7.7.26

Aos que se vão

(À minha mãe após 1 ano de sua partida)

Quem vai, nunca se vai completamente,
Deixa um pouco na gente do seu coração,
Por isso quem vai fica no coração da gente,
Permanecendo em reverberação,

Então quem vai permanece de um jeito diferente,
Além do olhar, num outro plano da visão,
É como ir-se, mas sem ir inteiramente,
É como deixar uma semente em nosso chão,

Semente que precisa ser regada diariamente,
Porque se quem vai nos deixa uma semente,
Regá-la é o primeiro gesto de gratidão,

Quem vai, então, não se vai de nós pra sempre,
Mas lança sinais de estar sempre presente...
Só é necessário prestar atenção...

4.7.26

O concurso de poesia

A Academia lançou um Concurso de Poesia,
Prêmios aos vencedores foram apresentados,
Poetas se inscreveram em romaria,
Na corrida para serem os primeiros colocados,

Jurados se reuniram em longa confraria,
Versos e rimas foram minuciosamente analisados,
Até chegarem a um resultado, no final do dia,
E apresentarem a todos os poemas premiados...

Mas até hoje eu não sei como se apreça
Um poema, que contém tanta promessa,
Que os torna quase impossíveis de se apreçar...

A Academia lançou seu Concurso de Poesia,
O interessante é que enquanto toda gente ia,
Era a minha poesia que me pedia pra voltar.

11.6.26

O coração

O coração é assim mesmo: assertivo. 
Diz coisas que ninguém sabe dizer.
Escolhe, e não precisa de motivo,
Já sabe, antes da gente saber,

O coração é assim mesmo, um olhar vivo,
Não precisa se mostrar pra aparecer, 
É como se fosse um aplicativo 
Que faz a vida da gente acontecer, 

E enquanto a vida vai acontecendo,
O coração vai se locomovendo,
E a vida vai aprendendo a caminhar,

O coração é assim mesmo, como um guia, 
Ou como um balde de rima pra poesia,  
Ou como uma gota d'água para o mar.

8.6.26

O coração

O coração é assim mesmo. Às vezes tropeça.
Então faz força e consegue se levantar.
Às dá valor demais ao que não interessa. 
O coração é assim mesmo. Até curar. 

Às vezes perde tempo, parece não ter pressa,
O coração nessas vezes pode se atrasar.
Mas o coração é assim mesmo. Grande a beça.
É uma gota d'água aonde cabe um mar.

O coração é assim mesmo: indefinível. 
Do coração já se disse uma vez: indecifrável. 
Tradução que ninguém arrisca contestar. 

O coração, tão perto e ainda assim quase insondável,
Tão grande, e ainda assim quase impalpavel,
A palavra difícil mais fácil de falar...

25.5.26

Cantoria

Beija-flores brincando na varanda,
Desconcentrando minha atenção,
Fazendo desviar meu pensamento,
Levando pra longe meu coração,

E cantam seco e alto, e entre seus voos,
Esses mergulhos suaves que eles dão,
E depois voltam, e cantam novamente:
São um , dois, três, quatro, uma porção...

Com tantos apartamentos na cidade,
Fui logo eu receber essa felicidade:
Um balé de beija-flores em cantoria,

Brincando em voos livres na varanda,
E em cantoria, e em mágica ciranda,
Deixando muito mais feliz meu dia...



14.4.26

Calma, Donald

Calma Donald. Pega leve com Leão.
Fica calmo. Não precisa se alterar.
Você não é o dono da razão.
Pega leve, Donald. Vai devagar.

Leão mora no nosso coração.
Às vezes parece que você só sabe esbravejar.
Menino rico que não aceita a discussão.
Menino mais forte que bate para machucar.

Por favor, não trate Leão dessa maneira.
Um homem que passou a vida inteira
Envolvido pelo amor a toda gente...

Respeite Leão, Donald bagaceiro,
Rico tão pobre que só tem dinheiro,
Rico tão pobre que é quase um indigente...

13.4.26

Treze de abril

Saudade, mas pode chamar de poesia,
Porque poesia não possui definição,
É como um fogo que nunca esfria,
É como um tempo sem duração,

Então saudade, às vezes dor sombria,
Às vezes dia de acalmar o coração,
Parte da vida que nos desafia,
Saudade, mas não precisa chamar de nada não.

Treze de abril. No coração, saudade.
Uma palavra difícil: eternidade.
Um sonho: estar novamente em sua companhia.

Treze de abril. O coração congelado.
O futuro trazendo as marcas de um passado
Quando a gente era feliz e já sabia.


Papai
13 de abril de 1983
13 de abril de 2026