4.7.26

O concurso de poesia

A Academia lançou um Concurso de Poesia,
Prêmios aos vencedores foram apresentados,
Poetas se inscreveram em romaria,
Na corrida para serem os primeiros colocados,

Jurados se reuniram em longa confraria,
Versos e rimas foram minuciosamente analisados,
Até chegarem a um resultado, no final do dia,
E apresentarem a todos os poemas premiados...

Mas até hoje eu não sei como se apreça
Um poema, que contém tanta promessa,
Que os torna quase impossíveis de se apreçar...

A Academia lançou seu Concurso de Poesia,
O interessante é que enquanto toda gente ia,
Era a minha poesia que me pedia pra voltar.

11.6.26

O coração

O coração é assim mesmo: assertivo. 
Diz coisas que ninguém sabe dizer.
Escolhe, e não precisa de motivo,
Já sabe, antes da gente saber,

O coração é assim mesmo, um olhar vivo,
Não precisa se mostrar pra aparecer, 
É como se fosse um aplicativo 
Que faz a vida da gente acontecer, 

E enquanto a vida vai acontecendo,
O coração vai se locomovendo,
E a vida vai aprendendo a caminhar,

O coração é assim mesmo, como um guia, 
Ou como um balde de rima pra poesia,  
Ou como uma gota d'água para o mar.

8.6.26

O coração

O coração é assim mesmo. Às vezes tropeça.
Então faz força e consegue se levantar.
Às dá valor demais ao que não interessa. 
O coração é assim mesmo. Até curar. 

Às vezes perde tempo, parece não ter pressa,
O coração nessas vezes pode se atrasar.
Mas o coração é assim mesmo. Grande a beça.
É uma gota d'água aonde cabe um mar.

O coração é assim mesmo: indefinível. 
Do coração já se disse uma vez: indecifrável. 
Tradução que ninguém arrisca contestar. 

O coração, tão perto e ainda assim quase insondável,
Tão grande, e ainda assim quase impalpavel,
A palavra difícil mais fácil de falar...

25.5.26

Cantoria

Beija-flores brincando na varanda,
Desconcentrando minha atenção,
Fazendo desviar meu pensamento,
Levando pra longe meu coração,

E cantam seco e alto, e entre seus voos,
Esses mergulhos suaves que eles dão,
E depois voltam, e cantam novamente:
São um , dois, três, quatro, uma porção...

Com tantos apartamentos na cidade,
Fui logo eu receber essa felicidade:
Um balé de beija-flores em cantoria,

Brincando em voos livres na varanda,
E em cantoria, e em mágica ciranda,
Deixando muito mais feliz meu dia...



14.4.26

Calma, Donald

Calma Donald. Pega leve com Leão.
Fica calmo. Não precisa se alterar.
Você não é o dono da razão.
Pega leve, Donald. Vai devagar.

Leão mora no nosso coração.
Às vezes parece que você só sabe esbravejar.
Menino rico que não aceita a discussão.
Menino mais forte que bate para machucar.

Por favor, não trate Leão dessa maneira.
Um homem que passou a vida inteira
Envolvido pelo amor a toda gente...

Respeite Leão, Donald bagaceiro,
Rico tão pobre que só tem dinheiro,
Rico tão pobre que é quase um indigente...

13.4.26

Treze de abril

Saudade, mas pode chamar de poesia,
Porque poesia não possui definição,
É como um fogo que nunca esfria,
É como um tempo sem duração,

Então saudade, às vezes dor sombria,
Às vezes dia de acalmar o coração,
Parte da vida que nos desafia,
Saudade, mas não precisa chamar de nada não.

Treze de abril. No coração, saudade.
Uma palavra difícil: eternidade.
Um sonho: estar novamente em sua companhia.

Treze de abril. O coração congelado.
O futuro trazendo as marcas de um passado
Quando a gente era feliz e já sabia.


Papai
13 de abril de 1983
13 de abril de 2026

17.3.26

O rio

Eu vejo o rio passando bem do meu lado,
Cortando a minha cidade atribulada,
Queria ser assim feito o rio, sossegado,
Atravessando essa minha vida conturbada,

Como esse rio que não foge ao seu traçado,
Nem volta a sua nascente, feito água amedrontada,
Segue em silêncio o rio, determinado,
E vai cumprindo sua jornada.

Eu vejo o rio bem do meu lado me mostrando
Como é seguir em frente, mesmo quando
A vida insiste em nos puxar pra trás,

Entendo o rio, corajoso e coerente,
Queria ser como o rio, seguir em frente,
E, como o rio, sem pressa. Deus é mais.