Eu só preciso de uma palavra emprestado
Para escrever um poema distraído,
Uma palavra qualquer, com qualquer significado,
Que qualquer um de nós tenha esquecido,
Qualquer palavra, como um número sorteado,
Quem sabe alguma que tenha se perdido,
Eu só preciso dessa palavra ao meu lado,
Eu já me sentiria agradecido,
E a poesia, porque nasce da palavra,
Tendo a palavra por perto, ela brotava
Em rima e ritmo e frases de improviso...
Uma palavra apenas, como um gen,
E depois dela, algumas mais além...
Uma palavra... Tudo que eu preciso...
31.1.22
27.1.22
Ninho
As vezes, quando eu me sinto sozinho,
Eu passo por aqui pra conversar,
Às vezes pra postar um sonetinho,
Outras pra ler o que alguém veio postar,
E aí, sem perceber, devagarinho,
Eu me sinto melhor, e apesar
Da gente não morar no mesmo ninho,
Aqui é o melhor lugar para morar,
Porque as vezes, quando eu me sinto cansado,
E parece que tá tudo em volta dando errado,
Vocês são como um copo d'água de alegrias,
Que quando eu bebo, meus dias cinzentos
Desaparecem, feito espumas aos ventos,
E dão lugar a rabiscos de poesias...
Pátria amada
Um governo completamente equivocado,
Extremamente mal conduzido,
Onde era pra avançar, tem recuado,
Onde era pra crescer, diminuído,
Um governo absolutamente desgovernado,
Conduzido por políticos sem sentido,
Preocupado com o que não era para estar preocupado,
Deixando livre o que era pra ser contido,
Ainda assim, um governo legitimado
Pelo voto escolhido e confirmado,
Um governo que é, mas não era pra ter sido,
Um mau exemplo, como um fruto estragado,
Que deveria ter sido descartado,
Mas que foi exatamente o escolhido...
21.1.22
A poesia
Não se incomoda quando estou aborrecido,
E não se afasta quando estou incomodado,
Não se perde de mim quando sou vencido,
Porque ainda assim permanece do meu lado,
E eu nem preciso pedir, vem sem pedido,
E me perdoa, mesmo quando sou condenado,
A poesia, não conheço nada parecido,
Nada mais delicado,
A poesia que me visita
Sem se importar com a minha vida esquisita,
E o meu destino, sem se incomodar,
A poesia, como quem perdoa,
Planta em meu dia palavra boa,
Que eu não encontro aqui no meu pomar,
Sem se importar com meus gestos mesquinhos,
A poesia me enche de carinhos,
Que eu preciso aprender a espalhar...
9.1.22
Poema para Karina
Toda vez que o seu coração se sentir cansado,
E cansado, sentir vontade de chorar,
Lembre-se de que estamos do seu lado,
Procure a gente pra conversar,
E toda vez que o seu coração se sentir desanimado,
E desanimado, perder a vontade de caminhar,
Lembre-se que o coração é sempre sustentado
Pelos amigos, e isso é o que a gente chama lar,
Então, toda vez que seu coração se sentir sozinho,
A gente vai estar pelo caminho,
A gente espera, se você demorar,
Cantando uma velha canção que já dizia
Que "todos os tristes querendo juntos", quem diria,
"Toda tristeza vai se acabar"...
5.1.22
O poema
Eu gosto de escrever poesia sem sentido,
E sem saber direito o que dizer,
Rimar sem perceber faz bem ao ouvido,
Faz bem aos olhos o poema acontecer,
Eu gosto, e o poema, convencido,
Percebo que também gosta de saber
Que eu gosto de ver o verso bem vestido
De rimas improvisadas sem querer.
E porque eu gosto, o poema distraído
Vai se aproximando, aos poucos, e, sem ruído,
Verso por verso começa a se escrever,
E de repente, antes que eu tenha percebido,
O poema que não era para ter acontecido,
Termina, enfim, por acontecer...
25.12.21
A esperança
E enquanto tudo não estiver consumado,
E o esperado não tiver acontecido,
O fio de esperança, ainda guardado,
Vai iluminar o coração enfraquecido,
Mudando o rumo do que tiver programado,
Trazendo vida ao coração adormecido,
Jorrando luz no coração quase apagado,
E esperança no coração distraído,
Enquanto tudo não estiver findado,
Como a assinatura final num atestado,
Como o cumprimento do ato prometido,
A esperança, como um cajado,
Como um lampejo mudando o resultado,
Como o alívio para o coração ferido...
2.12.21
Homenagem
Ao Professor Hector Gomez Martinez
Mas era preciso seguir pela eternidade,
Era preciso tornar-se inspiração,
Habitar o coração da humanidade,
Modificando assim seu coração,
Era preciso testemunhar outra verdade
E entregar-se a ela sem contestação,
Partir, mas sem perder a integridade,
E ir-se, mas permanecendo, como não?
E sendo assim, seguiu o professor,
Deixando inconfundíveis rastros de amor,
Que para sempre serão aqueles seus
Rastros de amor, o Professor, que desde então
Segue nos conduzindo por sua mão
Abençoada pelas mãos de Deus...
13.10.21
A poesia
Às vezes a poesia me alimenta
Mais do que o arroz com feijão, sem perceber,
Mais do que o arroz com feijão, sem perceber,
E, me alimentando, me reinventa,
E me reinventando, me faz sobreviver,
A poesia, a que às vezes me sustenta,
Quando tudo em volta parece ceder,
Ela não cede, não me solta, e me aguenta,
E a sua força me faz permanecer,
Porque a poesia não são só rimas entrelaçadas,
São muito mais que palavras combinadas,
A poesia para mim é como uma embarcação
Que me salva no instante exato do naufrágio,
E que cuida de mim e do meu pensamento frágil,
E toma conta do meu coração.
E me reinventando, me faz sobreviver,
A poesia, a que às vezes me sustenta,
Quando tudo em volta parece ceder,
Ela não cede, não me solta, e me aguenta,
E a sua força me faz permanecer,
Porque a poesia não são só rimas entrelaçadas,
São muito mais que palavras combinadas,
A poesia para mim é como uma embarcação
Que me salva no instante exato do naufrágio,
E que cuida de mim e do meu pensamento frágil,
E toma conta do meu coração.
7.10.21
Pra vida toda valer a pena viver
Tem livro novo da Ana anunciado.
Tem coisa nova pra gente conhecer.
Ainda nem li, mas já estou impressionado:
Onde Ana arruma tempo pra escrever?
Tempo? Acho que no seu coração exagerado,
Que por amar demais, possui esse poder:
Multiplica o tempo, e o tempo multiplicado
Faz Ana nunca parar de acontecer.
Tem livro novo da Ana, como um presente,
Que vai fazer emocionar a gente,
E provocar na gente mais vontade de aprender...
Um livro novo da Ana. Como poesia.
Como um roteiro. Um caminho. Como um guia.
Pra vida toda valer a pena viver.
Tem coisa nova pra gente conhecer.
Ainda nem li, mas já estou impressionado:
Onde Ana arruma tempo pra escrever?
Tempo? Acho que no seu coração exagerado,
Que por amar demais, possui esse poder:
Multiplica o tempo, e o tempo multiplicado
Faz Ana nunca parar de acontecer.
Tem livro novo da Ana, como um presente,
Que vai fazer emocionar a gente,
E provocar na gente mais vontade de aprender...
Um livro novo da Ana. Como poesia.
Como um roteiro. Um caminho. Como um guia.
Pra vida toda valer a pena viver.
4.10.21
O dia do poeta
Dia do poeta? Mas o poeta tem dia?
E o que o poeta tem de especial?
A estranha propriedade de escrever poesia?
Mas pro poeta isso é coisa tão normal...
Dia do poeta? Eu não sabia
Que o poeta tinha um dia oficial...
O poeta, o fingidor, quanta ironia,
Ganhou um dia, coisa mais formal...
E enquanto isso, passa os outros dias
Preenchendo páginas vazias,
Porque com elas ele pode conversar...
Felizes dias, poetas do mundo inteiro,
Que de Jerusalém ao Rio de Janeiro,
Emprestam asas de fazer o coração voar
2.10.21
Preferimos feijão
Preferimos feijão a fuzil. Preferimos vacina
A medicamentos que só causam enganação.
Acreditamos na ciência. E usamos a cloroquina
Nos casos em que ela tem adequada indicação.
Mas prefirimos feijão. Fuzil não elimina
A fome que devora grande parte da nação.
Feijão, ciência, democracia, e fluoxetina
Para tentar não entrar em depressão...
Um dia a história retoma seus caminhos,
Afinal não estamos sozinhos,
Somos milhões de brasileiros pensando assim:
Preferimos feijão. E mais que comida,
Preferimos distribuir amor à vida
Para que esse imenso amor não tenha fim...
6.9.21
Sessenta e dois
Sessenta e dois anos em boa companhia:
Família, alguns poucos amigos, boas canções,
Filmes que encantam, e sempre a poesia,
Sessenta e dois anos muito bons,
Nem sempre sorrindo, nem sempre em agonia,
Até aqui foi uma canção em muitos tons,
Mas que aprendi a dedilhar em harmonia,
Misturando as primas e os bordões...
E a partir de agora é seguir daqui pra diante,
A estrada é um chamariz pro caminhante,
Não importa quanto tempo a caminhada vai durar,
Sigamos. O que passou fica guardado na memória.
O hoje é o ano zero de uma nova história
Que só o tempo conhece onde vai dar...
21.8.21
A alma humana
Eu li vários livros, não encontrei nada
Do que eu encontrei no seu coração,
Tem mais significado a sua risada,
Tem mais sentido o aperto da sua mão,
Fui pra biblioteca, dei uma pesquisada,
Sai dali todo indefinição,
Palavra querendo ser mais que outra palavra,
Perdi meu tempo buscando explicação,
Mas quando percebi o seu sorriso,
Descobri que a pergunta que eu preciso
Fazer, não devo fazer aos manuais da academia,
A alma humana responde, em suas linhas,
Das perguntas mais complexas às mais mesquinhas,
A alma humana, como a poesia...
5.8.21
Minha mãe faz aniversário dia 5 de agosto
Eu nunca soube ao certo a sua idade,
O ano exato do seu nascimento,
Sempre me bastou saber o dia daquela felicidade,
O ano? Esse era só um fragmento...
Mas mesmo não sabendo ao certo a sua idade,
Eu pude ver como era a luz que havia dentro
Daquele coração que cabia a humanidade,
E do amor que escapava do seu pensamento...
Eu nunca soube exatamente a sua idade,
Mas nunca tive nenhuma dificuldade
De entender a voz do seu coração,
E de compreender os sinais da sua vida,
Por isso a sua idade me passou despercebida,
Mas só a sua idade, a sua vida não...
15.7.21
Vida própria
Às vezes a poesia desaparece,
E eu fico com a impressão de que ela não vai voltar,
Parece pra mim, daqui, que ela adormece,
Ou que se cansa às vezes de conversar,
Então é assim: a poesia como uma espécie
De pensamento que não pensa em retornar,
Desaparece. De vez em quando acontece.
E quando acontece, não adianta forçar.
A poesia tem seu próprio roteiro.
Tem dias que quer falar o dia inteiro.
Tem vezes que passa o ano inteiro sem falar.
A poesia, eu desconfio, tem vida própria.
E uma única vida. Não tem cópia.
Eu desconfio. Mas não tenho como provar.
E eu fico com a impressão de que ela não vai voltar,
Parece pra mim, daqui, que ela adormece,
Ou que se cansa às vezes de conversar,
Então é assim: a poesia como uma espécie
De pensamento que não pensa em retornar,
Desaparece. De vez em quando acontece.
E quando acontece, não adianta forçar.
A poesia tem seu próprio roteiro.
Tem dias que quer falar o dia inteiro.
Tem vezes que passa o ano inteiro sem falar.
A poesia, eu desconfio, tem vida própria.
E uma única vida. Não tem cópia.
Eu desconfio. Mas não tenho como provar.
16.6.21
Eu precisava dizer eu te amo
Para ACQA após escutar sua apresentação no TEDX
Eu precisava dizer "eu te amo", eu já sabia,
Mas era preciso não desistir,
Bastava dizer, mas era grande a teimosia,
Mostrando outros caminhos a seguir,
Era absolutamente necessário, eu entendia,
Só não sabia como escapulir
Das garras da ignorância, que me diminuia,
E do medo, que tentava me destruir...
Até o dia em que dizer "eu te amo" foi libertador,
Capaz de caber nele tanto amor,
E amor de seguir durando a vida inteira ,
E libertar corações escravizados,
Que ao dizer que amam, se descobrem amados,
Porque não haveria como ser de outra maneira...
12.6.21
Não tire a máscara
Não tire a máscara. Tire o genocida.
Tire o desassossego da nação.
Tire. Porque não adianta germicida.
Mas não tire com ódio. Tire com eleição.
E não tire a máscara. Você não é suicida.
Nem imbecil. Não faça esse papelão.
Tire o capitão. É a única saida.
Mas não tire a máscara. Tire o bufão.
Proteja-se. Proteja a vida.
Nenhuma outra coisa precisa ser mais protegida
A vida. Sem ela de que vale tudo mais?
A máscara fica. O capitão sai fora.
Uma dia a gente ainda comemora,
E nesse dia a gente dorme em paz.
Tire o desassossego da nação.
Tire. Porque não adianta germicida.
Mas não tire com ódio. Tire com eleição.
E não tire a máscara. Você não é suicida.
Nem imbecil. Não faça esse papelão.
Tire o capitão. É a única saida.
Mas não tire a máscara. Tire o bufão.
Proteja-se. Proteja a vida.
Nenhuma outra coisa precisa ser mais protegida
A vida. Sem ela de que vale tudo mais?
A máscara fica. O capitão sai fora.
Uma dia a gente ainda comemora,
E nesse dia a gente dorme em paz.
5.6.21
Comunhão
Depois de 72 horas de plantão,
Aqui estou de volta ao meu cantinho,
72 horas parecia um turbilhão,
Mas era só o começo do caminho,
Respira, atende o próximo: _Pois não...
Febre alta, vomito, começou ontem todo vermelhinho,
Pausa prum café. Tem bolo e pão.
Meia hora de sono. _Doutor, tem um bebezinho.
72 horas. O tempo vai passando,
E enquanto eu vejo dores desfilando,
Eu me aproximo da dor, eu toco a dor com a mão
72 horas. E eu vejo como dói a vida.
E o analgésico sabe que não tem saída:
A dor só se dissolve em comunhão...
Aqui estou de volta ao meu cantinho,
72 horas parecia um turbilhão,
Mas era só o começo do caminho,
Respira, atende o próximo: _Pois não...
Febre alta, vomito, começou ontem todo vermelhinho,
Pausa prum café. Tem bolo e pão.
Meia hora de sono. _Doutor, tem um bebezinho.
72 horas. O tempo vai passando,
E enquanto eu vejo dores desfilando,
Eu me aproximo da dor, eu toco a dor com a mão
72 horas. E eu vejo como dói a vida.
E o analgésico sabe que não tem saída:
A dor só se dissolve em comunhão...
1.6.21
A morte não tem a última palavra
A morte não tem a última palavra,
E por mais impressionante que possa parecer,
Tanta coisa continua quando a vida acaba,
Que fica difícil definir o que é morrer,
É que para além do pulmão que respirava,
E do coração que já não consegue mais bater,
Uma outra semente de vida germinava
Ainda que quase ninguém conseguisse perceber,
Porque as pessoas, mesmo após as despedidas,
Continuam a fazer parte das nossas vidas,
Por isso a morte definitivamente não é o fim,
Ou se é o fim, é um fim que não termina,
Como o manuscrito de uma obra prima,
Eu penso às vezes na morte assim...
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