31.12.25

Ultima quarta feira de 2025

Quarta feira, dia de despedida:
O último dia do ano, exatamente,
O ano acaba, porém segue a vida
Como se fosse um outro elo da corrente.

Quarta feira, e uma última curtida,
Porque tem ano novo esperando por a gente, 
E a cada ano, essa frase repetida
Vai nos empurrando sempre pra frente.

Quarta feira. Manhã do último dia.
Não foi bem um ano como a gente gostaria, 
Mais foi o ano em que a gente aprendeu

Que o silêncio também é uma prece,
E que o amor é sempre o que nos fortalece,
E justo por conta disso, já valeu.

Feliz último dia de 2025 a todos. 
Quarta feira, 31 de dezembro.

30.12.25

Última terça-feira de 2025

Eu vou me despedindo, terça feira,
Porque agora só ano que vem,
Foi bom viver cada hora sua, companheira,
Você tem o frescor que poucos dias tem,

Eu vou levar para minha vida inteira
Esse seu jeito de "ta tudo bem",
De não desistir dos embates na primeira,
De levar esperança sempre para além,

Então, nesse dia de despedida,
Eu quero dizer a você, minha querida,
"Que maravilha seria, se todos fossem iguais a você":

Discreta, mas cheia de sabedoria,
Silenciosa, mas farta de alegria,
Um dia pra gente nunca se esquecer.

Feliz última terça-feira de 2025 a todos. 

28.12.25

Bom dia

Bom dia a todos, indistintamente,
O dia começa quente, como o coração,
Lançando a gente sempre pra frente,
Como um chamado, quase uma missão,

Então bom dia para toda gente,
Porque o dia é hoje. Amanhã não.
Desistir jamais. Enfraquece a corrente.
Coragem não brota do chão.

Por isso é preciso um coração valente,
Que saiba resistir com unhas e dentes,
Tentando sempre escapar da inundação,

Por conta disso, começamos com um bom dia,
Quem sabe a força da leveza da poesia
Torna mais fácil enfrentar a danação.

27.12.25

Fim de ano

Foi muito intenso o ano que passou,
Talvez o mais intenso da minha vida,
Pelas tantas coisas que ele me levou,
Sem me dar tempo para despedida,

E tanto que ainda não cicatrizou,
Às vezes ainda dói tanta ferida,
Por isso intenso o ano que acabou,
Por isso ainda tentando uma saída,

Porém, assim que virar o calendário,
Começa o tempo de um novo itinerário,
Quem sabe mais suave essa nova diretriz.

Talvez um sonho. Ou pode ser que não.
Mas a gente está onde está nosso coração
Que passa a vida inteira escapando por um triz...

4.12.25

A fotografia

Ainda somos os mesmos cinco da fotografia,
Não falta ninguém, reparando bem,
Hoje, os mesmo cinco daquele dia,
Os mesmos cinco. Não falta ninguém.

Algum desavisado até que poderia
Supor que estivesse faltando alguém.
Mas não. Permanecemos os mesmos cinco da fotografia:
Mistérios que somente o amor é que contém.

E seremos os mesmos cinco por toda a eternidade,
E digo isso com a mesma naturalidade
De quem escuta o que vem do coração.

A mãe, os filhos, e o amor que nunca  finda,
Permanecemos da fotografia os mesmos cinco ainda,
Não tentem fazer outra suposição...

3.12.25

Vaqueirinho

Por onde andastes, menino vaqueirinho,
Até entrares na jaula do leão?
Por onde caminhastes, sempre tão sozinho, 
Quase ninguém te trazendo pela mão?

Por que precisou ser tão duro teu caminho, 
Tão cheio de dores, tão farto de não?
Será que foi por isso, vaqueirinho,
Que tu tomastes essa derradeira decisão?

Não vistes o perigo ali pertinho, 
Se aproximando devagarinho, 
Não te percebestes mais uma vez sem proteção?

Subistes ao céu, meu menino, feito um passarinho, 
Quem sabe a tentar abrigo em outro ninho...
Que Deus receba, então, teu coração.

29.11.25

A vida é assim mesmo

A vida é assim mesmo. O tempo inteiro. 
Não dá um segundo de folga pro coração. 
Passa o tempo todo mudando de roteiro,
A vida é impermanente, por definição. 

Não é como um mar pra qualquer marinheiro, 
Porque é preciso ter coragem e vocação. 
Tudo muda o tempo todo, e tão ligeiro,
Que não há tempo para indecisão. 

A vida é assim mesmo. Às vezes assusta.
Às vezes passa depressa. Às vezes custa. 
Às vezes é frágil como uma bolha de sabão. 

Outras vezes é grave e avassaladora
Como uma barreira d'água quando estoura.
A vida às vezes é cruel, às vezes não. 

27.11.25

Toquinho tocando violão

As mãos tocando as cordas rapidamente,
As cordas criando as notas da canção, 
Os sambas brincando com o coração da gente, 
Como é bom ver Toquinho tocando  violão, 

Fazendo sambas de um jeito surpreendente,
De onde ele busca tanta inspiração?
As mãos arranhando as cordas rapidamente,
As cordas conversando entre si a cada arranhão, 

Toquinho e suas parcerias com o poetinha,
Como se estivessem em Itapoã de tardezinha,
E a vida inteira não precisasse pressa,

É de outro mundo a música de Toquinho,
Uma voz, um violão e um banquinho, 
Ouvir Toquinho tocando é bom a beça...

25.11.25

Escrever poesia

Você acha que é fácil escrever poesia,
Acha que é só palavrar e rimar,
Não se importando com a engenharia 
Que arruma cada rima em seu lugar?

Você acha que é fácil? Você escreveria
Um sonetinho qualquer ao acordar,
Sem precisar rimar pia com tia?
Acredita mesmo que é fácil? Quer tentar?

Se poesia fosse dessa maneira,
Só um jogo de palavras de brincadeira,
Duvido que ela tocasse o coração, 

Passaria despercebida e desapareceria,
Ah, se fosse fácil assim escrever poesia, 
Como quem prepara uma receita de pão. 

16.11.25

Domingo

Bom domingo pra quem é de domingar,
E domingar com alegria no coração,
Que chega domingo, começa logo a cantar,
Porque domingo é um dia pronto pra canção,

Canção de agradecer, de aproveitar
Pra perdoar e pra pedir perdão,
O próximo domingo pode não chegar,
Então melhor usar esse, que está na nossa mão.

E domingar assim não é brincadeira,
Tem gente que se prepara a vida inteira,
E na hora H fica sem saber o que falar...

Para isso mesmo é que existem os domingos,
Para mim, um dos dias mais lindos
Que Deus mandou pra gente aproveitar...

15.11.25

A rima

Lá vem a rima, amiga disfarçada,
Criando um poema para me animar, 
Porque ela sabe que a palavra rimada
Traz uma energia boa de cantar,

Então ela vem como quem não quer nada,
Nesse sábado de manhã para me deixar
Mais alegre. Ah, rima, sua danada,
Já está funcionando, pode continuar,

E ela continua, cria outro verso,
Eu acho que a rima habita o universo,
Por isso ela cabe em qualquer lugar,

Por isso ela chega disfarçada e cria
Para minha alegria, uma poesia, 
E depois vai embora, sem eu notar...

9.11.25

A saudade

A saudade é assim mesmo: não  anuncia
O instante em que vai tanger o coração,
Simplesmente o toca, com sua mão leve e macia,
Fazendo a gente prender a respiração,

Saudade. E o coração em correria,
Gasta seu tempo tentando em vão
Respirar mais lento, mas a saudade não alivia:
Ela às vezes é assim mesmo, como um tufão,

E o coração, atônito de saudade,
Vai respirando cada vez com mais dificuldade, 
Até que a saudade o abraça, carinhosamente,

E ainda que com saudade, nessa hora,
O coração se acalma, dá um sorriso e chora,
Porque a saudade aquece o coração da gente...

7.11.25

A poesia

Uma palavra despretensiosa 
Encontra outra pelo caminho,
As duas iniciam uma prosa,
Qualquer assunto, um encontro levezinho,

Até que surge uma rima, a preguiçosa,
Deixando esse momento mals arrumadinho,
E surge dai a poesia, esplendorosa,
Gostosa, como um pãozinho quentinho,

Mas ninguém sabe explicar como é que isso acontece,
De onde o poema aparece
Quando no início tudo era só uma palavra,

Porque é inútil tentar desvendar a poesia, 
Poesia é palavra boa, e uma vez plantada, procria,
Palavra boa que, procriada, destrava.

4.11.25

O rio paraiba

O rio paraiba,  bem ao meu lado,
Sem nenhuma pressa,  só pra me lembrar
Que não vale a pena caminhar muito apressado,
Sem pressa nenhuma, o rio é capaz de chegar,

Então, nos dias em que o coração muito afobado,
Quase se esquece de respirar,
Eu olho para o rio paraiba ali do lado,
E noto que nada é capaz de o apressar,

E o rio continua, nunca atrasado,
E porque não se apressa, nunca adiantado,
Mas exatamente no seu tempo de passar,

O rio paraiba e seu legado,
Mostrando para mim o tempo como aliado,
Bastando apenas a gente saber aproveitar.


1.11.25

Saudade

Agora é saudade em nosso coração,
Um sentimento que a gente não sabe explicar,
Vem de um sorriso, uma conversa, uma canção, 
Uma palavra que faz a gente chorar, 

É como se morrer não fosse a conclusão,
Como se a vida insistisse em continuar, 
Às vezes até mais forte, mas em outra dimensão,
E agora é saudade o que a gente consegue falar, 

Mas uma saudade cheia de vida,
Como se fosse uma língua traduzida,
Ainda que com o mesmo significado, 

Então, quando a saudade bate em nosso peito,
É vida traduzida do seu jeito, 
Nesse vocabulário mais bem elaborado.

31.10.25

O Dia Nacional da Poesia

Hoje é o Dia Nacional da Poesia,
Nasceu para o mundo Carlos Drummond de Andrade,
E o mundo nunca mais foi o mesmo depois desse dia,
De Itabira para o mundo, sem vaidade,

E o mundo inteiro em boa companhia, 
Porque poesia é palavra em liberdade,
31 de outubro. Hoje é o dia. 
Itabira de presente para a humanidade. 

E celebrar esse dia com Drummond,
É como um sonho bom,
Porque Drummond é música para os ouvidos, 

Um Dia Nacional nascido em Minas, 
Para ser degustado com rimas ou sem rimas,
"Tudo mais, em verdade, são ruídos".

29.10.25

Rio de Janeiro

Meu Rio de Janeiro metralhado,
Uma ferida que não para de sangrar,
Meu São Sebastião despedaçado
Por uma guerra estúpida no ar, 

Um pedaço do Rio de Janeiro assassinado,
Corpos jogados pra quem quiser olhar,
E um governador desgovernado,
Meu Rio de Janeiro sem respirar, 

Foi como se a matança generalizada 
Fosse fazer com que a coisa toda errada
Tomasse um outro rumo ou direção...

Meu Rio de Janeiro fuzilado,
Meu Rio de Janeiro ensanguentado,
Olhai por nós, meu São Sebastião.

27.10.25

Noventa anos

Ah, nossa Escola nonagenaria,
Essa nossa casa quase secular,
Nossa referência muito necessária,
Roteiro que nos ensinou a caminhar,

Foi desde o início sempre visionária,
Foi ela que  nunca se cansou de recomendar
Para os seu filhos, de uma forma prioritária,
A melhor maneira de se comportar,

Nossa Escola Jesus Cristo, companheira,
Acolhedora, pela vida inteira,
Pelo tanto que seu coração nos alimenta,

Feliz aniversário, Escola querida,
Fonte de bênçãos para a nossa vida,
Ah, nossa Escola, feliz noventa...

25.10.25

A Escola Jesus Cristo

E quando tudo em volta perde a paciência,
Quebra-se a esperança de renovação, 
A Escola segue com perseverança,
Talvez por não conhecer outra opção,

Porque quando tudo em volta é decadência,
E o mundo em volta é todo caos e vacilação, 
A Escola, quase centenária, com coerência,
Não solta nenhum de seus filhos da sua mão,

Palavra, quando a palavra é necessária, 
Comida, porque a fome é solitária, 
Silêncio, porque o silêncio é uma prece,

Oásis, para os aflitos e os sobrecarregados,
Seara, para os trabalhadores preparados,
Essa é a Escola como a gente nunca a esquece.

O Parnaso de Além Túmulo

E foram, aos poucos, se aproximando,
Novos poemas trazendo
Os mesmos estilos de outrora se mostrando,
E pouco a pouco nos envolvendo,

Dezenas de poetas nos contando 
Seus versos de além túmulo e trazendo 
Lições que iam aos poucos nos impressionando 
Era o Parnaso de Além Túmulo nascendo,

Com suas rimas inconfundíveis,
Por esses poetas imprescindíveis
Que retornavam em versos pra contar

Sobre a vida eterna, da outra margem dessa estrada,
Como um diário em versos da jornada,
Como um roteiro, que a gente certamente há de trilhar...