25.3.25

Todo mundo precisa de cuidado

Todo mundo precisa de cuidado,
De oferecer e de receber atenção, 
Ninguém nasce completamente blindado,
Todo mundo precisa de proteção 

Às vezes pode ser um abraço apertado,
Outras vezes um poema, uma canção, 
Cuidado tem inúmeros significados, 
Todo mundo precisa, na minha opinião,

Cuidar de alguém e também deixar ser cuidado,
Isso é tão lindo como amar e ser amado,  
Assim como Jesus nos ensinou,

Toda gente precisa, por todo lado,  
Cuidado nunca é um bem demasiado, 
Cuidado é como se fosse um pedacinho de amor...

23.3.25

HOLEP

Oh próstata, tu que és tão forte,
Que comprimes a uretra, que atrapalha a urina,
Foi necessário que eu articulasse a tua própria morte
Para evitar dessa forma a minha ruína,

O laser so precisou de um suave corte
Usando sua luz com muita disciplina,
Oh próstata, desta vez tive mais sorte:
Não fazes mais parte da minha rotina...

Oh próstata, tu que me ameaçavas tanto,
Agora já não não me causas mais espanto:
Eu estou livre das tuas trapalhadas,

Dias sem febre, dias sem infecção,
Sem uroculturas e sem mais internação,
E com novas histórias para serem contadas...

Que assim seja


Aceitação

Um dia. Depois outro dia. Depois outro dia.
Pra somente depois o justo dia chegar. 
Sem necessidade de correria.
Sem nenhum motivo pra se apressar.

E o dia chega. Em plena sintonia. 
Sem caminhar por atalhos. Sem se atrasar. 
No momento exato em que deveria.
Sem precisar descaminhos pra tomar.

E nessa hora desse dia exato,
Nada acontece por acaso. É fato. 
Assim como nenhma fagulha acende em vão. 

No dia certo, na hora certa,
A vida nesse instante revela-se completa,
E o que nos cabe é só silêncio e aceitação.

13.3.25

Morrendo

A gente morre devagarinho,
A gente morre sem perceber,
A gente morre a cada dia um pouquinho,
A gente morre sem se ver morrer,

A gente morre como um passarinho,
A gente morre às vezes sem saber,
E vai morrendo pelo caminho, 
Até um dia desaparecer,

E mesmo com o coração ainda batendo,
A gente não percebe, mas vai morrendo,
A gente não percebe, mas se vai,

E faz silêncio, mesmo ainda cantando,
Como uma poça d'água evaporando,
Como o suor da pele quando sai...

10.3.25

Aguardando a visita médica

Aguardando o Doutor. Escutando Paulinho. 
E começando meu dia com poesia.
Com poesia e samba. Não sozinho. 
Aguardando o Doutor, que vem de dia. 

Escutando Paulinho tocando cavaquinho, 
Delicadinho, como uma Sinfonia,
Enchendo de luz e paz o meu caminho,
Como um sinônimo de alegria.

Aguardando a visita com esse chorinho,
Que faz meu coração bater suavezinho,
Chorinho que me carrega como nem fosse levar,

Aguardando o dia que vem pela frente,
A música me cuidando de um jeito diferente,
E nunca deixando de me acompanhar.

3.3.25

O meu irmão

O meu irmão, desde cedo, me ensinando 
Lições de amor pela sua vida inteira, 
Às vezes sorrindo, às vezes apenas me olhando, 
Ele era feliz e amava à sua maneira, 

E desde criança, enquanto eu ia contando 
A ele histórias da literatura brasileira, 
O meu irmão se acalmava, e ia me acalmando,
E eu alisava a sua cabeleira,

Um dia ele se despediu da gente, mas desde esse dia,
Ele deixou nosso coração cheio da sua companhia,
E agora é ele que vem nos acalmar, 

Cantando pra gente as mesmas canções que a gente cantava,
Cuidando da gente igual como a gente cuidava,
E estando sempre presente em nosso olhar...

1.3.25

A poesia

Às vezes sinto vontade de escrever,
Mas a palavra foge do meu coração: 
Eu fico sem saber o que dizer,
O verso some sem explicação. 

Eu ainda tento, com se eu tivesse algum poder, 
Mas a palavra escapa da minha mão, 
Às vezes acontece, sem eu querer,  
Às vezes acontece  sem eu saber a razão,

Mas depois, como se a palavra se arrependesse,
Ou alguma coisa aqui dentro acontecesse,
Um soneto vai começando a germinar,

E, sem eu entender porque nem como,
A poesia me arranca do meu sono,
E me sacode para eu acordar.

23.1.25

As minhas Anas


As minhas Anas, minha companhia,
Minhas conselheiras, minha orientação, 
Suas palavras pra mim são como guia 
Que me desviam da grande inundação, 

As minhas Anas, melhor poesia 
Deus não podia ter me mostrado não, 
Ler as minhas Anas me clareia o dia
E enche de coragem o meu coração, 

Eu levo sempre comigo as Anas minhas,
Como se fossem minhas madrinhas,
Como se fossem minhas varinhas de condão,

As minhas Anas, meu porto seguro, 
Luzes a iluminar meu tempo escuro, 
Mestras que nunca largam da minha mão...

15.1.25

Esperança

Bom dia. Esperanças no ar.
Pra quem quiser alcançar. A esperança é assim:
Não tem dificuldades pra se espalhar, 
Depois que se espalha, vai até o fim.

Esperanças no ar: vamos aproveitar,
A esperança é o que transforma um dia ruim 
No melhor dia que ele pode se tornar. 
Eu quero um potinho de esperança pra mim.

Basta lavar os olhos, e, bem lavados,
Olhar o mundo com olhos renovados,
Livre dos ranços e das antipatias,

A esperança traz uma vida renovada,
Transformando  tempestades em quase nada, 
E iluminando de flores os nossos dias...

30.12.24

Ano novo

Última segunda. O ano terminando. 
Vem coisa nova. Ano novo pra chegar. 
O mundo inteiro se preparando. 
A gente precisa de alguma forma acreditar 

Que a humanidade está melhorando,
Embora haja tanto ainda pra mudar.
É ano novo, a gente segue acreditando,
E isso faz a gente continuar 

A ir se reunindo, a ir se juntando,
E discutindo, e se preparando 
Pras coisas que a gente insiste em acreditar...

É ano novo, e a gente vai renovando 
O coração, que vai sempre nos levando 
Prum tempo de toda gente despertar.

22.12.24

Segundo dia, a febre

Segundo dia normal para um internado,
Até que a febre voltou pra me visitar, 
Fiquei confuso, achei que eu tinha melhorado, 
Mas ela veio, baixinha, pra me assustar, 

Algumas bactérias devem ter se salvado,
E estão armando o seu circo pra voltar,
Tem gente que perde e não sabe sair derrotado,
Aí fica voltando pra atrapalhar,

E hoje temos duelo gigante pela frente:
A bactérias, com o seu espírito impertinente,
Versus o tazocin, que não costuma falhar, 

Vou esperar tranquilo e bem alimentado,
E descansado pelo resultado
Desse conflito que a Globo não vai passar.

Bom dia

A febre

Primeira noite sem febre,
O quadro já começa a melhorar,
Só a pressão que não normaliza,
8 X 5. Alguma coisa avisa 
Que o prognóstico pode mudar,

Mas já melhorei bem desde ontem a noite, 
Passou o cansaço, a fome quer voltar,
Quem tá com medo agora são as bactérias,
O tazocin gritou: acabaram-se as férias,
Vai cair uma por uma, sem dar tempo de chorar.

Primeira noite sem febre,
Merece um poeminha de improviso,
Ainda falta uma longa caminhada,
Mas como disse o poeta nessa frase iluminada:
Navegar é preciso. Viver não é preciso.

18.12.24

A casa

Era uma casa muito arrumada,
Acolhedora e bem preparada, 
E não havia nela solidão,
Porque alguém sempre estendia a mão,
Ninguém se sentia nela abandonado,
Porque ali era sempre abraçado, 
E nem podia se sentir sozinho, 
Porque a casa era só carinho,
Era uma casa quase encantada,
De tão acolhedora e preparada,
Mas era feita com muito esmero,
A melhor do mundo, pra ser sincero.

Livre adaptação do poema de Vinicius de Moraes, A casa.
A Casa Nicola Albano 

17.12.24

A infecção urinária

O rim de novo, esse órgão persistente,
E uma infecção que insiste em retornar,
Mesmo depois de examinado de trás pra frente, 
Volta mais uma vez para assustar,

Vinte e oito dias em casa, felizmente, 
Mas não foi uma decisão simples de tomar:
Será que isso dá certo? Será imprudente?
Aí um anjinho de Deus soprou: vamos tentar...

E aqui estou. Em casa. Me recuperando. 
Em casa? Quem disse? Já tô trabalhando. 
Mas de um modo calmo, que me permita me cuidar.

Eu sei que daqui pra frente é complicado,
Mas saber disso já me deixa preparado,
Porque o bom marujo não tem medo de mar.

7.12.24

A poesia

Depois de ler o último poema de Rafaella Aquino em @entrelacandovidas

A poesia como corredeira,
A poesia como confissão,
Palavra que escapole do pensamento,
Palavra sem filtro, que vem de dentro
Da fonte que alimenta o coração,

A poesia como testemunho,
A poesia como fatia da vida,
Que se mistura aos acontecimentos,
Como se fosse um dos quatro elementos
A poesia, força destemida...

A poesia como necessidade, 
A poesia como assinatura, 
A poesia como um documentário,
Que mexe com o imaginário,
E que de todas as formas, sem perder a ternura...

1.12.24

Poesia

Para Rafaella Aquino

Eu gosto quando vejo poesia se espalhando,
Porque poesia espalhada faz pensar,
A gente lê poesia, fica imaginando,
Tentando entender o que o poeta quis contar,

E quanto mais a gente vai lendo,  mais vai gostando,
Poesia é assim: adora provocar,
O pensamento não para, vive se agitando,
As rimas tem poder, pode apostar,

Então eu gosto quando poemas vão chegando
As suas letras vão conquistando,
Uma conquista que adora libertar,

Benditos os corações que vão rimando,
E através das suas rimas seguem contando
Histórias de amor que fazem a gente vibrar.





Dezembro

Talvez porque seja dezembro, o pensamento...
Talvez porque seja  dezembro, a compaixão...
Talvez porque seja dezembro, um sentimento 
Que faz bater diferente o coração...

Talvez porque seja dezembro, por um momento, 
Uma saudade que chega meio sem razão, 
Uma fotografia, ou apenas um alimento, 
Uma poesia, ou um pedido de perdão, 

Talvez porque seja dezembro, e só por isso,
É como se soprasse um compromisso 
De olhar em volta, de inspirar repartição, 

Talvez porque seja dezembro, só talvez, 
Apenas porque estamos neste mês,
A gente não segura essa emoção...

13.11.24

A primeira manhã

A primeira manhã sem dosar a glicemia,
Sem medir a temperatura e a pressão, 
É como tirar o gesso e ir pra folia,
Nem sei como descrever essa sensação.

É a primeira manhã, por isso tem poesia, 
Poesia é bom antes do café com pão,
Desperta o coração, e alivia,
Pra mim é meu jeito de meditação.

Eu sei que não é. Mas eu disfarço 
Eu acabo indo pra longe quando eu faço 
Rimar palavras até sem perceber,

Como essas pra primeira manhã livre do soro,
E eu me sentindo forte como um touro,
Feliz por ver o dia amanhecer...

Bom dia

O Doutor Fabiano

O doutor Fabiano pensou direitinho,
E decidiu que eu podia ser liberado:
O antibiótico já estava no finzinho,
E eu sem febre, e bem mais animado.

Vou te dar alta hoje, Luisinho,
Sua casa vai ser melhor pro seu estado.
Vai voltar ao trabalho devagarinho, 
E assim ficar completamente recuperado.

E o doutor Fabiano me liberou, 
A família toda comemorou,
E os amigos também comemoraram,

Finalmente em casa. Que coisa boa.
A casa é como o coração da pessoa. 
E dessa forma esses sonetinhos se encerraram.

Sétimo dia (12 de novembro)

Sétimo dia. Seguro a ansiedade. 
Na vida tudo passa. Nada é permanente. 
Uma semana internado. E a vontade 
De estar em minha casa novamente.

A alta pra hoje é só uma possibilidade. 
Não existe uma decisão exatamente:
Melhor ir pra casa livre da enfermidade 
Que ter de ser internado novamente.

Sétimo dia. Tudo quase pronto. 
Se eu tiver alta eu volto aqui e conto,
Se for só amanhã também tá bom.

Eu vou me divertindo com poesias,
A melhor forma de passar meus dias:
Mario, Bandeira, Vinícius e Drummond...