim que acabei fazendo destas páginas a minha Quitanda de Versos.
Gravando nelas minha letra comum, diária, simples, fácil e exatamente óbvia.
Não sei escrever o verso elegante de Drummond, Bandeira, Mário, Gullar, Vinicius...
Não me reconheço como poeta.
Quasepoeta talvez, de algum modo, em alguns momentos.
Ficou guardado em mim o menino que aprendeu rimar com Castro Alves.
Que continua encantado pelos Laços de Fita.
Que encontrou um jeito pessoal de dizer Bom Dia diferente.
E as vezes nem bom dia, exatamente...
Mas reinventar a poesia diariamente...
E assim plantando a letra inconformada com a palavra escrita e ritimada, vai colhendo poesia em cada pagina de papel abandonada...
Não espere encontrar aqui a forma perfeita do verso correto, o poema completo...
Mas a palavra suave de uma pessoa comum que se esqueceu com dizer Bom Dia...
Por isso diz: poesia...
Simples, diária, fácil e exatamente óbvia...
Como é o dia quando a gente diz Bom Dia.
Como é o dia quando a gente faz poesia...
Como é a poesia todo dia...
Esta é a minha Quitanda de Versos...
Mais nada.
Campos, 30 de setembro de 2000
Escrito recuperado por acaso ao encontrar esta página inicial de uma compilação que tentei fazer dos meus escritos e que ao rele-lo resolvi dividi-lo aqui no blog...
Isso que dá entrar em férias, revisar e futucar papeladas que dormiam...
Não espere encontrar numa quitanda o artigo fino que você procura.
Procure ali ovo da roça, a goiabada caseira, o feijão, a fruta colhida do pé...
A mercadoria comum. O diário. O simples. O fácil. O óbvio.
Foi assim que acabei fazendo destas páginas a minha Quitanda de Versos.
Gravando nelas minha letra comum, diária, simples, fácil e exatamente óbvia.
Não sei escrever o verso elegante de Drummond, Bandeira, Mário, Gullar, Vinicius...
Não me reconheço como poeta.
Quasepoeta talvez, de algum modo, em alguns momentos.
Ficou guardado em mim o menino que aprendeu rimar com Castro Alves.
Que continua encantado pelos Laços de Fita.
Que encontrou um jeito pessoal de dizer Bom Dia diferente.
E as vezes nem bom dia, exatamente...
Mas reinventar a poesia diariamente...
E assim plantando a letra inconformada com a palavra escrita e ritimada, vai colhendo poesia em cada pagina de papel abandonada...
Não espere encontrar aqui a forma perfeita do verso correto, o poema completo...
Mas a palavra suave de uma pessoa comum que se esqueceu com dizer Bom Dia...
Por isso diz: poesia...
Simples, diária, fácil e exatamente óbvia...
Como é o dia quando a gente diz Bom Dia.
Como é o dia quando a gente faz poesia...
Como é a poesia todo dia...
Esta é a minha Quitanda de Versos...
Mais nada.
Campos, 30 de setembro de 2000
Convite
Tomar meu carinho,
Cruzar meu caminho,
Descansar no silencio do meu coração...
Deitar no meu ombro,
Brincar no meu colo,
Volitar nas palavras da minha canção...
Beber do meu copo,
Escutar o meu sopro,
Dizer sempre que sim, nunca dizer que não...
Adivinhar pensamentos,
Regar sentimentos,
Nunca mais as mazelas da desatenção...
Sonhar acordada,
Virar madrugada,
Deitada, dormir descansada no chão...
Andar de mão dada,
Alma acompanhada,
Desaprender a palavra solidão...
Tomar meu carinho,
Cruzar meu caminho,
Descansar no silencio do meu coração...
Deitar no meu ombro,
Brincar no meu colo,
Volitar nas palavras da minha canção...
Beber do meu copo,
Escutar o meu sopro,
Dizer sempre que sim, nunca dizer que não...
Adivinhar pensamentos,
Regar sentimentos,
Nunca mais as mazelas da desatenção...
Sonhar acordada,
Virar madrugada,
Deitada, dormir descansada no chão...
Andar de mão dada,
Alma acompanhada,
Desaprender a palavra solidão...
A Moeda
Uma pessoa, que sempre se passou por amiga, tomou-me por emprástimo um valor que eu iria precisar logo adiante. Esquecendo todas as regras de decencia e gratidão, essa pessoa resolveu não me devolver o valor emprestado, causando-me dificuldades, e não me apresentar quaisquer justificativa além de me evitar. À ela, meu poema.
Eu te ajudei quando tu precisaste.
Não fiz questão nenhuma de ajudar.
Tomaste-me emprestado aquele dia
A moeda cuja falta de fazia.
Eu te ajudei sem nada perguntar.
E nada eu te emprestei das minhas sobras
Mas do que eu ia, em breve, precisar.
Levaste a moeda inteira que pediste.
Pegaste a moeda. Depois sumiste.
Tomaste-me emprestado sem pagar.
Mas nada te entreguei do que sobrava,
Do que eu podia desperdiçar...
E já sabias, desde o teu pedido
Prontamente atendido,
Que eu te emprestei sem poder emprestar.
Mas mesmo assim não destes mais noticias.
O que emprestei não era prá te dar.
Eu nada te passei do que sobrava.
Somente te ajudei. Não precisava,
Por pagamento, me prejudicar.
Tomaste-me a moeda. A que querias.
Respeito? Gratidão? Decencia? Nada.
Não percebeste, entretanto, que a moeda
Que tu levaste é a que trará a tua queda
E que por ela serás condenada.
Uma pessoa, que sempre se passou por amiga, tomou-me por emprástimo um valor que eu iria precisar logo adiante. Esquecendo todas as regras de decencia e gratidão, essa pessoa resolveu não me devolver o valor emprestado, causando-me dificuldades, e não me apresentar quaisquer justificativa além de me evitar. À ela, meu poema.
Eu te ajudei quando tu precisaste.
Não fiz questão nenhuma de ajudar.
Tomaste-me emprestado aquele dia
A moeda cuja falta de fazia.
Eu te ajudei sem nada perguntar.
E nada eu te emprestei das minhas sobras
Mas do que eu ia, em breve, precisar.
Levaste a moeda inteira que pediste.
Pegaste a moeda. Depois sumiste.
Tomaste-me emprestado sem pagar.
Mas nada te entreguei do que sobrava,
Do que eu podia desperdiçar...
E já sabias, desde o teu pedido
Prontamente atendido,
Que eu te emprestei sem poder emprestar.
Mas mesmo assim não destes mais noticias.
O que emprestei não era prá te dar.
Eu nada te passei do que sobrava.
Somente te ajudei. Não precisava,
Por pagamento, me prejudicar.
Tomaste-me a moeda. A que querias.
Respeito? Gratidão? Decencia? Nada.
Não percebeste, entretanto, que a moeda
Que tu levaste é a que trará a tua queda
E que por ela serás condenada.
8.2.03
A Fortaleza do Ceará
Escrito em fevereiro de 2003, durante uma visita à Fortaleza, CE.
Dedicado ao povo cearense.
Os primeiros versos deste poema rascunhei no livro de visitas do Museu Histórico de Fortaleza
Donde Ceará que vem
A Fortaleza desse lugar?
De que brisa pequenina?
De que solina gigante,
Deliciosa feito o suco da cajuína
E impressionante?
Vem do passeio de jegue?
Vem do passeio de jipe?
Vem de Canoa Quebrada?
Das velas do Mucuripe?
Da Broadway de Canoa, nouveau-hippie?
Vem da castanha de caju torrada?
Do Padre Tito?
De Patativa?
Da força da poesia de cordel?
Vem de Cumbuco? Vem da paçoca?
Da tapioca?
Da virgem dos lábios de mel?
Do canto da graúna, delicado?
Do ritmo do forró de pe de serra?
Desse seu jeito de falar cantado?
Daonde a Fortaleza da sua terra?
Das romarias em Juazeiro?
Do seu Santo Padim Ciço milagreiro?
Do fôlego sem fim da sua embolada?
Do repentista? Do violeiro?
Do boiadeiro?
Da sua sanfona de voz forrozeada?
Vem do repente? Do mote? Do motivo?
Da poesia que brota da sua gente?
Do seu encanto sem adjetivo?
Da sua fala malemolente?
Vem do sabor dos lábios de Iracema?
Da tanta vida que há na carnaúba?
Da sua gente de pele morena?
Da sua dose de pinga que derruba?
Das suas fontes?
Das suas pontes?
Do seu gosto de castanha?
Desse seu modo moleque arrodiado?
Do seu humor arretado?
Da sua ginga com mandinga e manha?
Vem do baião que é de dois mesmo sozinho?
Do doce da rapadura?
Da sua cerveja com sabor de vinho?
Do seu sertão tão sofrido de secura?
Donde Ceará que tanta força brota?
De Canoa? Da Serra? Da Aldeota?
Do lamento sertanejo?
Do sol que nunca se esconde?
Ceará de onde?
Da quinta com caranguejo?
Daonde essa energia contagiante
Que vem de dentro da sua gente?
Daonde? Desse jeito cativante
De se seguir adiante e sempre em frente,
Superando a dureza castigante,
Transformando em canção a dor pungente,
Fazendo a poesia impressionante
Que sai da alma de um povo crente?
Daonde é que vem? Me conta,
Me aponta,
Pra que eu possa só olhar...
A Fortaleza, nome da cidade
Que de hoje em diante significa ingenuidade...
A Fortaleza... De onde Ceará?
Escrito em fevereiro de 2003, durante uma visita à Fortaleza, CE.
Dedicado ao povo cearense.
Os primeiros versos deste poema rascunhei no livro de visitas do Museu Histórico de Fortaleza
Donde Ceará que vem
A Fortaleza desse lugar?
De que brisa pequenina?
De que solina gigante,
Deliciosa feito o suco da cajuína
E impressionante?
Vem do passeio de jegue?
Vem do passeio de jipe?
Vem de Canoa Quebrada?
Das velas do Mucuripe?
Da Broadway de Canoa, nouveau-hippie?
Vem da castanha de caju torrada?
Do Padre Tito?
De Patativa?
Da força da poesia de cordel?
Vem de Cumbuco? Vem da paçoca?
Da tapioca?
Da virgem dos lábios de mel?
Do canto da graúna, delicado?
Do ritmo do forró de pe de serra?
Desse seu jeito de falar cantado?
Daonde a Fortaleza da sua terra?
Das romarias em Juazeiro?
Do seu Santo Padim Ciço milagreiro?
Do fôlego sem fim da sua embolada?
Do repentista? Do violeiro?
Do boiadeiro?
Da sua sanfona de voz forrozeada?
Vem do repente? Do mote? Do motivo?
Da poesia que brota da sua gente?
Do seu encanto sem adjetivo?
Da sua fala malemolente?
Vem do sabor dos lábios de Iracema?
Da tanta vida que há na carnaúba?
Da sua gente de pele morena?
Da sua dose de pinga que derruba?
Das suas fontes?
Das suas pontes?
Do seu gosto de castanha?
Desse seu modo moleque arrodiado?
Do seu humor arretado?
Da sua ginga com mandinga e manha?
Vem do baião que é de dois mesmo sozinho?
Do doce da rapadura?
Da sua cerveja com sabor de vinho?
Do seu sertão tão sofrido de secura?
Donde Ceará que tanta força brota?
De Canoa? Da Serra? Da Aldeota?
Do lamento sertanejo?
Do sol que nunca se esconde?
Ceará de onde?
Da quinta com caranguejo?
Daonde essa energia contagiante
Que vem de dentro da sua gente?
Daonde? Desse jeito cativante
De se seguir adiante e sempre em frente,
Superando a dureza castigante,
Transformando em canção a dor pungente,
Fazendo a poesia impressionante
Que sai da alma de um povo crente?
Daonde é que vem? Me conta,
Me aponta,
Pra que eu possa só olhar...
A Fortaleza, nome da cidade
Que de hoje em diante significa ingenuidade...
A Fortaleza... De onde Ceará?
3.2.03
2.2.03
24.1.03
Prá não dizer que não falei de coisa alguma na hora da despedida.
Em novembro de 2002 deixei a Santa Casa de Misericórdia de Campos apos 16 anos de trabalho como médico plantonista. Durante esse período exerci também as funções de Chefe de Serviço de Pediatria, Assessor da Direção Clínica e Definidor.
Santa Casa, eu vou-me embora dos seus corredores.
Nunca mais frequentarei as suas enfermarias.
Nunca mais meus desatinos nem seus dissabores.
Nunca mais meus prematuros, suas pneumonias.
Vou-me embora, Santa Casa, das suas escadas.
Dos seus caminhos, meia noite, silenciosos.
Nunca mais suas intermináveis madrugadas.
Nunca mais no pátio os muitos gatos preguiçosos.
Nunca mais a lentidão dos seus elevadores.
Nunca mais a subserviência dos seus funcionários.
Nunca mais a impaciência dos seus Diretores.
Nunca mais a longa espera pelos seus salários.
Nunca mais a hiperplasia dos seus Provedores
E a inoperância do seu Definitório.
Nunca mais a inaceitável lista de favores
Que são cobrados no consultório.
Nunca mais as reuniões do seu Centro de Estudos.
Nunca mais as assembléias livres, soberanas,
Derrubando Provedores, corrigindo absurdos.
Enfrentando as normas toscas e levianas.
Nunca mais seu Estatuto, folha ultrapassada,
Autoritária, doente, obsoleta.
Palavra cheia de si, mas condenada
Pelo veneno imbecil da própria letra.
Nem a Roda dos Expostos de tantas estórias,
Nem os velhos quadros do tempo do Império.
Nem seus Barões de nomes e de glórias
Que hoje enfeitam o cemitério.
Vou-me embora, Santa Casa. Em paz.
Bebi seu fel. Provei da sua luz.
Talvez lembranças, por nunca mais
Seus prematuros, meus cangurus,
Suas crianças, meu aprendizado,
Sua miséria, minha tolerancia.
Talvez vontade de ter arriscado.
Talvez, em nome da sua infancia.
Eu vou e levo comigo tanta gente.
Que de hoje em diante chamarei: saudade.
Eu vou-me embora, tranquilamente,
Porque não cometi iniquidade.
Não fiz dinheiro do seu sofrimento.
Não me prevaleci da dor alheia.
Não fiz motivos de arrependimento
Porque eu não te trai na Ultima Ceia.
Eu vou-me embora certo da partida:
Não há retorno para a correnteza.
Eu vou-me embora sem despedida.
Não deixo carta alguma sobre a mesa.
E assim como num dia triste e escuro,
Em sua maca o meu pai morria,
Talvez eu volte, quem sabe, num futuro,
A ver de perto sua Enfermaria.
Mas nesse dia não trarei risada
Serei ali o resto que há de vida.
Talvez eu volte, casca agonizada,
Somente para a nossa despedida.
Como meu pai, talvez eu volte um dia,
Mas sem reconhecer ninguém nem nada.
Talvez eu torne à sua companhia
Talvez, antes da hora imaginada...
Santa Casa, eu vou-me embora das suas memórias.
Não deixo sombra, nem resto, nem nada.
Não farei parte mais das suas estórias,
Como quem segue a luz da própria estrada.
Por isso nunca mais o pensamento.
Por isso nunca mais o coração.
Não há nada mais forte do que o tempo
Não há nada mais frágil que a emoção.
Por isso, Santa Casa, a despedida.
Sem desencanto. Sem desalento.
Que Deus proteja e guarde a sua vida
E amenize o seu sofrimento.
Em novembro de 2002 deixei a Santa Casa de Misericórdia de Campos apos 16 anos de trabalho como médico plantonista. Durante esse período exerci também as funções de Chefe de Serviço de Pediatria, Assessor da Direção Clínica e Definidor.
Santa Casa, eu vou-me embora dos seus corredores.
Nunca mais frequentarei as suas enfermarias.
Nunca mais meus desatinos nem seus dissabores.
Nunca mais meus prematuros, suas pneumonias.
Vou-me embora, Santa Casa, das suas escadas.
Dos seus caminhos, meia noite, silenciosos.
Nunca mais suas intermináveis madrugadas.
Nunca mais no pátio os muitos gatos preguiçosos.
Nunca mais a lentidão dos seus elevadores.
Nunca mais a subserviência dos seus funcionários.
Nunca mais a impaciência dos seus Diretores.
Nunca mais a longa espera pelos seus salários.
Nunca mais a hiperplasia dos seus Provedores
E a inoperância do seu Definitório.
Nunca mais a inaceitável lista de favores
Que são cobrados no consultório.
Nunca mais as reuniões do seu Centro de Estudos.
Nunca mais as assembléias livres, soberanas,
Derrubando Provedores, corrigindo absurdos.
Enfrentando as normas toscas e levianas.
Nunca mais seu Estatuto, folha ultrapassada,
Autoritária, doente, obsoleta.
Palavra cheia de si, mas condenada
Pelo veneno imbecil da própria letra.
Nem a Roda dos Expostos de tantas estórias,
Nem os velhos quadros do tempo do Império.
Nem seus Barões de nomes e de glórias
Que hoje enfeitam o cemitério.
Vou-me embora, Santa Casa. Em paz.
Bebi seu fel. Provei da sua luz.
Talvez lembranças, por nunca mais
Seus prematuros, meus cangurus,
Suas crianças, meu aprendizado,
Sua miséria, minha tolerancia.
Talvez vontade de ter arriscado.
Talvez, em nome da sua infancia.
Eu vou e levo comigo tanta gente.
Que de hoje em diante chamarei: saudade.
Eu vou-me embora, tranquilamente,
Porque não cometi iniquidade.
Não fiz dinheiro do seu sofrimento.
Não me prevaleci da dor alheia.
Não fiz motivos de arrependimento
Porque eu não te trai na Ultima Ceia.
Eu vou-me embora certo da partida:
Não há retorno para a correnteza.
Eu vou-me embora sem despedida.
Não deixo carta alguma sobre a mesa.
E assim como num dia triste e escuro,
Em sua maca o meu pai morria,
Talvez eu volte, quem sabe, num futuro,
A ver de perto sua Enfermaria.
Mas nesse dia não trarei risada
Serei ali o resto que há de vida.
Talvez eu volte, casca agonizada,
Somente para a nossa despedida.
Como meu pai, talvez eu volte um dia,
Mas sem reconhecer ninguém nem nada.
Talvez eu torne à sua companhia
Talvez, antes da hora imaginada...
Santa Casa, eu vou-me embora das suas memórias.
Não deixo sombra, nem resto, nem nada.
Não farei parte mais das suas estórias,
Como quem segue a luz da própria estrada.
Por isso nunca mais o pensamento.
Por isso nunca mais o coração.
Não há nada mais forte do que o tempo
Não há nada mais frágil que a emoção.
Por isso, Santa Casa, a despedida.
Sem desencanto. Sem desalento.
Que Deus proteja e guarde a sua vida
E amenize o seu sofrimento.
20.1.03
Paratudo
Contra fel, moléstia, crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro...
Paratodos - Chico Buarque
Pros dias de grandes dificuldades
Use o Chico Buarque de As Cidades.
E para os dias de enganos e de engodos
Chico Buarque de Paratodos.
Praqueles dias cheios de perigos
Use o Chico de Meus Caros Amigos.
Pros dias icompreensíveis feito certos crimes
Experimente o Chico de As Vitrines.
Nos dias feitos prá se preparar
Chico de Quando o Carnaval Chegar.
Pros dias de ir aos trancos e barrancos
Chico Buarque de Os Saltimbancos.
Pros dias claros, com muito sol,
Tome Chico Buarque em espanhol.
E pros dias cinzentos, sem nenhum palpite,
Chico Buarque ao vivo em Paris no Le Zenith.
Praqueles dias de menor dano
Experimente Chico e Caetano.
E para os dias em que a estupidez se assanha
Fique com Chico de Chico e Betania.
Pros dias em que a gente pega, esfrega, nega mas não lava,
Chico Buarque de Uma Palavra.
Nos dias em que a gente sente o baque
Somente Chico Buarque de Almanaque.
Pros dias quietos, de solidão,
Chico Buarque de Construção.
Nos outros dias cheios de mágoa
Chico Buarque de Gota d água.
Naqueles dias feitos prá arriscar
Chico Buarque de Calabar.
Porque quando fugir não adianta
Ai só Chico de Chicocanta.
Pros dias de tomar todo cuidado
Chico Buarque de Sinal Fechado.
E para aqueles de correr risco
Tome o Chico Buarque de Francisco.
Praqueles dias em que a gente vai levando
Chico Buarque de A Ópera do Malandro.
E para os dias que não tem saida
Chico Buarque de Vida.
Pros dias feitos prá ficar na sua
Chico de A Dança da Meia Lua.
Pros dias longos, de grande calor,
Chico de Para Viver um Grade Amor.
E para os dias em que o amor é como um raio
Tente o Chico Buarque de Cambaio.
Por isso faça o que eu faço,
Por isso escute o que eu digo:
Para os dias de fuxico,
Para os dias de futrico,
Pros dias de mexerico,
Tome Chico,
Cante Chico,
Escute Chico
Que, no convés, vai sombrio,
Cabeleira de rapaz
Pela água do rio
Que é sem fim
E é nunca mais...
Contra fel, moléstia, crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro...
Paratodos - Chico Buarque
Pros dias de grandes dificuldades
Use o Chico Buarque de As Cidades.
E para os dias de enganos e de engodos
Chico Buarque de Paratodos.
Praqueles dias cheios de perigos
Use o Chico de Meus Caros Amigos.
Pros dias icompreensíveis feito certos crimes
Experimente o Chico de As Vitrines.
Nos dias feitos prá se preparar
Chico de Quando o Carnaval Chegar.
Pros dias de ir aos trancos e barrancos
Chico Buarque de Os Saltimbancos.
Pros dias claros, com muito sol,
Tome Chico Buarque em espanhol.
E pros dias cinzentos, sem nenhum palpite,
Chico Buarque ao vivo em Paris no Le Zenith.
Praqueles dias de menor dano
Experimente Chico e Caetano.
E para os dias em que a estupidez se assanha
Fique com Chico de Chico e Betania.
Pros dias em que a gente pega, esfrega, nega mas não lava,
Chico Buarque de Uma Palavra.
Nos dias em que a gente sente o baque
Somente Chico Buarque de Almanaque.
Pros dias quietos, de solidão,
Chico Buarque de Construção.
Nos outros dias cheios de mágoa
Chico Buarque de Gota d água.
Naqueles dias feitos prá arriscar
Chico Buarque de Calabar.
Porque quando fugir não adianta
Ai só Chico de Chicocanta.
Pros dias de tomar todo cuidado
Chico Buarque de Sinal Fechado.
E para aqueles de correr risco
Tome o Chico Buarque de Francisco.
Praqueles dias em que a gente vai levando
Chico Buarque de A Ópera do Malandro.
E para os dias que não tem saida
Chico Buarque de Vida.
Pros dias feitos prá ficar na sua
Chico de A Dança da Meia Lua.
Pros dias longos, de grande calor,
Chico de Para Viver um Grade Amor.
E para os dias em que o amor é como um raio
Tente o Chico Buarque de Cambaio.
Por isso faça o que eu faço,
Por isso escute o que eu digo:
Para os dias de fuxico,
Para os dias de futrico,
Pros dias de mexerico,
Tome Chico,
Cante Chico,
Escute Chico
Que, no convés, vai sombrio,
Cabeleira de rapaz
Pela água do rio
Que é sem fim
E é nunca mais...
15.1.03
A Ameaça
Durante as suas atividades de plantão no Setor de Emergencia de um Hospital minha colega Mércia foi injustamente ameaçada e intimidada sem que tivesse provocado, por um individuo arrogante. Até quando?
Como se não bastasse o mau salário
E a pouca refeição do refeitório,
E a rigidez vigiada do horário,
E as confusões em frente ao consultório,
E os exageros do vocabulário,
E os muitos casos de ambulatório,
E o trabalho, feito o de um operário,
E a falta da TV no dormitório,
Cumprir semanalmente esse calvário
Por um salário tão irrisório,
Como se não bastasse, um usuário,
Conforme escrito no relatório,
Ameaça uma colega de trabalho
Que, sem ter culpa alguma no cartório,
Cumpria, trabalhando, o seu horário
Em troca de um valor tão irrisório,
Sem regalias, feito um operário,
Sem mordomias no seu dormitório,
Sem gentilezas por parte do usuário,
Desprotegida em seu consultório,
Como se não bastasse o mau salário
E a pouca refeição do refeitório...
Até quando aceitar tudo ao contrário:
Poder o Céu e morar no purgatório?
Durante as suas atividades de plantão no Setor de Emergencia de um Hospital minha colega Mércia foi injustamente ameaçada e intimidada sem que tivesse provocado, por um individuo arrogante. Até quando?
Como se não bastasse o mau salário
E a pouca refeição do refeitório,
E a rigidez vigiada do horário,
E as confusões em frente ao consultório,
E os exageros do vocabulário,
E os muitos casos de ambulatório,
E o trabalho, feito o de um operário,
E a falta da TV no dormitório,
Cumprir semanalmente esse calvário
Por um salário tão irrisório,
Como se não bastasse, um usuário,
Conforme escrito no relatório,
Ameaça uma colega de trabalho
Que, sem ter culpa alguma no cartório,
Cumpria, trabalhando, o seu horário
Em troca de um valor tão irrisório,
Sem regalias, feito um operário,
Sem mordomias no seu dormitório,
Sem gentilezas por parte do usuário,
Desprotegida em seu consultório,
Como se não bastasse o mau salário
E a pouca refeição do refeitório...
Até quando aceitar tudo ao contrário:
Poder o Céu e morar no purgatório?
11.1.03
O Teu Nome
O amor está escrito no teu nome,
Amanda.
Por isso quando quase tudo chia,
E quase tudo é quase que só fome,
E o mundo todo desanda,
Como se fosse um toque de poesia,
O amor, porque se esconde no teu nome.
Trata de ser a bóia em tua vida
E água e sombra na tua estrada...
A dor imensa agora é a dor mais branda,
A cicatriz cuidando da ferida,
E o que era tudo agora é quase nada...
O meio dia em plena madrugada...
Porque o amor, que mora no teu nome,
É o que te faz completa e preparada,
Amanda...
O amor está escrito no teu nome,
Amanda.
Por isso quando quase tudo chia,
E quase tudo é quase que só fome,
E o mundo todo desanda,
Como se fosse um toque de poesia,
O amor, porque se esconde no teu nome.
Trata de ser a bóia em tua vida
E água e sombra na tua estrada...
A dor imensa agora é a dor mais branda,
A cicatriz cuidando da ferida,
E o que era tudo agora é quase nada...
O meio dia em plena madrugada...
Porque o amor, que mora no teu nome,
É o que te faz completa e preparada,
Amanda...
6.1.03
Poeminha maneirinho pra minha maninha mineirinha
Minas Gerais já nos deu Tiradentes...
Depois Drummond...
E Milton Nascimento...
Depois nos deu e nos levou Tancredo...
E nos tem dado muito pão de queijo...
E muito, muito, muito pão de queijo...
Mas desde quando ela nos deu voce,
Paolinha,
Minas merece finalmente um beijo...
Minas Gerais já nos deu Tiradentes...
Depois Drummond...
E Milton Nascimento...
Depois nos deu e nos levou Tancredo...
E nos tem dado muito pão de queijo...
E muito, muito, muito pão de queijo...
Mas desde quando ela nos deu voce,
Paolinha,
Minas merece finalmente um beijo...
1.1.03
30.12.02
A lenta caminhada
Depois de escutar as canções de Todo Caetano...
"Às vezes é solitário viver"...
Às vezes é impossivel voltar...
Às vezes, imprevisível saber...
Às vezes, maravilhoso sonhar...
Às vezes é necessário crescer...
Às vezes muito dificil falar...
Às vezes imprescindivel escrever...
Às vezes desnecessário rimar...
Às vezes é complicado morrer...
Às vezes mais triste é continuar...
Às vezes é muito para aprender...
Às vezes nadica para ensinar...
Ás vezes só tempo prá perceber...
Às vezes segundos para acabar...
Às vezes há tanto prá se fazer...
Às vezes é tão cruel acordar...
Às vezes é solidário poder
Dividir, dar, distribuir, entregar...
Às vezes é solitário fazer...
Às vezes é necessário chorar...
Depois de escutar as canções de Todo Caetano...
"Às vezes é solitário viver"...
Às vezes é impossivel voltar...
Às vezes, imprevisível saber...
Às vezes, maravilhoso sonhar...
Às vezes é necessário crescer...
Às vezes muito dificil falar...
Às vezes imprescindivel escrever...
Às vezes desnecessário rimar...
Às vezes é complicado morrer...
Às vezes mais triste é continuar...
Às vezes é muito para aprender...
Às vezes nadica para ensinar...
Ás vezes só tempo prá perceber...
Às vezes segundos para acabar...
Às vezes há tanto prá se fazer...
Às vezes é tão cruel acordar...
Às vezes é solidário poder
Dividir, dar, distribuir, entregar...
Às vezes é solitário fazer...
Às vezes é necessário chorar...
27.12.02
24.12.02
Sobre o "escrever bonitinho"...
Resposta à um comentário recebido sobre meu modo de escrever...
Estive por aqui e voce escreve muito bonitinho.
Foram as sua palavras...
As primeiras que li...
Escrever bonitinho...
Imaginei:
O que seria escrever bonitinho?...
Eu só conseguiria entender como escrever bonitinho
Escrever com a alma...
Transcrever o pensamento e o pulso do coração...
Qualquer tentativa que eu fizesse de escrever a forma
E a rima
E o ritimo
Que não passasse por escrever dessa forma
Não seria escrever bonitinho.
Por isso aceitei suas palavras
E pus uma medalha no peito com orgulho:
Eu escrevo bonitinho.
Minha letra é bonitinha,
E a minha rima
Porque é do coração que elas nascem
E é lá no coração que elas crescem...
O mesmo lugar aonde nasce e cresce o amor...
Qualquer palavra minha que não venha dai,
Qualquer idéia,
Qualquer rima
Não será esse escrever bonitinho
Porque será feito a ave empalhada
De voo ralo,
Ou feito o rio de escoar confuso e lento
Insuficiente para o pensamento...
Que bom voce ter percebido
Como é bonitinho meu escrever...
Somente desse modo tentarei meu texto
Porque somente deste modo
Eu o compreenderia
Bonitinho...
Obrigado por sua visita
E seu carinho...
Resposta à um comentário recebido sobre meu modo de escrever...
Estive por aqui e voce escreve muito bonitinho.
Foram as sua palavras...
As primeiras que li...
Escrever bonitinho...
Imaginei:
O que seria escrever bonitinho?...
Eu só conseguiria entender como escrever bonitinho
Escrever com a alma...
Transcrever o pensamento e o pulso do coração...
Qualquer tentativa que eu fizesse de escrever a forma
E a rima
E o ritimo
Que não passasse por escrever dessa forma
Não seria escrever bonitinho.
Por isso aceitei suas palavras
E pus uma medalha no peito com orgulho:
Eu escrevo bonitinho.
Minha letra é bonitinha,
E a minha rima
Porque é do coração que elas nascem
E é lá no coração que elas crescem...
O mesmo lugar aonde nasce e cresce o amor...
Qualquer palavra minha que não venha dai,
Qualquer idéia,
Qualquer rima
Não será esse escrever bonitinho
Porque será feito a ave empalhada
De voo ralo,
Ou feito o rio de escoar confuso e lento
Insuficiente para o pensamento...
Que bom voce ter percebido
Como é bonitinho meu escrever...
Somente desse modo tentarei meu texto
Porque somente deste modo
Eu o compreenderia
Bonitinho...
Obrigado por sua visita
E seu carinho...
A Tua Nobreza
Poeminha em 3 partes para Paola Faria
I
Reserva um canto prá guardá-la, inteira:
O coração, o sonho, a poesia...
Protege-a da maldade traiçoeira...
Afaste-a sempre da má companhia...
Jamais troque-a por nada, em qualquer tempo...
Jamais a exiba com ar de superior...
Não deixe que pereça à chuva e ao vento
E nem que se desbote e perca a cor...
Como se fosse pedra preciosa,
Como se fosse a Fonte milagrosa,
Como se fosse a luz sobre a incerteza,
Trate de conservá-la com cuidado...
Trate de resguardá-la do pecado...
Trate de protege-la da maldade...
Porque se buscas a Felicidade
O teu caminho é a tua dignidade
E a tua dignidade é a tua nobreza...
Poeminha em 3 partes para Paola Faria
I
Reserva um canto prá guardá-la, inteira:
O coração, o sonho, a poesia...
Protege-a da maldade traiçoeira...
Afaste-a sempre da má companhia...
Jamais troque-a por nada, em qualquer tempo...
Jamais a exiba com ar de superior...
Não deixe que pereça à chuva e ao vento
E nem que se desbote e perca a cor...
Como se fosse pedra preciosa,
Como se fosse a Fonte milagrosa,
Como se fosse a luz sobre a incerteza,
Trate de conservá-la com cuidado...
Trate de resguardá-la do pecado...
Trate de protege-la da maldade...
Porque se buscas a Felicidade
O teu caminho é a tua dignidade
E a tua dignidade é a tua nobreza...
16.12.02
Estava escrito no cartão...
À minha prima Bárbara Abud.
O importante é sonhar,
Não interessa em que altura
Estava escrito no cartão.
E eu completei assim:
O importante é que tu permaneças
Essa mistura
De ternura
E inquietude...
O importante é que não te percas
Da tua grande virtude:
A tua dignidade.
O importante
É que a tua verdade
E a tua razão
Nunca sufoquem Deus
No teu maravilhoso coração.
Seu primo,
Luis.
À minha prima Bárbara Abud.
O importante é sonhar,
Não interessa em que altura
Estava escrito no cartão.
E eu completei assim:
O importante é que tu permaneças
Essa mistura
De ternura
E inquietude...
O importante é que não te percas
Da tua grande virtude:
A tua dignidade.
O importante
É que a tua verdade
E a tua razão
Nunca sufoquem Deus
No teu maravilhoso coração.
Seu primo,
Luis.
A Febre
Madrugada. Febre alta. Era a agonia.
Quarenta graus de morte e de calor.
A febre sufocava. A dor doía...
Cansaço. Desconforto. Mal. Torpor.
Febre alta. Agonia. Madrugada.
O corpo parecia se entregar.
A voz gritava, desesperada.
Tudo que a voz sabia era gritar.
Febre alta. Quarenta. Desespero.
Um desacerto. Um dano. Um exagero.
A dor agonizando a madrugada.
Às vezes também é assim a vida:
Tem dias que arde em febre descabida
Como quem traz a alma sufocada.
A febre ardendo. A alma torporosa.
Cansaço. Desconforto. Mal-estar.
Uma agonia insana e escandalosa.
A alma parecendo sufocar
Como se fosse eterna a madrugada,
Como se fosse imensa essa agonia,
Como se fosse um sol que incendiava,
Como se a noite devorasse o dia...
A alma padecendo em desconforto
Como quem se desgarra e perde o porto...
Como quem é só descontentamento...
Algum lugar há de existir, no entanto,
Que ponha fim à dor e ao desencanto
E que amenize a cor do sofrimento...
Madrugada. Febre alta. Era a agonia.
Quarenta graus de morte e de calor.
A febre sufocava. A dor doía...
Cansaço. Desconforto. Mal. Torpor.
Febre alta. Agonia. Madrugada.
O corpo parecia se entregar.
A voz gritava, desesperada.
Tudo que a voz sabia era gritar.
Febre alta. Quarenta. Desespero.
Um desacerto. Um dano. Um exagero.
A dor agonizando a madrugada.
Às vezes também é assim a vida:
Tem dias que arde em febre descabida
Como quem traz a alma sufocada.
A febre ardendo. A alma torporosa.
Cansaço. Desconforto. Mal-estar.
Uma agonia insana e escandalosa.
A alma parecendo sufocar
Como se fosse eterna a madrugada,
Como se fosse imensa essa agonia,
Como se fosse um sol que incendiava,
Como se a noite devorasse o dia...
A alma padecendo em desconforto
Como quem se desgarra e perde o porto...
Como quem é só descontentamento...
Algum lugar há de existir, no entanto,
Que ponha fim à dor e ao desencanto
E que amenize a cor do sofrimento...
12.12.02
Canalha
A uma amiga que me ofendeu sem me dizer o motivo, provavelmente vitima do mal da mentira, esse poema...
Não deverias me chamar _Canalha!!!!
Sem que eu pudesse me defender...
Fizeste da palavra a tua navalha,
Arma que mata sem conhecer...
_Canalha!!!! Sem me dar nenhum motivo...
Nenhuma forma de explicação...
Como se fosse um gesto obsessivo...
Como se fosses a dona da razão...
_Canalha!!!! Foi assim que me chamaste...
Como se eu fosse um troco, um trapo, um traste...
Foi essa a tua atitude inconsequente...
Toma cuidado. A letra descuidada
Com que tu ofendes é a mesma que te enquadra
E te condena, invariávelmente...
A uma amiga que me ofendeu sem me dizer o motivo, provavelmente vitima do mal da mentira, esse poema...
Não deverias me chamar _Canalha!!!!
Sem que eu pudesse me defender...
Fizeste da palavra a tua navalha,
Arma que mata sem conhecer...
_Canalha!!!! Sem me dar nenhum motivo...
Nenhuma forma de explicação...
Como se fosse um gesto obsessivo...
Como se fosses a dona da razão...
_Canalha!!!! Foi assim que me chamaste...
Como se eu fosse um troco, um trapo, um traste...
Foi essa a tua atitude inconsequente...
Toma cuidado. A letra descuidada
Com que tu ofendes é a mesma que te enquadra
E te condena, invariávelmente...
29.11.02
Oração pelos jovens médicos
Para Cibele Durães, Fernanda de Paula, Juliana Starling, Kellen Dalla e Rachel Cunha.
Amigas que o carinho da vida me permitiu conhecer e cujos corações amorosos e cheios de delicadeza me sensibilizaram desde o primeiro momento.
Hoje, 29 de novembro de 2002 estas meninas superpoderosas recebem seu Diploma de Médico.
É para elas hoje o meu carinho e a minha poesia.
Senhor,
Abençoa estes filhos incansáveis do teu amor...
Já médicos, ainda tão moços...
Fazei com que o tempo que hoje se inicia
Reafirme em seus corações diariamente
A convicção de seus ideais
E de sua vocação
E a coroação de seus esforços e de seus sacrifícios.
Provê, Senhor, os seus cinco sentidos,
Com a beleza e com o mistério da arte da cura,
Fazendo com que estejam sempre preparados para perceber
A palavra não dita,
O sintoma insidioso e não revelado,
Ou sinal que ainda não apareceu...
Permite que, como novos magos
Embriagados de ciência e coração,
Manipulem a dor, ainda que tamanha,
Devolvendo serenidade ao aflito
E alegria ao triste.
Alimenta os seus corações
Com a paz e a serenidade diante dos teus desígnios...
Preserva o sorriso de cada um destes rostos, Senhor,
Já médicos, ainda tão moços.
Protegendo-os da intolerância,
Dos maldizeres,
Das mentiras e queixas e intransigências
Com as quais o seu trabalho se defrontará diariamente...
Seca-lhes as lágrimas das suas tristezas
Para que tragam sempre na alma a serenidade necessária
À difícil tarefa
De combater a dor
E as lágrimas dos que os procurarem...
Concede-lhes a verdadeira alegria,
Fruto do bem estar de propiciar a cura...
Mas quando esta, por algum motivo não for possível,
Permite que mantenham-se serenos e obstinados
Na busca do equilíbrio e da estabilização
Daqueles males ditos incuráveis,
Daquelas dores ditas incessantes,
E dos martírios sem fim...
E naquelas vezes em que também esta estabilidade se perder
E parecer impossível,
Faz com que se vistam de perseverança e determinação
E assim, imensamente alimentados dessa grandeza invisível,
Lutem, como guerreiros incansáveis,
Contra a constatação da morte...
E
Mesmo quando a morte, com sua certeza implacável, vier chegar
Permite que se utilizem ainda de alguma insistência incompreensível
E de uma fascinação inexplicável,
A reanimação,
A fim de vencer a morte
Mesmo quando ela está aparentemente estabelecida.
Mas nos dias em que o insucesso e o fracasso de suas tentativas
Transformar em nada os seus esforços
E em coisa alguma a sua luta,
Seus dias a fio,
E suas noites em claro,
E o óbito ocupar o lugar da cura,
Permite, Senhor,
Que os seus corações se mantenham vivos em sua serenidade e em sua inquietude
Como é sereno o coração dos justos
E como é inquieto o coração dos que procuram o caminho
Da cura,
Do equilíbrio,
Da reanimação
E da aceitação da morte...
Insufla o coração destes meninos, Senhor,
E destas meninas,
Já médicos, ainda tão moços,
Com o signo da paciência
E com a bandeira da tolerância.
Hoje eles sabem que o caminho em que agora se iniciam,
Como pássaros iniciam o seu vôo na amplidão,
É um caminho que se renova
Em um animo que se remultiplica.
É mais que uma profissão.
E proporcionará muito mais que a conquista de empregos, status, nome, títulos e glória.
O caminho que hoje se lhes apresenta é como a energia
Que se mistura a cada parte de seus corpos
E invade cada pedaço de seus pensamentos,
Fazendo com que o respirem quando andarem
E o pronunciem cada vez que conversarem.
Vai se revelar cada vez que se vestirem.
Em cada pedaço de cada coisa que comerem.
E em cada vez que amarem.
E cada vez que cantarem
E chorarem
E sorrirem,
E a cada vez que brincarem,
E a cada vez que durmirem,
Vibrará em cada um destes meninos,
Destas meninas,
Já médicos, ainda tão moços,
O caminho que hoje se inicia.
E este caminho que se inicia passará a fazer parte de seus dias
Como um nome numa certidão de nascimento,
Como uma família,
Como um filho
Do qual em tempo algum será possível
Recusar reconhecer-lhe a consangüinidade.
Nunca permite, Senhor,
Por conta disso,
Que seus amores se afastem
Ou os deixem
Queixando-se egoisticamente de desatenção
Ou falta de tempo.
Faz com que cada um destes corações delicados,
Já médicos, ainda tão moços,
Contaminem suas companhias com a força desse caminho que hoje começa
E recebam delas o apoio e o carinho necessário
Para essa tarefa solitária
Intima
E profunda
Que é ser médico.
Que a alegria que transborda hoje de cada um destes corações delicados
Seja tão gloriosa quanto o futuro que espera por cada um deles.
Ah, Senhor...
Agradeço a felicidade de em algum tempo no curso da minha vida
Ter cruzado com estes corações tão meigos,
Sorrisos tão delicados,
E vozes tão gentis.
Guarda-os Senhor, na tua paz
E os abençoa na tua grandeza.
Hoje e sempre.
Amém.
Para Cibele Durães, Fernanda de Paula, Juliana Starling, Kellen Dalla e Rachel Cunha.
Amigas que o carinho da vida me permitiu conhecer e cujos corações amorosos e cheios de delicadeza me sensibilizaram desde o primeiro momento.
Hoje, 29 de novembro de 2002 estas meninas superpoderosas recebem seu Diploma de Médico.
É para elas hoje o meu carinho e a minha poesia.
Senhor,
Abençoa estes filhos incansáveis do teu amor...
Já médicos, ainda tão moços...
Fazei com que o tempo que hoje se inicia
Reafirme em seus corações diariamente
A convicção de seus ideais
E de sua vocação
E a coroação de seus esforços e de seus sacrifícios.
Provê, Senhor, os seus cinco sentidos,
Com a beleza e com o mistério da arte da cura,
Fazendo com que estejam sempre preparados para perceber
A palavra não dita,
O sintoma insidioso e não revelado,
Ou sinal que ainda não apareceu...
Permite que, como novos magos
Embriagados de ciência e coração,
Manipulem a dor, ainda que tamanha,
Devolvendo serenidade ao aflito
E alegria ao triste.
Alimenta os seus corações
Com a paz e a serenidade diante dos teus desígnios...
Preserva o sorriso de cada um destes rostos, Senhor,
Já médicos, ainda tão moços.
Protegendo-os da intolerância,
Dos maldizeres,
Das mentiras e queixas e intransigências
Com as quais o seu trabalho se defrontará diariamente...
Seca-lhes as lágrimas das suas tristezas
Para que tragam sempre na alma a serenidade necessária
À difícil tarefa
De combater a dor
E as lágrimas dos que os procurarem...
Concede-lhes a verdadeira alegria,
Fruto do bem estar de propiciar a cura...
Mas quando esta, por algum motivo não for possível,
Permite que mantenham-se serenos e obstinados
Na busca do equilíbrio e da estabilização
Daqueles males ditos incuráveis,
Daquelas dores ditas incessantes,
E dos martírios sem fim...
E naquelas vezes em que também esta estabilidade se perder
E parecer impossível,
Faz com que se vistam de perseverança e determinação
E assim, imensamente alimentados dessa grandeza invisível,
Lutem, como guerreiros incansáveis,
Contra a constatação da morte...
E
Mesmo quando a morte, com sua certeza implacável, vier chegar
Permite que se utilizem ainda de alguma insistência incompreensível
E de uma fascinação inexplicável,
A reanimação,
A fim de vencer a morte
Mesmo quando ela está aparentemente estabelecida.
Mas nos dias em que o insucesso e o fracasso de suas tentativas
Transformar em nada os seus esforços
E em coisa alguma a sua luta,
Seus dias a fio,
E suas noites em claro,
E o óbito ocupar o lugar da cura,
Permite, Senhor,
Que os seus corações se mantenham vivos em sua serenidade e em sua inquietude
Como é sereno o coração dos justos
E como é inquieto o coração dos que procuram o caminho
Da cura,
Do equilíbrio,
Da reanimação
E da aceitação da morte...
Insufla o coração destes meninos, Senhor,
E destas meninas,
Já médicos, ainda tão moços,
Com o signo da paciência
E com a bandeira da tolerância.
Hoje eles sabem que o caminho em que agora se iniciam,
Como pássaros iniciam o seu vôo na amplidão,
É um caminho que se renova
Em um animo que se remultiplica.
É mais que uma profissão.
E proporcionará muito mais que a conquista de empregos, status, nome, títulos e glória.
O caminho que hoje se lhes apresenta é como a energia
Que se mistura a cada parte de seus corpos
E invade cada pedaço de seus pensamentos,
Fazendo com que o respirem quando andarem
E o pronunciem cada vez que conversarem.
Vai se revelar cada vez que se vestirem.
Em cada pedaço de cada coisa que comerem.
E em cada vez que amarem.
E cada vez que cantarem
E chorarem
E sorrirem,
E a cada vez que brincarem,
E a cada vez que durmirem,
Vibrará em cada um destes meninos,
Destas meninas,
Já médicos, ainda tão moços,
O caminho que hoje se inicia.
E este caminho que se inicia passará a fazer parte de seus dias
Como um nome numa certidão de nascimento,
Como uma família,
Como um filho
Do qual em tempo algum será possível
Recusar reconhecer-lhe a consangüinidade.
Nunca permite, Senhor,
Por conta disso,
Que seus amores se afastem
Ou os deixem
Queixando-se egoisticamente de desatenção
Ou falta de tempo.
Faz com que cada um destes corações delicados,
Já médicos, ainda tão moços,
Contaminem suas companhias com a força desse caminho que hoje começa
E recebam delas o apoio e o carinho necessário
Para essa tarefa solitária
Intima
E profunda
Que é ser médico.
Que a alegria que transborda hoje de cada um destes corações delicados
Seja tão gloriosa quanto o futuro que espera por cada um deles.
Ah, Senhor...
Agradeço a felicidade de em algum tempo no curso da minha vida
Ter cruzado com estes corações tão meigos,
Sorrisos tão delicados,
E vozes tão gentis.
Guarda-os Senhor, na tua paz
E os abençoa na tua grandeza.
Hoje e sempre.
Amém.
13.11.02
Poeminha meio injuriado
Em Campos uma mesma Fundação que gere dois Hospitais decidiu dobrar o valor do salário de um deles e preservar o do outro, criando para médicos com a mesma função salários completammente diferentes.
Se o meu trabalho não é meia-sola
E se eu não fiz só meia-faculdade
E se salário é direito e não esmola,
Porque é que o patrão que me controla
Insiste em me pagar pela metade?
Em Campos uma mesma Fundação que gere dois Hospitais decidiu dobrar o valor do salário de um deles e preservar o do outro, criando para médicos com a mesma função salários completammente diferentes.
Se o meu trabalho não é meia-sola
E se eu não fiz só meia-faculdade
E se salário é direito e não esmola,
Porque é que o patrão que me controla
Insiste em me pagar pela metade?
8.11.02
Segunda Feira
Manhã de segunda feira, 28 de outubro de 2002...
Era manhã de segunda feira.
A expressão da face brasileira
Era a expressão natural de quem sorria
Como se fosse a manhã de um novo dia...
Como se fosse o começo de um futuro,
O fim de um tempo ruim, de um tempo escuro,
A redenção que de tanto anunciada
Era chegada.
Era manhã de segunda.
A treva parecia moribunda.
A dor se desmanchava em agonia.
O desespero se diluia.
O medo, tantas vezes decantado,
Padecia, indefeso e assustado
E sem saída...
Segunda feira cheia de vida.
Parto sem dor da Nação revigorada.
Conto de Fada
De um povo proletário:
Um Presidente operário
Redescobrindo a Nação...
A esperança vencendo a escuridão...
Era a manhã de segunda que trazia
A Anunciação. A luz da Estrela-guia.
Era a manhã de segunda feira
Lavando enfim a alma brasileira...
...
E eu devo ter percebido nesse dia
A cor vermelha da flor que parecia
A Pátria apaixonada. A mãe gentil.
Era segunda feira em meu Brasil...
Manhã de segunda feira, 28 de outubro de 2002...
Era manhã de segunda feira.
A expressão da face brasileira
Era a expressão natural de quem sorria
Como se fosse a manhã de um novo dia...
Como se fosse o começo de um futuro,
O fim de um tempo ruim, de um tempo escuro,
A redenção que de tanto anunciada
Era chegada.
Era manhã de segunda.
A treva parecia moribunda.
A dor se desmanchava em agonia.
O desespero se diluia.
O medo, tantas vezes decantado,
Padecia, indefeso e assustado
E sem saída...
Segunda feira cheia de vida.
Parto sem dor da Nação revigorada.
Conto de Fada
De um povo proletário:
Um Presidente operário
Redescobrindo a Nação...
A esperança vencendo a escuridão...
Era a manhã de segunda que trazia
A Anunciação. A luz da Estrela-guia.
Era a manhã de segunda feira
Lavando enfim a alma brasileira...
...
E eu devo ter percebido nesse dia
A cor vermelha da flor que parecia
A Pátria apaixonada. A mãe gentil.
Era segunda feira em meu Brasil...
O meio do caminho
No meio do caminho
Tinha um poeta.
No meio do poeta
Um coração.
No coração do poeta
Uma palavra.
Correta.
Pura.
Mansa.
Doce.
Brava.
No meio da palavra
Uma emoção.
No meio do caminho do poeta
Tinha um poema
Sem definição,
Como a palavra
Escrita e incompleta,
Como a poesia
Da imaginação.
Imensa ao mesmo tempo
Que é discreta.
Quieta ao mesmo tempo
Que é trovão.
No meio do caminho a descoberta
Da poesia,
Musica sem som...
No meio do caminho
Havia um poeta
Magrinho
Chamado Carlos Drummond.
No meio do caminho
Tinha um poeta.
No meio do poeta
Um coração.
No coração do poeta
Uma palavra.
Correta.
Pura.
Mansa.
Doce.
Brava.
No meio da palavra
Uma emoção.
No meio do caminho do poeta
Tinha um poema
Sem definição,
Como a palavra
Escrita e incompleta,
Como a poesia
Da imaginação.
Imensa ao mesmo tempo
Que é discreta.
Quieta ao mesmo tempo
Que é trovão.
No meio do caminho a descoberta
Da poesia,
Musica sem som...
No meio do caminho
Havia um poeta
Magrinho
Chamado Carlos Drummond.
A vida como ela dói
Febre. Tosse. Prenhez Tubária.
Parada cardio-respiratória.
Sarampo. Coqueluche. Miliária.
Bronquiolite. Artrite migratória.
Conjuntivite. Dengue. Hemorragia.
Pseudoparalisia de Parrot.
Ptiríase. Escabiose. Mialgia.
Fratura. Entorse. Congestão. Tumor.
Glomerulonefrite. Asfixia.
Claudicação. Angina. Pneuomia.
Hemangioma. Choque. Afogamento.
Nenhuma relação de dores drásticas,
Palavras mórbidas ou dramáticas.
Somente um Boletim de Atendimento...
Febre. Tosse. Prenhez Tubária.
Parada cardio-respiratória.
Sarampo. Coqueluche. Miliária.
Bronquiolite. Artrite migratória.
Conjuntivite. Dengue. Hemorragia.
Pseudoparalisia de Parrot.
Ptiríase. Escabiose. Mialgia.
Fratura. Entorse. Congestão. Tumor.
Glomerulonefrite. Asfixia.
Claudicação. Angina. Pneuomia.
Hemangioma. Choque. Afogamento.
Nenhuma relação de dores drásticas,
Palavras mórbidas ou dramáticas.
Somente um Boletim de Atendimento...
4.11.02
Testemunho
Eu nunca escrevi nenhuma poesia...
Não sou poeta e nunca fui, portanto...
Eu tento é amenizar minha agonia
E às vezes me esconder da chuva fria
No meu canto...
Jamais eu escrevi nenhum poema...
Não tenho o dom da escrita absoluta...
Mas quando o acre da vida me envenena
E o meu desequilibrio me condena
Somente a minha letra é quem me escuta...
Não sou portanto o ilustre literato...
Não faço versos como quem conhece...
Porém se o tempo é cruel e é insensato
E é rude e é insensível e é ingrato
Eu faço da poesia a minha prece...
Não sei fazer sonetos, redondilhas,
Não trago em mim a alma parnasiana...
A rima me defende de armadilhas
E o ritimo me aponta novas trilhas.
No verso é que eu me escapo do meu drama...
Por isso eu nunca rascunhei poesia...
Não sou poeta. Um náufrago somente.
Mas se a grandeza do mar me desafia
Com sua furia audaciosa e doentia
A minha letra me faz sobrevivente...
Eu nunca escrevi nenhuma poesia...
Não sou poeta e nunca fui, portanto...
Eu tento é amenizar minha agonia
E às vezes me esconder da chuva fria
No meu canto...
Jamais eu escrevi nenhum poema...
Não tenho o dom da escrita absoluta...
Mas quando o acre da vida me envenena
E o meu desequilibrio me condena
Somente a minha letra é quem me escuta...
Não sou portanto o ilustre literato...
Não faço versos como quem conhece...
Porém se o tempo é cruel e é insensato
E é rude e é insensível e é ingrato
Eu faço da poesia a minha prece...
Não sei fazer sonetos, redondilhas,
Não trago em mim a alma parnasiana...
A rima me defende de armadilhas
E o ritimo me aponta novas trilhas.
No verso é que eu me escapo do meu drama...
Por isso eu nunca rascunhei poesia...
Não sou poeta. Um náufrago somente.
Mas se a grandeza do mar me desafia
Com sua furia audaciosa e doentia
A minha letra me faz sobrevivente...
Poema para Juliana
Minha amiga Juliana Starling, carioquíssima e apaixonada pelo Rio, se forma em Medicina nos próximos dias pela Faculdade de Medicina de Campos. Acompanhei, como pediatra, sua formação em Obstetricia. Sei o tamanho do sacrificio que ela fez para chegar até aqui. A voce, Juliana, nosso carinho e nossa torcida.
É só pra te contar dessa saudade...
É só pra descontar essa distancia...
É só pra recordar nossa amizade...
É só prá te saudar com elegancia...
É só prá te dizer do meu afeto...
É só pra te encontrar feliz da vida...
É só para tentar chegar mais perto...
É só prá não falar em despedida...
É só prá me alegrar da tua alegria...
É só prá estar na tua companhia...
É só prá ter lugar na tua torcida...
É só por conhecer a tua estória...
É só para aplaudir tua vitória
Suada, longa, limpa e merecida...
Minha amiga Juliana Starling, carioquíssima e apaixonada pelo Rio, se forma em Medicina nos próximos dias pela Faculdade de Medicina de Campos. Acompanhei, como pediatra, sua formação em Obstetricia. Sei o tamanho do sacrificio que ela fez para chegar até aqui. A voce, Juliana, nosso carinho e nossa torcida.
É só pra te contar dessa saudade...
É só pra descontar essa distancia...
É só pra recordar nossa amizade...
É só prá te saudar com elegancia...
É só prá te dizer do meu afeto...
É só pra te encontrar feliz da vida...
É só para tentar chegar mais perto...
É só prá não falar em despedida...
É só prá me alegrar da tua alegria...
É só prá estar na tua companhia...
É só prá ter lugar na tua torcida...
É só por conhecer a tua estória...
É só para aplaudir tua vitória
Suada, longa, limpa e merecida...
29.10.02
Outro soneto imperfeito para passarinha...
Passarinha carioca de alma livre
Que não se assusta com tempestade...
Absoluta na forma como vive
E soberana em sua liberdade...
Passarinha carioca. Toda inteira.
De loura cabeleira e pele clara.
Faz sexta parecer segunda feira.
Faz água parecer bebida rara...
Passarinha carioca. Soberana.
Gostosa feito Copacabana.
Dona de Campo Grande e de Ipanema...
Passarinha carioca. Toda fibra.
Deliciosa feito Guaratiba.
Toma esse beijo em forma de poema...
Passarinha carioca de alma livre
Que não se assusta com tempestade...
Absoluta na forma como vive
E soberana em sua liberdade...
Passarinha carioca. Toda inteira.
De loura cabeleira e pele clara.
Faz sexta parecer segunda feira.
Faz água parecer bebida rara...
Passarinha carioca. Soberana.
Gostosa feito Copacabana.
Dona de Campo Grande e de Ipanema...
Passarinha carioca. Toda fibra.
Deliciosa feito Guaratiba.
Toma esse beijo em forma de poema...
23.10.02
O Medo
Tem gente que tem medo de Lula...
Tem gente que tem medo de coice de mula...
Tem gente que tem medo de mula-sem-cabeça...
Eu tenho medo é de que a nossa capacidade de indignação desapareça...
Tem gente que tem medo do castigo...
Tem gente que tem medo de perder o abrigo...
Tem gente que tem medo do exílio, do degredo...
Eu tenho medo é de ficar com medo...
Tem gente que tem medo de dormir no escuro...
Tem gente que tem medo de pular o muro...
Tem gente que tem medo da ameaça à bala...
Eu tenho medo é de ter medo da mão que me apunhala...
Tem gente que tem medo de poesia...
Tem gente que tem medo de encarar a luz do dia...
Tem gente que tem medo do que escreve e diz...
Eu tenho medo é de um dia ter medo de ser feliz...
Tem gente que tem medo de levar um tiro...
Tem gente que tem medo do beijo do vampiro...
Tem gente que tem medo só de imaginar...
Eu tenho medo é de um dia eu ter medo de sonhar...
Tem gente que tem medo de encarar o tapa...
Tem gente que tem medo de sair na capa...
Tem gente que tem medo do próprio retrato...
Eu tenho medo é de deixar barato...
Tem gente que tem medo da arbitrariedade...
Tem gente que tem medo da verdade...
Tem gente que tem medo da perseguição...
Eu tenho medo é de acordar com medo de escutar a voz que vem do coração.
Tem gente que tem medo da Primeira Dama...
Tem gente que tem medo da segunda cesariana...
Tem gente que tem medo da Terceira Guerra...
Eu tenho medo é do medo que me emperra...
Tem gente que tem medo de lutar. E morre.
Tem gente que tem medo de enfrentar. E corre...
Tem gente que tem medo de cumprir a pena...
Eu tenho medo é de qualquer dia amanhecer com medo de escrever poema...
Tem gente que tem medo de Lula...
Tem gente que tem medo de coice de mula...
Tem gente que tem medo de mula-sem-cabeça...
Eu tenho medo é de que a nossa capacidade de indignação desapareça...
Tem gente que tem medo do castigo...
Tem gente que tem medo de perder o abrigo...
Tem gente que tem medo do exílio, do degredo...
Eu tenho medo é de ficar com medo...
Tem gente que tem medo de dormir no escuro...
Tem gente que tem medo de pular o muro...
Tem gente que tem medo da ameaça à bala...
Eu tenho medo é de ter medo da mão que me apunhala...
Tem gente que tem medo de poesia...
Tem gente que tem medo de encarar a luz do dia...
Tem gente que tem medo do que escreve e diz...
Eu tenho medo é de um dia ter medo de ser feliz...
Tem gente que tem medo de levar um tiro...
Tem gente que tem medo do beijo do vampiro...
Tem gente que tem medo só de imaginar...
Eu tenho medo é de um dia eu ter medo de sonhar...
Tem gente que tem medo de encarar o tapa...
Tem gente que tem medo de sair na capa...
Tem gente que tem medo do próprio retrato...
Eu tenho medo é de deixar barato...
Tem gente que tem medo da arbitrariedade...
Tem gente que tem medo da verdade...
Tem gente que tem medo da perseguição...
Eu tenho medo é de acordar com medo de escutar a voz que vem do coração.
Tem gente que tem medo da Primeira Dama...
Tem gente que tem medo da segunda cesariana...
Tem gente que tem medo da Terceira Guerra...
Eu tenho medo é do medo que me emperra...
Tem gente que tem medo de lutar. E morre.
Tem gente que tem medo de enfrentar. E corre...
Tem gente que tem medo de cumprir a pena...
Eu tenho medo é de qualquer dia amanhecer com medo de escrever poema...
9.10.02
A Lição da Estrada
Ninguém é dono da tua vontade.
Não há remédio prá não se matar.
A Pílula de Vida de verdade
É ter algum motivo para amar...
Ninguém estabelece o teu caminho
Ou vive em teu lugar a tua vida.
Não é feliz quem é feliz sozinho.
Há sempre alguma fresta de saida.
Portanto toma conta do teu rumo.
Segura em tuas mãos teu próprio prumo.
O Sol não morre após a tempestade.
Não te disperses nas correntezas.
Jamais te asfixies em tuas tristezas.
Este é o sabor da tua Felicidade.
Ninguém é dono da tua vontade.
Não há remédio prá não se matar.
A Pílula de Vida de verdade
É ter algum motivo para amar...
Ninguém estabelece o teu caminho
Ou vive em teu lugar a tua vida.
Não é feliz quem é feliz sozinho.
Há sempre alguma fresta de saida.
Portanto toma conta do teu rumo.
Segura em tuas mãos teu próprio prumo.
O Sol não morre após a tempestade.
Não te disperses nas correntezas.
Jamais te asfixies em tuas tristezas.
Este é o sabor da tua Felicidade.
A Estrela
A Luis Inácio Lula da Silva, Presidente do Brasil
“Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel”
O Cio da Terra - Chico Buarque/Milton Nascimento.
" Só faltava o mel, só faltava o mel
Mas o mel chegou!
Pingava mel, da parede escorria mel
Eu passava o dedo
E provava sem medo e sem temor"
Na Casa Dela - Gilberto Gil
Tocar a mão na Estrela...
Banhar o coração na claridade...
Houve um período feito de maldade,
Da noite em meu País, da impunidade,
E ao mesmo tempo
Um tempo de delírio, fantasia,
De encantamento...
A poesia da ingenuidade...
Tocar a Estrela, quase uma heresia...
Tocá-la, quase a impossibilidade...
E, como se desejos impossíveis
Teassem fios inimagináveis,
Delírios que eram quase inatingíveis
Tornaram-se, aos poucos, permissíveis,
E, por assim dizer, realizáveis...
Tocar a Estrela com o Coração
Como se fosse a Voz de uma Nação,
Como se fosse o seu Hino...
E, mais do que tocar, pegar na mão...
A Estrela foi tornando uma opção...
Foi deixando de ser um desatino...
E foi assim:
João Desempregado disse sim,
Pedro Desiludido se animou,
Chico do Contra, embora achando ruim,
Quase no fim concordou, depois sorriu,
Juca Indeciso se decidiu,
Zé Otimista se convenceu,
Paulo Maluco esse dia nem surtou,
O Pecador porque se arrependeu,
O Filho Pródigo porque voltou,
O Guarda Noturno porque o sol nasceu,
A bela Atriz porque a noite chegou,
O Estudante por falta de medo,
O Apressado por um segundo,
O Encabulado quase em segredo,
O Profeta pra tentar salvar o mundo,
Tião Fazendeiro por distração,
Zeca Pedreiro por querer demais,
O Metalúrgico por opinião,
O Metaleiro porque tanto faz,
O Padre por amor à sua batina
E o Pastor por não ter que se confessar,
E o menino por causa da menina,
E o Pescador por causa do mar,
Cada um a seu modo e do seu jeito
Imaginou ser digno do direito,
Merecedor, por conceito,
De ver a Estrela brilhar...
Paolinha mandou fazer um vestido,
Geórgia convenceu o namorado,
Fernanda com seu jeito distraído,
Renata com seu modo comportado,
Simone fez questão de acordar cedo,
Andréya passou lendo a noite inteira,
Francine cruzou o dedo,
Cartola foi lembrado na Mangueira,
Flávia Cristina voltou da França,
Dra. Francis faltou plantão,
A Bárbara parecia uma criança
Passeando de avião,
A Poesia ficou toda prosa,
A luz do dia, cheia de si,
Copacabana amanheceu maravilhosa
De tanto rir
Porque de repente
Toda essa gente
Crioula, branca, pálida, amarela,
Foi desejando completamente
A Luz da Estrela...
Tocar a mão suada na Estrela...
Banhar o suor em sua claridade...
Como quem passa livre da maldade...
Como quem desrespeita a impunidade...
Como quem desafia o próprio tempo...
Como quem vive a própria fantasia...
Como quem faz o próprio encantamento...
Como quem canta a própria ingenuidade...
Como quem legaliza uma heresia
E desconhece a impossibilidade...
Daquela Estrela jorrava mel...
Brotava mel de dentro do chão...
E das paredes das casas e dos rios
E dos espaços vazios e das ruas
O mel suava, jorrava
E escorria...
Era a Estrela que se aproximava...
Era a Estrela que permitia
A toda gente, naquele instante,
Uma aproximação impressionante
Como uma Boa Nova que chegava,
Como se fosse um banho de alegria...
E toda gente
Sedenta, lúcida, leve e em paz radiante,
Tocou a Estrela imensa feito o Céu...
Bebeu da Estrela a doçura do mel...
Se lambuzou de mel...
E se fartou de mel...
E, pelo que se soube,
Até onde se diz,
A gente brasileira
Pela primeira vez e derradeira
Pegou na mão, tomou a sua Estrela,
E desse dia em diante
Foi feliz...
A Luis Inácio Lula da Silva, Presidente do Brasil
“Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel”
O Cio da Terra - Chico Buarque/Milton Nascimento.
" Só faltava o mel, só faltava o mel
Mas o mel chegou!
Pingava mel, da parede escorria mel
Eu passava o dedo
E provava sem medo e sem temor"
Na Casa Dela - Gilberto Gil
Tocar a mão na Estrela...
Banhar o coração na claridade...
Houve um período feito de maldade,
Da noite em meu País, da impunidade,
E ao mesmo tempo
Um tempo de delírio, fantasia,
De encantamento...
A poesia da ingenuidade...
Tocar a Estrela, quase uma heresia...
Tocá-la, quase a impossibilidade...
E, como se desejos impossíveis
Teassem fios inimagináveis,
Delírios que eram quase inatingíveis
Tornaram-se, aos poucos, permissíveis,
E, por assim dizer, realizáveis...
Tocar a Estrela com o Coração
Como se fosse a Voz de uma Nação,
Como se fosse o seu Hino...
E, mais do que tocar, pegar na mão...
A Estrela foi tornando uma opção...
Foi deixando de ser um desatino...
E foi assim:
João Desempregado disse sim,
Pedro Desiludido se animou,
Chico do Contra, embora achando ruim,
Quase no fim concordou, depois sorriu,
Juca Indeciso se decidiu,
Zé Otimista se convenceu,
Paulo Maluco esse dia nem surtou,
O Pecador porque se arrependeu,
O Filho Pródigo porque voltou,
O Guarda Noturno porque o sol nasceu,
A bela Atriz porque a noite chegou,
O Estudante por falta de medo,
O Apressado por um segundo,
O Encabulado quase em segredo,
O Profeta pra tentar salvar o mundo,
Tião Fazendeiro por distração,
Zeca Pedreiro por querer demais,
O Metalúrgico por opinião,
O Metaleiro porque tanto faz,
O Padre por amor à sua batina
E o Pastor por não ter que se confessar,
E o menino por causa da menina,
E o Pescador por causa do mar,
Cada um a seu modo e do seu jeito
Imaginou ser digno do direito,
Merecedor, por conceito,
De ver a Estrela brilhar...
Paolinha mandou fazer um vestido,
Geórgia convenceu o namorado,
Fernanda com seu jeito distraído,
Renata com seu modo comportado,
Simone fez questão de acordar cedo,
Andréya passou lendo a noite inteira,
Francine cruzou o dedo,
Cartola foi lembrado na Mangueira,
Flávia Cristina voltou da França,
Dra. Francis faltou plantão,
A Bárbara parecia uma criança
Passeando de avião,
A Poesia ficou toda prosa,
A luz do dia, cheia de si,
Copacabana amanheceu maravilhosa
De tanto rir
Porque de repente
Toda essa gente
Crioula, branca, pálida, amarela,
Foi desejando completamente
A Luz da Estrela...
Tocar a mão suada na Estrela...
Banhar o suor em sua claridade...
Como quem passa livre da maldade...
Como quem desrespeita a impunidade...
Como quem desafia o próprio tempo...
Como quem vive a própria fantasia...
Como quem faz o próprio encantamento...
Como quem canta a própria ingenuidade...
Como quem legaliza uma heresia
E desconhece a impossibilidade...
Daquela Estrela jorrava mel...
Brotava mel de dentro do chão...
E das paredes das casas e dos rios
E dos espaços vazios e das ruas
O mel suava, jorrava
E escorria...
Era a Estrela que se aproximava...
Era a Estrela que permitia
A toda gente, naquele instante,
Uma aproximação impressionante
Como uma Boa Nova que chegava,
Como se fosse um banho de alegria...
E toda gente
Sedenta, lúcida, leve e em paz radiante,
Tocou a Estrela imensa feito o Céu...
Bebeu da Estrela a doçura do mel...
Se lambuzou de mel...
E se fartou de mel...
E, pelo que se soube,
Até onde se diz,
A gente brasileira
Pela primeira vez e derradeira
Pegou na mão, tomou a sua Estrela,
E desse dia em diante
Foi feliz...
1.10.02
24.9.02
Por Amor
Por amor eu deixei minha vida de lado,
Fui julgado e acabei condenado no fim.
Por amor me entreguei e fui abandonado.
Por amor eu cheguei até o fundo de mim.
Por amor eu errei onde não poderia.
Escrevi poesias sem nenhum valor.
E por noites a fio bebi chuva fria
E o que não deveria, isso eu fiz por amor.
E nos dias cinzentos, por horas a fio,
Cantarolei canções dissonantes demais.
Eu vazei minha vida. Vivi meu vazio.
Por amor fiz o que nunca e nem ninguém faz.
Por amor transformei água em pão, pão em vinho,
E os olhos de Medusa tornei mãos de Midas.
Por amor eu vivi muitas vezes sozinho
Outras vezes eu multipliquei minhas vidas.
Por amor rabisquei rimas muito idiotas...
Frases que certamente jamais foram lidas...
Fiz um sambinha feito com todas as notas
Que um dia eu cantei, mas não foram ouvidas.
Sufoquei, por amor, minhas próprias revoltas,
Escondi meus segredos no fundo do Mar...
Eu dei voltas e voltas e voltas e voltas
E acabei quase sempre no mesmo lugar.
Esperei por respostas que nunca chegaram.
Fui atrás de razões que fugiram de mim.
Não cansei quando todos em volta cansaram.
Continuei quando todos diziam: “É o fim”.
Por amor viajei por lugares distantes.
Eu neguei os meus medos. Matei minha dor.
Destruí, por amor, coisas interessantes.
Eu troquei minha vida e vivi por amor.
Desprezei aventuras e dias mesquinhos.
E carinhos idiotas. E beijos levianos.
Eu lutei com ternura por novos caminhos.
E dos planos que eu tinha eu tracei novos planos.
Eu mudei as palavras que o verso pedia.
Eu planejei Cidades de ninguém morar...
Tentei poesia. Escrevi poesia.
E tudo que eu fiz eu só fiz por amar:
Poemas, projetos, e-mails, cantigas,
Viagens, estórias, segredos, palpites,
Segredos, presságios, delírios, intrigas,
E as festas, e as fotos, e os loucos convites,
Palavras, pretextos, desculpas, acenos,
Discursos, desenhos, sonetos de dor,
E as coisas enormes, e os gestos pequenos,
E todas as coisas eu fiz por amor...
Criei e vivi novecentas estórias...
Tratei inocências com penas perpétuas.
Neguei as medalhas. Recusei as glórias.
Fiquei com as letras e as formas discretas.
Segui por riachos distantes dos rios,
Quebradas e atalhos além das estradas,
Passei por lugares desertos, vazios,
Recantos sombrios e águas paradas,
E assim, por amor, sem cansar, fui seguindo
Caminhos sem ver onde é que iam dar...
Por amor, como as águas de um rio fluindo...
Por amor, como um rio a caminho do mar...
Por amor eu sonhei e morei nos meus sonhos.
Segui por caminhos da imaginação.
Eu me apavorei... Pesadelos medonhos...
E acabei me escondendo no meu coração.
Por amor eu neguei as três vezes que pude.
Perdoei sete vezes setenta e bem mais.
Eu fui fraco. Fui seco. Fui grosso. Fui rude.
Eu crucifiquei Jesus e soltei Barrabás.
Por amor muitas vezes fui tolo. Outras, bravo.
Outras triste demais. Outras mais que feliz.
Muitas vezes Senhor. Outras vezes escravo.
Outras, ao mesmo tempo Doutor e aprendiz.
Muitas vezes estúpido. Frio. Mesquinho.
Fui, por vezes, carinho, outras vezes rancor.
Tantas vezes fui junto. Fui tantas sozinho.
Fui do Céu ao Inferno e fugi por amor.
Percebi filigranas. Ignorei cordilheiras.
Muitas vezes não soube dizer Sim ou Não.
Cometi, por amor, as mais tolas besteiras
E gestos mais cheios de erudição.
Desvendei os caminhos por dentro das matas
E os ventos eu soube dizer de onde vinham.
E as contas confusas tratei como exatas.
E os enigmas imensos eu vi o que continham.
Por amor eu deixei meus pudores de lado.
E as dores que eu tinha eu tratei, por amor.
Por amor eu pequei. Abusei do pecado.
Completamente errado. Infeliz pecador.
Eu gritei por socorro como um afogado.
Supliquei por clemência na condenação.
Eu clamei por perdão quando fui condenado.
Fiz das mortes que eu tive a minha absolvição.
Por amor eu cantei canções que eu nunca havia...
Eu varei por caminhos que nunca pensei...
Experimentei gostos que eu não sabia...
Disse muitas palavras que nunca escutei...
Eu pensei que eram noites coisas que eram dias
Coisas muito terríveis percebi tão belas...
E as quase completas julguei tão vazias
E as cores azuis tomei como amarelas...
As coisas distantes eu vi tão de perto,
As muito difíceis eu facilitei...
E da mesma maneira que faz o Arquiteto
Criei ruas sem fim onde nunca pisei...
Eu suei minha própria camisa pisando
As uvas que um dia transformei em vinho.
E fui pouco a pouco me embriagando
E assim desenhando meu próprio caminho,
Traçando meu carma, bebendo meu copo,
Dizendo meu nome, criando meu eu.
Meu jeito de ser que eu não mudo, não troco.
Meu modo de dar luz ao meu próprio breu.
Nunca tive razão. Nunca quis. Nunca pude.
Cada coisa que eu fiz foi só pela emoção.
Nunca soube se era defeito ou virtude...
Era a voz que gritava no meu coração...
Ofereci meu nome pra morrer primeiro
E segui caminhando na linha de tiro.
Eu fiz do silencio meu bom companheiro
Recusei respirar o ultimo suspiro.
E por isso, assim como os Rabinos e os Magos,
E os Navegadores de tempos atrás,
E os Padres e os Monges e os Abençoados,
E assim como as Mães que não cansam jamais,
E assim como os Náufragos desesperados,
E os Abandonados que não tem ninguém,
E bem como a determinação dos Soldados
Que lutam sem saber por que nem com quem,
E assim como a garra dos Sobreviventes,
E a força invisível que há nos Prematuros,
E assim como a aura que envolve os Videntes
E o arrependimento dos atos impuros,
E assim como a força que move os suicidas
E a fé dos Romeiros, dos Crentes em Deus,
E as Mães das crianças desaparecidas
Que esperam pela volta dos filhos seus,
E a sede da Moça que espera no Porto
O retorno do amado que sumiu no Mar,
E assim como o filho perante o Pai morto,
E a dor da Viúva, em silencio, a chorar,
Eu guardei em mim, sem que eu compreendesse,
Sem que eu pelo menos soubesse explicar,
Sem que eu controlasse, sem que eu escolhesse,
Em mim sem que eu fosse capaz de notar,
Tomei como se não houvesse mentira,
Ou como se eu não soubesse negar,
Do modo que é o ar quando a gente respira,
Do jeito que é o rio correndo pro mar,
Guardei, como se fosse um rio correndo,
Guardei sem que eu fosse capaz de evitar,
Ainda que às vezes não compreendendo,
Ainda que às vezes tentando ocultar,
Mais certo que o Rio que passa correndo,
Mais forte que o vento, mais farto que o ar,
Mais vivo que a vida que foi me vivendo,
Mais definitivo que a morte ao chegar,
Conservei comigo, carreguei comigo,
Tal como se fosse a minha confissão,
E, mesmo sabendo que corri perigo,
E, mesmo sabendo não haver perdão,
Eu tomei pra mim como fosse meu marco,
Eu tomei pra mim como fosse o meu lar,
Eu tomei pra mim como fosse meu barco,
E como se houvesse mais nada a tomar,
Tomei o amor como meu companheiro,
Tomei o amor como único par,
Tomei como se eu fosse o seu passageiro,
Tomei como se fosse o meu despertar,
O Amor, esse às vezes tão mau conselheiro,
O Amor, esse às vezes tão cheio de dor,
O Amor, esse às vezes que é tão sorrateiro,
O Amor, que por vezes nem parece Amor.
E assim eu vivi os meus dias inteiros,
As minhas viagens, as minhas paixões,
E assim foi que eu descobri meus paradeiros,
E assim foi que eu criei as minhas canções...
E nunca nem coisa nenhuma nem nada,
Nem pedra, nem chuva, nem desilusão,
Nem Contos de medo, nem Contos de Fada,
Nem Contos de Sonhos, de Imaginação,
Nem nada me fez separar dessa força
Que eu trouxe em segredo no meu coração
E como se fosse uma peça de louça,
E como se fosse um desenho num grão,
Guardei essa força comigo em segredo,
Guardei em silencio aqui dentro de mim,
Como uma criança carrega um brinquedo
Ou como um segredo carrega o seu fim,
O Amor, absoluto, e sempre primeiro,
O Amor, verdadeiro, e sempre estrondoso,
O Amor, poderoso, e sempre por inteiro,
O Amor, companheiro, e sempre carinhoso.
Por amor eu larguei minha vida de lado,
Fui julgado e cheguei bem no fundo de mim.
Por amor eu fui Rei. Eu vivi meu Reinado.
Por amor eu tentei escapar do meu fim...
Por amor, como as cartas de amor do passado...
Por amor, como o beijo da moça que vai...
Por amor, como um verso de amor delicado...
Por amor, como era o amor do meu Pai...
Por amor eu deixei minha vida de lado,
Fui julgado e acabei condenado no fim.
Por amor me entreguei e fui abandonado.
Por amor eu cheguei até o fundo de mim.
Por amor eu errei onde não poderia.
Escrevi poesias sem nenhum valor.
E por noites a fio bebi chuva fria
E o que não deveria, isso eu fiz por amor.
E nos dias cinzentos, por horas a fio,
Cantarolei canções dissonantes demais.
Eu vazei minha vida. Vivi meu vazio.
Por amor fiz o que nunca e nem ninguém faz.
Por amor transformei água em pão, pão em vinho,
E os olhos de Medusa tornei mãos de Midas.
Por amor eu vivi muitas vezes sozinho
Outras vezes eu multipliquei minhas vidas.
Por amor rabisquei rimas muito idiotas...
Frases que certamente jamais foram lidas...
Fiz um sambinha feito com todas as notas
Que um dia eu cantei, mas não foram ouvidas.
Sufoquei, por amor, minhas próprias revoltas,
Escondi meus segredos no fundo do Mar...
Eu dei voltas e voltas e voltas e voltas
E acabei quase sempre no mesmo lugar.
Esperei por respostas que nunca chegaram.
Fui atrás de razões que fugiram de mim.
Não cansei quando todos em volta cansaram.
Continuei quando todos diziam: “É o fim”.
Por amor viajei por lugares distantes.
Eu neguei os meus medos. Matei minha dor.
Destruí, por amor, coisas interessantes.
Eu troquei minha vida e vivi por amor.
Desprezei aventuras e dias mesquinhos.
E carinhos idiotas. E beijos levianos.
Eu lutei com ternura por novos caminhos.
E dos planos que eu tinha eu tracei novos planos.
Eu mudei as palavras que o verso pedia.
Eu planejei Cidades de ninguém morar...
Tentei poesia. Escrevi poesia.
E tudo que eu fiz eu só fiz por amar:
Poemas, projetos, e-mails, cantigas,
Viagens, estórias, segredos, palpites,
Segredos, presságios, delírios, intrigas,
E as festas, e as fotos, e os loucos convites,
Palavras, pretextos, desculpas, acenos,
Discursos, desenhos, sonetos de dor,
E as coisas enormes, e os gestos pequenos,
E todas as coisas eu fiz por amor...
Criei e vivi novecentas estórias...
Tratei inocências com penas perpétuas.
Neguei as medalhas. Recusei as glórias.
Fiquei com as letras e as formas discretas.
Segui por riachos distantes dos rios,
Quebradas e atalhos além das estradas,
Passei por lugares desertos, vazios,
Recantos sombrios e águas paradas,
E assim, por amor, sem cansar, fui seguindo
Caminhos sem ver onde é que iam dar...
Por amor, como as águas de um rio fluindo...
Por amor, como um rio a caminho do mar...
Por amor eu sonhei e morei nos meus sonhos.
Segui por caminhos da imaginação.
Eu me apavorei... Pesadelos medonhos...
E acabei me escondendo no meu coração.
Por amor eu neguei as três vezes que pude.
Perdoei sete vezes setenta e bem mais.
Eu fui fraco. Fui seco. Fui grosso. Fui rude.
Eu crucifiquei Jesus e soltei Barrabás.
Por amor muitas vezes fui tolo. Outras, bravo.
Outras triste demais. Outras mais que feliz.
Muitas vezes Senhor. Outras vezes escravo.
Outras, ao mesmo tempo Doutor e aprendiz.
Muitas vezes estúpido. Frio. Mesquinho.
Fui, por vezes, carinho, outras vezes rancor.
Tantas vezes fui junto. Fui tantas sozinho.
Fui do Céu ao Inferno e fugi por amor.
Percebi filigranas. Ignorei cordilheiras.
Muitas vezes não soube dizer Sim ou Não.
Cometi, por amor, as mais tolas besteiras
E gestos mais cheios de erudição.
Desvendei os caminhos por dentro das matas
E os ventos eu soube dizer de onde vinham.
E as contas confusas tratei como exatas.
E os enigmas imensos eu vi o que continham.
Por amor eu deixei meus pudores de lado.
E as dores que eu tinha eu tratei, por amor.
Por amor eu pequei. Abusei do pecado.
Completamente errado. Infeliz pecador.
Eu gritei por socorro como um afogado.
Supliquei por clemência na condenação.
Eu clamei por perdão quando fui condenado.
Fiz das mortes que eu tive a minha absolvição.
Por amor eu cantei canções que eu nunca havia...
Eu varei por caminhos que nunca pensei...
Experimentei gostos que eu não sabia...
Disse muitas palavras que nunca escutei...
Eu pensei que eram noites coisas que eram dias
Coisas muito terríveis percebi tão belas...
E as quase completas julguei tão vazias
E as cores azuis tomei como amarelas...
As coisas distantes eu vi tão de perto,
As muito difíceis eu facilitei...
E da mesma maneira que faz o Arquiteto
Criei ruas sem fim onde nunca pisei...
Eu suei minha própria camisa pisando
As uvas que um dia transformei em vinho.
E fui pouco a pouco me embriagando
E assim desenhando meu próprio caminho,
Traçando meu carma, bebendo meu copo,
Dizendo meu nome, criando meu eu.
Meu jeito de ser que eu não mudo, não troco.
Meu modo de dar luz ao meu próprio breu.
Nunca tive razão. Nunca quis. Nunca pude.
Cada coisa que eu fiz foi só pela emoção.
Nunca soube se era defeito ou virtude...
Era a voz que gritava no meu coração...
Ofereci meu nome pra morrer primeiro
E segui caminhando na linha de tiro.
Eu fiz do silencio meu bom companheiro
Recusei respirar o ultimo suspiro.
E por isso, assim como os Rabinos e os Magos,
E os Navegadores de tempos atrás,
E os Padres e os Monges e os Abençoados,
E assim como as Mães que não cansam jamais,
E assim como os Náufragos desesperados,
E os Abandonados que não tem ninguém,
E bem como a determinação dos Soldados
Que lutam sem saber por que nem com quem,
E assim como a garra dos Sobreviventes,
E a força invisível que há nos Prematuros,
E assim como a aura que envolve os Videntes
E o arrependimento dos atos impuros,
E assim como a força que move os suicidas
E a fé dos Romeiros, dos Crentes em Deus,
E as Mães das crianças desaparecidas
Que esperam pela volta dos filhos seus,
E a sede da Moça que espera no Porto
O retorno do amado que sumiu no Mar,
E assim como o filho perante o Pai morto,
E a dor da Viúva, em silencio, a chorar,
Eu guardei em mim, sem que eu compreendesse,
Sem que eu pelo menos soubesse explicar,
Sem que eu controlasse, sem que eu escolhesse,
Em mim sem que eu fosse capaz de notar,
Tomei como se não houvesse mentira,
Ou como se eu não soubesse negar,
Do modo que é o ar quando a gente respira,
Do jeito que é o rio correndo pro mar,
Guardei, como se fosse um rio correndo,
Guardei sem que eu fosse capaz de evitar,
Ainda que às vezes não compreendendo,
Ainda que às vezes tentando ocultar,
Mais certo que o Rio que passa correndo,
Mais forte que o vento, mais farto que o ar,
Mais vivo que a vida que foi me vivendo,
Mais definitivo que a morte ao chegar,
Conservei comigo, carreguei comigo,
Tal como se fosse a minha confissão,
E, mesmo sabendo que corri perigo,
E, mesmo sabendo não haver perdão,
Eu tomei pra mim como fosse meu marco,
Eu tomei pra mim como fosse o meu lar,
Eu tomei pra mim como fosse meu barco,
E como se houvesse mais nada a tomar,
Tomei o amor como meu companheiro,
Tomei o amor como único par,
Tomei como se eu fosse o seu passageiro,
Tomei como se fosse o meu despertar,
O Amor, esse às vezes tão mau conselheiro,
O Amor, esse às vezes tão cheio de dor,
O Amor, esse às vezes que é tão sorrateiro,
O Amor, que por vezes nem parece Amor.
E assim eu vivi os meus dias inteiros,
As minhas viagens, as minhas paixões,
E assim foi que eu descobri meus paradeiros,
E assim foi que eu criei as minhas canções...
E nunca nem coisa nenhuma nem nada,
Nem pedra, nem chuva, nem desilusão,
Nem Contos de medo, nem Contos de Fada,
Nem Contos de Sonhos, de Imaginação,
Nem nada me fez separar dessa força
Que eu trouxe em segredo no meu coração
E como se fosse uma peça de louça,
E como se fosse um desenho num grão,
Guardei essa força comigo em segredo,
Guardei em silencio aqui dentro de mim,
Como uma criança carrega um brinquedo
Ou como um segredo carrega o seu fim,
O Amor, absoluto, e sempre primeiro,
O Amor, verdadeiro, e sempre estrondoso,
O Amor, poderoso, e sempre por inteiro,
O Amor, companheiro, e sempre carinhoso.
Por amor eu larguei minha vida de lado,
Fui julgado e cheguei bem no fundo de mim.
Por amor eu fui Rei. Eu vivi meu Reinado.
Por amor eu tentei escapar do meu fim...
Por amor, como as cartas de amor do passado...
Por amor, como o beijo da moça que vai...
Por amor, como um verso de amor delicado...
Por amor, como era o amor do meu Pai...
17.9.02
A Tempestade
(Na madrugada de 7 de setembro, do apartamento na Praia do Flamengo, eu pude observar o Rio amanhecendo sob forte temporal...)
Da janela do apartamento,
Protegido,
Eu pude observar o temporal.
Eram rajadas de um vento
Ensandecido...
A Natureza em seu Carnaval:
Raios cruzando o céu a todo instante,
A chuva em sua força impressionante,
Os estrondos do trovão...
O apartamento me protegia
E, enquanto eu observava a ventania,
Quem protegia o meu coração
Da chuva forte da indiferença,
Da trovoada da intolerancia,
Da ventania da solidão?
De tantos raios da inimizade,
E dos destroços da iniqüidade,
Das tempestades de Não?
Da janela, protegido, eu vi o tempo
Como se fosse um tormento...
Como se fosse um tufão...
Talvez, por me encontrar tão protegido,
Por isso é que eu nem tenha percebido
O coração assustado e contraido
Clamando por proteção..
(Na madrugada de 7 de setembro, do apartamento na Praia do Flamengo, eu pude observar o Rio amanhecendo sob forte temporal...)
Da janela do apartamento,
Protegido,
Eu pude observar o temporal.
Eram rajadas de um vento
Ensandecido...
A Natureza em seu Carnaval:
Raios cruzando o céu a todo instante,
A chuva em sua força impressionante,
Os estrondos do trovão...
O apartamento me protegia
E, enquanto eu observava a ventania,
Quem protegia o meu coração
Da chuva forte da indiferença,
Da trovoada da intolerancia,
Da ventania da solidão?
De tantos raios da inimizade,
E dos destroços da iniqüidade,
Das tempestades de Não?
Da janela, protegido, eu vi o tempo
Como se fosse um tormento...
Como se fosse um tufão...
Talvez, por me encontrar tão protegido,
Por isso é que eu nem tenha percebido
O coração assustado e contraido
Clamando por proteção..
13.9.02
O lugar bom de viver
Segue o poeta, rabiscando linhas,
Cecilizando idéias indiscretas,
Gullarizando frases Manoelinas
Do modo como fazem os poetas...
Vai revolvendo novos sentidos,
Reinventando as coisas corriqueiras,
Teando ritimos parecidos
Como se as rimas fossem parceiras.
E vai, tendencia Marioandradina,
Criando seu estilo pessoal...
Redescobrindo a forma Guilhermina
Na perfeição do verso Buarquial...
Vai traduzindo a rima Caetana
Que se escondeu nos versos de Drummond,
Se misturou na letra Catulana,
E evaporou na música de Tom...
E, costurando sua Bandeira
Como fez Castro Alves nos seus dias,
Segue, como quem tece a sua esteira
Ou como quem protege as próprias crias...
Segue o poeta, imaginando frases...
Pescando idéias que não tem som...
Como quem sai em busca de um Oásis
Onde viver é bom...
Segue o poeta, rabiscando linhas,
Cecilizando idéias indiscretas,
Gullarizando frases Manoelinas
Do modo como fazem os poetas...
Vai revolvendo novos sentidos,
Reinventando as coisas corriqueiras,
Teando ritimos parecidos
Como se as rimas fossem parceiras.
E vai, tendencia Marioandradina,
Criando seu estilo pessoal...
Redescobrindo a forma Guilhermina
Na perfeição do verso Buarquial...
Vai traduzindo a rima Caetana
Que se escondeu nos versos de Drummond,
Se misturou na letra Catulana,
E evaporou na música de Tom...
E, costurando sua Bandeira
Como fez Castro Alves nos seus dias,
Segue, como quem tece a sua esteira
Ou como quem protege as próprias crias...
Segue o poeta, imaginando frases...
Pescando idéias que não tem som...
Como quem sai em busca de um Oásis
Onde viver é bom...
O Mel e a Espada
O Mel adquirido pela Espada
Não serve como alimento...
Quando muito, como água envenenada...
Quando muito, como excremento...
O Mel adquirido pela Espada
E pelo signo do constrangimento
É feito a imponencia da fachada
Minutos antes do desabamento...
Como se fosse a morte anunciada,
O Mel adquirido pela Espada
É a condenação de quem o toma...
É como a pele suave e bronzeada
Que não percebe o detalhe da chegada
Do carcinoma...
O Mel adquirido pela Espada
Não serve como alimento...
Quando muito, como água envenenada...
Quando muito, como excremento...
O Mel adquirido pela Espada
E pelo signo do constrangimento
É feito a imponencia da fachada
Minutos antes do desabamento...
Como se fosse a morte anunciada,
O Mel adquirido pela Espada
É a condenação de quem o toma...
É como a pele suave e bronzeada
Que não percebe o detalhe da chegada
Do carcinoma...
4.9.02
Desabafo...
Eu me recuso a viver num mundo onde o meu sorriso seja feito da desconfiança do sorriso do meu vizinho...
Eu me recuso a viver num mundo onde eu não possa acreditar nas pessoas...
Em que eu precise desconfiar das pessoas...
Num mundo em que quem crê é um idiota...
Onde quem confia é um tolo...
A mentira não pode ser a regra e a verdade um crime...
A falsidade não pode ser o lema
E a decencia uma estupidez...
Eu me recuso a viver num mundo onde quem confia é portanto um delinquente e quem mente apenas se protege...
Eu não condeno Forrest Gump...
Eu acredito na água cristalina...
Eu quero o sol e me recuso a acreditar na sombra, na noite, no frio...
Até que
Quando um dia
Finalmente
Ciencia
Leis
Tratados
Fórmulas
Sabios
Entendedores
Antropólogos
Filósofos e
Bispos
Me convencerem
Do contrario
Entao
Nesse dia
Exatamente nesse dia
Certamente
Eu ainda assim
Definitivamente me recusarei
A acreditar na farsa como verdade
No erro como principio
No mal como fundamento
Porque dentro de mim
Acreditar
Será sempre
Ver a verdade
Onde ela deveria estar
Antes de ter sido
Violada...
Eu me recuso a viver num mundo onde o meu sorriso seja feito da desconfiança do sorriso do meu vizinho...
Eu me recuso a viver num mundo onde eu não possa acreditar nas pessoas...
Em que eu precise desconfiar das pessoas...
Num mundo em que quem crê é um idiota...
Onde quem confia é um tolo...
A mentira não pode ser a regra e a verdade um crime...
A falsidade não pode ser o lema
E a decencia uma estupidez...
Eu me recuso a viver num mundo onde quem confia é portanto um delinquente e quem mente apenas se protege...
Eu não condeno Forrest Gump...
Eu acredito na água cristalina...
Eu quero o sol e me recuso a acreditar na sombra, na noite, no frio...
Até que
Quando um dia
Finalmente
Ciencia
Leis
Tratados
Fórmulas
Sabios
Entendedores
Antropólogos
Filósofos e
Bispos
Me convencerem
Do contrario
Entao
Nesse dia
Exatamente nesse dia
Certamente
Eu ainda assim
Definitivamente me recusarei
A acreditar na farsa como verdade
No erro como principio
No mal como fundamento
Porque dentro de mim
Acreditar
Será sempre
Ver a verdade
Onde ela deveria estar
Antes de ter sido
Violada...
26.8.02
Aonde eu vou morar
Eu vou morar em Milton Nascimento,
Na voz que vem de Milton Nascimento.
Gira, girar em Milton Nascimento,
E adormecer em Milton Nascimento.
Eu quero um pé de sonho prá plantar.
(Quem planta sonho colhe cantar)
Quero viver sossegado
Mas pra ficar sossegado
Eu não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal.
Uma nascente. Um olho dágua.
Ouvindo Canção do Sal.
Brincar nos bailes da vida
Cantando Canção Amiga.
Quero ficar à vontade.
Do coração doer de tanta felicidade.
Quero tocar minha mão no Cálix Bento.
Eu, Cavaleiro Solitário, ao vento,
De vez, morar em Milton Nascimento,
Em comunhão com Milton Nascimento,
E me perder em Milton Nascimento,
E me encontrar em Milton Nascimento.
No seu sorriso
Que é qualquer coisa a haver com o paraiso.
Certas canções de modo tão perfeito:
Amigo é coisa pra se guardar
Do lado esquerdo do peito.
Por isso, quando eu me encontrar sozinho,
Vou viajar no som do cuitelinho,
E se eu tiver algum mercecimento
Eu vou morar em Milton Nascimento,
Beber da vida em Milton Nascimento.
Nenhuma dor em Milton Nascimento.
E ser feliz em Milton Nascimento.
Eu vou morar em Milton Nascimento,
Na voz que vem de Milton Nascimento.
Gira, girar em Milton Nascimento,
E adormecer em Milton Nascimento.
Eu quero um pé de sonho prá plantar.
(Quem planta sonho colhe cantar)
Quero viver sossegado
Mas pra ficar sossegado
Eu não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal.
Uma nascente. Um olho dágua.
Ouvindo Canção do Sal.
Brincar nos bailes da vida
Cantando Canção Amiga.
Quero ficar à vontade.
Do coração doer de tanta felicidade.
Quero tocar minha mão no Cálix Bento.
Eu, Cavaleiro Solitário, ao vento,
De vez, morar em Milton Nascimento,
Em comunhão com Milton Nascimento,
E me perder em Milton Nascimento,
E me encontrar em Milton Nascimento.
No seu sorriso
Que é qualquer coisa a haver com o paraiso.
Certas canções de modo tão perfeito:
Amigo é coisa pra se guardar
Do lado esquerdo do peito.
Por isso, quando eu me encontrar sozinho,
Vou viajar no som do cuitelinho,
E se eu tiver algum mercecimento
Eu vou morar em Milton Nascimento,
Beber da vida em Milton Nascimento.
Nenhuma dor em Milton Nascimento.
E ser feliz em Milton Nascimento.
O Amor Insensato
A todos os amores que não trazem paz
Se o amor que tu amas é proibido
E amar assim te mata de vergonha,
E se é imenso o amor, mas escondido,
E é dentro do escondido que ele sonha,
E se o Padre não o abençoa,
E se o Pastor não o bendiz,
E se o Rabino não o tem por coisa boa
E apesar disso esse amor te faz feliz,
Vive esse amor insensato até o fim
Como se nada nele houvesse de ruim
E ali estivesse a tua felicidade.
Quem sabe um dia, desse amor cansada,
Por tanto amares sejas libertada
E, uma vez livre, tu ames de verdade.
Quem sabe um dia o coração sofrido
Por tanto amor, enfim, seja absolvido
E possa então amar com dignidade.
A todos os amores que não trazem paz
Se o amor que tu amas é proibido
E amar assim te mata de vergonha,
E se é imenso o amor, mas escondido,
E é dentro do escondido que ele sonha,
E se o Padre não o abençoa,
E se o Pastor não o bendiz,
E se o Rabino não o tem por coisa boa
E apesar disso esse amor te faz feliz,
Vive esse amor insensato até o fim
Como se nada nele houvesse de ruim
E ali estivesse a tua felicidade.
Quem sabe um dia, desse amor cansada,
Por tanto amares sejas libertada
E, uma vez livre, tu ames de verdade.
Quem sabe um dia o coração sofrido
Por tanto amor, enfim, seja absolvido
E possa então amar com dignidade.
20.8.02
Não contem comigo
Argumento final
Este texto compõe o argumento final da ação que movi junto às minhas entidades de classe contra o autoritarismo e a truculencia das ações de que fui vitima no ultimo dia 13 e cujo relato fiz em outra mensagem para esse blog...
Amigos,
Antes que perguntem, saibam...
Antes que se enganem comigo, conheçam...
Antes que se iludam com meu modo se ser, tomem fé:
Não contem comigo
Quando for para o susto calar a nossa voz,
Quando for para a covardia e o medo determinarem nosso silencio
Ou nos intimidarem diante do nefasto
E nos curvarem diante do erro...
Não contem comigo.
Ahimsa, eu aprendi.
Preparem minha demissão imediata,
Transfiram-me,
Retirem meu nome,
Cassem meus direitos...
Mas não me peçam para ficar calado diante do abuso...
Não me implorem para mudar uma letra sequer da minha palavra...
Não esperem de mim o medo de quem nem é Deus...
Esqueçam...
Não contem comigo...
Antes não tivessem me permitido conhecer Milton, Chico, Gullar, Brecht, Maiakovsky, Castro Alves...
Porque não me deixaram só com Rapunzel, O Gato de Botas, A Bela Adormecida?
Talvez assim eu tivesse mais medo da palavra que se acompanha da bala...
Talvez assim eu me curvasse mais rapidamente diante da estupidez e da força...
Mas alguma coisa deu errado comigo...
Vi, li, aprendi, vivi dias intensos que me impedem hoje de ceder quando ceder é mais fácil...
Ou de morrer de medo do que não tem remédio nem nunca terá...
Amigos...
Não me chamem para acordos com o abuso...
Não me mostrem os conchavos com o medo...
Não me falem sobre segredinhos com a força armada...
Não me digam para temer a lei que não se sustenta em si mesma...
Trago em mim a grande culpa de ser como sou...
Não me peçam para ser de outro modo. Desistam.
Não contem comigo.
Argumento final
Este texto compõe o argumento final da ação que movi junto às minhas entidades de classe contra o autoritarismo e a truculencia das ações de que fui vitima no ultimo dia 13 e cujo relato fiz em outra mensagem para esse blog...
Amigos,
Antes que perguntem, saibam...
Antes que se enganem comigo, conheçam...
Antes que se iludam com meu modo se ser, tomem fé:
Não contem comigo
Quando for para o susto calar a nossa voz,
Quando for para a covardia e o medo determinarem nosso silencio
Ou nos intimidarem diante do nefasto
E nos curvarem diante do erro...
Não contem comigo.
Ahimsa, eu aprendi.
Preparem minha demissão imediata,
Transfiram-me,
Retirem meu nome,
Cassem meus direitos...
Mas não me peçam para ficar calado diante do abuso...
Não me implorem para mudar uma letra sequer da minha palavra...
Não esperem de mim o medo de quem nem é Deus...
Esqueçam...
Não contem comigo...
Antes não tivessem me permitido conhecer Milton, Chico, Gullar, Brecht, Maiakovsky, Castro Alves...
Porque não me deixaram só com Rapunzel, O Gato de Botas, A Bela Adormecida?
Talvez assim eu tivesse mais medo da palavra que se acompanha da bala...
Talvez assim eu me curvasse mais rapidamente diante da estupidez e da força...
Mas alguma coisa deu errado comigo...
Vi, li, aprendi, vivi dias intensos que me impedem hoje de ceder quando ceder é mais fácil...
Ou de morrer de medo do que não tem remédio nem nunca terá...
Amigos...
Não me chamem para acordos com o abuso...
Não me mostrem os conchavos com o medo...
Não me falem sobre segredinhos com a força armada...
Não me digam para temer a lei que não se sustenta em si mesma...
Trago em mim a grande culpa de ser como sou...
Não me peçam para ser de outro modo. Desistam.
Não contem comigo.
14.8.02
A Injustiça Cega
Ontem durante meu plantão médico recebi a visita de duas Assistentes Sociais que me traziam quatro crianças sem queixas para receberem um Atestado Médico de liberação para creche. Tentei sem sucesso explicar que aquele Hospital se destinava ao atendimento de urgencias. Encaminhei as crianças ao atendimento em outra unidade. Duas horas depois uma oficial de justiça acompanhada de tres policiais armados me entregou um documento assinado por um juiz ordenando o atendimento das crianças ou a prisão. Sob ameaça da força, constrangido pelo abuso do poder, atendi as crianças, que não apresentavam problemas.
Não há mérito algum na força armada,
Na coação, no constrangimento.
O mel, quando obtido pela espada
Não presta como alimento.
Não há vitória nem merecimento
Na arma apontada para o coração.
A estupidez é o único argumento
De quem perdeu-se e perdeu a razão.
Por isso não há luz quando a vitória
Inclui a estupidez na sua estória.
A força é o selo da mediocridade.
É o vinho acre que cheira a azedume.
É a natureza morta e sem perfume.
É o elogio à imbecilidade.
Ontem durante meu plantão médico recebi a visita de duas Assistentes Sociais que me traziam quatro crianças sem queixas para receberem um Atestado Médico de liberação para creche. Tentei sem sucesso explicar que aquele Hospital se destinava ao atendimento de urgencias. Encaminhei as crianças ao atendimento em outra unidade. Duas horas depois uma oficial de justiça acompanhada de tres policiais armados me entregou um documento assinado por um juiz ordenando o atendimento das crianças ou a prisão. Sob ameaça da força, constrangido pelo abuso do poder, atendi as crianças, que não apresentavam problemas.
Não há mérito algum na força armada,
Na coação, no constrangimento.
O mel, quando obtido pela espada
Não presta como alimento.
Não há vitória nem merecimento
Na arma apontada para o coração.
A estupidez é o único argumento
De quem perdeu-se e perdeu a razão.
Por isso não há luz quando a vitória
Inclui a estupidez na sua estória.
A força é o selo da mediocridade.
É o vinho acre que cheira a azedume.
É a natureza morta e sem perfume.
É o elogio à imbecilidade.
13.8.02
A Muralha
I
Era uma construção rochosa, fria,
Um obstáculo à luz do dia.
Inalcançável. Imensa. Inatingível.
Era de uma grandeza incomparável
E de uma complexidade incompreensível.
Era uma construção rochosa, imensa,
Escura, impressionante, enorme, densa,
Assustadora construção rochosa,
Estupida, complexa, pavorosa,
Incompreensivel em sua soberania...
Um obstáculo à luz do dia...
II
A força bruta esmerou-se em derrubá-la
A golpes de ferro, impactos de bala,
A violentos tiros de canhão...
Tentou, a força bruta, sem perdão,
Sem culpa, a força bruta, sem sossêgo,
Sem falha, sem porém, sem dó, sem medo...
A força bruta esmerou-se, sem sucesso...
A imensidão sombria não se abala...
E toda força bruta do Universo
Não foi capaz de vencer A Muralha...
III
E os Poderosos, e os Prepotentes,
E os Chanceleres, e os Presidentes,
E os Principes, e os Reis e os Marechais,
E os Arcebispos, e os Almirantes,
E os Sheiks, e os Xás, e os Comandantes,
E os Prefeitos, e os Generais,
E os Imortais, e os representantes
Dos militares da Alta Patente
Uniram-se em Tribunas Permanentes
E após as preleções mais estridentes
Mostraram-se improváveis, impotentes...
Nenhum poder no mundo foi capaz
De destruir A Muralha. Impressionante.
Um obstáculo à Luz. Desconcertante.
Um obstáculo à Paz.
IV
Nem toda pedra. Todo brilhante,
Toda fortuna, toda riqueza,
Toda Esmeralda, todo Diamante,
Todo dinheiro da natureza,
Tampouco toda gema do garimpo
Ou todo Ouro de Midas,
Ou nem toda riqueza que há no Olimpo
Ou jóias que há nas Arcas escondidas,
Nenhum anel de brilhante...
Nenhum valor mostrou-se suficiente
Para vencer A Muralha
Absoluta, desconcertante,
Permanecia completamente
Intacta, compacta e sem falha...
V
Passava noite,
Passava dia
E A Muralha permanecia...
A Luz do Sol não passava...
O amanhecer não nascia...
Passava noite cinzenta,
Passava nuvem sombria,
E A Muralha,
Feito uma praga quando se espalha,
Sobrevivia...
VI
Foi quando o Amor tocou, suavemente,
A Muralha imponente
De grandiosidade impressionante...
Nesse instante,
Subitamente,
A Muralha cedeu completamente,
E como quem se acaba simplesmente
Ou como quem se vai e vai distante
A Muralha gigante
Estúpida, complexa, impressionante
Quedou-se ao toque suave e transparente
Do amor silente...
E feito um Novo Tempo quando se inicia,
Daquele instante em diante não havia
Obstáculo nenhum à Luz do Dia...
I
Era uma construção rochosa, fria,
Um obstáculo à luz do dia.
Inalcançável. Imensa. Inatingível.
Era de uma grandeza incomparável
E de uma complexidade incompreensível.
Era uma construção rochosa, imensa,
Escura, impressionante, enorme, densa,
Assustadora construção rochosa,
Estupida, complexa, pavorosa,
Incompreensivel em sua soberania...
Um obstáculo à luz do dia...
II
A força bruta esmerou-se em derrubá-la
A golpes de ferro, impactos de bala,
A violentos tiros de canhão...
Tentou, a força bruta, sem perdão,
Sem culpa, a força bruta, sem sossêgo,
Sem falha, sem porém, sem dó, sem medo...
A força bruta esmerou-se, sem sucesso...
A imensidão sombria não se abala...
E toda força bruta do Universo
Não foi capaz de vencer A Muralha...
III
E os Poderosos, e os Prepotentes,
E os Chanceleres, e os Presidentes,
E os Principes, e os Reis e os Marechais,
E os Arcebispos, e os Almirantes,
E os Sheiks, e os Xás, e os Comandantes,
E os Prefeitos, e os Generais,
E os Imortais, e os representantes
Dos militares da Alta Patente
Uniram-se em Tribunas Permanentes
E após as preleções mais estridentes
Mostraram-se improváveis, impotentes...
Nenhum poder no mundo foi capaz
De destruir A Muralha. Impressionante.
Um obstáculo à Luz. Desconcertante.
Um obstáculo à Paz.
IV
Nem toda pedra. Todo brilhante,
Toda fortuna, toda riqueza,
Toda Esmeralda, todo Diamante,
Todo dinheiro da natureza,
Tampouco toda gema do garimpo
Ou todo Ouro de Midas,
Ou nem toda riqueza que há no Olimpo
Ou jóias que há nas Arcas escondidas,
Nenhum anel de brilhante...
Nenhum valor mostrou-se suficiente
Para vencer A Muralha
Absoluta, desconcertante,
Permanecia completamente
Intacta, compacta e sem falha...
V
Passava noite,
Passava dia
E A Muralha permanecia...
A Luz do Sol não passava...
O amanhecer não nascia...
Passava noite cinzenta,
Passava nuvem sombria,
E A Muralha,
Feito uma praga quando se espalha,
Sobrevivia...
VI
Foi quando o Amor tocou, suavemente,
A Muralha imponente
De grandiosidade impressionante...
Nesse instante,
Subitamente,
A Muralha cedeu completamente,
E como quem se acaba simplesmente
Ou como quem se vai e vai distante
A Muralha gigante
Estúpida, complexa, impressionante
Quedou-se ao toque suave e transparente
Do amor silente...
E feito um Novo Tempo quando se inicia,
Daquele instante em diante não havia
Obstáculo nenhum à Luz do Dia...
3.8.02
As Fomes
Revisado
Ele tinha fome de boca, fome de mão...
Ela, só fome de coração...
Ele tinha fome de pele, de caricia...
Ela, de ser tratada com delicia...
Ele, de perna, joelho, tornozelo...
Ela, de ser cuidada com desvelo...
Ele era a fome da voz a sussurrar...
Ela, a da delicadeza de um olhar...
Ele era a fome de um lençol de linho...
Ela, a de ser tratada com carinho...
Mas, como suas fomes muito diferentes,
Parecessem, porque fomes, muito iguais,
Eles se deram, com fome, um ao outro,
E se entregaram,
Como se dão, uns aos outros, os casais...
E enquanto ele se contentava
Ela tentava...
Ele gostava, sorria...
Ela arriscava ver se descobria...
Ele se deliciava, se fartava de euforia,
Ela buscava obter o que queria...
Às vezes ela até acreditava...
Às vezes ele quase convencia...
E enquanto ela procurava,
Se dava, se oferecia,
Ele, sozinho, se alimentava
Da fome que ela sentia...
Ate que um dia
As suas fomes mostraram-se evidentes:
A dele, fome de dentes,
A dela, fome de sentir saudades...
A dele, fome de beijos ardentes,
A dela fome de infantilidades...
A dele, a fome do corpo quente,
A dela, a fome de companhia...
A dele, a fome aguardente...
A dela, fome poesia...
Eram fomes diferentes:
Céu e chão,
Pecadores e inocentes,
Sim e não,
Meia noite,
Meio dia,
Quando então,
Eles se compreenderam desiguais...
E desde aí, nunca mais
Quando ele pele, ela vida,
Ele mordida, ela olhar.
Ele querendo comida...
Ela querendo sonhar...
Ele a paixão desmedida...
Ela a vontade de amar...
Ele a voz quase gemida...
Ela a voz quase a cantar...
Nunca mais ele a mordida
Nos sonhos dela sonhar...
Ele era fora, ela, dentro...
Ele o momento, ela mais...
Ela, como o pensamento...
Ele, como os animais...
Ele era o gás, ela a luz,
E desde então, nunca mais...
Porque ela era a fome que o verso não traduz
E ele era a fome fugaz...
E ela pode então viver em paz...
Revisado
Ele tinha fome de boca, fome de mão...
Ela, só fome de coração...
Ele tinha fome de pele, de caricia...
Ela, de ser tratada com delicia...
Ele, de perna, joelho, tornozelo...
Ela, de ser cuidada com desvelo...
Ele era a fome da voz a sussurrar...
Ela, a da delicadeza de um olhar...
Ele era a fome de um lençol de linho...
Ela, a de ser tratada com carinho...
Mas, como suas fomes muito diferentes,
Parecessem, porque fomes, muito iguais,
Eles se deram, com fome, um ao outro,
E se entregaram,
Como se dão, uns aos outros, os casais...
E enquanto ele se contentava
Ela tentava...
Ele gostava, sorria...
Ela arriscava ver se descobria...
Ele se deliciava, se fartava de euforia,
Ela buscava obter o que queria...
Às vezes ela até acreditava...
Às vezes ele quase convencia...
E enquanto ela procurava,
Se dava, se oferecia,
Ele, sozinho, se alimentava
Da fome que ela sentia...
Ate que um dia
As suas fomes mostraram-se evidentes:
A dele, fome de dentes,
A dela, fome de sentir saudades...
A dele, fome de beijos ardentes,
A dela fome de infantilidades...
A dele, a fome do corpo quente,
A dela, a fome de companhia...
A dele, a fome aguardente...
A dela, fome poesia...
Eram fomes diferentes:
Céu e chão,
Pecadores e inocentes,
Sim e não,
Meia noite,
Meio dia,
Quando então,
Eles se compreenderam desiguais...
E desde aí, nunca mais
Quando ele pele, ela vida,
Ele mordida, ela olhar.
Ele querendo comida...
Ela querendo sonhar...
Ele a paixão desmedida...
Ela a vontade de amar...
Ele a voz quase gemida...
Ela a voz quase a cantar...
Nunca mais ele a mordida
Nos sonhos dela sonhar...
Ele era fora, ela, dentro...
Ele o momento, ela mais...
Ela, como o pensamento...
Ele, como os animais...
Ele era o gás, ela a luz,
E desde então, nunca mais...
Porque ela era a fome que o verso não traduz
E ele era a fome fugaz...
E ela pode então viver em paz...
Senha
Revisado
A poesia por companhia...
Musica boa por testemunha...
Ser poeta é meu brinquedo e minha fantasia
E minha alcunha...
A poesia por teimosia...
Musica boa por manha...
Escrever é minha crença, minha cura, minha cria
E única façanha...
A poesia por estrela guia...
Musica boa, de onde quer que venha...
Ser assim é minha sabedoria
E minha senha...
Revisado
A poesia por companhia...
Musica boa por testemunha...
Ser poeta é meu brinquedo e minha fantasia
E minha alcunha...
A poesia por teimosia...
Musica boa por manha...
Escrever é minha crença, minha cura, minha cria
E única façanha...
A poesia por estrela guia...
Musica boa, de onde quer que venha...
Ser assim é minha sabedoria
E minha senha...
1.8.02
Se eu faço poesia...
Revisado
Se eu faço poesia, penso em nada...
É como escorregar num tobogã...
Então, quando eu percebo, é madrugada...
Eu continuo. É quase de manhã...
Eu trago a poesia bem guardada
Como quem traz guardado um talismã...
Se eu faço poesia eu perco o rumo...
Eu sigo por atalhos e quebradas...
Eu perco a coerencia, esqueço o prumo,
Eu piso firme sem deixar pegadas,
E nesse desacerto é que eu me arrumo
E assim eu passo as minhas madrugadas...
Se eu faço poesia ritimada
E rimo por questão de opinião,
É como olhar a lua prateada
E, olhando, assoviar uma canção...
É como se a palavra preparada
Saisse pronta do coração...
Se eu faço poesia, penso mudo...
É como a fantasia improvisada...
Às vezes o poema é meu escudo...
Às vezes o poema é minha estrada...
Meu cálice de vinho... Meu veludo...
Meu tudo... Meu porque... Meu não... Meu nada...
Por isso é que se eu faço poesia
Diária, intuitiva, ritimada,
É como quem descobre o fio guia,
A senha, a chave, o mote, o abracadabra...
E encontra a própria carta de alforria
E a trilha da caverna abandonada...
Revisado
Se eu faço poesia, penso em nada...
É como escorregar num tobogã...
Então, quando eu percebo, é madrugada...
Eu continuo. É quase de manhã...
Eu trago a poesia bem guardada
Como quem traz guardado um talismã...
Se eu faço poesia eu perco o rumo...
Eu sigo por atalhos e quebradas...
Eu perco a coerencia, esqueço o prumo,
Eu piso firme sem deixar pegadas,
E nesse desacerto é que eu me arrumo
E assim eu passo as minhas madrugadas...
Se eu faço poesia ritimada
E rimo por questão de opinião,
É como olhar a lua prateada
E, olhando, assoviar uma canção...
É como se a palavra preparada
Saisse pronta do coração...
Se eu faço poesia, penso mudo...
É como a fantasia improvisada...
Às vezes o poema é meu escudo...
Às vezes o poema é minha estrada...
Meu cálice de vinho... Meu veludo...
Meu tudo... Meu porque... Meu não... Meu nada...
Por isso é que se eu faço poesia
Diária, intuitiva, ritimada,
É como quem descobre o fio guia,
A senha, a chave, o mote, o abracadabra...
E encontra a própria carta de alforria
E a trilha da caverna abandonada...
29.7.02
Auto-retrato
Passarinho de alma cigarreira,
É feito só de canto o meu caminho...
A minha solidão é passageira...
Meu modo de escrever é passarinho
De alma cigarrinha. E vou cantando.
A vida que há em mim vai me vivendo,
O som da vida me dedilhando,
Enquanto a poesia me escrevendo...
Passarinho de alma cantadeira
Que canta poesia a vida inteira,
Não há nenhuma outra vida em mim...
Passarinho de alma cancioneira...
Meu estaleiro e ninho e minha esteira
Enquanto eu canto, ao vento, Borzeguim...
Passarinho de alma cigarreira,
É feito só de canto o meu caminho...
A minha solidão é passageira...
Meu modo de escrever é passarinho
De alma cigarrinha. E vou cantando.
A vida que há em mim vai me vivendo,
O som da vida me dedilhando,
Enquanto a poesia me escrevendo...
Passarinho de alma cantadeira
Que canta poesia a vida inteira,
Não há nenhuma outra vida em mim...
Passarinho de alma cancioneira...
Meu estaleiro e ninho e minha esteira
Enquanto eu canto, ao vento, Borzeguim...
26.7.02
As dores piores
..."sinto ter ferido teu coração. Mas sei, pelo que ferem o meu, que a dor
passa... e que existem dores muito piores"... (de um mail recebido)
A pior dor é a dor que tu provocas...
O pecado mais forte é o que cometes...
O mais torto dos rumos é o que entortas...
A pior agressão é a que fizeste...
A doença mais grave é a que transmites...
O castigo mais cruel é o que castigas...
A mentira mais falsa é a que mentistes...
E a em que te envolves é a pior das brigas...
Portanto, entre o mal que tu aplicas
E o outro mal, o mal que tu recebes,
E o mal que por ai tantos semeiam,
O mais danoso sempre é o mal que causas
Poi não há dor maior que a dor que geras
E o mal que lanças aos que te rodeiam...
..."sinto ter ferido teu coração. Mas sei, pelo que ferem o meu, que a dor
passa... e que existem dores muito piores"... (de um mail recebido)
A pior dor é a dor que tu provocas...
O pecado mais forte é o que cometes...
O mais torto dos rumos é o que entortas...
A pior agressão é a que fizeste...
A doença mais grave é a que transmites...
O castigo mais cruel é o que castigas...
A mentira mais falsa é a que mentistes...
E a em que te envolves é a pior das brigas...
Portanto, entre o mal que tu aplicas
E o outro mal, o mal que tu recebes,
E o mal que por ai tantos semeiam,
O mais danoso sempre é o mal que causas
Poi não há dor maior que a dor que geras
E o mal que lanças aos que te rodeiam...
24.7.02
A outra forma de amar
Amor que não vira beijo vira brisa
Amor que não vira toque vira olhar
Amor que não vira mão que toca e alisa
Vira uma outra forma além do amar...
Amor que não vira boca vira rima
Amor que não vira lingua vira vento
Amor que não vira corpo contamina
A natureza do pensamento...
Amar amor que não vira
Mordida fixação calor desejo
Carinho pele caricia beijo mão
É feito um amar de amor que não se expira
Porque não contem segredo nem mentira
Porque é matéria do coração...
Amor que não vira beijo vira brisa
Amor que não vira toque vira olhar
Amor que não vira mão que toca e alisa
Vira uma outra forma além do amar...
Amor que não vira boca vira rima
Amor que não vira lingua vira vento
Amor que não vira corpo contamina
A natureza do pensamento...
Amar amor que não vira
Mordida fixação calor desejo
Carinho pele caricia beijo mão
É feito um amar de amor que não se expira
Porque não contem segredo nem mentira
Porque é matéria do coração...
16.7.02
Sobre a Dor
Carta a uma amiga
Dor...
Poetas e cientistas tentam decifrar-lhe a causa, descobrir-lhe a cura...
Pastores e padres tentam aliviar-lhe o peso...
Deus, em sua magnitude, ainda permite a sua existencia sem deixar com isso
de expressar o seu amor infinito aos homens...
Mas ei-la...
A dor...
Pedaço de quase tudo que a gente vive...
Caminho de quase tudo que a gente anda...
Tonalidade de quase tudo que a gente olha...
Recordo-me da palavra santa do grande Gilberto Gil quando, um ano
após perder o filho num acidente estupido...
Foi num programa de Silvio Santos...
O Silvio perguntou a ele sobre a impressão que ele tinha naquele momento,
uma ano depois, sobre a perda do filho...
Gil, manso e delicado, permitiu-se dizer que compreendia que não havia sido
escolhido por Deus para sofrer...
Que o sofrimento por que ele passou era também o sofrimento de muitos outros
que no Brasil e no mundo vivem a mesma estória da mesma perda...
E essa mesma estória o irmanava...
E de alguma forma, ao coração do poeta, suavizava a sua dor...
Aprendi, naquele momento, aquela lição...
A de não termos sido especialmente escolhidos por Deus para viver esta ou
aquela dor...
A lição de nos irmanarmos na dor...
Nos unirmos na dor...
Como diz o poema de Mário de Andrasde: " nem me sinto mais só, dissolvido
nos homens..."
Que a dor nos dissolva em meio à humanidade...
Como médico vivo a dor diariamente...
Como homem do mesmo modo eu a sinto e luto contra ela entre uma e outra vez
que à ela me entrego...
Aprendi que a dor mais importante é a que nos aflige...
Não há, para mim, dores menos ou mais importantes...
A pior dor é aquela que nos toma...
E é essa a que devemos eliminar ou aceitar, conforme a sua natureza...
Aceitar dores elimináveis é uma entrega suicida...
Lutar contra dores inevitáveis é um martírio sem fim...
Há dores, portanto, que resolvi considerar amigas...
Dores que por sua natureza são indissoluveis...
Como a que senti e sinto quando falo do meu pai que já partiu...
E há as outras, contra as quais luto e lutamos todos diariamente...
A sabedoria esta em saber discernir uma da outra...
Quero, em Deus, estar ao seu lado para te prestar todo o apoio de que
necessitas para que passe do melhor modo possivel por este momento de dor
que te irmana hoje com a humanidade inteira que de algum modo sofre...
Dor que em nenhum momento configura a falta do amor infinito de Deus por nós...
Dor que venceremos de um modo ou de outro...
Leva de recordação um poema que escrevi enquanto algo doía em mim...
Oro por voce...
Pelos que moram no seu coração...
Pelo carinho dos que te querem bem...
Que tanta energia a teu favor te torne forte...
Se for inconsistente para te trazer a força, que te traga a resistencia da
serenidade...
Esperaremos dias tranquilos...
Um beijo de quem muito te quer bem.
Luis.
A Dor Amiga
Chamei a dor Minha Amiga...
Convidei-a para entrar...
Fiz pra ela uma cantiga
Tirei ela pra dançar...
Cuei um café quentinho...
Pus a mesa de jantar...
Sentei dela bem juntinho...
Até a dor se alegrar...
Eu dei à dor o carinho
Que a gente costuma dar
À um parente, a um vizinho,
A alguém do nosso lar...
Hoje a dor é minha amiga,
Já não me causa matar...
Não maltrata, não castiga,
Não tenta me machucar...
A dor, que mora comigo,
Não pode me abandonar.
Por isso já não consigo
Sorrir sem também chorar.
Porque se a dor não me mata
Nem me faz desesperar,
Nem me fere, nem maltrata,
Nem tenta me asfixiar,
Também não me deixa livre,
Não se despede de mim...
Ficou em mim e hoje vive
No meu coração, assim:
Não me fere nem me cura,
Não me seca nem sacia,
Não me atira em noite escura,
Não me larga à luz do dia...
Chamei a dor Minha Amiga...
Eu disse à dor: Pode entrar...
Eu dei à dor minha vida
E pude então descansar...
Carta a uma amiga
Dor...
Poetas e cientistas tentam decifrar-lhe a causa, descobrir-lhe a cura...
Pastores e padres tentam aliviar-lhe o peso...
Deus, em sua magnitude, ainda permite a sua existencia sem deixar com isso
de expressar o seu amor infinito aos homens...
Mas ei-la...
A dor...
Pedaço de quase tudo que a gente vive...
Caminho de quase tudo que a gente anda...
Tonalidade de quase tudo que a gente olha...
Recordo-me da palavra santa do grande Gilberto Gil quando, um ano
após perder o filho num acidente estupido...
Foi num programa de Silvio Santos...
O Silvio perguntou a ele sobre a impressão que ele tinha naquele momento,
uma ano depois, sobre a perda do filho...
Gil, manso e delicado, permitiu-se dizer que compreendia que não havia sido
escolhido por Deus para sofrer...
Que o sofrimento por que ele passou era também o sofrimento de muitos outros
que no Brasil e no mundo vivem a mesma estória da mesma perda...
E essa mesma estória o irmanava...
E de alguma forma, ao coração do poeta, suavizava a sua dor...
Aprendi, naquele momento, aquela lição...
A de não termos sido especialmente escolhidos por Deus para viver esta ou
aquela dor...
A lição de nos irmanarmos na dor...
Nos unirmos na dor...
Como diz o poema de Mário de Andrasde: " nem me sinto mais só, dissolvido
nos homens..."
Que a dor nos dissolva em meio à humanidade...
Como médico vivo a dor diariamente...
Como homem do mesmo modo eu a sinto e luto contra ela entre uma e outra vez
que à ela me entrego...
Aprendi que a dor mais importante é a que nos aflige...
Não há, para mim, dores menos ou mais importantes...
A pior dor é aquela que nos toma...
E é essa a que devemos eliminar ou aceitar, conforme a sua natureza...
Aceitar dores elimináveis é uma entrega suicida...
Lutar contra dores inevitáveis é um martírio sem fim...
Há dores, portanto, que resolvi considerar amigas...
Dores que por sua natureza são indissoluveis...
Como a que senti e sinto quando falo do meu pai que já partiu...
E há as outras, contra as quais luto e lutamos todos diariamente...
A sabedoria esta em saber discernir uma da outra...
Quero, em Deus, estar ao seu lado para te prestar todo o apoio de que
necessitas para que passe do melhor modo possivel por este momento de dor
que te irmana hoje com a humanidade inteira que de algum modo sofre...
Dor que em nenhum momento configura a falta do amor infinito de Deus por nós...
Dor que venceremos de um modo ou de outro...
Leva de recordação um poema que escrevi enquanto algo doía em mim...
Oro por voce...
Pelos que moram no seu coração...
Pelo carinho dos que te querem bem...
Que tanta energia a teu favor te torne forte...
Se for inconsistente para te trazer a força, que te traga a resistencia da
serenidade...
Esperaremos dias tranquilos...
Um beijo de quem muito te quer bem.
Luis.
A Dor Amiga
Chamei a dor Minha Amiga...
Convidei-a para entrar...
Fiz pra ela uma cantiga
Tirei ela pra dançar...
Cuei um café quentinho...
Pus a mesa de jantar...
Sentei dela bem juntinho...
Até a dor se alegrar...
Eu dei à dor o carinho
Que a gente costuma dar
À um parente, a um vizinho,
A alguém do nosso lar...
Hoje a dor é minha amiga,
Já não me causa matar...
Não maltrata, não castiga,
Não tenta me machucar...
A dor, que mora comigo,
Não pode me abandonar.
Por isso já não consigo
Sorrir sem também chorar.
Porque se a dor não me mata
Nem me faz desesperar,
Nem me fere, nem maltrata,
Nem tenta me asfixiar,
Também não me deixa livre,
Não se despede de mim...
Ficou em mim e hoje vive
No meu coração, assim:
Não me fere nem me cura,
Não me seca nem sacia,
Não me atira em noite escura,
Não me larga à luz do dia...
Chamei a dor Minha Amiga...
Eu disse à dor: Pode entrar...
Eu dei à dor minha vida
E pude então descansar...
15.7.02
Súplica ao Poema
Livrai-me, Poesia, da maldade.
Da que me cerca e da que habita em mim...
Da falta de paciencia e de verdade...
Da voz danosa e má, do tempo ruim...
Do mal-me-quer livrai-me, Poesia...
Das grandes unhas da solidão...
Livrai-me do ócio, da má companhia
E dessa dor que arranha o coração...
E da mediocridade, e do desprezo
Livrai-me, poesia, desse peso...
Livrai-me, poesia, dessa treva...
E, para que eu não fique mais sozinho,
Transforma-te, Poesia, em meu caminho
Como se fosse um rio que me leva...
Livrai-me, Poesia, da maldade.
Da que me cerca e da que habita em mim...
Da falta de paciencia e de verdade...
Da voz danosa e má, do tempo ruim...
Do mal-me-quer livrai-me, Poesia...
Das grandes unhas da solidão...
Livrai-me do ócio, da má companhia
E dessa dor que arranha o coração...
E da mediocridade, e do desprezo
Livrai-me, poesia, desse peso...
Livrai-me, poesia, dessa treva...
E, para que eu não fique mais sozinho,
Transforma-te, Poesia, em meu caminho
Como se fosse um rio que me leva...
9.7.02
Soneto para Anna Clara
Anna Clara nasceu em 22 de março de 2001 em morte aparente pesando 1100 gramas. Após 40 dias teve alta da Santa Casa de Misericórdia de Campos mamando exclusivamente ao seio até os 4 meses de idade. (Anna foi um bebe-canguru). Hoje, com mais de um ano, Anna é um milagre vivo do amor de Deus...
Pula da cama, fala , corre, grita,
Levada, deita e rola... ela não para...
E bate e mama e chuta, e foge e brinca...
De onde é que vem o pique de Anna Clara?
De qual estrela iluminada e santa?
De qual palavra? De que pensamento?
Como se fosse luz que não se espanta...
Como se fosse só contentamento...
Apresentada, é sempre soberana...
Miudinha? Ai é que você se engana...
É toda pura e linda... Jóia rara...
De onde é que vem tão doce e deliciosa?
Tão pequenina...tão poderosa?
De onde é que vem a força de Anna Clara?
Anna Clara nasceu em 22 de março de 2001 em morte aparente pesando 1100 gramas. Após 40 dias teve alta da Santa Casa de Misericórdia de Campos mamando exclusivamente ao seio até os 4 meses de idade. (Anna foi um bebe-canguru). Hoje, com mais de um ano, Anna é um milagre vivo do amor de Deus...
Pula da cama, fala , corre, grita,
Levada, deita e rola... ela não para...
E bate e mama e chuta, e foge e brinca...
De onde é que vem o pique de Anna Clara?
De qual estrela iluminada e santa?
De qual palavra? De que pensamento?
Como se fosse luz que não se espanta...
Como se fosse só contentamento...
Apresentada, é sempre soberana...
Miudinha? Ai é que você se engana...
É toda pura e linda... Jóia rara...
De onde é que vem tão doce e deliciosa?
Tão pequenina...tão poderosa?
De onde é que vem a força de Anna Clara?
2.7.02
Eu vi um anjo
Versos para um anjo chamado Francisco Candido Xavier
Eu vi um Anjo de perto...
Eu vi um Anjo de Luz...
Vestido da roupa feita
Do mesmo pano
Que vestiu Jesus...
Eu vi um Anjo,
Uma cândida criatura
De gesto franciscano em seu olhar...
Como se fosse uma prece...
Clara...
Pura...
Como se fosse uma canção de Bach...
Eu vi um anjo de perto em minha vida.
Toquei sua mão.
Eu vi a sua cor.
Ouvi a sua voz.
Eu sei seu nome.
Provei o seu sorriso e o seu amor...
Eu vi um Anjo...
Um gigante...
Senti quando me tocou...
O Anjo falou meu nome bem baixinho...
Eu cheguei perto do seu carinho...
Bebi da gratidão que ele ofertou...
Eu vi um Anjo como São Francisco,
Um Anjo que que era como meu irmão ...
Eu vi um Anjo. Seu nome?
Simplicidade?
Leveza?
Candura?
Abnegação?
Delicadeza?
Doçura?
Amor?
Determinação?
Eu vi um Anjo
Sem asas,
Sem trombetas,
Sem brasão,
Sem templos,
Sem honrarias,
Sem suditos,
Sem bastão,
Sem títulos,
Sem diplomas,
Eu vi um Anjo sem nada...
Eu vi um Anjo de alma iluminada...
Eu vi um Anjo de luz no coração...
Eu vi um Anjo sorrindo,
Trazendo a boa nova aos filhos seus...
E de tão doce esse Anjo,
E de tão lindo,
Eu vi um Anjo
E imaginei ter visto Deus...
Versos para um anjo chamado Francisco Candido Xavier
Eu vi um Anjo de perto...
Eu vi um Anjo de Luz...
Vestido da roupa feita
Do mesmo pano
Que vestiu Jesus...
Eu vi um Anjo,
Uma cândida criatura
De gesto franciscano em seu olhar...
Como se fosse uma prece...
Clara...
Pura...
Como se fosse uma canção de Bach...
Eu vi um anjo de perto em minha vida.
Toquei sua mão.
Eu vi a sua cor.
Ouvi a sua voz.
Eu sei seu nome.
Provei o seu sorriso e o seu amor...
Eu vi um Anjo...
Um gigante...
Senti quando me tocou...
O Anjo falou meu nome bem baixinho...
Eu cheguei perto do seu carinho...
Bebi da gratidão que ele ofertou...
Eu vi um Anjo como São Francisco,
Um Anjo que que era como meu irmão ...
Eu vi um Anjo. Seu nome?
Simplicidade?
Leveza?
Candura?
Abnegação?
Delicadeza?
Doçura?
Amor?
Determinação?
Eu vi um Anjo
Sem asas,
Sem trombetas,
Sem brasão,
Sem templos,
Sem honrarias,
Sem suditos,
Sem bastão,
Sem títulos,
Sem diplomas,
Eu vi um Anjo sem nada...
Eu vi um Anjo de alma iluminada...
Eu vi um Anjo de luz no coração...
Eu vi um Anjo sorrindo,
Trazendo a boa nova aos filhos seus...
E de tão doce esse Anjo,
E de tão lindo,
Eu vi um Anjo
E imaginei ter visto Deus...
22.6.02
Voce tem fome de que?
* Porque alguns relacionamentos dão certo outros não?
* Escutando os Titãs, atentei: voce tem fome de que?
* Nem nome, telefone, idade, gosto,
Mania, opinião, sexo, lazer,
Altura, profissão, cabelo, rosto,
Cidade, tendencia politica, prazer,
Nem time, religião, desodorante,
Familia, condição, jeito de ser...
Somente uma pergunta é importante:
Voce tem fome de que?
Voce tem fome de que?
Voce tem fome de quem?
Voce tem fome de sentir prazer?
Voce tem fome de fazer o bem?
Voce tem fome de beijar na boca?
Voce tem fome de comer comida?
Voce tem fome de tirar a roupa?
Voce tem fome de pensar na vida?
Voce tem fome de queijo?
Voce tem fome de pão?
Voce tem fome de beijo?
Voce tem fome de passar a mão?
Voce tem fome de fazer poesia?
Voce tem fome toda noite a fora?
Voce tem fome de lamber a cria?
Voce tem fome de tudo agora?
Voce tem fome de bife?
Voce tem fome de bofe?
Voce tem fome de comer rosbife?
Voce tem fome de strogonoff?
Voce tem fome dificil?
Voce tem fome de fã?
Voce tem fome de engolir um edificio?
Voce tem fome só pela manhã?
Voce tem fome de Chico? De Caetano?
Voce tem fome de Elis?
Voce tem fome de um ritmo pernambucano?
Voce tem fome das luzes de Paris?
Voce tem fome de loura?
Voce tem fome de mel?
Voce tem fome devastadora?
Voce tem fome de ceu?
Voce tem fome de que? Fome de gente?
Voce tem fome de Carlos Drummond?
Voce tem fome de queijo quente?
Voce tem fome de fazer um som?
Voce tem fome de que? Ser desejado?
Voce tem fome de desejar?
Voce tem fome de ser vingado?
Voce tem fome de querer amar?
Voce tem fome de que? De uma aventura?
Voce tem fome de orgia?
Voce tem fome da noite escura?
Voce tem fome do dia?
Voce tem fome de ficar na sua?
Voce tem fome de cair no mundo?
Voce tem fome de sair na rua?
Voce tem fome de que, no fundo?
Voce tem fome do que alimenta...
Voce tem fome daquilo que faz bem...
Voce tem fome da coisa que sustenta...
Voce tem fome do que inda não tem...
Voce tem fome do que necessita...
Voce tem fome do que procura...
Voce tem fome daquilo que possibilita
A sua cura...
E essa fome que voce sente
É a que conduz seu pensamento. É o guia.
É essa fome que é o seu gerente
E é a foz da sua energia...
E é essa fome que é o seu caminho...
E é essa fome que é o seu senão...
É nela que convivem seu carinho
E o seu pecado e a sua absolvição...
* Porque alguns relacionamentos dão certo outros não?
* Escutando os Titãs, atentei: voce tem fome de que?
* Nem nome, telefone, idade, gosto,
Mania, opinião, sexo, lazer,
Altura, profissão, cabelo, rosto,
Cidade, tendencia politica, prazer,
Nem time, religião, desodorante,
Familia, condição, jeito de ser...
Somente uma pergunta é importante:
Voce tem fome de que?
Voce tem fome de que?
Voce tem fome de quem?
Voce tem fome de sentir prazer?
Voce tem fome de fazer o bem?
Voce tem fome de beijar na boca?
Voce tem fome de comer comida?
Voce tem fome de tirar a roupa?
Voce tem fome de pensar na vida?
Voce tem fome de queijo?
Voce tem fome de pão?
Voce tem fome de beijo?
Voce tem fome de passar a mão?
Voce tem fome de fazer poesia?
Voce tem fome toda noite a fora?
Voce tem fome de lamber a cria?
Voce tem fome de tudo agora?
Voce tem fome de bife?
Voce tem fome de bofe?
Voce tem fome de comer rosbife?
Voce tem fome de strogonoff?
Voce tem fome dificil?
Voce tem fome de fã?
Voce tem fome de engolir um edificio?
Voce tem fome só pela manhã?
Voce tem fome de Chico? De Caetano?
Voce tem fome de Elis?
Voce tem fome de um ritmo pernambucano?
Voce tem fome das luzes de Paris?
Voce tem fome de loura?
Voce tem fome de mel?
Voce tem fome devastadora?
Voce tem fome de ceu?
Voce tem fome de que? Fome de gente?
Voce tem fome de Carlos Drummond?
Voce tem fome de queijo quente?
Voce tem fome de fazer um som?
Voce tem fome de que? Ser desejado?
Voce tem fome de desejar?
Voce tem fome de ser vingado?
Voce tem fome de querer amar?
Voce tem fome de que? De uma aventura?
Voce tem fome de orgia?
Voce tem fome da noite escura?
Voce tem fome do dia?
Voce tem fome de ficar na sua?
Voce tem fome de cair no mundo?
Voce tem fome de sair na rua?
Voce tem fome de que, no fundo?
Voce tem fome do que alimenta...
Voce tem fome daquilo que faz bem...
Voce tem fome da coisa que sustenta...
Voce tem fome do que inda não tem...
Voce tem fome do que necessita...
Voce tem fome do que procura...
Voce tem fome daquilo que possibilita
A sua cura...
E essa fome que voce sente
É a que conduz seu pensamento. É o guia.
É essa fome que é o seu gerente
E é a foz da sua energia...
E é essa fome que é o seu caminho...
E é essa fome que é o seu senão...
É nela que convivem seu carinho
E o seu pecado e a sua absolvição...
12.6.02
Sonetos imperfeitos para passarinhas...
Primeiro Soneto
Pássara morena de alma açucareira,
De voo esguio, rumo decidido,
Voz delicada, palavra certeira,
Iluminada e cheia de sentido...
Pássara campesina e carioquesa...
Quando delicadeza, é distraida...
Quando desabalada, é sem surpresa...
E quando dor, é intima e contida...
Cariocana em sua natureza,
Não sabe o significado da incerteza
Nem gasta o tempo com lamentação...
Ah, leve e campesina passarinha
Que nunca foi nem deixou de ser minha
E nunca abandonou meu coração...
Segundo Soneto
Passarinha de alma fazendeira..
Cantadeira de alma improvisada...
Moça levada de boas maneiras,
De pele branca e voz metalizada...
Fazendeira de alma passarinha...
Por tão sozinha, tão agitada,
Tão dificultadeira, tão facinha,
Tão verdadeira, tão disfarçada...
Passageira de alma linharinha...
Por tão acompanhada, tão sozinha...
De onde é que vem tão leve, tão levada,
Tão delicada, tão delicinha?
Cidade grande de alma fazendinha...
Não cre no amor mas vive apaixonada...
Terceiro Soneto
Pássara branca de alma mineira...
Manhuaçúcar de voz dolente...
De alma com sabor e cor de pera
E um cheiro bom de pão de queijo quente...
Ah, mineirinha de alma impaciente,
Desabalada e contida...
Às vezes é cruel como a serpente...
Às vezes deliciosa como a vida...
Gole de mel de algum manhuaçúde...
Água da Fonte da Juventude...
Lua de ouro toda prateada...
E quando tudo que há em torno é rude
Ela disfarça e vence. É sua virtude.
Mineira branca de alma iluminada.
Primeiro Soneto
Pássara morena de alma açucareira,
De voo esguio, rumo decidido,
Voz delicada, palavra certeira,
Iluminada e cheia de sentido...
Pássara campesina e carioquesa...
Quando delicadeza, é distraida...
Quando desabalada, é sem surpresa...
E quando dor, é intima e contida...
Cariocana em sua natureza,
Não sabe o significado da incerteza
Nem gasta o tempo com lamentação...
Ah, leve e campesina passarinha
Que nunca foi nem deixou de ser minha
E nunca abandonou meu coração...
Segundo Soneto
Passarinha de alma fazendeira..
Cantadeira de alma improvisada...
Moça levada de boas maneiras,
De pele branca e voz metalizada...
Fazendeira de alma passarinha...
Por tão sozinha, tão agitada,
Tão dificultadeira, tão facinha,
Tão verdadeira, tão disfarçada...
Passageira de alma linharinha...
Por tão acompanhada, tão sozinha...
De onde é que vem tão leve, tão levada,
Tão delicada, tão delicinha?
Cidade grande de alma fazendinha...
Não cre no amor mas vive apaixonada...
Terceiro Soneto
Pássara branca de alma mineira...
Manhuaçúcar de voz dolente...
De alma com sabor e cor de pera
E um cheiro bom de pão de queijo quente...
Ah, mineirinha de alma impaciente,
Desabalada e contida...
Às vezes é cruel como a serpente...
Às vezes deliciosa como a vida...
Gole de mel de algum manhuaçúde...
Água da Fonte da Juventude...
Lua de ouro toda prateada...
E quando tudo que há em torno é rude
Ela disfarça e vence. É sua virtude.
Mineira branca de alma iluminada.
5.6.02
Sem Compromisso
Um poeminha de palavra leve.
Um meio termo entre o sim e o não.
Feito da letra que não se escreve
Formando frases sem pontuação...
Que nada signifique o poeminha
Feito de sons sem significação
Como os barulhos feitos na cozinha
Por notas que não eram prá canção...
Um poeminha de não dizer nada...
Cochilo. Insight. Recordação.
Como quem sonha de madrugada.
Como quem ama. Como paixão.
Um poeminha sem muita certeza.
Nem obedece nem manda.
Como se fosse o som da natureza
Que dá prá ouvir da varanda...
Um poeminha prá passar o tempo.
Um poeminha prá passar a dor.
Um poeminha prá passar o nome desse sofrimento
Que se chama amor.
Um poeminha prá perder o medo.
Um poeminha prá passar o feitiço.
Um poeminha de manhã bem cedo.
Um poeminha sem compromisso.
Um poeminha de palavra leve.
Um meio termo entre o sim e o não.
Feito da letra que não se escreve
Formando frases sem pontuação...
Que nada signifique o poeminha
Feito de sons sem significação
Como os barulhos feitos na cozinha
Por notas que não eram prá canção...
Um poeminha de não dizer nada...
Cochilo. Insight. Recordação.
Como quem sonha de madrugada.
Como quem ama. Como paixão.
Um poeminha sem muita certeza.
Nem obedece nem manda.
Como se fosse o som da natureza
Que dá prá ouvir da varanda...
Um poeminha prá passar o tempo.
Um poeminha prá passar a dor.
Um poeminha prá passar o nome desse sofrimento
Que se chama amor.
Um poeminha prá perder o medo.
Um poeminha prá passar o feitiço.
Um poeminha de manhã bem cedo.
Um poeminha sem compromisso.
28.5.02
Bazar
Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar
(A moça do sonho - Edu Lobo/Chico Buarque)
E tudo que eu tentei, tudo que eu quis,
Todas as tantas coisas que eu sonhei,
E as que eu nem consegui imaginar,
E as musicas de amor que eu quase fiz,
E as letras em que eu quase me arrisquei,
E as gentilezas que eu quase quis falar,
E as mentiras que um dia eu quis dizer
Mas quando foi a hora eu me enganei,
E as que eu nunca tentei nem quis tentar,
E as coisas que eu não vi acontecer,
E as que eu ia dizer, mas não lembrei,
E as outras que eu não consegui olhar,
E as tais castas de amor que eu nunca li,
E as tais cartas de amor que eu nunca ousei,
E as tais que eu nunca soube terminar,
E as tais cartas que eu quase que escrevi,
E as tais cartas de amor que eu nem tentei,
E as que eu nem tive alguém para mandar,
E as coisas que eu só fiz pela metade,
E as outras que eu não fui nem convidado,
E as coisas que eu não quis experimentar,
E as que eu queria, mas faltou vontade,
Outras que não, por ter encabulado,
Outras que eu nunca soube completar,
Deve haver um lugar, deve existir,
Por trás do sonho, após o pensamento,
Além da serra, bem depois do mar,
Antes do sol nascer, do céu abrir,
Entre a vontade e o sonho e o esquecimento,
Certamente há de existir algum lugar
Para onde vão desacontecimentos,
Coisas não ditas, fatos por um fio,
Promessas, sonhos, contas a pagar,
Letras não lidas, esquecimentos,
Desejos que ficaram no vazio,
Fatos que ninguém viu nem vai lembrar,
Deve haver um lugar chamado lenda,
Inspiração, arquétipo, delirio ,
Idéia, devaneio, divagar,
Um sitio, uma pousada, uma fazenda,
Maior que o mar, menor que um grão de milho,
Prá onde os sonhos extraviados vão parar.
E lá desembocando, os estravios
Irão formar novíssimas lagoas
Onde poetas bons vão mergulhar
E assim, novos delirios, desvarios,
Outras inteligencias e pessoas
Novos versos e rimas vão formar
Colhendo o que foi quase e de fininho,
Pescando o que era resto e desperdicio,
Bebendo o que não era, até formar
Um outro pensamento, outro caminho,
Como se o fim de tudo fosse o inicio
E tudo fosse um grande começar.
Um lugar deve existir, em qualquer tempo,
Ainda que só de anti-matéria crua,
Ainda que inadmissível de rimar.
Um lugar onde os sonhos extraviados
E os pensamentos nunca imaginados
Inapelavelmente vão parar...
Uma espécie buarquiana de bazar...
Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar
(A moça do sonho - Edu Lobo/Chico Buarque)
E tudo que eu tentei, tudo que eu quis,
Todas as tantas coisas que eu sonhei,
E as que eu nem consegui imaginar,
E as musicas de amor que eu quase fiz,
E as letras em que eu quase me arrisquei,
E as gentilezas que eu quase quis falar,
E as mentiras que um dia eu quis dizer
Mas quando foi a hora eu me enganei,
E as que eu nunca tentei nem quis tentar,
E as coisas que eu não vi acontecer,
E as que eu ia dizer, mas não lembrei,
E as outras que eu não consegui olhar,
E as tais castas de amor que eu nunca li,
E as tais cartas de amor que eu nunca ousei,
E as tais que eu nunca soube terminar,
E as tais cartas que eu quase que escrevi,
E as tais cartas de amor que eu nem tentei,
E as que eu nem tive alguém para mandar,
E as coisas que eu só fiz pela metade,
E as outras que eu não fui nem convidado,
E as coisas que eu não quis experimentar,
E as que eu queria, mas faltou vontade,
Outras que não, por ter encabulado,
Outras que eu nunca soube completar,
Deve haver um lugar, deve existir,
Por trás do sonho, após o pensamento,
Além da serra, bem depois do mar,
Antes do sol nascer, do céu abrir,
Entre a vontade e o sonho e o esquecimento,
Certamente há de existir algum lugar
Para onde vão desacontecimentos,
Coisas não ditas, fatos por um fio,
Promessas, sonhos, contas a pagar,
Letras não lidas, esquecimentos,
Desejos que ficaram no vazio,
Fatos que ninguém viu nem vai lembrar,
Deve haver um lugar chamado lenda,
Inspiração, arquétipo, delirio ,
Idéia, devaneio, divagar,
Um sitio, uma pousada, uma fazenda,
Maior que o mar, menor que um grão de milho,
Prá onde os sonhos extraviados vão parar.
E lá desembocando, os estravios
Irão formar novíssimas lagoas
Onde poetas bons vão mergulhar
E assim, novos delirios, desvarios,
Outras inteligencias e pessoas
Novos versos e rimas vão formar
Colhendo o que foi quase e de fininho,
Pescando o que era resto e desperdicio,
Bebendo o que não era, até formar
Um outro pensamento, outro caminho,
Como se o fim de tudo fosse o inicio
E tudo fosse um grande começar.
Um lugar deve existir, em qualquer tempo,
Ainda que só de anti-matéria crua,
Ainda que inadmissível de rimar.
Um lugar onde os sonhos extraviados
E os pensamentos nunca imaginados
Inapelavelmente vão parar...
Uma espécie buarquiana de bazar...
20.5.02
A Lágrima
A lágrima é a tristeza liquefeita
Quando ela mesma não se contém...
É a dor que tenta ser a dor desfeita
Porque é do mal das dores que ela vem...
É mista: cerebral e cardiológica...
Confusa: emocional e programada...
Às vezes natural. Outras ilógica.
Por vezes culpa de tudo. Outras de nada.
A lágrima é a tristeza em caldo...
É a fiadora da dor. E o seu respaldo.
É a vontade de mudar tudo...
A lágrima é a constatação do dano...
É farta e imensa assim como o oceano...
É a defesa da dor. E o seu escudo.
A lágrima é a tristeza liquefeita
Quando ela mesma não se contém...
É a dor que tenta ser a dor desfeita
Porque é do mal das dores que ela vem...
É mista: cerebral e cardiológica...
Confusa: emocional e programada...
Às vezes natural. Outras ilógica.
Por vezes culpa de tudo. Outras de nada.
A lágrima é a tristeza em caldo...
É a fiadora da dor. E o seu respaldo.
É a vontade de mudar tudo...
A lágrima é a constatação do dano...
É farta e imensa assim como o oceano...
É a defesa da dor. E o seu escudo.
14.5.02
A Glória
A glória do astronauta é estar no espaço
E a do compositor, criar o tema...
A do vaqueiro é acertar o laço...
A do poeta é a rima e é o poema...
A do cirurgião é o ponto exato...
A do alpinista é atingir o topo...
A do fotografo, clicar o fato...
A do escultor, mimetizar o corpo...
Não é o aplauso nem a faixa a glória...
Lançar o nome nos anais da História...
A fama é o esquecimento travestido...
Não é o sucesso ou o reconhecimento
Mas a fração singela de um momento:
A glória e ter tentado e conseguido...
A glória do astronauta é estar no espaço
E a do compositor, criar o tema...
A do vaqueiro é acertar o laço...
A do poeta é a rima e é o poema...
A do cirurgião é o ponto exato...
A do alpinista é atingir o topo...
A do fotografo, clicar o fato...
A do escultor, mimetizar o corpo...
Não é o aplauso nem a faixa a glória...
Lançar o nome nos anais da História...
A fama é o esquecimento travestido...
Não é o sucesso ou o reconhecimento
Mas a fração singela de um momento:
A glória e ter tentado e conseguido...
8.5.02
A Escrita
Repouso a mão na folha, levemente...
Suavemente a mão na folha cai...
A letra sai da mão. A mão não sente...
Sem que eu perceba uma outra letra sai...
E letra vai, então, seguindo letra...
Palavra após palavra... A frase inteira...
O pensamento jorra da caneta...
Manhã nublada. Chove. É quinta-feira...
Verso ritmado... Malpensado verso...
A mão fantasiada de funil...
De um lado a idéia, o vasto, o desconexo...
Do outro lado a letra... O verso vil...
De um lado a fonte que não se permite
Secar, mudar de rumo, esvaziar-se...
Do outro a ponta seca da grafite
Como se a fonte nela se espelhasse...
De um lado o Universo, o Vasto, o Inteiro...
Rio Amazonas todo em pensamento...
Terra sem fim que ninguém viu primeiro...
Pote que ninguem sabe o que tem dentro...
Do outro o pescador e a sua linha
Tentando o que ele não conhece bem...
Palavra que se esforça pra, sozinha,
Dizer tudo que sabe e pode e tem...
Leio a palavra feita, a letra escrita...
Quem pode compreender a inspiração?
Se o verso é calmo e a alma é tão aflita
Como é que o verso vem do coração?
Imenso é escrever. Buscar, do nada,
A forma, o conteudo, a paz, o Deus...
Ler a palavra... A frase terminada...
Supor que os versos que escrevi são meus...
Repouso a mão na folha, abstraido,
E, sem que eu interfira, o verso acaba...
Quem há de compreender cada sentido
Que há na escrita crua da palavra?
Repouso a mão na folha, levemente...
Suavemente a mão na folha cai...
A letra sai da mão. A mão não sente...
Sem que eu perceba uma outra letra sai...
E letra vai, então, seguindo letra...
Palavra após palavra... A frase inteira...
O pensamento jorra da caneta...
Manhã nublada. Chove. É quinta-feira...
Verso ritmado... Malpensado verso...
A mão fantasiada de funil...
De um lado a idéia, o vasto, o desconexo...
Do outro lado a letra... O verso vil...
De um lado a fonte que não se permite
Secar, mudar de rumo, esvaziar-se...
Do outro a ponta seca da grafite
Como se a fonte nela se espelhasse...
De um lado o Universo, o Vasto, o Inteiro...
Rio Amazonas todo em pensamento...
Terra sem fim que ninguém viu primeiro...
Pote que ninguem sabe o que tem dentro...
Do outro o pescador e a sua linha
Tentando o que ele não conhece bem...
Palavra que se esforça pra, sozinha,
Dizer tudo que sabe e pode e tem...
Leio a palavra feita, a letra escrita...
Quem pode compreender a inspiração?
Se o verso é calmo e a alma é tão aflita
Como é que o verso vem do coração?
Imenso é escrever. Buscar, do nada,
A forma, o conteudo, a paz, o Deus...
Ler a palavra... A frase terminada...
Supor que os versos que escrevi são meus...
Repouso a mão na folha, abstraido,
E, sem que eu interfira, o verso acaba...
Quem há de compreender cada sentido
Que há na escrita crua da palavra?
5.5.02
A pena
Não há delito nenhum na pena,
Na piedade, na consternação...
Não há nenhum senão, nenhum problema...
Nada que indique reprovação...
A piedade nunca te condena...
Não é delito a comiseração...
Jesus se apiedou de Madalena
E Castro Alves da Escravidão...
A pena é a empatia ante a crueldade...
A indignação ante a indignidade...
A asfixia diante do enforcado...
A pena é o germen da solidariedade...
O amor contém pedaços de piedade...
Não é deslise a pena. Nem pecado...
Não há delito nenhum na pena,
Na piedade, na consternação...
Não há nenhum senão, nenhum problema...
Nada que indique reprovação...
A piedade nunca te condena...
Não é delito a comiseração...
Jesus se apiedou de Madalena
E Castro Alves da Escravidão...
A pena é a empatia ante a crueldade...
A indignação ante a indignidade...
A asfixia diante do enforcado...
A pena é o germen da solidariedade...
O amor contém pedaços de piedade...
Não é deslise a pena. Nem pecado...
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