13.7.20
Mudança de planos
Porque na verdade não temos, apenas usamos,
Até um dia, quando devolvemos
O que não era nosso, o que emprestamos...
Difícil, mas lá no fundo percebemos,
Ou fácil, mas geralmente complicamos,
Trazemos nada, um dia, de onde viemos,
E na despedida, outro dia, nada levamos,
E tudo que cerca esse pedaço de tempo que vivemos,
Diferentemente do modo como aprendemos,
Não nos pertence... Essa é a tralha que arrastamos,
A vida melhora, então, quando aprendemos
Que podemos ser bem mais, tendo bem menos,
E assim, mais leves, mudamos nossos planos...
Conversando sobre a vida em tempos de pandemia
11.7.20
Gotas que importam
10.7.20
Soneto pra minha cidade
5.7.20
Minha cidade
29.6.20
O currículo
21.6.20
Cincoenta mil mortos
A prorrogação dos mandatos
Mais dois e vai estar tudo acabado,
Um município completamente falido
Por um governo completamente abestado,
Seis anos de mandato. Isso não faz sentido.
Esse corona deixou o mundo aloprado.
É tempo demais prum governo tão descomprometido,
Tempo demais prum governo tão mal intencionado,
São mais dois anos de um mandato fouxo,
Sao mais dois anos de um mandato mocho,
Um povo triste, sem rumo e maltratado,
Se essa regra passar vai ser o fim da picada.
Os abutres famintos não vão deixar sobrar nada.
É o fim dos tempos, fato consumado.
Feliz aniversário
Francisco soberano, artista brasileiro,
Hoje é seu dia, hoje você é quem manda,
Chico Buarque do Rio de Janeiro,
A sua poesia, desde lá de A Banda
Ganhou o coração do mundo inteiro,
Por conta disso é que a minha gente hoje anda
Cantando suas canções, meu poeta primeiro,
Pra escapar do mal tempo e do nevoeiro,
Pra viajar no samba verdadeiro,
E pra ver a banda passar
Falando de amor e esbanjando poesia...
Feliz aniversário poeta, hoje é seu dia,
Por isso a barra do dia pedindo pra gente cantar...
Sumiço
19.6.20
Chico Buarque de Hollanda faz 76
Francisco soberano, artista brasileiro,
Hoje é seu dia, hoje você é quem manda,
Chico Buarque do Rio de Janeiro,
A sua poesia, desde lá de A Banda
Ganhou o coração do mundo inteiro,
Por conta disso é que a minha gente hoje anda
Cantando suas canções, meu poeta primeiro,
Pra escapar do mal tempo e do nevoeiro,
Pra viajar no samba verdadeiro,
E pra ver a banda passar
Falando de amor e derramando poesia...
Feliz aniversário poeta, hoje é seu dia,
Por isso a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar...
17.6.20
A poesia, como a madrugada
15.6.20
Vidas importam
13.6.20
Teremos
Teremos de volta nossa felicidade.
Vamos voltar a produzir ocitocina,
Esquecer esse tempo de obscuridade.
Teremos a vida de volta. E a vida ensina
Que a noite nunca vence a claridade.
Será como achar o mapa da mina
A vida livre de brutalidade.
Teremos poesia. Música. Mesa posta.
É disso que a gente gosta.
É disso que tá todo mundo precisando.
Teremos pão e circo. E consciência.
O tempo da delicadeza e da decência.
É isso que a gente anda tramando...
Mortos
Vamos passear no shopping?
Vamos perder a vergonha e a proteção?
Vamos desobedecer aquele aviso
Que dizia "fique em casa"? Partiu aglomeração?
Vamos passear no paraíso?
Vamos comprar a morte no cartão?
Vamos? Ou tem alguém que ainda tá indeciso?
Isolamento? Já deu. Não dá mais não.
Enquanto passeamos, nas UTIs lotadas,
Entre famílias inteiras, desesperadas,
O número de mortes não para de aumentar...
Vamos perder a vergonha? Quem se importa?
A era do bom senso já está morta.
O último a sair encoste a porta. Vamos passear.
10.6.20
A casa do meu pai
8.6.20
O contracheque
3.6.20
Soneto completamente amedrontado
26.5.20
Alguma poesia
25.5.20
Soneto para Clarissa
23.5.20
A lição
21.5.20
A hora mais escura
É isolada a sua ultima jornada.
Uma oração é a possibilidade permitida,
E pensamentos, mais nada.
E essa hora, a mais escura que há da vida,
Precisa ser desacompanhada.
O funeral, como uma prática escondida,
Somente silêncio nessa ultima caminhada.
O derradeiro adeus. Tampa lacrada.
Como se a última cena precisasse ser cortada.
A hora mais cruel. A solidão.
E no silêncio dessa hora mais escura,
O corpo desce, em silêncio, à sepultura,
Como o ponto final da narração.
17.5.20
Vê se eu entendi direito
Você é de direita não faz isolamento,
Será que a ivermectina
É pra você que é do centro?
Porque há um tempo atrás quem fazia medicina
É quem conhecia diagnóstico e tratamento,
Mas hoje em dia em qualquer esquina
Tem um especialista. Nem sei se comento...
A direita. A esquerda. E no meio o corona.
E por trás do corona, uma nação na lona.
E no fundo ninguém sabe o que fazer.
Dá cloroquina ou põe blitz nas ruas?
É uma coisa ou outra? Ou pode ser as duas?
Quem tem coragem de pagar pra ver?
16.5.20
Lockdown
Mesmo distantes
Dois corpos podem ocupar
O mesmo pedaço do coração,
Não deixa o tempo passar, porque ele foge,
Aproveita o tempo, porque o tempo urge,
De ficar com medo do bicho papão.
15.5.20
O Ministério da Saúde (versão pandemia)
Mas o egoismo mata mais que a septicemia,
A antipatia causa mais dano que a infecção,
A empáfia não tem transplante,
A prepotência é altamente contagiosa,
E já está provado que é bastante perigosa,
Não sai com água e sabão.
O Ministério da Saúde não proclama,
Mas quem não ama
Não cria anticorpos contra a solidão,
Amar funciona como uma vacina
Quando o coração cansado desanima,
Quando se tem amor desistir deixa de ser uma opção.
E pena que o Ministério da Saúde não assina
A distribuição gratuita de ocitocina,
E não adota, em grande escala, a produção
De máscaras de proteção contra o egoismo,
De face shieds contra a agressividade sem sentido,
E de ternura em gel, pra sempre que a maldade
Tentar tocar, em sua imbecilidade,
O coração mal intencionado, ou distraído,
Essa ternura deixar o coração mais protegido,
Nem determine o uso de capotes contra esmorecimento,
Filtros contendo solidariedade dentro,
Protocolos prevenindo a intolerância,
Lives patrocinadas por complacência,
Atos institucionais contra a imprudência,
Um lockdown contra a depressão,
Unidades de saúde distribuindo abraços,
Daqueles que não necessitam usar braços,
Mas nem por isso menos eficientes em criar laços,
Essenciais, como a respiração.
O Ministério da Saúde não admite:
Mas o mau humor é mais contagioso que a meningite,
A negligência, mais inoperável que o tumor,
A displicência deixa mais sequelas que o derrame,
A tsunami é menos perigosa que o cinismo,
O alpinismo é menos arriscado que que a mentira,
A ira é a felicidade com defeito,
Bebê contente mama mais peito,
A ingratidão invariavelmente vira dor...
O Ministério da Saúde não divulga,
Mas passar o tempo todo reclamando causa ruga,
E o consumismo, está provado, é uma fuga,
O auto vitimismo, um mal sem solução,
O pessimismo causa grande sofrimento,
A impaciência necessita tratamento,
Antibiótico não cura um coração rabugento,
E morrer não machuca, quando existe gratidão.
O Ministério da Saúde adianta:
Ninguém colhe o que não planta,
Ninguém planta o que não traz no coração...
O Ministério da Saúde não discute:
O bom humor é mais delicioso que o iogurte,
O amor é a tábua da salvação...
9.5.20
Quarentena
Dead people
3.5.20
Calma
A calma faz a gente não travar.
É longo o dia. Longa a caminhada.
Calma. Nada deixa de passar:
A chuva, o vento, o raio, a trovoada,
A ansiedade de querer ver tudo acabar.
Nada é pra sempre. Cada página virada
É só o prenúncio para a próxima virar.
Então mantenha-se calmo. A vida é assim.
Somente o universo é que é sem fim.
As coisas vem e vão, até que vão embora.
Mantenha-se confiante. A tempestade
Não dura mais do que uma eternidade.
Resumo: muita calma nessa hora.
29.4.20
A era do cuidado
23.4.20
Os dois lados
Você pode escolher o lado dos que ajudam,
Você pode escolher o lado dos que pedem ajuda,
E você pode escolher o lado dos que precisam
Como também escolher o lado dos que doam,
Mas acredite, você perde tempo quando escolhe ficar
Ao lado daqueles outros que só fazem reclamar,
Tornar-se vítima das suas dores íntimas
Porque você pode escolher o lado dos que apoiam,
Ou escolher o lado dos que pedem apoio,
O único lado que você não pode escolher
É o lado dos que nem vive nem deixam ninguém viver.
Escolhe o lado dos que preparam a sopa,
Escolhe o lado dos que seguram o prato,
Foge do lado dos que só se doem,
Foge do lado dos que só se destroem,
Escolhe o lado dos que escrevem oesia,
Escolhe o lado dos que aprendem a escrever,
Mas deixa de lado os que não procuram ensinar,
E dos que não tentam, por outro lado, aprender,
Fica do lado dos que procuram fazer,
Ou dos que pedem ajuda se não conseguem acertar,
Mas toma cuidado com os que não tentam crescer,
Toma cuidado com os que não saem do lugar,
Porque você pode escolher o lado dos que dão força,
Ou ficar do lado dos que precisam de força pra lutar,
Mas quando escolher o seu lado, toma cuidado:
Basta um furinho no barco pro barco inteiro afundar
19.4.20
Antes que chegue ao fim a pandemia
Eu precisava dizer aqui que eu não sabia
Que um dia o dia de hoje chegaria,
E a gente ia precisar tanto um do outro
Pra contar coisas que nunca contaria,
Pra ficar da janela escutando cantoria,
Pra sentir saudade de quem nunca sentiria,
E que esse tempo seria assim tão duradouro...
Porque antes que chegue ao fim a pandemia,
E volte a ter fila na padaria,
E ambulatórios de pediatria,
E gente a balde circulando por ai,
Foi necessário esse tempo, quem diria,
Que desarrumasse a nossa economia,
E deixasse a piscina do prédio mais vazia,
E o mundo inteiro tentando descobrir
Um tratamento que termine essa agonia
De dor, e morte, e caos, e hipoxemia,
Porque ninguém no mundo sabia que cabia
Tanto medo e tristeza na televisão,
Tanta perda sem nenhuma garantia,
Tanta força junta contra a ventania,
Tanta necessidade de alegria,
Tanta necessidade de uma solução,
Por isso, antes que chegue ao fim a pandemia,
Que está durando mais do que deveria,
Matando mais do que a previsão mais sombria,
Como se estivesse tentando provocar
Mudanças que a gente nunca mudaria,
Sentimentos que a gente nunca sentiria,
Dores que a gente nem sabia o quanto doiam,
E músicas que a gente nem sabia mais cantar,
Por isso mesmo, antes que chegue ao fim a pandemia,
Antes que a gente volte pra churrascaria,
Ou pro plantão cansativo que a gente torcia
Pra dar logo oito horas e acabar,
Por isso, antes que chegue ao fim, uma poesia,
Que não é uma face shield, mas com sabedoria,
Se bem usada, ela bem que serviria
Pra ajudar o coração da gente se acalmar...
7.4.20
As meninas
2.4.20
Vai passar
Vai passar.
Não vai durar pra sempre,
É só um tempo,
Custa caro,
Dói,
E as vezes a gente sente até vontade de chorar,
Mas não é pra vida inteira, acredite:
Vai passar,
Às vezes o tempo
Dura muito tempo,
E muitas vezes esse tempo
É capaz de castigar,
Mas na medida em que o tempo passa,
O tempo mostra
Que a gente não deve se desesperar,
Porque mesmo que custe uma eternidade,
Vamos ter outra eternidade pra gente se encontrar,
O nome disso é saudade,
E pra sentir saudade
A gente precisa antes de tudo se gostar,
Então, por mais que a vida se apresente
Dessa forma ameaçadora, aparentemente,
Não tenha medo:
Mais dia menos dia
A tempestade vai se transformar em calmaria,
Por isso, se a calmaria um dia vai chegar,
Não gaste seu tempo durante a tempestade
Fazendo alarde,
Seja feliz com o que você pode aproveitar:
Escreva uma carta,
Envie uma foto,
Faça uma live falando dessa saudade,
Ou, ao invés disso, tente decorar
Uma poesia de Carlos Drummond de Andrade,
Ou de Manoel de Barros,
Sinceridade?
Definitivamente você vai gostar...
Assista um vídeo de Ana Claudia Quintana Arantes,
Descubra coisas emocionantes
Nas quais você nunca tinha parado pra pensar,
E lembre-se de levar no seu coração quem você ama,
Porque a gente só se afasta
De quem o coração da gente já não quer mais carregar...
Porque se “longe é um lugar que não existe”,
Se “é melhor ser alegre que ser triste”,
E se “todos os tristes querendo juntos, toda tristeza vai se acabar”,
Então prepare-se pros dias que virão
Depois dos raios,
Passado o trovão,
Pros dias do coração poder brincar
De dar abraços,
Retomar laços,
E de mandar a saudade ir passear,
Porque a única certeza que hoje temos
É a certeza de que esse tempo que vivemos,
E que uns acham que vai durar mais, outros que menos,
Mas pelo que lemos,
E pelo que vemos,
A única coisa certa que sabemos
É que esse dia
Um dia
Vai passar...
26.3.20
Morte e vida
Atletas
Porque tem muitos anticorpos pra gastar,
Atletas são indivíduos preparados,
E são treinados diariamente pra ganhar,
Por serem atletas, estão imunizados,
Atletas não costumam se assustar,
Não passam o dia em casa, confinados,
Atletas precisam se exercitar:
Jogar bola, mergulhar, atirar dardos,
Surfar por mares nunca dantes navegados,
Procurar recordes pra quebrar,
Atletas jamais serão contaminados
Porque são sempre muito bem cuidados...
Atletas só não deveriam governar.
24.3.20
Esperança
Não o do dicionário, mas o do coração,
Não aquele que mora no peito, trancado,
Mas o que se espalha livre, sem prisão,
Não a esperança presa ao passado,
Mas aquela outra: a que resiste ao não,
A que é da alma o maior legado,
A que é da vida a maior lição,
A que não precisa de provas e evidências,
A que desafia as hipóteses das ciências,
A que não necessita tradução,
Não a palavra, mas o alimento
Da poesia de que é feita o pensamento.
Não a palavra. A convicção.
23.3.20
Poesia enquanto a peste...
22.3.20
O dia
21.3.20
A casa
Poema futuro
20.3.20
Corona
13.2.20
A gestão e o dinheiro
O trio
28.1.20
A lista
Que eu deveria, mas não sei quem são,
Que não vi nascerem, não vi crescendo,
Que não pularam carniça comigo também não,
São muitos nomes, e eu vou aprendendo
De quem são netos, sobrinhos ou irmãos,
São muitos nomes, e enquanto eu vou lendo,
Me passa um filme dentro do coração:
Um navio, um Líbano, um Rio de Janeiro,
Um 1920, um século inteiro,
E uma família, geração a geração
Seguindo, e, dessa forma, permanecendo
Família, que mesmo sem se conhecendo,
Segue, a seu modo, na mesma direção...
19.1.20
Conjugando o verbo ter medo
12.1.20
Afinação
25.12.19
Mãezinha, tu sabias?
Mãezinha, tu sabias
Que o teu bebê venceria tantas lutas?
Será que tu sabias
Que ele modificaria tantas vidas?
Tu sabias que o teu bebê
Traria no coração a força de um gigante
E que o filho a quem tu deste à luz
Te faria uma mulher tão imensamente forte?
Mãezinha, tu sabias
Que o teu bebê inspiraria o dia a dia de tantas pessoas?
Será que tu sabias
Que o teu bebê veio ao mundo
Para fortalecer teu coração,
E que ao beijar teu bebezinho
Tu beijavas a quem Jesus chamou "a luz do mundo "?
Mãezinha, tu sabias?
Acaso tu sabias?
Será que tu sabias?
A ciência um dia compreenderá
Que o teu colo cuidará
E que nenhum poder irá se comparar
Ao poder do teu abraço,
Mãezinha, tu sabias
Que é teu bebê quem nos dá lições diariamente?
Acaso tu sabias
Que é ele o verdadeiro herdeiro do amanhã,
Que o teu filho é a imagem e semelhança de nosso Pai que está no céu,
E que que a criança em teus braços é uma grande promessa de amor para nosso planeta?
Mãezinha, tu sabias?
Acaso tu sabias?
Será que tu sabias?
29.10.19
Medicina baseada no que tem
Dá um banho de água fria demorado,
Levanta o travesseiro, faz um bem
Se o oxigênio tiver terminado,
No corredor sempre cabe mais alguém
Quando o repouso já está lotado,
A tomo já marcou pro ano que vem
Quando ele não vai mais precisar ser operado,
É a medicina baseada no que tem:
Se tem bem, e se não tem, amém,
Não sai curado mas sai remendado,
É a medicina da terra brasilis:
Em vez de uma Hillux, uma Rural Willis,
É o país pobre cuidando do esfarrapado.
27.10.19
Desgoverno
20.10.19
O fim
20.9.19
João
Impressionante o que o João faz com o violão,
Que nas mãos de João parece outro instrumento,
E a voz de João, conversando com sua mão,
Faz a música brotar outra música por dentro...
João não precisa de usar diapasão
Porque a alma de João é feita de afinamento
Impressionante, não tem explicação,
João e o violão... que casamento ...
Nada sai da forma que a gente esperava escutar,
João muda tudo quando começa a cantar,
João refaz o samba do seu jeito,
Eu nunca ouvi ninguém tocar violão assim,
Só mente quando diz que tristeza não tem fim,
João, como se fosse um sinônimo de perfeito.
12.9.19
Todo mundo precisa de saude
Todo mundo precisa de saude:
Tem gente que precisa de uma cirurgia,
Tem gente que precisa de uma nebulização,
Tem gente que precisa de fisioterapia,
Tem gente que precisa de antibióticoterapia, Tem gente que precisa de vacinação,
Mas todo mundo precisa de saude,
Ninguém precisa de uma ambulância estragada, Ninguém precisa de uma farmácia vazia, Ninguém precisa de uma cadeira quebrada, Ninguém precisa de uma emergência lotada, Ninguém precisa de falta de assepsia,
E porque todo mundo precisa de saude,
Cabe ao governo cuidar da nossa gente,
Mais atitude, menos falação
Porque uma cidade tão doente,
Precisa de uma solução urgentemente,
E alguém tem que aprender essa lição:
Todo mundo precisa de saude
Porque a saúde de um povo é seu direito, Ninguém precisa de passar humilhação,
Todo mundo precisa de respeito,
Não ser tratado de qualquer jeito,
E é bom que seja sempre assim, senão...
Reflexão
6.9.19
Querido professor
Querido professor
Ao professor Hector Gomez Martinez
Querido professor de alma serena,
De olhar atento e humano sobre a vida,
Recebe nosso abraço nesse poema,
Uma homenagem, ainda que pequena
Escrita de palavra agradecida,
Muito obrigado pelas lições diárias
Que sua metodologia nos ensina,
Alimentando nossas teses sedentárias
Com novas conclusões extraordinárias
De amor, calor e pura ocitocina.
Agradecemos, querido professor,
Por essa guinada da neonatologia,
Que passou a ver o colo como fonte de calor,
Tratar a mãe como um manancial de amor,
E o leite materno como a grande garantia.
A sua história, a de um desbravador,
É o retrato fiel de um visionário
Que não cedeu ao inquisidor,
Que não negociou com o impostor,
Que não esmoreceu, pelo contrário,
Desarmou resistências discordantes,
Trazendo luz aos clássicos tratados,
Tornando a vida melhor do que era antes,
Modificando o significado de gigantes,
E brindando a vida com novos significados.
Obrigado professor, por sua coerência,
Pela não cooperação com a coisa errada,
Desafiando com coragem e competência
A incompetência engessada da ciência,
Que nunca mais foi a mesma, envergonhada,
Por seu legado para a espécie humana,
Pela força incansável do seu coração,
Obrigado, professor, pela sua gana,
Pela sua sabedoria soberana,
E por nunca ter cedido na sua convicção,
Querido professor, iluminado,
Que se tornou nossa fonte de inspiração,
Professor Hector, nosso homenageado,
Professor Hector, muito obrigado
Por sua história de amor, nossa lição...
3.9.19
Medicina baseada no que tem
Se tem Dipirona faz, e se não tem
Dá um banho de água fria demorado,
Levanta o travesseiro, faz um bem
Se o oxigênio tiver terminado,
No corredor sempre cabe mais alguém
Quando o repouso já está lotado,
A tomo já marcou pro ano que vem
Quando ele não vai mais precisar ser operado,
É a medicina baseada no que tem:
Se tem bem, e se não tem, amém,
Não sai curado mas sai remendado,
É a medicina da terra brasilis:
Em vez de uma hillux uma rural willis,
É o país pobre cuidando do esfarrapado.
Campos, formosa
Campos, formosa, cidade iluminada,
Mas com sua saúde sucateada...
Tão sem dinheiro, tão dadivosa,
Acorda, minha cidade preguiçosa,
Formosa, mas que vai sendo tapeada
Cidade feita de luz e madrigais,
E de gente abarrotando seus hospitais
Oh, Paraíba, oh, mágica torrente,
Porque maltratam tanto a sua gente
E a cada dia uma maldade a mais?
Nada se iguala a seus dons e seus primores,
O que ainda falta é acordar os seus gestores
Pra que seus passos, como os de um rei do Oriente,
Não sejam os de um povo pobre e doente
Que agoniza em hospitais, nos corredores.
Campos, formosa, pérola querida,
Predileta do luar, acorda pra vida
Clama por sua gente, val de delicias,
Que espera ansiosa por boas notícias
Como quem espera uma felicidade prometida...
13.8.19
A biometria
28.7.19
As redes
Bastante cansado dessas redes sociais,
Dessa necessidade de postar
As coisas diárias que a gente faz
Como se só as fizesse pra mostrar,
Como se não houvesse nada mais,
Como se a vida fosse compartilhar
O amor, a solidão, a hipocrisia e a paz,
As redes sociais... deu pra cansar...
E vou pro meu cantinho reservado
Como um marzinho nunca dantes navegado
E fico ali sem ninguém me perceber
E nesse silêncio aparentemente solitário
Eu vivo meu planeta imaginário
Que não precisa de flashes pra viver
As sete camadas
Sete camadas, ordenadamente,
Guardando o bebê como quem guarda um diamante,
E que se integram perfeitamente,
Fisiologia absolutamente impressionante,
Sete camadas, até que o bisturi, de repente,
Invade uma a uma através do corpo da gestante,
O bisturi, como um poder onipotente,
Atravessando tudo quanto encontra adiante,
Sete camadas, mas que quase ninguém nota
E que protegem o bebê como uma escolta,
E sabem, cada uma delas, o que fazer...
Sete camadas essenciais, tão esquecidas
Mas sempre atentas e bem resolvidas,
As sete cascas do bebê que vai nascer...
24.7.19
21.7.19
25.6.19
Viva a poesia
Viva a poesia de nossas vidas:
A que deixamos para nossos filhos,
A que recebemos de nossos pais,
A que projetamos lá pra frente,
A que trazemos sempre pro presente,
E a que deixamos pra trás...
A poesia
Bendita seja, nesses dias, a poesia,
Que não tem cor, que é sempre qualquer cor,
Que é ao mesmo tempo quente e fria,
E, ao mesmo tempo, causa e cura a dor,
Bendita seja, Santa companhia,
A poesia, do jeito que for,
Nunca limita, separa, não segrega ou tria,
Nunca tem mais valor, menos valor...
A poesia é palavra ilimitada,
Ao mesmo tempo, enquanto é tudo, é nada,
Ao mesmo tempo, enquanto é morte, é vida
Querer impor limites ao poema,
E ver problema onde não há problema,
É obstruir a porta de saida.
19.6.19
As cinco mil extra-sistoles
Eu leio o laudo e tento me acalmar.
Cinco mil, meu Deus! E eu nem sabia,
Tantas, que somente o holter pra contar...
Cinco mil. Sem sudorese nem taquicardia.
Eu leio de novo. Não quero acreditar.
Faz tempo já não to mais na garantia,
Acho que Deus tá querendo me trocar.
Cinco mil. Até cai bem na poesia,
Mas é procurar a cardiologia
Pra ver se eu devo logo ir me internar...
Eis que o meu medico e amigo, em calmaria,
Responde meu zap (bendita tecnologia):
Resolve fácil, não precisa se preocupar...
18.6.19
Poesias
Você os guarda num blog ou numa folha A4?
Digita ou escreve com uma lapiseira?
Saem de primeira ou depois você dá um trato?
Posta sempre ou mostra só pra companheira?
Dá pra montar com elas seu retrato?
Vem em pedaços ou sempre vem inteira?
São próprias pra platéia de um teatro
Ou para usar numa espreguiçadeira?
A poesia, dona de segredos,
Livrando o poeta de seus medos
E atirando o poeta seus abismos,
A poesia, que sempre encanta,
Silenciosa as vezes como um mantra,
A poesia e seus preciosismos.
13.6.19
O quibe da vovó Maria
Quem comeu o quibe da vovó Maria,
Frito, de forno, de peixe ou com coalhada,
Nunca mais come outro igual. É covardia.
Bastava o cheirinho e a boca ficava aguada.
Será que era o tempero que ela fazia?
A quantidade de trigo misturada
Naquele bolinho que ela esculpia?
Qual era a receita? Onde ficou guardada?
No coração da gente, na saudade,
Porque falar de vovó dá uma vontade
De um dia voltar a tocar a sua mão...
Ah, os seus quibes... quando novamente?
Vovó Maria, sempre presente
No melhor lugar do nosso coração...
10.6.19
As cinco mulheres
Cinco mulheres empoderadas,
Cinco mulheres amamentando
Suas cinco crianças internadas
E ao lado delas, pouco a pouco, melhorando,
Cinco mulheres determinadas,
Diariamente, a seus filhos, se entregando,
Não desistem, não ficam tristes nem cansadas,
Mas se acaso ficam, vão se superando,
Cinco mulheres que nos representam,
São corações assim que nos sustentam,
Um amor assim é a nossa única saída...
Que Deus abençoe essas cinco mães extremas,
Merecedoras de todos os poemas
E de "todo amor que houver nessa vida"...
9.6.19
Bom dia
Bom dia. E que seja mesmo um bom dia
Com muitas coisas por acontecer,
Algumas delas, motivo pra poesia,
Outras, a gente nem vai perceber:
O vento, o sol nascendo, a chuva fria,
O cachorro na rua, o coração bater,
Milagres diários que ninguém copia
Mas que o dia guarda em seu poder,
Então bom dia. Mais um pra gente,
Porque cada dia é um dia diferente
Ainda que sejam dias quase iguais,
Aproveitemos. É nossa chance.
Bom dia. Gostoso como um romance,
E como as coisas boas que ele faz.
5.6.19
Preciso da tua ética
2.6.19
Amor de mãe
Amor de mãe é o melhor da vida,
Nada substitui, nunca termina,
Começa muito antes da dor comprida,
Amor de mãe é pura ocitocina,
Não tem tempo ruim, nem despedida,
Amor que é como se fosse uma vacina
Protegendo de toda a dor, toda ferida,
Desafiando a própria medicina...
Amor de mãe não respeita idade,
É o grande legado das mães para a humanidade,
Por tão sublime que é, tão sem pecado,
Tão doce, tão intenso, tão diário,
Não cabe inteiro em nenhum dicionário,
Amor acima de qualquer significado.
30.5.19
A discussão
Um diz que sabe. O outro, que tem certeza.
Um afirma. Outro nega. Os dois se estranham.
E entre o sim e o não, essa estranheza
Onde os dois pensam que batem, mas apanham.
Sobra arrogância. Carece delicadeza.
Quanto mais perdem, mais pensam que ganham.
É verbo solto o que sai da alma presa
De um e de outro, enquanto se arranham.
A discussão, que não vai levar a nada,
Além de deixar a alma mais cansada
Nessa busca obsessiva por ter razão,
Vale como um atestado da estupidez humana
Que morre desgastada em luta insana
E não consegue escutar seu coração.
28.5.19
Poesia
Chegaram até mim,
Feito poemas,
Suas palavras,
Mas eu sabia
Que era amor
Cada cor que iluminava
Cada pedaço
De cada poesia.
Chegaram até mim
Versos sem rimas,
Palavras livres
De metrificação,
Mas deu pra perceber
Que dentro delas
Havia um pedaço
Do seu coração...
Bendita a mão que semeia
Versos livres a mão cheia,
Pro poema se espalhar...
Um verso, caindo n'alma,
Envolve a alma com calma,
Fazendo a alma cantar...
24.5.19
João Gilberto
Adorei o jeito do João tocar violão,
Eu nunca vi João Gilberto de perto
Mas ninguém chegou mais perto do meu coração,
E a Bahia não tem comparação,
Ninguém escutou, nem meu avô nem meu neto
Um violão como o violão de João,
Lembro até hoje da primeira vez que escutei:
Ninguém no mundo toca violão assim
Afinado ensinando a cantar desafinado,
João tão genial quanto Jobim...
Memórias
Memórias da família que ficaram,
O que nos contaram sobre o que viveram,
Memórias que os anos não apagaram
E que nossos corações não esqueceram,
Como um legado que nos deixaram,
Como fotografias que não envelheceram,
Gestos gentis que nunca amarelaram,
Carinhos bons que nunca se perderam,
Histórias que nossos antepassados nos contaram,
Daqueles dias desde que aqui chegaram,
Do que enfrentaram, de como cresceram,
E da saudade da pátria amada que deixaram,
E do amor dessa nova pátria que encontraram,
Do tanto de amor que entregaram e receberam...
Marthinha
Marthinha aparece,
Não esquece da gente,
Eu sei que somos um grupo as vezes displicente,
Somos uma multiplicidade de pensamentos,
A incrível turma de mil e novecentos
E oitenta e três,
Falamos muitos assuntos, todos de uma vez,
Mas quando uma voz
Como a sua, amiguinha,
Fica escondidinha,
Sem dizer nada,
Faz uma falta danada,
Porque você é como chicabom:
É tudo de bom.
Por isso, fala alguma coisa
Pra gente saber
Como foi seu dia,
Como está sua filha,
Como estão seus netos,
Seus projetos,
Como está seu coração,
Fala de maconha,
De Chico,
De chikungunya,
Fala da cor do seu esmalte de unha,
Fala de amor,
Mas fala,
Porque quando você se cala,
O que todo o resto fala
Parece não dizer nada,
Você faz uma falta danada,
Você faz uma falta, danada,
Antenada,
Descolada,
Que adora uma pedalada,
E uma discussão bem temperada,
Fala,
Estala os dedos,
Diz dos seus medos,
Conta da solidão,
Fala do seu novo apartamento,
Desse fogão rabugento
Que só esquenta as panelas que ele quer,
As outras não,
Fala mulher,
A gente escuta,
Pode chamar Lula de filho da puta,
Bolsonaro de jumento bem intencionado,
Eu vou ler e vou gostar
Porque melhor que concordar
Ou discordar,
É aceitar
Você aqui do nosso lado.
Por isso esse poeminha improvisado.
Volta, Marthinha,
Sem você esse grupo parece abandonado,
Adoro você,
Adoramos você,
Tenta aparecer...
Marthinha,
Cadê você ?
Eu vim aqui só pra te ver...
Um beijo no seu coração
Bom dia
Que seja um dia bom demais pra gente,
Notícias boas pra nos alegrar,
Que comece com pão com queijo, café quente,
E o amor, porque o amor não pode faltar,
Que o Whatsapp mande posts diferentes
Dessas más notícias que nos costuma mandar,
Que Deus esteja, também, sempre presente
Em cada decisão que a gente tomar,
Seja pra esquerda, seja pra direita,
Que a gente faça da forma mais bem feita,
Que é o unico jeito da gente escapar
De arrependimentos que doem tanto...
Bom dia, sem maldade, sem quebranto,
E com a luz divina sempre a nos guiar.
23.5.19
Blanca
Eu bem que tentaria, se eu soubesse,
Um sonetinho lindo que homenageasse
O seu aniversário, você merece,
Ah, se eu tivesse essa classe...
A prova de que Deus nunca nos esquece,
É ter permitido que você estreasse
Nesse planeta como uma rosa que floresce,
E torna feliz o mundo quando nasce.
E foi exatamente assim naquele mês de maio:
Você nascia, forte como um raio,
E doce, pra uma doce encarnação,
A filha, a mãe, a avó e a médica, misturadas,
Que sintam-se nesse soneto homenageadas,
Que é quase nada, mas que vem do coração.
O relógio de ponto
O relógio de ponto está instalado,
Vai preparando sua digital,
Estrategicamente bem instalado
Na pequena varanda, perto do quintal,
Olhando de pertinho, o desgraçado
Até que não parece ser assim tão mau,
Mas não se engane: chegou atrasado,
Vai se entender com o poder municipal.
Não foi de graça, muito pelo contrário,
Mas pra vigiar esse bando de proletário
Não custa nada gastar um dinheirinho,
E eu que nunca sonhei com a aposentadoria,
Já tô desde agora imaginando o dia
Em que eu não precisar mais enfiar no relógio o meu dedinho.
Um poema pra Bia
Pra escrever um poema para Bia
Escolha uma palavra delicada,
Tempere com pitadas de alegria
E um aroma de coisa perfumada,
Tome o cuidado para que a poesia
Seja na medida para a homenageada,
De forma que, ao receber, ela sorria,
E quando ela sorrir se sinta amada,
Então, para escrever um poema assim,
Como uma amizade que não tem fim
Porque se faz diariamente conquistada,
Envolva-o com laços de sinceridade,
E avise pra sua amiga da faculdade
Que a poesia dela já pode ser usada.
Quinta feira
Amanhece nublada a quinta feira,
Jeito de chuva, cinzenta, dia frio,
Calor parece que só na agua da chaleira
Que quando ferve solta um assobio,
Quinta com frio. Não tá de brincadeira.
Sair de debaixo do cobertor causa arrepio.
Coitado de quem toma banho de banheira.
Castelo da Frozen, esse estado do Rio.
As articulações enferrujadas
Me dizem que preferem continuar deitadas
Sem perceber que há muito o que fazer,
Então, movimentando as minhas juntas,
Eu finjo que não escuto as suas perguntas,
E assim a quinta começa a acontecer.
A ingratidão
Eu trago aquele poema aqui guardado,
Poema que nunca mais libertou meu pensamento,
Que foi como um vírus quando inoculado
Mudando quase tudo aqui por dentro,
E sempre que o leio, confesso-me assustado,
E cada vez que o faço, eu sou quem tento
Compreender o que há por trás do seu significado
E me repito a todo momento:
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja
A ingratidão, o nome dessa pantera
Matando o último sonho, a última quimera,
Como uma larva venenosa que rasteja...
22.5.19
Bom dia
Bom dia meu povo forte e destemido,
Povo que não dá mole e nem vacila,
O bicho tá pegando, mas tá bem vestido,
Uns de scarpin outros de mochila,
E que já chega no trabalho decidido
A sentar no consultório e comer fila,
Bom dia meu povo comprometido,
Povo valente, como o Sansāo de Dalila.
Bom dia porque hoje é mais um dia
De misturar a fé com a correria
E não perder o prumo da empreitada,
E porque somos valentes o bastante,
Por isso chegamos aqui e vamos adiante,
Sempre com Deus, porque sem Deus não somos nada.
21.5.19
Triste Rio
Que Rio triste de Janeiro a Janeiro,
Que Rio cheio de tiroteio,
Que Rio triste terra de pistoleiro,
Que Rio triste, nunca vi mais feio,
E eu que gostava tanto do Rio inteiro:
Flamengo, Copacabana, Catete, Recreio,
Mas hoje, "o que é isso, companheiro ?"
Diria Gabeira, cheio de receio...
E o tiroteio diário que não para,
Acaba com a baía da Guanabara
Deixando triste nosso coração...
Ah, Cristo Redentor que nos redime,
Livra nosso Rio de tanto crime,
E cobre o Rio com sua proteção...
1.5.19
Dia do trabalho
Acordar cedo. Diariamente.
Obedecer às ordens do patrão.
Salário não compra tudo. Provavelmente
Ou vai faltar manteiga ou faltar pão
E a cada dia tudo novamente
O relógio de ponto é o olho do patrão
Faça calor ou chova torrencialmente
Vale o que ele marca. O resto não.
É finalmente hoje é dia do trabalhador
Não tem relógio de ponto. Nem sim senhor.
Nem tem conversa fiada pra escutar.
Dia de casa. De festa. Um lindo dia
Tão lindo que mesmo com a panela vazia
A gente sai pra comemorar
26.4.19
Lastro
As vezes a palavra é como o lastro
Dificultando o vôo do balão,
É como usar um alfabeto gasto
Pra definir o que vai no coração,
O coração, esse horizonte vasto,
Por mais que a palavra lhe tente tradução,
É como um navio que perde o mastro
E busca se manter na direção.
Então a palavra, insuficiente,
Traduz bem o coração tão raramente
Que às vezes o faz melhor quando se cala,
E o silêncio, mais que a verborragia,
Transforma estupidez em poesia
Sem precisar da palavra torta e rala.
Sonetos
Ora direis, fazer sonetos,
Certo perdeste o censo, eu vos direi, no entanto,
Que para combinar quartetos e tercetos
É necessário descobrir algum encanto,
Direis: escritos de formatos obsoletos,
Não têm modernidade e pesam tanto...
Quanta sandice, tolos preconceitos,
Nem sei por conta de que ainda me espanto.
Não vês a arquitetura que há entre as rimas,
Irmãs que são como se fossem primas,
E, mesmo separadas, permanecem
Tecendo versos, tramas sonetadas,
Seguindo juntas, mesmo separadas,
Como dois corações que não se esquecem...
8.4.19
A espécie humana
6.4.19
A madrugada
Porque será que Deus criou a madrugada,
Esse intervalo entre acontecimentos,
Tempo quase todo feito só de nada,
Celeiro bom de se guardar pensamentos,
Espaço onde a melhor decisão é planejada,
Oportunidade única para arrependimentos,
Porque será que a madrugada foi criada,
Esse dia visto pelo seu lado de dentro?
Quem sabe sobraram algumas caixas vazias,
E no finalzinho daqueles sete dias,
Faltando pouco para o criador descansar,
Deus resolveu dar a elas utilidade,
Daí a madrugada e sua capacidade
De guardar o que não caberia em nenhum outro lugar
5.4.19
O soneto
Tentei um soneto. Não aconteceu.
Tentei mais um outro. Não consegui.
Tentei um terceiro que no meio se perdeu
Foi nessa hora que eu quase desisti
Mas nesse instante o soneto percebeu
Que se eu desistisse ele deixava de existir
Sua insistência me convenceu
Por isso esse soneto escrito aqui
Não de improviso, mas de insistente,
A poesia as vezes se parece com.essa gente
Que não sossega enquanto não consegue
Tentei um soneto e o soneto atentado
Me atentou até ser digitalizado
Pra no final não saber nem pra quê que serve
17.3.19
Conversas com mães
Conversas com mães são aprendizado,
São como beber água direto da nascente,
Tesouro precioso e delicado,
E único, e doce, e diferente...
Tem sempre um grande significado,
Mãe é palavra que motiva a gente,
Conversas com mães são como um grão semeado,
Uma floresta em estado latente...
Conversas com mães nunca são conversas à toa,
Tem uma sonoridade que ressoa
Musicalizando o ambiente,
Conversas com mães são fontes de experiência,
E não importa o nível de evidência:
Nada é mais claro, nada é mais evidente.
4.3.19
Deus
Enquanto a gente se descuida e se destrata,
E se desentende e se machuca e se maltrata,
É lindo saber que Deus cuida da gente,
Seus filhos as vezes desajuizados,
Nem sempre bons ou bem intencionados,
Mas de quem Deus cuida de modo incontinenti.
3.3.19
Super heróis
Nós somos super heróis,
Nós temos super poderes,
Nós somos os seres mais incríveis do planeta,
Não temos medo de mascarado,
Não temos medo do boi da cara preta,
E o que nos faz invencíveis
É o amor,
E é tanto amor o amor que recebemos,
E tanto amor o amor que que respiramos,
Que foi por isso que nós vencemos,
Por tanto amor envolvido,
E foi por conta desse amor que transformamos
Saudade em vontade de ficar logo bom,
Medo em vontade de ser feliz,
Enfrentar a dor é o nosso grande dom,
Somos incríveis,
Somos os super heróis mais fortes do país,
Somos princesas e príncipes vencedores,
Nossas famílias são nossos amores,
E através delas passamos a entender
Que o amor é o nosso super poder,
Nós somos super heróis,
Vivemos grandes histórias,
Nós temos pra contar grandes vitórias
Muitas lutas ainda pela frente,
Certamente,
Mas vamos vencer,
Porque somos super heróis,
Nós temos super poderes,
Nós somos seres mais guerreiros que conhecemos,
Por amor aqui chegamos,
Por amor lutamos,
Por amor vencemos,
Nós somos super heróis,
E o amor é o maior poder de todos os poderes que nós temos.
Homenagem da UTI Nicola Albano a seus pequenos grandes super heróis
17.2.19
A hora a mais
Ganhei uma hora a mais, nem esperava,
Chegou ao fim do horário de verão,
Exatamente a uma hora a mais que eu precisava
Pra descansar mais um pouco do plantão.
Coisa boa quando a gente nem contava
E vem pra gente sem contra indicação:
Aquela uma hora a mais que eu procurava
E já tava achando que não ia achar mais não.
Ganhei uma hora a mais. Que coisa boa.
Melhor que ouvir samba dos Demônios da Garoa,
Melhor que melhorar de um resfriado,
Uma hora que eu estou agora aproveitando
Pra escrever um poeminha e ir descansando
Enquanto acerto o relógio adiantado.
11.2.19
Dez meninos
Sem que ninguém assuma a culpa do que os matou,
Como se houvesse crime sem culpados,
Assassinados que ninguém assassinou,
Ninguém confessa publicamente que errou,
Por trás de meninos mortos, homens errados,
Dez meninos com quem ninguém se importou,
Dez inocentes vítimas de armadilhas,
Dez mães que já não podem mais ninar
Indo dormir sem perceber que dormiram
Um sono do qual não mais iam acordar...
30.1.19
Morte
Pedaço da minha vida que eu não conheço,
E faço de conta que nunca vou conhecer,
Pedaço que começou lá no começo,
O que toda gente chama de nascer,
Pedaço sem rota, sem data, sem endereço,
Como uma palavra que a gente evita escrever,
É vida, escrita pelo lado avesso,
Como o dia esperando o amanhecer,
Uma palavra, não outra, definitiva,
Talvez de todas elas a mais viva,
A mais presente em nós pela vida inteira,
Morte, mas não precisa chama-la assim,
Porque embora aparentemente seja o fim,
Segue vivendo à sua própria maneira...
27.1.19
Blogs
Guarde poemas no blog. Funciona
Como um caderno aberto para a vida,
E tanto faz se em Tóquio ou em Atafona,
Toda poesia é universalmente lida.
O blog é poderoso como a prednisolona,
Nele a palavra brinca distraída,
Tem gente que acha cafona,
Eu acho um must, coisa mais querida...
Experimente um blog. Poste um poema,
Ou, se preferir, mais de um, não tem problema:
O blog aceita todos com ternura,
Poemas fazem os blogs mais felizes,
E blogs fazem poemas criarem raízes,
E aí começa a semeadura...
6.1.19
A palavra
A mesma palavra pode possuir força pequena
Ou, se a gente permitir, grande demais,
Pode ter o cheiro acre de uma ozena
Ou o sabor doce dos dias de paz
A mesma palavra pode ser gangrena
Ou divertidos balões de gás,
A mesma, ser a rima de um poema
Ou a escolha por Barrabas,
A palavra pode possuir todas as formas,
Obedecer ou transgredir todas as normas,
Dependendo do terreno onde é plantada,
Carregada de ódio, torna se morte,
Temperada de amor, torna se forte,
A mesma palavra significa tudo ou nada.
5.1.19
O coração
O coração às vezes exagera,
E fala coisas que não era pra falar,
O coração às vezes perde a linha,
É como se uma extra sistole daninha
Fizesse o coração extrapolar,
O coração às vezes perde o ponto
E se torna vítima da própria taquicardia,
Desanda a dizer palavras sem sentido,
E quando vê, não era pra ter sido,
E quando vê, já fez o que não queria,
Aí é tarde demais. Se fez tá feito.
Não tem conserto pro leite derramado.
E como um parto. Não tem mão dupla.
Nem adianta depois pedir desculpa,
Melhor seria não ter exagerado...
E necessário muita calma nessa hora,
E alimentar o coração diariamente
Com doses homeopáticas de alegria.
Um coração feliz não gasta o dia
Com atitudes inconsequentes.
Alegria, alegria. Sem azedume.
Alegria, alegria. Como na canção.
Alegria, alegria, sem arrependimento.
Sem taquicardia, saturando cem por cento.
A vida é bem melhor sem confusão.
1.1.19
Poeminha de ano novo
Finalmente acabou o ano passado,
Chegamos até que enfim no ano que vem,
Estou me sentindo completamente renovado,
Como se fosse um neném,
As coisas ruins que eu vivi deixei de lado,
Trouxe comigo só lembranças de bem,
Daqui pra frente mais nada errado:
Nem querer nem fazer mal a ninguém,
Ah, bem que poderia ser assim:
Um ano novo sem nada de ruim,
O ano que passou virar poeira...
Mas vai depender mais de mim que da virada
Ter minha vida modificada,
Porque não dá pra ser de outra maneira...


