A foto e o poema
Não era a foto da grosseria.
Não era a fotografia da agressão.
Não era a imagem da pancadaria.
Era uma foto de sangue sobre o chão.
Mas era foto. Não poesia.
A foto prova. A poesia não.
Por isso o medo da fotografia.
Por isso a imediata demissão
Não era sangue de hemofilia,
Nem gotas de trombocitopenia,
Mas sim, pingos de chute e de agressão.
Era a impressão digital da covardia...
Da violência... Da selvageria...
Da vida envergonhada pelo chão.
9.7.04
Desindividuos
Desindividuos são gentes sem postura...
Comportamento descomportado...
Seres humanos com vida e sem ternura
E um histórico de vida desbotado...
Desindividuos. Águas que evaporam.
Gentes que vão sem deixar saudade.
Por quem os sinos e os homens nem choram.
Pessoas sem personalidade...
Desindividuos. Seres diários
Que não constam sequer nos dicionários
Por serem coisas tão comezinhas...
Desindividuos. Gentes estranhas.
Quem há de compreende-los? A as suas manhas?
E a sua forma de vida tão mesquinha?
Desindividuos são gentes sem postura...
Comportamento descomportado...
Seres humanos com vida e sem ternura
E um histórico de vida desbotado...
Desindividuos. Águas que evaporam.
Gentes que vão sem deixar saudade.
Por quem os sinos e os homens nem choram.
Pessoas sem personalidade...
Desindividuos. Seres diários
Que não constam sequer nos dicionários
Por serem coisas tão comezinhas...
Desindividuos. Gentes estranhas.
Quem há de compreende-los? A as suas manhas?
E a sua forma de vida tão mesquinha?
7.7.04
Um Anjo chamado Angela
Para Angela Sarmet, minha amiga, poetisa e pediatra...
Exatamente nessa ordem...
E Angela, sem asas, consultando...
Dizendo: Vinde a mim as criancinhas...
E as criancinhas amam Angela, um Anjo
De jeito maternal. E sem asinhas.
E atende como quem rima brincando...
São poesias suas receitinhas.
E o Anjo Angela vai receitando
Dizendo: Vinde a mim as dodoizinhas...
Sem asas, Angela, sobrevoando,
Vai se entregando, vai se entregando,
Vai semeando perolazinhas...
Adoro estar com Angela trabalhando...
Parece Deus ali, abençoando,
Dizendo: Vinde a mim as doentinhas...
Para Angela Sarmet, minha amiga, poetisa e pediatra...
Exatamente nessa ordem...
E Angela, sem asas, consultando...
Dizendo: Vinde a mim as criancinhas...
E as criancinhas amam Angela, um Anjo
De jeito maternal. E sem asinhas.
E atende como quem rima brincando...
São poesias suas receitinhas.
E o Anjo Angela vai receitando
Dizendo: Vinde a mim as dodoizinhas...
Sem asas, Angela, sobrevoando,
Vai se entregando, vai se entregando,
Vai semeando perolazinhas...
Adoro estar com Angela trabalhando...
Parece Deus ali, abençoando,
Dizendo: Vinde a mim as doentinhas...
6.7.04
29.6.04
O Coronel e o Inferno
_Poeta, Poeta!!! Não me mande para o Inferno!!!
Disse-me uma vez um Coronelzinho...
Mas como eu faria isso se o Inferno
É um lugar pra onde se vai sozinho?
Tem gente que vai pra ele bem depressa...
Tem gente que vai bem devagarinho...
Tem gente que já segue em linha reta...
Tem gente se perde no caminho...
O fato é que o Poeta não condena...
Um poeminha é coisa tão pequena...
Diante de um Inferno é tão fraquinho...
Pro inferno vai quem planta o pecado
Aonde era pro bem ter sido semeado...
Mas ele ainda não sabe... Coitadinho...
_Poeta, Poeta!!! Não me mande para o Inferno!!!
Disse-me uma vez um Coronelzinho...
Mas como eu faria isso se o Inferno
É um lugar pra onde se vai sozinho?
Tem gente que vai pra ele bem depressa...
Tem gente que vai bem devagarinho...
Tem gente que já segue em linha reta...
Tem gente se perde no caminho...
O fato é que o Poeta não condena...
Um poeminha é coisa tão pequena...
Diante de um Inferno é tão fraquinho...
Pro inferno vai quem planta o pecado
Aonde era pro bem ter sido semeado...
Mas ele ainda não sabe... Coitadinho...
25.6.04
Distraçao
Para Bruna, Santa Maria, RS, apos sua foto passeando na beira mar admirando surfistas... (www.fotolog.net/brubruzynha)
O surfista, dentro d'agua,
Tentando a sua onda cheia,
Vagueia velozmente, feito arraia...
Distraido, nao repara na Sereia
Maravilhosa e divina que passeia
Na beira
Da areia
Da praia...
Para Bruna, Santa Maria, RS, apos sua foto passeando na beira mar admirando surfistas... (www.fotolog.net/brubruzynha)
O surfista, dentro d'agua,
Tentando a sua onda cheia,
Vagueia velozmente, feito arraia...
Distraido, nao repara na Sereia
Maravilhosa e divina que passeia
Na beira
Da areia
Da praia...
Sonetinho cheio de Saudade
Para minha amiga Carla Cristina (www.fotolog.net/anginhaa)
Se eu fosse fazer silencio da saudade que te sinto,
Seria o certo nunca mais falar,
Silencio imenso, fundo e duradouro,
Silencio quase de nem respirar...
Se eu fosse fazer silencio do tamanho da saudade
Seria assim, como me ausentar,
Silencio feito o silencio de quem dorme
Um sono leve e calmo... E sem roncar...
Por isso troco o silencio por riminhas,
Dessas riminhas de agradar anginhas...
O verso diz ser ter que pronunciar...
Mas se eu fosse fazer verso a cada saudade, guria,
Eu não parava mais de escrever poesia...
E ai sim, voce ia se cansar...
Para minha amiga Carla Cristina (www.fotolog.net/anginhaa)
Se eu fosse fazer silencio da saudade que te sinto,
Seria o certo nunca mais falar,
Silencio imenso, fundo e duradouro,
Silencio quase de nem respirar...
Se eu fosse fazer silencio do tamanho da saudade
Seria assim, como me ausentar,
Silencio feito o silencio de quem dorme
Um sono leve e calmo... E sem roncar...
Por isso troco o silencio por riminhas,
Dessas riminhas de agradar anginhas...
O verso diz ser ter que pronunciar...
Mas se eu fosse fazer verso a cada saudade, guria,
Eu não parava mais de escrever poesia...
E ai sim, voce ia se cansar...
21.6.04
O Dia da Colheita
Versos para a ingratidão...
A colheita acabou. Não sobrou nada.
Um cheiro ácido. Um sabor estranho.
Um gosto cru de terra desmatada,
De agua pouca e ruim e imprópria ao banho.
E o que era a colheita planejada,
Safra multiplicada, lucro, ganho,
O tempo fez tornar-se terra amarga,
Deserto inominado e sem tamanho...
A colheita acabou. Restou o luto.
A folha seca no lugar do fruto,
E, no lugar do adubo, a folha morta...
A semente parecia tão bonita...
Mas era só casca... Mas era só fita...
Mas era só coisa feia e torta...
Versos para a ingratidão...
A colheita acabou. Não sobrou nada.
Um cheiro ácido. Um sabor estranho.
Um gosto cru de terra desmatada,
De agua pouca e ruim e imprópria ao banho.
E o que era a colheita planejada,
Safra multiplicada, lucro, ganho,
O tempo fez tornar-se terra amarga,
Deserto inominado e sem tamanho...
A colheita acabou. Restou o luto.
A folha seca no lugar do fruto,
E, no lugar do adubo, a folha morta...
A semente parecia tão bonita...
Mas era só casca... Mas era só fita...
Mas era só coisa feia e torta...
17.6.04
Oração pelas criancinhas
Pai do Céu, protegei os nossos filhos,
E os nossos netos, e os nossos sobrinhos,
E as criancinhas carentes de afetos,
E as criancinhas dos nossos vizinhos,
E as menininhas da Guatemala,
E os menininhos do Paquistão,
E as criancinhas filhas de ouro e gala,
E as criancinhas filhas do Alcorão,
Crianinhas pretas, brancas, amarelas,
Abençoai-as, Pai, e as das favelas,
E as que padecem nos Hospitais,
Abençoai, Senhor, as criancinhas,
As bem nascidas e as prematurinhas
E as que não sabem o que é ter paz.
Pai do Céu, protegei os nossos filhos,
E os nossos netos, e os nossos sobrinhos,
E as criancinhas carentes de afetos,
E as criancinhas dos nossos vizinhos,
E as menininhas da Guatemala,
E os menininhos do Paquistão,
E as criancinhas filhas de ouro e gala,
E as criancinhas filhas do Alcorão,
Crianinhas pretas, brancas, amarelas,
Abençoai-as, Pai, e as das favelas,
E as que padecem nos Hospitais,
Abençoai, Senhor, as criancinhas,
As bem nascidas e as prematurinhas
E as que não sabem o que é ter paz.
16.6.04
Dias assim
Os dias nublados parecem tristes.
Parecem dias que não tem cor.
As nuvens perdem os seus contrastes.
Olhar o céu perde seu sabor.
São tristes dias os de céu nublado.
São feitos de horas quase sem fim
Aonde o azul, quase acinzentado,
Parece pronunciar um nome ruim.
Por tão nublados, nem parecem dias.
Tempos propícios às ventanias.
Murmurios convidando à solidão.
Dias nublados parecem longe,
Lembrando um céu quando o céu se esconde
Dentro de gotas feitas de não...
Os dias nublados parecem tristes.
Parecem dias que não tem cor.
As nuvens perdem os seus contrastes.
Olhar o céu perde seu sabor.
São tristes dias os de céu nublado.
São feitos de horas quase sem fim
Aonde o azul, quase acinzentado,
Parece pronunciar um nome ruim.
Por tão nublados, nem parecem dias.
Tempos propícios às ventanias.
Murmurios convidando à solidão.
Dias nublados parecem longe,
Lembrando um céu quando o céu se esconde
Dentro de gotas feitas de não...
Sonetinho aos intolerantes...
A intolerancia assassinou Cristo.
Semente do holocausto nazista, a intolerancia morrerá um dia do próprio veneno...
Tem gente que não tolera poesia.
Tem gente que não tolera a coisa certa.
Tem gente que não tolera a luz do dia.
Tem gente que não tolera a casa aberta.
Tem gente que não tolera companhia.
Tem gente que não tolera a linha reta.
Tem gente que não tolera a própria cria.
Tem gente que não tolera a própria meta.
Tem gente que não tolera, então conspira.
Tem gente que não tolera, então atira.
Tem gente que não tolera, e discrimina.
Tem gente que não tolera e se condena.
Tem gente que não tolera e se envenena.
Tem gente que não tolera e se elimina.
A intolerancia assassinou Cristo.
Semente do holocausto nazista, a intolerancia morrerá um dia do próprio veneno...
Tem gente que não tolera poesia.
Tem gente que não tolera a coisa certa.
Tem gente que não tolera a luz do dia.
Tem gente que não tolera a casa aberta.
Tem gente que não tolera companhia.
Tem gente que não tolera a linha reta.
Tem gente que não tolera a própria cria.
Tem gente que não tolera a própria meta.
Tem gente que não tolera, então conspira.
Tem gente que não tolera, então atira.
Tem gente que não tolera, e discrimina.
Tem gente que não tolera e se condena.
Tem gente que não tolera e se envenena.
Tem gente que não tolera e se elimina.
15.6.04
7.6.04
Resposta à Rita
Ao ler o poema Versos para os urubus uma leitora, Rita, pergunta em seus comentários:
E será que vale a pena ter coração?!
E para que não fique sem resposta...
Não vale à pena ter coração.
Diz a razão que não vale à pena.
O coração é que é o grande senão
E ao mesmo tempo é como um poema:
É quase feito de fragilidade,
Depositário de coisa pequena,
Caminha com grande dificuldade
E passa a vida a nos causar problema.
Por isso, respondendo à sua razão
Para que conste no seu teorema:
Não vale à pena ter coração.
Mas ninguem é feliz pela razão.
Esse é o dilema.
A razão pode trazer conforto,
Um bem estar qualquer de coisa amena.
Felicidade não. Pois é. Que Pena.
O coração, por sua vez, é um azarão
Que chega de repente e rouba a cena.
Nenhuma razão imita
Essa simplicidade extrema:
O coração, por nunca ter razão,
Caminha acima do valer à pena.
Por isso é que valendo à pena ou não
Ainda que incomode a sua razão
O coração é lei que tem por lema
Permanecer além da conclusão,
Ser a condenação do que o condena,
Ser muito além dessa inutil discussão,
Pois se a razão condenou,
O coração
Foi quem tratou com perdão à Madalena.
Voce pergunta se vale a pena
Ter coração...
E eu te respondo em forma de poema:
Pode ser que valha não...
Mas cara Rita,
A razão sem coração
Parece coisa tão tola
E tão pequena...
Ao ler o poema Versos para os urubus uma leitora, Rita, pergunta em seus comentários:
E será que vale a pena ter coração?!
E para que não fique sem resposta...
Não vale à pena ter coração.
Diz a razão que não vale à pena.
O coração é que é o grande senão
E ao mesmo tempo é como um poema:
É quase feito de fragilidade,
Depositário de coisa pequena,
Caminha com grande dificuldade
E passa a vida a nos causar problema.
Por isso, respondendo à sua razão
Para que conste no seu teorema:
Não vale à pena ter coração.
Mas ninguem é feliz pela razão.
Esse é o dilema.
A razão pode trazer conforto,
Um bem estar qualquer de coisa amena.
Felicidade não. Pois é. Que Pena.
O coração, por sua vez, é um azarão
Que chega de repente e rouba a cena.
Nenhuma razão imita
Essa simplicidade extrema:
O coração, por nunca ter razão,
Caminha acima do valer à pena.
Por isso é que valendo à pena ou não
Ainda que incomode a sua razão
O coração é lei que tem por lema
Permanecer além da conclusão,
Ser a condenação do que o condena,
Ser muito além dessa inutil discussão,
Pois se a razão condenou,
O coração
Foi quem tratou com perdão à Madalena.
Voce pergunta se vale a pena
Ter coração...
E eu te respondo em forma de poema:
Pode ser que valha não...
Mas cara Rita,
A razão sem coração
Parece coisa tão tola
E tão pequena...
4.6.04
Versos para os urubus
I
Os urubus se alimentam de restos e sobras,
Pedaços de visceras, postas de mão,
Os urubus se contentam com partes e lascas,
Os urubus se contentam com podridão...
Procuram a matéria apodrecida e fria,
Procuram a matéria em decomposição,
Ou urubus preferem a porcaria,
Os urubus desprezam o coração...
E assim, vivendo de resto e posta,
Se alimentando do que ninguem gosta,
Os urubus e sua condição...
Buscam o resto, o infecto, o putrefeito,
Os urubus e seu soturno jeito,
Buscando o nojo. O perfeito não.
II
E o coração que os urubus recusam
Na sua vida de danação,
É o que escapa, e permanece intacto,
É o que resiste à degradação.
E o coração, intacto e recusado
Por não ser troço em decomposição,
Por não ser resto, por não ser lixo,
Por não ser musculo em putrefação,
Acaba por tornar-se um gem guardado,
O germen do futuro, preservado,
A resistencia, que é nunca em vão...
O coração do corpo destroçado.
O coração, tesouro resguardado.
Semente de esperança, o coração...
III
O coração que os urubus recusam.
O coração que permanece inteiro.
O coração, quase despercebido.
O coração, quase como um guerreiro.
O coração que os urubus ignoram.
O coração, presença diminuta.
O coração, morada dos que choram.
O coração e sua força absoluta.
O coração que os urubus nem sabem
Porque no peito de urubus nem cabem
O coração e a sua força imensa.
O coração, gigante adormecido,
Que é pelos urubus despercebido.
O coração que faz a diferença.
I
Os urubus se alimentam de restos e sobras,
Pedaços de visceras, postas de mão,
Os urubus se contentam com partes e lascas,
Os urubus se contentam com podridão...
Procuram a matéria apodrecida e fria,
Procuram a matéria em decomposição,
Ou urubus preferem a porcaria,
Os urubus desprezam o coração...
E assim, vivendo de resto e posta,
Se alimentando do que ninguem gosta,
Os urubus e sua condição...
Buscam o resto, o infecto, o putrefeito,
Os urubus e seu soturno jeito,
Buscando o nojo. O perfeito não.
II
E o coração que os urubus recusam
Na sua vida de danação,
É o que escapa, e permanece intacto,
É o que resiste à degradação.
E o coração, intacto e recusado
Por não ser troço em decomposição,
Por não ser resto, por não ser lixo,
Por não ser musculo em putrefação,
Acaba por tornar-se um gem guardado,
O germen do futuro, preservado,
A resistencia, que é nunca em vão...
O coração do corpo destroçado.
O coração, tesouro resguardado.
Semente de esperança, o coração...
III
O coração que os urubus recusam.
O coração que permanece inteiro.
O coração, quase despercebido.
O coração, quase como um guerreiro.
O coração que os urubus ignoram.
O coração, presença diminuta.
O coração, morada dos que choram.
O coração e sua força absoluta.
O coração que os urubus nem sabem
Porque no peito de urubus nem cabem
O coração e a sua força imensa.
O coração, gigante adormecido,
Que é pelos urubus despercebido.
O coração que faz a diferença.
A Felicidade que nunca cessa...
A minha felicidade escapa à toa...
Escapa à toa e permanece em mim
Assim como é a Fonte de água boa,
Como é o sol... Mais ou menos assim...
A minha felicidade escapa e fica,
E cada vez que escapa, aumenta mais...
Como a bactéria que se multiplica,
Do jeito como quando escapa o gás...
Feito um esguicho de chafariz,
A felicidade que me faz feliz
Do mesmo modo faz feliz quem me rodeia...
Felicidade que escapa e permanece,
Do mesmo modo que é o poder da prece,
Da mesma forma que a Lua Cheia...
A minha felicidade escapa à toa...
Escapa à toa e permanece em mim
Assim como é a Fonte de água boa,
Como é o sol... Mais ou menos assim...
A minha felicidade escapa e fica,
E cada vez que escapa, aumenta mais...
Como a bactéria que se multiplica,
Do jeito como quando escapa o gás...
Feito um esguicho de chafariz,
A felicidade que me faz feliz
Do mesmo modo faz feliz quem me rodeia...
Felicidade que escapa e permanece,
Do mesmo modo que é o poder da prece,
Da mesma forma que a Lua Cheia...
2.6.04
Oração pelas fofoqueiras
Há os que trabalham em Hospitais e passam seu tempo trabalhando.
E há os que não tem ou não sabem o que ou como fazer e passam seu tempo fofocando...
Senhor,
Abençoai o Corpo de Enfermagem,
Dai luz às faxineiras e às copeiras,
Cuidai dos funcionários da Triagem
Mas dai um jeito nas fofoqueiras...
Guiai, Senhor, nossos motoristas,
Curai os abcessos e as frieiras,
Abençoai as nossas Nutricionistas
Mas dai um jeito nas fofoqueiras...
Iluminai nossos Diretores,
Guiai a mão dos nossos Doutores,
Evitai brigas e choradeiras...
E protegei nossos pacientes,
Cuidai da ira dos descontentes
Mas dai um jeito nas fofoqueiras...
Amém...
Há os que trabalham em Hospitais e passam seu tempo trabalhando.
E há os que não tem ou não sabem o que ou como fazer e passam seu tempo fofocando...
Senhor,
Abençoai o Corpo de Enfermagem,
Dai luz às faxineiras e às copeiras,
Cuidai dos funcionários da Triagem
Mas dai um jeito nas fofoqueiras...
Guiai, Senhor, nossos motoristas,
Curai os abcessos e as frieiras,
Abençoai as nossas Nutricionistas
Mas dai um jeito nas fofoqueiras...
Iluminai nossos Diretores,
Guiai a mão dos nossos Doutores,
Evitai brigas e choradeiras...
E protegei nossos pacientes,
Cuidai da ira dos descontentes
Mas dai um jeito nas fofoqueiras...
Amém...
31.5.04
A Greve
Dedicado à paralisação dos Setores de Emergencia da Prefeitura de Campos em 26/05/2004
A greve não é sinonimo de rebeldia.
Não pode ser confundida com agressão,
Nem com desrespeito para com a Chefia,
Nem com insulto ou insubordinação...
A greve não é sinonimo de anarquia.
Não pode ser tomada como agitação.
Não é desmando a greve. E nem folia.
E nem pecado. E nem má intenção.
A greve é o escudo do atingido,
A voz de quem se quer fazer ouvido
Pelo Prefeito, pelo Patrão...
É o engasgo do sapo na garganta.
É a internação quando a injeção já não adianta.
É por um pé prá fora da prisão.
Dedicado à paralisação dos Setores de Emergencia da Prefeitura de Campos em 26/05/2004
A greve não é sinonimo de rebeldia.
Não pode ser confundida com agressão,
Nem com desrespeito para com a Chefia,
Nem com insulto ou insubordinação...
A greve não é sinonimo de anarquia.
Não pode ser tomada como agitação.
Não é desmando a greve. E nem folia.
E nem pecado. E nem má intenção.
A greve é o escudo do atingido,
A voz de quem se quer fazer ouvido
Pelo Prefeito, pelo Patrão...
É o engasgo do sapo na garganta.
É a internação quando a injeção já não adianta.
É por um pé prá fora da prisão.
10.5.04
A Primeira vez que um Anjo me tocou...
À minha Mãe Hilda, no seu dia...
A primeira vez que um Anjo me tocou
Eu nem notei quando falou: Meu filho...
Eu senti fome: me amamentou...
Eu senti sono: o Anjo me abraçou...
E me aqueceu quando eu senti frio...
A primeira vez que um Anjo me tocou
Eu nem notei o Anjo cuidar de mim...
Me acompanhou nos deveres da Escola,
E me ensinou a tocar cantarola
E a suportar o temporal ruim...
A primeira vez que um Anjo me tocou
Nem reparei na sua delicadeza
Capaz de me contar, feito párabolas,
Estórias, contos, poesias, fábulas
E os misterios sem fim da Natureza...
A primeira vez que um Anjo me tocou
Eu nem observei seu braço forte
Reinventando o curso dos rios,
Iluminando os dias mais sombrios
E me ajudando a escapar da morte...
A primeira vez que um Anjo me tocou
Eu não notei ter sido tocado...
Mas, desde então, quando há ventania,
Eu uso o vento pra fazer poesia
E o Anjo fica sempre do meu lado...
A primeira vez que um Anjo me tocou
Eu recebi desse Anjo a minha vida...
E hoje, quase velho e já cansado,
Ainda sinto o seu toque encantado
Cicatrizando a minha ferida...
A primeira vez que um Anjo me tocou
Foi de uma forma definitiva...
E desde então o Anjo em meu caminho...
E desde então o Anjo e seu carinho...
E desde então o Anjo em minha vida...
À minha Mãe Hilda, no seu dia...
A primeira vez que um Anjo me tocou
Eu nem notei quando falou: Meu filho...
Eu senti fome: me amamentou...
Eu senti sono: o Anjo me abraçou...
E me aqueceu quando eu senti frio...
A primeira vez que um Anjo me tocou
Eu nem notei o Anjo cuidar de mim...
Me acompanhou nos deveres da Escola,
E me ensinou a tocar cantarola
E a suportar o temporal ruim...
A primeira vez que um Anjo me tocou
Nem reparei na sua delicadeza
Capaz de me contar, feito párabolas,
Estórias, contos, poesias, fábulas
E os misterios sem fim da Natureza...
A primeira vez que um Anjo me tocou
Eu nem observei seu braço forte
Reinventando o curso dos rios,
Iluminando os dias mais sombrios
E me ajudando a escapar da morte...
A primeira vez que um Anjo me tocou
Eu não notei ter sido tocado...
Mas, desde então, quando há ventania,
Eu uso o vento pra fazer poesia
E o Anjo fica sempre do meu lado...
A primeira vez que um Anjo me tocou
Eu recebi desse Anjo a minha vida...
E hoje, quase velho e já cansado,
Ainda sinto o seu toque encantado
Cicatrizando a minha ferida...
A primeira vez que um Anjo me tocou
Foi de uma forma definitiva...
E desde então o Anjo em meu caminho...
E desde então o Anjo e seu carinho...
E desde então o Anjo em minha vida...
8.5.04
Ainda sobre a Felicidade...
Sobre um poema escrito para /anginhaa
A Felicidade é um chafariz distante
Onde alguns poucos vão se molhar...
É um doce inteiro feito para os Anjos
Que Deus nos permitiu experimentar...
É uma raspinha da perfeição...
Gole do bule de bem-estar...
É aonde quer chegar o coração...
É onde o amor resolveu morar...
Às vezes nem precisa motivos pra ser...
Às vezes chega perto sem dizer...
Às vezes faz a gente descansar...
A Felicidade... Tão procurada...
Tão poucas vezes identificada...
Tão evidente em todo lugar...
Sobre um poema escrito para /anginhaa
A Felicidade é um chafariz distante
Onde alguns poucos vão se molhar...
É um doce inteiro feito para os Anjos
Que Deus nos permitiu experimentar...
É uma raspinha da perfeição...
Gole do bule de bem-estar...
É aonde quer chegar o coração...
É onde o amor resolveu morar...
Às vezes nem precisa motivos pra ser...
Às vezes chega perto sem dizer...
Às vezes faz a gente descansar...
A Felicidade... Tão procurada...
Tão poucas vezes identificada...
Tão evidente em todo lugar...
4.5.04
26.4.04
A Palavra vã
Quando a palavra perde o sentido
E torna-se palavra sem valor,
É como um verso, quando esquecido,
Canção que já não canta o trovador..
Quando as palavras perdem verdade
E já não tocam seu coração
Por não trazerem sinceridade
E por dizerem sim querendo não,
Busca, em seu coração, seu dicionário...
Faz uma cata em seu vocabulário...
Outras palavras virão te visitar
Mais delicadas, mais convincentes,
E a carencia que há na alma dos carentes
Essas novas palavras vão curar...
Quando a palavra perde o sentido
E torna-se palavra sem valor,
É como um verso, quando esquecido,
Canção que já não canta o trovador..
Quando as palavras perdem verdade
E já não tocam seu coração
Por não trazerem sinceridade
E por dizerem sim querendo não,
Busca, em seu coração, seu dicionário...
Faz uma cata em seu vocabulário...
Outras palavras virão te visitar
Mais delicadas, mais convincentes,
E a carencia que há na alma dos carentes
Essas novas palavras vão curar...
23.4.04
Essencial
Para www.fotolog.net/monikabreu que postou em seu flog um lindo beijo que recebeu de seu amigo Vinicius
O poema foi meu comment.
Amigo é coisa pra se guardar
Do lado esquerdo do peito
Mas se guardar do lado direito
Também tá perfeito...
Amigo é coisa pra se postar...
Não parar pra reparar se tem defeito...
Amigo é coisa pra se beijar
De um jeito
De não ter como negar...
Amigo é coisa pra se guardar...
Coisa pra se preservar...
Coisa pra sempre se ver...
As vezes chove,
As vezes faz sol,
As vezes relampeja pra valer...
Mas um amigo faz sempre,
E não as vezes...
Amigo é a melhor coisa de se ter...
Para www.fotolog.net/monikabreu que postou em seu flog um lindo beijo que recebeu de seu amigo Vinicius
O poema foi meu comment.
Amigo é coisa pra se guardar
Do lado esquerdo do peito
Mas se guardar do lado direito
Também tá perfeito...
Amigo é coisa pra se postar...
Não parar pra reparar se tem defeito...
Amigo é coisa pra se beijar
De um jeito
De não ter como negar...
Amigo é coisa pra se guardar...
Coisa pra se preservar...
Coisa pra sempre se ver...
As vezes chove,
As vezes faz sol,
As vezes relampeja pra valer...
Mas um amigo faz sempre,
E não as vezes...
Amigo é a melhor coisa de se ter...
A Derrota
Não há derrota em cair ferido...
Não há derrota em tombar, decapitado...
Não há derrota em ter sido subtraido,
Esquartejado, morto, bombardeado...
Não há derrota em ter sido traido...
Nem é derrota ter sido crucificado...
Não é derrota ter sido substituido
Ou, na camara de gás, envenenado...
Derrota é a vitória sem sentido.
É o espirito de vingança do atingido.
É o louro adquirido com o pecado.
É o ódio que habita o coração doído.
É não se conformar por ter perdido.
É não saber ter sido derrotado
Não há derrota em cair ferido...
Não há derrota em tombar, decapitado...
Não há derrota em ter sido subtraido,
Esquartejado, morto, bombardeado...
Não há derrota em ter sido traido...
Nem é derrota ter sido crucificado...
Não é derrota ter sido substituido
Ou, na camara de gás, envenenado...
Derrota é a vitória sem sentido.
É o espirito de vingança do atingido.
É o louro adquirido com o pecado.
É o ódio que habita o coração doído.
É não se conformar por ter perdido.
É não saber ter sido derrotado
13.4.04
31.3.04
A Vaga
Cheguei ao Hospital de manhã cedo.
Tentei estacionar: mas que suplicio...
Encontrar vaga pra parar, que enredo...
Questão de sorte. Quase um sacrificio.
Quatro milhões de carros amontoados
De todas as maneiras pelo chão...
Quatorze fuscas enfileirados
Em frente a um Audi... Que situação...
Doze ambulancias comunitárias,
Outras dezoito da Prefeitura,
Imensa movimentação diária,
Um alvoroço sem noção nem cura...
Tentei, no entanto, seguir meu caminho,
Achar a vaga tão desejada
Pra não ter que parar o meu carrinho
Do outro lado da rua, na calçada...
Que sorte grande: bem na minha frente
A vaga... A vaga... Cheguei primeiro...
Mas esse mundo de Deus é incoerente:
Perdi a vaga para um Enfermeiro...
Mais adiante uma outra vaga havia
Em frente à Emergencia do Hospital.
Tentei. Corri. Mas... Pura ironia...
Tomou-a uma Assistente Social...
Mas era meu dia de sorte e mais adiante
A vaga que eu pedi a Deus... Porreta!!!
Mas que situação decepcionante:
Perdi a vaga pruma fisioterapeuta...
Uma outra vaga ali... Que coisa boa...
Ja imaginava o fim desse monólogo...
Mas isso estressa qualquer pessoa:
Perder a vaga para um Psicólogo...
Dei mais um giro... Tudo lotado...
Mas de repente, não mais que de repente,
Aquela ali... Mas algo deu errado...
Perdi a vaga pro meu paciente...
Mas não desisto fácil. Fui seguindo.
Incorporei Cabral e: Vaga a vista!!!!
E quando eu tava quase conseguindo
Perdi a vaga pruma Nutricionista...
Outra pro Segurança, pro Copeiro,
Pro Academico, pro Administrador,
Pra todo mundo, pro mundo inteiro,
Pro Cozinheiro, pro Padre, pro Pastor...
E quando eu tava quase desistindo
De achar lugar pra estacionar,
Quando eu já tava quase me sentindo
Um sem vaga, e meu carro, um sem lugar,
Muita calma nessa hora, eu ponderei...
Quem sabe dessa vez ela aparece...
Cincoenta e cinco voltas depois cansei...
Estacionar aqui ninguem merece...
Uma hora e meia... O tanque já sem saldo...
Decidi, atrasado e quase morto:
Ou uso a vaga do Doutor Geraldo
Ou vou estacionar no heliporto...
Cheguei ao Hospital de manhã cedo.
Tentei estacionar: mas que suplicio...
Encontrar vaga pra parar, que enredo...
Questão de sorte. Quase um sacrificio.
Quatro milhões de carros amontoados
De todas as maneiras pelo chão...
Quatorze fuscas enfileirados
Em frente a um Audi... Que situação...
Doze ambulancias comunitárias,
Outras dezoito da Prefeitura,
Imensa movimentação diária,
Um alvoroço sem noção nem cura...
Tentei, no entanto, seguir meu caminho,
Achar a vaga tão desejada
Pra não ter que parar o meu carrinho
Do outro lado da rua, na calçada...
Que sorte grande: bem na minha frente
A vaga... A vaga... Cheguei primeiro...
Mas esse mundo de Deus é incoerente:
Perdi a vaga para um Enfermeiro...
Mais adiante uma outra vaga havia
Em frente à Emergencia do Hospital.
Tentei. Corri. Mas... Pura ironia...
Tomou-a uma Assistente Social...
Mas era meu dia de sorte e mais adiante
A vaga que eu pedi a Deus... Porreta!!!
Mas que situação decepcionante:
Perdi a vaga pruma fisioterapeuta...
Uma outra vaga ali... Que coisa boa...
Ja imaginava o fim desse monólogo...
Mas isso estressa qualquer pessoa:
Perder a vaga para um Psicólogo...
Dei mais um giro... Tudo lotado...
Mas de repente, não mais que de repente,
Aquela ali... Mas algo deu errado...
Perdi a vaga pro meu paciente...
Mas não desisto fácil. Fui seguindo.
Incorporei Cabral e: Vaga a vista!!!!
E quando eu tava quase conseguindo
Perdi a vaga pruma Nutricionista...
Outra pro Segurança, pro Copeiro,
Pro Academico, pro Administrador,
Pra todo mundo, pro mundo inteiro,
Pro Cozinheiro, pro Padre, pro Pastor...
E quando eu tava quase desistindo
De achar lugar pra estacionar,
Quando eu já tava quase me sentindo
Um sem vaga, e meu carro, um sem lugar,
Muita calma nessa hora, eu ponderei...
Quem sabe dessa vez ela aparece...
Cincoenta e cinco voltas depois cansei...
Estacionar aqui ninguem merece...
Uma hora e meia... O tanque já sem saldo...
Decidi, atrasado e quase morto:
Ou uso a vaga do Doutor Geraldo
Ou vou estacionar no heliporto...
28.3.04
O Silencio
À todos os prematuros que nos deixam mais sozinhos...
Agora só o silencio ocupa o espaço
Aonde o bebê prematuro agonizava,
Como se fosse o sono de um cansaço,
Um verso inteiro escrito sem palavra...
Agora só o silencio, absoluto
Aonde tudo em torno se agitava...
Silencio castigante. O som do luto.
O sofrimento quando se calava.
Ventilação, ambu, adrenalina,
Laringoscópio, tubo, dopamina...
Os convidados para a despedida...
Agora só o silencio. O resto cessa.
Já não há correria. Não há pressa.
Silencio onde ainda há pouco havia vida...
À todos os prematuros que nos deixam mais sozinhos...
Agora só o silencio ocupa o espaço
Aonde o bebê prematuro agonizava,
Como se fosse o sono de um cansaço,
Um verso inteiro escrito sem palavra...
Agora só o silencio, absoluto
Aonde tudo em torno se agitava...
Silencio castigante. O som do luto.
O sofrimento quando se calava.
Ventilação, ambu, adrenalina,
Laringoscópio, tubo, dopamina...
Os convidados para a despedida...
Agora só o silencio. O resto cessa.
Já não há correria. Não há pressa.
Silencio onde ainda há pouco havia vida...
23.3.04
Os Anjos Moram Em Santa Maria, RS
Para Carlinha
A cada dia um carinho, uma mensagem,
um mail, um verso, uma palavra boa...
E pouco a pouco aquela sua imagem
Vai se tornando pra mim outra pessoa...
Um anjo que encontrei no meu caminho
Como eu pensei que nunca ia encontrar...
Um anjo que me trata com carinho
Como faz tempo ninguem vem me tratar...
Santa Maria... Porque tão distante?
Não podia ser logo ali adiante?
Porque tão longe, anjinho, sua morada?
Deve ser porque os anjos moram
Onde os meus pensamentos nunca choram...
Um beijo, anjinho. Um beijo. E só. Mais nada.
Para Carlinha
Que sem saber foi ficando meu anjo
E sem saber mora em meu coração.
Para Carlinha esse soneto tolo.
E meu carinho. E minha saudade.
E uma vontade de beber um chimarrão...
Para Carlinha
A cada dia um carinho, uma mensagem,
um mail, um verso, uma palavra boa...
E pouco a pouco aquela sua imagem
Vai se tornando pra mim outra pessoa...
Um anjo que encontrei no meu caminho
Como eu pensei que nunca ia encontrar...
Um anjo que me trata com carinho
Como faz tempo ninguem vem me tratar...
Santa Maria... Porque tão distante?
Não podia ser logo ali adiante?
Porque tão longe, anjinho, sua morada?
Deve ser porque os anjos moram
Onde os meus pensamentos nunca choram...
Um beijo, anjinho. Um beijo. E só. Mais nada.
Para Carlinha
Que sem saber foi ficando meu anjo
E sem saber mora em meu coração.
Para Carlinha esse soneto tolo.
E meu carinho. E minha saudade.
E uma vontade de beber um chimarrão...
21.3.04
Falando do Amor
De uma carta para Carlinha, linda amiga...
Eu te diria que eu não soube amar
Nem conservar o amor que eu conquistei.
Por conta disso eu me perdi num mar
De desamor... Foi quando eu me afoguei...
E acrescentaria: eu tentei me salvar.
E ao tentar salvar-me, eu me enganei.
Eu juro que eu tentei, sem descansar,
Salvar meu coração... Como eu tentei...
Confessaria que eu não soube. Eu fui
Feito um balão que se perdeu no espaço,
Um pássaro sem asas prá voar...
Feito um Castelo à beira-mar que rui,
Feito um desenho resumido a um traço,
Feito uma carta de ninguém mandar...
De uma carta para Carlinha, linda amiga...
Eu te diria que eu não soube amar
Nem conservar o amor que eu conquistei.
Por conta disso eu me perdi num mar
De desamor... Foi quando eu me afoguei...
E acrescentaria: eu tentei me salvar.
E ao tentar salvar-me, eu me enganei.
Eu juro que eu tentei, sem descansar,
Salvar meu coração... Como eu tentei...
Confessaria que eu não soube. Eu fui
Feito um balão que se perdeu no espaço,
Um pássaro sem asas prá voar...
Feito um Castelo à beira-mar que rui,
Feito um desenho resumido a um traço,
Feito uma carta de ninguém mandar...
14.3.04
Um poema para o Dia Nacional da Poesia
Em 1847, 14 de Março, nasceu Antonio de Castro Alves, o Poeta dos Escravos.
O Dia 14 de março é o Dia Nacional da Poesia.
À Castro Alves, poeta imortal e sempre presente em minha vida...
Um poema para o Dia
Nacional da Poesia
Chamando a rima suave
Para a nossa companhia,
Trazendo a letra caliente
Para a nossa vida fria,
Infusão deliciosa
De cor e perfumaria...
Um poema para o Dia
Nacional da Poesia
Que secasse os malfeitores
E abolisse a hipocrisia,
Desmascarasse os falsários,
Que tombasse a dinastia
Do larápio que roubou
Nossa alegria...
Um poema para o Dia
Nacional da Poesia
Tecido com rima leve,
Sutil feito um fio guia,
Oásis de letra boa,
Recarga prá alma vazia,
Repouso para a cansada,
Sabor prá monotonia...
Um poema para o Dia
Nacional da Poesia...
Um poema... Ah, se eu soubesse
Eu tentaria...
Em 1847, 14 de Março, nasceu Antonio de Castro Alves, o Poeta dos Escravos.
O Dia 14 de março é o Dia Nacional da Poesia.
À Castro Alves, poeta imortal e sempre presente em minha vida...
Um poema para o Dia
Nacional da Poesia
Chamando a rima suave
Para a nossa companhia,
Trazendo a letra caliente
Para a nossa vida fria,
Infusão deliciosa
De cor e perfumaria...
Um poema para o Dia
Nacional da Poesia
Que secasse os malfeitores
E abolisse a hipocrisia,
Desmascarasse os falsários,
Que tombasse a dinastia
Do larápio que roubou
Nossa alegria...
Um poema para o Dia
Nacional da Poesia
Tecido com rima leve,
Sutil feito um fio guia,
Oásis de letra boa,
Recarga prá alma vazia,
Repouso para a cansada,
Sabor prá monotonia...
Um poema para o Dia
Nacional da Poesia...
Um poema... Ah, se eu soubesse
Eu tentaria...
10.3.04
A Prematuridade
Aos meus prematurinhos registrados em www.fotolog.net/oprematuro, aos som de Aguas de Março.
O olhar capaz
De julga-la incapaz
Por tão somente
Ver nela os sinais
De delicadeza
E fragilidade,
Deixa escapar,
Por olhar sem olhar,
E de perceber
O que há de melhor
Na prematuridade:
O gigante escondido
Em corpo frágil,
A persistencia
Ante a desolação,
A Resistencia,
A vontade,
O banho de animo
E a promessa de vida
Que mora
Em seu coração...
Aos meus prematurinhos registrados em www.fotolog.net/oprematuro, aos som de Aguas de Março.
O olhar capaz
De julga-la incapaz
Por tão somente
Ver nela os sinais
De delicadeza
E fragilidade,
Deixa escapar,
Por olhar sem olhar,
E de perceber
O que há de melhor
Na prematuridade:
O gigante escondido
Em corpo frágil,
A persistencia
Ante a desolação,
A Resistencia,
A vontade,
O banho de animo
E a promessa de vida
Que mora
Em seu coração...
7.3.04
O Poema impedivel
Não peça que eu escreva nenhum verso.
Eu nunca escrevo verso. É o coração
Que tem a idéia e me traz a letra
E põe a letra pronta em minha mão...
Por isso, não... Não peça... Eu não escrevo...
Adoraria. Mas não sei não.
É o coração quem colhe a palavra
E tece a rima feito um artesão...
E quando ele se cala, e não diz nada,
E a poesia queda calada,
E faz silencio como quem termina,
É que a palavra, quando gestada,
Simula o som sutil da madrugada
Preparando a manhã que se aproxima...
Por isso não espere que eu escreva.
Eu não escrevo nada. É impressão.
Quem tem a idéia e burila a letra
E prepara o verso é meu coração...
Não peça que eu escreva nenhum verso.
Eu nunca escrevo verso. É o coração
Que tem a idéia e me traz a letra
E põe a letra pronta em minha mão...
Por isso, não... Não peça... Eu não escrevo...
Adoraria. Mas não sei não.
É o coração quem colhe a palavra
E tece a rima feito um artesão...
E quando ele se cala, e não diz nada,
E a poesia queda calada,
E faz silencio como quem termina,
É que a palavra, quando gestada,
Simula o som sutil da madrugada
Preparando a manhã que se aproxima...
Por isso não espere que eu escreva.
Eu não escrevo nada. É impressão.
Quem tem a idéia e burila a letra
E prepara o verso é meu coração...
5.3.04
Saudade
Para Tahiana Fernandes
A saudade é assim:
A gente sente,
Ela aumenta.
A gente esquece,
Ela passa.
E quando a gente finge que não lembra
Ela persiste, oculta, feito traça.
Saudade.
Que traz presente quem vai distante.
Balde gigante onde cabe o mundo inteiro...
Por conta da saudade
Estar alhures
É como estar no Rio de Janeiro.
Para Tahiana Fernandes
A saudade é assim:
A gente sente,
Ela aumenta.
A gente esquece,
Ela passa.
E quando a gente finge que não lembra
Ela persiste, oculta, feito traça.
Saudade.
Que traz presente quem vai distante.
Balde gigante onde cabe o mundo inteiro...
Por conta da saudade
Estar alhures
É como estar no Rio de Janeiro.
13.2.04
A Minha Cidade
Escrito em um Cyber Cafe de Buenos Aires durante a visita a uma foto da minha cidade postada hoje em http://www.fotolog.net/cityflashes
A minha cidade parece cansada...
Parece que se cai, desiludia...
Resiste, mas parece abandonada...
Parece morta, mas ainda tem vida...
A minha cidade parece esvaziada...
Parece uma cidadela perdida...
Nao morre, mas parece anemiada...
E dorme, feito a Bela Adormecida...
Escrito em um Cyber Cafe de Buenos Aires durante a visita a uma foto da minha cidade postada hoje em http://www.fotolog.net/cityflashes
A minha cidade parece cansada...
Parece que se cai, desiludia...
Resiste, mas parece abandonada...
Parece morta, mas ainda tem vida...
A minha cidade parece esvaziada...
Parece uma cidadela perdida...
Nao morre, mas parece anemiada...
E dorme, feito a Bela Adormecida...
7.2.04
Há coisas que a gente só vê por aqui.
Ou
Há uma balança escondida dentro do banheiro do consultório de pediatria do HGG.
Já vi champanhe saindo do chuveiro,
Chover o ano inteiro no sertão,
Já vi comendador virar padeiro,
Soldado raso virar capitão,
Vi lanterninha chegar primeiro,
Muito reserva golear timão,
Mas esconder balança no banheiro
Eu juro, eu nunca tinha visto não...
Já vi até perfume perder cheiro,
Já vi bicheiro dentro da prisão,
Muito político distribuir dinheiro,
Muito pastor vendendo salvação,
Vi muito bom aluno baderneiro,
Muito inventor vender sua invenção,
Mas esconder balança no banheiro
Eu juro, eu nunca tinha visto não...
Já vi bastante amigo interesseiro,
Muito dinheiro virar tostão,
Já vi chutinho enganar goleiro,
Muito atrilheiro chutar o chão,
Incendiário vestido de bombeiro
E muito pit-bull lamber sabão...
Mas esconder balança no banheiro
Eu juro, eu nunca tinha visto não...
Paulista tirar sarro de Mineiro,
Baiano fazer pose de machão,
Gaúcho andar no Rio de Janeiro
Com sua bombacha e bebendo chimarrão,
Machão virar dondoca em fevereiro
E Marinheiro virando a mão,
Mas esconder balança no banheiro
Eu juro, eu nunca tinha visto não...
Eu já vi Bush ao sol de Varadero,
Fidel bebendo Coca no Japão,
Sadam Houssaim saindo de um bueiro,
Bin Laden pilotando um avião,
Eu já vi Jackson tocar pandeiro,
Bill Gates inventar um programão,
Mas esconder balança no banheiro
Eu juro, eu nunca tinha visto não...
Ou
Há uma balança escondida dentro do banheiro do consultório de pediatria do HGG.
Já vi champanhe saindo do chuveiro,
Chover o ano inteiro no sertão,
Já vi comendador virar padeiro,
Soldado raso virar capitão,
Vi lanterninha chegar primeiro,
Muito reserva golear timão,
Mas esconder balança no banheiro
Eu juro, eu nunca tinha visto não...
Já vi até perfume perder cheiro,
Já vi bicheiro dentro da prisão,
Muito político distribuir dinheiro,
Muito pastor vendendo salvação,
Vi muito bom aluno baderneiro,
Muito inventor vender sua invenção,
Mas esconder balança no banheiro
Eu juro, eu nunca tinha visto não...
Já vi bastante amigo interesseiro,
Muito dinheiro virar tostão,
Já vi chutinho enganar goleiro,
Muito atrilheiro chutar o chão,
Incendiário vestido de bombeiro
E muito pit-bull lamber sabão...
Mas esconder balança no banheiro
Eu juro, eu nunca tinha visto não...
Paulista tirar sarro de Mineiro,
Baiano fazer pose de machão,
Gaúcho andar no Rio de Janeiro
Com sua bombacha e bebendo chimarrão,
Machão virar dondoca em fevereiro
E Marinheiro virando a mão,
Mas esconder balança no banheiro
Eu juro, eu nunca tinha visto não...
Eu já vi Bush ao sol de Varadero,
Fidel bebendo Coca no Japão,
Sadam Houssaim saindo de um bueiro,
Bin Laden pilotando um avião,
Eu já vi Jackson tocar pandeiro,
Bill Gates inventar um programão,
Mas esconder balança no banheiro
Eu juro, eu nunca tinha visto não...
6.2.04
Tá errado
Manifesto contra a obrigatoriedade do relógio de ponto para os médicos da Emergencia do Hospital de Guarus.
Eu não aceito. Isso é um boi na pista.
Eu vou marcar porque não sou lesado.
Mas vigiar ponto de socorrista
Tá errado, ta errado, ta errado...
Eu nunca fui contra a obediencia
E isso não me faz um desmiolado,
Mas marcar ponto estando na Emergencia
Tá errado, tá errado, tá errado...
Ordens são ordens. Se estabelecidas
Têm mais que se fazerem obedecidas,
E desobedece-las é pecado...
Eu obedeço. Não sou leviano.
Mas o relógio de ponto é desumano.
E tá errado, tá errado, tá errado...
Manifesto contra a obrigatoriedade do relógio de ponto para os médicos da Emergencia do Hospital de Guarus.
Eu não aceito. Isso é um boi na pista.
Eu vou marcar porque não sou lesado.
Mas vigiar ponto de socorrista
Tá errado, ta errado, ta errado...
Eu nunca fui contra a obediencia
E isso não me faz um desmiolado,
Mas marcar ponto estando na Emergencia
Tá errado, tá errado, tá errado...
Ordens são ordens. Se estabelecidas
Têm mais que se fazerem obedecidas,
E desobedece-las é pecado...
Eu obedeço. Não sou leviano.
Mas o relógio de ponto é desumano.
E tá errado, tá errado, tá errado...
5.2.04
Essencial
A poesia não serve prá nada...
Não tem nenhum valor a poesia...
Mas dizem que lutou na Nicarágua
E derrubou um Rei na Alexandria...
Puro capricho. Palavra aguada.
Coisa miuda de pouco valor.
Mas eu ouvi da boca de uma escrava:
Foi o poema quem me libertou...
A poesia: jogo de palavra,
Brinquedo bom com que Drummond brincava.
Mais quase nada. Pura alegoria.
Mas dizem que Bandeira embelezou-a,
Ouvi alguns chamando-a de Pessoa...
Ah... Eu não sei viver sem poesia...
A poesia não serve prá nada...
Não tem nenhum valor a poesia...
Mas dizem que lutou na Nicarágua
E derrubou um Rei na Alexandria...
Puro capricho. Palavra aguada.
Coisa miuda de pouco valor.
Mas eu ouvi da boca de uma escrava:
Foi o poema quem me libertou...
A poesia: jogo de palavra,
Brinquedo bom com que Drummond brincava.
Mais quase nada. Pura alegoria.
Mas dizem que Bandeira embelezou-a,
Ouvi alguns chamando-a de Pessoa...
Ah... Eu não sei viver sem poesia...
4.2.04
A poesia não serve prá nada
A poesia não serve prá nada.
Não tem nenhum valor a poesia.
É feito gnomo, gelfo, duende... É feito fada...
Coisa do mundo da fantasia.
A poesia não serve prá nada.
É só palavra formando rima.
É coisa de garota apaixonada.
Rabisco de caderno de menina...
A poesia não serve prá nada.
Só prá namorada, madrugada,
Lua, criança, distração, mania...
A poesia não serve pra nada...
É feito folha desidratada...
Mas eu não sei viver sem poesia...
A poesia não serve prá nada.
Não tem nenhum valor a poesia.
É feito gnomo, gelfo, duende... É feito fada...
Coisa do mundo da fantasia.
A poesia não serve prá nada.
É só palavra formando rima.
É coisa de garota apaixonada.
Rabisco de caderno de menina...
A poesia não serve prá nada.
Só prá namorada, madrugada,
Lua, criança, distração, mania...
A poesia não serve pra nada...
É feito folha desidratada...
Mas eu não sei viver sem poesia...
Seguindo a vida
Eu não sei porque voce foi embora...
Porque partiu assim da minha vida...
Fez como alguem quando joga fora
O pouco resto da maçã mordida...
Eu não sei porque voce foi um dia...
Porque não quis ficar com meu carinho...
Porque deixou minha companhia...
Me desprezou no meio do caminho...
Tanta entrega deixou voce cansada?
Não sei... Voce não disse nada...
Seguiu seu rumo como bem quis...
Não sei porque, mas voce foi embora...
Desde então sou quem epera a hora
Que é de reaprender a ser feliz...
Eu não sei porque voce foi embora...
Porque partiu assim da minha vida...
Fez como alguem quando joga fora
O pouco resto da maçã mordida...
Eu não sei porque voce foi um dia...
Porque não quis ficar com meu carinho...
Porque deixou minha companhia...
Me desprezou no meio do caminho...
Tanta entrega deixou voce cansada?
Não sei... Voce não disse nada...
Seguiu seu rumo como bem quis...
Não sei porque, mas voce foi embora...
Desde então sou quem epera a hora
Que é de reaprender a ser feliz...
1.2.04
A Segunda Vez que eu Vi um Anjo
Para Beta
www.fotolog.net/botan
A segunda vez que eu vi um anjo
Eu não sabia: era real ou sonho...
Tinha os cabelos avermelhados...
Tinha um olhar, eu percebi, tristonho...
A segunda vez que eu vi um anjo
Eu nem acreditei: ela existia...
Tinha um olhar delicado... Um jeito manso...
Parecia poesia...
A segunda vez... E eu nem imaginava
Que anjo agora fotologava
Fazendo poses cheias de charminho...
A segunda vez... E eu quase me assustei...
Foi heresia, mas eu pensei:
Eita, pedaço de mal caminho...
Para Beta com carinho.
A Primeira vez que eu vi um anjo é o nome de um poema que dediquei a meu irmão em www.quasepoesia.blogspot.com
Para Beta
www.fotolog.net/botan
A segunda vez que eu vi um anjo
Eu não sabia: era real ou sonho...
Tinha os cabelos avermelhados...
Tinha um olhar, eu percebi, tristonho...
A segunda vez que eu vi um anjo
Eu nem acreditei: ela existia...
Tinha um olhar delicado... Um jeito manso...
Parecia poesia...
A segunda vez... E eu nem imaginava
Que anjo agora fotologava
Fazendo poses cheias de charminho...
A segunda vez... E eu quase me assustei...
Foi heresia, mas eu pensei:
Eita, pedaço de mal caminho...
Para Beta com carinho.
A Primeira vez que eu vi um anjo é o nome de um poema que dediquei a meu irmão em www.quasepoesia.blogspot.com
23.1.04
Ai que Caô...
Dando sequencia à serie As Mais Maravilhosas e Estupefantes Marchinhas de Carnaval de Todos os Tempos...
Em Homenagem aos colegas do Hospital de Guarus que lutaram o ano inteiro por aumento salarial e so receberam promessas vazias...
Para que esse ano a gente não saia novamente de palhaço...
Ai que Caô ôôô ôôô
Ai que Caô ôôô ôôô
Lutei o ano inteiro
Por aumento de salário
Chegou o CCarnaval
E eu com essa cara de Otário...
Ai que Caô ôôô ôôô
Ai que Caô ôôô ôôô
A complementação
Que o prefeito disse que dava
Virou cachê de um show
Na praia, onde a galera eestava...
Ai que Caô ôôô ôôô
Ai que Caô ôôô ôôô
Trabalho pra caramba
É uma fila que não para...
Eu tenho a impressão
Que tão zuando a minha cara...
Dando sequencia à serie As Mais Maravilhosas e Estupefantes Marchinhas de Carnaval de Todos os Tempos...
Em Homenagem aos colegas do Hospital de Guarus que lutaram o ano inteiro por aumento salarial e so receberam promessas vazias...
Para que esse ano a gente não saia novamente de palhaço...
Ai que Caô ôôô ôôô
Ai que Caô ôôô ôôô
Lutei o ano inteiro
Por aumento de salário
Chegou o CCarnaval
E eu com essa cara de Otário...
Ai que Caô ôôô ôôô
Ai que Caô ôôô ôôô
A complementação
Que o prefeito disse que dava
Virou cachê de um show
Na praia, onde a galera eestava...
Ai que Caô ôôô ôôô
Ai que Caô ôôô ôôô
Trabalho pra caramba
É uma fila que não para...
Eu tenho a impressão
Que tão zuando a minha cara...
21.1.04
Pra brincar o carnaval...
Iniciando a série As Mais Famosas Marchinhas de Carnaval de Todos os Tempos.
Dedicado aos funcionários do Hospital Geral de Guarus que após um ano de promessas estéreis continuam sem receber sua complementação pelo trabalho realizado.
Prá ver se esse ano a gente não sai de palhaço...
_Oh, funcionário, porque estás tão triste?
Mas o que foi que te aconteceu?
_É o complemento do nosso salário
Que o Prefeito disse
Que ia dar e não deu...
Ah, seu Prefeito...
Cade o valor
Do funcionário que lutou e que venceu?
Ve se paga o complemento
Como voce prometeu...
Iniciando a série As Mais Famosas Marchinhas de Carnaval de Todos os Tempos.
Dedicado aos funcionários do Hospital Geral de Guarus que após um ano de promessas estéreis continuam sem receber sua complementação pelo trabalho realizado.
Prá ver se esse ano a gente não sai de palhaço...
_Oh, funcionário, porque estás tão triste?
Mas o que foi que te aconteceu?
_É o complemento do nosso salário
Que o Prefeito disse
Que ia dar e não deu...
Ah, seu Prefeito...
Cade o valor
Do funcionário que lutou e que venceu?
Ve se paga o complemento
Como voce prometeu...
20.1.04
Cantada
Todo mundo quer ficar com Veronica:
Ela é graciosa demais.
Tem um jeitinho de mulher bionica
E um tom de voz de quem fala e faz...
Todo mundo quer ficar com Veronica
Mas ninguém sabe do que ela é capaz...
A sua velocidade é supersonica...
Ela é tão cheia de gás...
Todo mundo quer ficar com Veronica...
Nobreza faraonica e voraz...
E já ninguém fala mais de Carla e Monica...
Só de Veronica... E cada vez mais...
Todo mundo quer ficar com Veronica...
Eu olho todo mundo e sigo atrás...
Ah... Se eu pudesse eu também ficava com Veronica
Pra tentar encontrar nela a minha paz...
Todo mundo quer ficar com Veronica:
Ela é graciosa demais.
Tem um jeitinho de mulher bionica
E um tom de voz de quem fala e faz...
Todo mundo quer ficar com Veronica
Mas ninguém sabe do que ela é capaz...
A sua velocidade é supersonica...
Ela é tão cheia de gás...
Todo mundo quer ficar com Veronica...
Nobreza faraonica e voraz...
E já ninguém fala mais de Carla e Monica...
Só de Veronica... E cada vez mais...
Todo mundo quer ficar com Veronica...
Eu olho todo mundo e sigo atrás...
Ah... Se eu pudesse eu também ficava com Veronica
Pra tentar encontrar nela a minha paz...
25.12.03
Da série : cada um tem a Canção de Natal que merece...
Em 2003, depois de muita luta e muita promessa politica de oferecer ao grupo de médicos da Emergencia do HGG uma complementação salarial, chegamos ao Natal so com palavras vazias dos que deveriam honrar o que prometem. Dai a canção, dedicada a Papai Noel...
Entrei devagarinho
Na Emergencia do Hospital.
Pedi a Papai Noel
Um presente de Natal.
Como é que Papai Noel
Não se esquece de ninguem
Se deixou o meu presente
Prá entregar ano que vem?...
Mostrei meu salarinho
E o trabalho sem igual...
Papai Noel pediu
Pra deixar passar o Natal.
Como é que Papai Noel
Ta aprendendo a enganar bem...
Entra ano, acaba ano
E so promessa e nhem nhem nhem...
Em 2003, depois de muita luta e muita promessa politica de oferecer ao grupo de médicos da Emergencia do HGG uma complementação salarial, chegamos ao Natal so com palavras vazias dos que deveriam honrar o que prometem. Dai a canção, dedicada a Papai Noel...
Entrei devagarinho
Na Emergencia do Hospital.
Pedi a Papai Noel
Um presente de Natal.
Como é que Papai Noel
Não se esquece de ninguem
Se deixou o meu presente
Prá entregar ano que vem?...
Mostrei meu salarinho
E o trabalho sem igual...
Papai Noel pediu
Pra deixar passar o Natal.
Como é que Papai Noel
Ta aprendendo a enganar bem...
Entra ano, acaba ano
E so promessa e nhem nhem nhem...
5.12.03
2.12.03
Não precisa responder
E eis que o primeiro relógio digital do mundo homenageado com um soneto deu defeito...
Talvez por não estar acostumado,
Talvez apavorado, e até com medo,
Talvez por ter sido tão criticado,
Ter sido causa de tanto enredo,
Talvez por isso, amanheceu quebrado
O aparelhinho que através do dedo
Sabia dedurar o atrasado
E o nome exato do que chegou cedo...
Talvez por ter sido tão comentado
Foi que, por tempo indeterminado,
O aparelhinho virou brinquedo...
E eu já tinha até me conformado...
Me diz, mas diz sem ser mal educado,
Me conta agora onde é que eu boto o dedo...
E eis que o primeiro relógio digital do mundo homenageado com um soneto deu defeito...
Talvez por não estar acostumado,
Talvez apavorado, e até com medo,
Talvez por ter sido tão criticado,
Ter sido causa de tanto enredo,
Talvez por isso, amanheceu quebrado
O aparelhinho que através do dedo
Sabia dedurar o atrasado
E o nome exato do que chegou cedo...
Talvez por ter sido tão comentado
Foi que, por tempo indeterminado,
O aparelhinho virou brinquedo...
E eu já tinha até me conformado...
Me diz, mas diz sem ser mal educado,
Me conta agora onde é que eu boto o dedo...
25.11.03
Sonetinho Desapontado
(ou: Cecilia Meirelles tinha razão...)
Foi instalado no Hospital de Guarus um relogio de ponto que funciona mediante registro da impressao digital dos funcionários. Um must de tecnologia num país de banguelas. A fila interminavel de funcionários que entravam e saiam do Hospital cruzando pela nova maquininha gerou o maior pandepá. E a poesia se fez presente. Ou o médico chega e começa o atendimento e esquece o ponto ou entra na fila do ponto e ignora o atendimento...
Se eu começo o atendimento, atraso o ponto...
Se eu bato o ponto, atraso o atendimento...
Se eu não passo o cartão, ganho um desconto...
Se eu não atendo é um descontentamento...
E assim eu sigo, um tanto o quanto tonto...
Uma dúvida atroz me rói por dentro:
Eu largo a Emergencia e marco o ponto
Ou largo o ponto e abaixo o vencimento?
O ponto ou a Emergencia? A febre ou o ponto?
O ponto digital ou o sangramento?
Ó duvida cruel... Eu não aguento...
Como é que eu faço? Com quem eu conto?
Será que tem que ser assim e pronto?
Quem é que muda esse regulamento?
(ou: Cecilia Meirelles tinha razão...)
Foi instalado no Hospital de Guarus um relogio de ponto que funciona mediante registro da impressao digital dos funcionários. Um must de tecnologia num país de banguelas. A fila interminavel de funcionários que entravam e saiam do Hospital cruzando pela nova maquininha gerou o maior pandepá. E a poesia se fez presente. Ou o médico chega e começa o atendimento e esquece o ponto ou entra na fila do ponto e ignora o atendimento...
Se eu começo o atendimento, atraso o ponto...
Se eu bato o ponto, atraso o atendimento...
Se eu não passo o cartão, ganho um desconto...
Se eu não atendo é um descontentamento...
E assim eu sigo, um tanto o quanto tonto...
Uma dúvida atroz me rói por dentro:
Eu largo a Emergencia e marco o ponto
Ou largo o ponto e abaixo o vencimento?
O ponto ou a Emergencia? A febre ou o ponto?
O ponto digital ou o sangramento?
Ó duvida cruel... Eu não aguento...
Como é que eu faço? Com quem eu conto?
Será que tem que ser assim e pronto?
Quem é que muda esse regulamento?
19.11.03
O Coração
O coração, sem freio, sem cadeado,
Não reconhece mão ou contra-mão.
Não sabe nunca o que é certo e o que é errado.
Caminha por ai sem proteção.
Não tem defesa. Não é murado.
Vai desarmado. É a sua condição.
Não leva má intenção e é descuidado.
Escolhe sempre errado o sim e o não.
Não tem palavras. Bate calado
Dentro do peito, trancado
Feito um inconfidente na prisão...
Por não ter muros, vive espalhado...
Por não ter freios, desabalado...
Por não ter olhos, não tem perdão
O coração, sem freio, sem cadeado,
Não reconhece mão ou contra-mão.
Não sabe nunca o que é certo e o que é errado.
Caminha por ai sem proteção.
Não tem defesa. Não é murado.
Vai desarmado. É a sua condição.
Não leva má intenção e é descuidado.
Escolhe sempre errado o sim e o não.
Não tem palavras. Bate calado
Dentro do peito, trancado
Feito um inconfidente na prisão...
Por não ter muros, vive espalhado...
Por não ter freios, desabalado...
Por não ter olhos, não tem perdão
16.11.03
Um poeminha
Eu faço verso de um palavreado.
Que é coisa breve, Quase sem som.
De rima improvisada e sem pecado.
De um pensamento de desejo bom.
Eu faço verso de não dizer nada.
Nenhuma novidade. Nenhum brilho.
Como quem reinventa a caminhada.
Como quem redescobre o próprio trilho.
Eu faço verso de pequena rima,
De poesia tosca e pequenina,
De pés descalços, tocando o chão...
Eu faço verso de motivo aguado
Que não tem tranca nem cadeado
E nem tem freios no coração...
Eu faço verso de um palavreado.
Que é coisa breve, Quase sem som.
De rima improvisada e sem pecado.
De um pensamento de desejo bom.
Eu faço verso de não dizer nada.
Nenhuma novidade. Nenhum brilho.
Como quem reinventa a caminhada.
Como quem redescobre o próprio trilho.
Eu faço verso de pequena rima,
De poesia tosca e pequenina,
De pés descalços, tocando o chão...
Eu faço verso de motivo aguado
Que não tem tranca nem cadeado
E nem tem freios no coração...
10.11.03
4.11.03
As trinta gramas
João Geraldo nasceu com aproximadamente 1200 gramas. Nos 10 primeiros dias de vida chegou a pouco mais de um quilo. Hoje, por volta de 1350 gramas, percorre um lento caminho até a alta. À nosso pequeno homenzinho, este poema.
Mil trezentos e vinte... Mil trezentos e cincoenta...
As trinta gramas essenciais...
A progressão, que é vagarosa e lenta...
As trinta gramas a mais...
Sessenta, setenta, oitenta... Então noventa...
Tão pouco e tanta diferença faz...
Como se fosse a medalha de quem tenta...
As trinta gramas fundamentais...
E a cada grama, um Everest inteiro...
Como quem cruza a fronteira... Como quem chega em primeiro...
Como quem ganha a carta de alforria...
As trinta gramas de felicidade...
As trita gramas buscando a liberdade...
As trinta gramas a mais de cada dia...
João Geraldo nasceu com aproximadamente 1200 gramas. Nos 10 primeiros dias de vida chegou a pouco mais de um quilo. Hoje, por volta de 1350 gramas, percorre um lento caminho até a alta. À nosso pequeno homenzinho, este poema.
Mil trezentos e vinte... Mil trezentos e cincoenta...
As trinta gramas essenciais...
A progressão, que é vagarosa e lenta...
As trinta gramas a mais...
Sessenta, setenta, oitenta... Então noventa...
Tão pouco e tanta diferença faz...
Como se fosse a medalha de quem tenta...
As trinta gramas fundamentais...
E a cada grama, um Everest inteiro...
Como quem cruza a fronteira... Como quem chega em primeiro...
Como quem ganha a carta de alforria...
As trinta gramas de felicidade...
As trita gramas buscando a liberdade...
As trinta gramas a mais de cada dia...
31.10.03
26.10.03
Nova Súplica ao Poema
Trazei-me, Poesia, a boaventura...
A que há em toda parte e falta em mim...
Contaminai-me com a tua alma pura...
Com teus caminhos cheios de sim...
Banhai-me, Poesia, com a ternura,
Daquelas ternuras que não tem fim...
Como se fosse uma infusão que cura...
Gosto de fruta... Cheiro de alecrim...
E fica, assim, comigo, poesia...
Clareza misturada à luz do dia...
Delicadeza misturada ao vento...
Cuida de mim como quem cuida a cria...
Fica comigo e em minha companhia...
Descansa e brinca no meu pensamento...
Trazei-me, Poesia, a boaventura...
A que há em toda parte e falta em mim...
Contaminai-me com a tua alma pura...
Com teus caminhos cheios de sim...
Banhai-me, Poesia, com a ternura,
Daquelas ternuras que não tem fim...
Como se fosse uma infusão que cura...
Gosto de fruta... Cheiro de alecrim...
E fica, assim, comigo, poesia...
Clareza misturada à luz do dia...
Delicadeza misturada ao vento...
Cuida de mim como quem cuida a cria...
Fica comigo e em minha companhia...
Descansa e brinca no meu pensamento...
19.10.03
O Poema
Revisado
Quando estou triste o poema me alimenta...
Desesperado, o poema me contém...
Se estou carente, o poema me sustenta...
Quando estou mal o poema me faz bem...
Se o dia é feio, o poema o reinventa...
Se falta todo mundo, o verso vem...
A minha garrafinha de agua benta...
Meu lugarzinho no trem...
Quando estou bem, o poema me acalanta...
Feliz da vida, o poema é quem me traz...
Se estou em paz, a palavra se agiganta...
Se estou mais leve, a palavra me refaz...
Se tudo em volta é luz, o verso canta...
Se tudo é só sorriso, o verso é mais...
O meu tapete voador... Meu mantra...
Meu pedacinho de paz...
Revisado
Quando estou triste o poema me alimenta...
Desesperado, o poema me contém...
Se estou carente, o poema me sustenta...
Quando estou mal o poema me faz bem...
Se o dia é feio, o poema o reinventa...
Se falta todo mundo, o verso vem...
A minha garrafinha de agua benta...
Meu lugarzinho no trem...
Quando estou bem, o poema me acalanta...
Feliz da vida, o poema é quem me traz...
Se estou em paz, a palavra se agiganta...
Se estou mais leve, a palavra me refaz...
Se tudo em volta é luz, o verso canta...
Se tudo é só sorriso, o verso é mais...
O meu tapete voador... Meu mantra...
Meu pedacinho de paz...
17.10.03
Voce é assim
Poema revisado.
Ao rever alguns poemas escritos há algum tempo, encontrei este.
O que a principio era só uma cantada ganhou um verso no final que acaba sendo um elogio e uma defesa da amamentação.
Eis ai duas das varias funções do aleitamento que não estão nos livros.
A cantada.
E o poema.
E cada vez que se estudar esse tema, a amamentação, e se propuserem novos angulos de visão e entendimento de sua complexidade, ainda assim a cantada e a poesia surpreenderão os que consideravam o assunto esgotado.
Aos bebes, às suas nutrizes e a seus particisuperpais meu agradecimento e minha poesia...
Ou quasepoesia...
Mais deliciosa que escrever poesia.
Mais limpa do que a voz de João Gilberto.
Voce é mais gostosa que a Bahia.
Mais clássica que um Lawrence no deserto...
Mais fotogenica que o Rio Guaiba.
Mais delicada do que chuva fina.
Melhor do que um forró na Paraiba.
Taquicardiza mais que a adrenalina.
Mais firme do que o som de Luiz Gonzaga.
Melhor do que escutar Chico cantando.
Bem mais desconcertante que Ipanema.
Possui mais poesia que Passargada.
Mais vida que um bebe amamentando.
Por isso é que eu te fiz esse poema.
Poema revisado.
Ao rever alguns poemas escritos há algum tempo, encontrei este.
O que a principio era só uma cantada ganhou um verso no final que acaba sendo um elogio e uma defesa da amamentação.
Eis ai duas das varias funções do aleitamento que não estão nos livros.
A cantada.
E o poema.
E cada vez que se estudar esse tema, a amamentação, e se propuserem novos angulos de visão e entendimento de sua complexidade, ainda assim a cantada e a poesia surpreenderão os que consideravam o assunto esgotado.
Aos bebes, às suas nutrizes e a seus particisuperpais meu agradecimento e minha poesia...
Ou quasepoesia...
Mais deliciosa que escrever poesia.
Mais limpa do que a voz de João Gilberto.
Voce é mais gostosa que a Bahia.
Mais clássica que um Lawrence no deserto...
Mais fotogenica que o Rio Guaiba.
Mais delicada do que chuva fina.
Melhor do que um forró na Paraiba.
Taquicardiza mais que a adrenalina.
Mais firme do que o som de Luiz Gonzaga.
Melhor do que escutar Chico cantando.
Bem mais desconcertante que Ipanema.
Possui mais poesia que Passargada.
Mais vida que um bebe amamentando.
Por isso é que eu te fiz esse poema.
13.10.03
O Coração
O Coração tem um sereno jeito... Fado Tropical/Chico Buarque-Ruy Guerra
O Coração tem um sereno jeito
E ao mesmo tempo um jeito intempestivo...
Vive buscando achar o amor perfeito
Enquanto perde-o, mesmo sem motivo...
O Coração, Nação sem preconceito...
Incoerente... Persuasivo...
Ao mesmo tempo que vai dentro do peito
Se atira ao mundo, quase obsessivo...
O Coração, com seu jeito sereno,
É feito o soro contra o veneno,
É o que há por trás de toda conclusão...
Sereno jeito, Coração insano,
Que busca o céu e que é tão leviano...
Terra misteriosa, o Coração...
O Coração tem um sereno jeito... Fado Tropical/Chico Buarque-Ruy Guerra
O Coração tem um sereno jeito
E ao mesmo tempo um jeito intempestivo...
Vive buscando achar o amor perfeito
Enquanto perde-o, mesmo sem motivo...
O Coração, Nação sem preconceito...
Incoerente... Persuasivo...
Ao mesmo tempo que vai dentro do peito
Se atira ao mundo, quase obsessivo...
O Coração, com seu jeito sereno,
É feito o soro contra o veneno,
É o que há por trás de toda conclusão...
Sereno jeito, Coração insano,
Que busca o céu e que é tão leviano...
Terra misteriosa, o Coração...
9.10.03
8.10.03
4.10.03
Desencontrado
A poesia, sem contar, saiu
Levando os versos que eu tinha pra escrever...
Deixou meu coração cheio de estórias
Mas sem palavras de poder dizer...
Quando o verso vai embora a alma fica
Como um navio quando se perdeu...
Estou sentado... Beira do porto...
Espero a volta do verso que era meu...
A poesia, sem contar, saiu
Levando os versos que eu tinha pra escrever...
Deixou meu coração cheio de estórias
Mas sem palavras de poder dizer...
Quando o verso vai embora a alma fica
Como um navio quando se perdeu...
Estou sentado... Beira do porto...
Espero a volta do verso que era meu...
28.9.03
A forma leve de amar você
Tati é um anjo. E anjos são livres por definição. E mesmo os anjos que não tem asas nem vestidinhos brancos nem tocam trombetas nem moram nas nuvens, mesmo estes, são livres, porque voar e ser livre é coisa dos anjos. Amar um anjo não pode ser amar assim, de qualquer jeito. Amar um anjo deve ser leve feito espuma, embora imenso feito o mar. Amar um anjo é aprender a forma leve que há de amar.
É não precisar se ver a toda hora:
Pode ser se ver agora
Mas pode ser ficar uma semana sem se olhar...
É não cercar seu caminho...
É ter que às vezes ficar sozinho
Pra ficar sempre
Sem se cansar.
É não passar torpedo o dia inteiro
Porque o amor, quando é verdadeiro,
Não depende de um torpedo
Pra durar.
E se chegar sexta feira
E der vontade de fazer besteira,
Andar a toa,
De passear,
E justo nesse dia você resolver voar,
É ter paciência...
Tomar um gole de tolerância...
Amar é mais que estar na sua presença...
Amar é imenso, mesmo que à distancia...
É não ficar preso.
Nada dessa coisa de fixação...
É como dar um pouco de desprezo...
É dar um pouco de desatenção...
Mas é amar também com lealdade,
Amar é feito de fidelidade
E de vontade de ser feliz...
Mas o caminho da felicidade
É feito as ruas da grande cidade:
Tem setas, placas, pontes, guardas, curvas,
E a contramão,
E o fino por um triz...
Amar assim é leve feito a espuma
Embora enorme feito o grande mar.
É quase nada, feito um grão de areia,
E ao mesmo tempo imenso feito o ar...
Quase apagado, como a lua nova,
Que é a mesma lua cheia das noites de luar...
É aprender a não ser pra ser...
Não precisar dizer pra dizer...
Não precisar tocar pra tocar...
É aprender a forma leve que há de amar.
Tati é um anjo. E anjos são livres por definição. E mesmo os anjos que não tem asas nem vestidinhos brancos nem tocam trombetas nem moram nas nuvens, mesmo estes, são livres, porque voar e ser livre é coisa dos anjos. Amar um anjo não pode ser amar assim, de qualquer jeito. Amar um anjo deve ser leve feito espuma, embora imenso feito o mar. Amar um anjo é aprender a forma leve que há de amar.
É não precisar se ver a toda hora:
Pode ser se ver agora
Mas pode ser ficar uma semana sem se olhar...
É não cercar seu caminho...
É ter que às vezes ficar sozinho
Pra ficar sempre
Sem se cansar.
É não passar torpedo o dia inteiro
Porque o amor, quando é verdadeiro,
Não depende de um torpedo
Pra durar.
E se chegar sexta feira
E der vontade de fazer besteira,
Andar a toa,
De passear,
E justo nesse dia você resolver voar,
É ter paciência...
Tomar um gole de tolerância...
Amar é mais que estar na sua presença...
Amar é imenso, mesmo que à distancia...
É não ficar preso.
Nada dessa coisa de fixação...
É como dar um pouco de desprezo...
É dar um pouco de desatenção...
Mas é amar também com lealdade,
Amar é feito de fidelidade
E de vontade de ser feliz...
Mas o caminho da felicidade
É feito as ruas da grande cidade:
Tem setas, placas, pontes, guardas, curvas,
E a contramão,
E o fino por um triz...
Amar assim é leve feito a espuma
Embora enorme feito o grande mar.
É quase nada, feito um grão de areia,
E ao mesmo tempo imenso feito o ar...
Quase apagado, como a lua nova,
Que é a mesma lua cheia das noites de luar...
É aprender a não ser pra ser...
Não precisar dizer pra dizer...
Não precisar tocar pra tocar...
É aprender a forma leve que há de amar.
O perfume
Ontem pela manhã eu tive a nítida impressão de um fim de história.
Um fim tão delicado quanto seu inicio.
E como todo fim delicado deixa um perfume, também este fim deixou um aroma suave de perfume.
Um poema?
Ah... Uma estória que começa em poesia não pode ter um fim, ainda que suposto, sem poesia...
Mas foi apenas uma impressão que não se cumpriu...
E que deixou um poema que aqui segue.
Vivi dias felizes do seu lado...
(e eu nem sonhava quando te encontrei)
Foi algo assim como um tempo encantado...
Eu era um pária e me tornei um Rei...
Olhei para um futuro iluminado
E eu quis ter o futuro que eu sonhei...
Mas o futuro passou... virou passado...
Passou... mas foi verdade o que provei...
Saboreei poesias deliciosas...
Um mar de rosas maravilhosas
Depois de tanto tempo sem carinho...
Passou. Não quis ficar. Voou, que pena,
Deixando o seu perfume em meu poema
E as marcas dos seus pés no meu caminho...
Passou. Não quis ficar. Mas o perfume
Traz o sabor suave do seu nome...
De um tempo bom quando eu não fui sozinho...
Ontem pela manhã eu tive a nítida impressão de um fim de história.
Um fim tão delicado quanto seu inicio.
E como todo fim delicado deixa um perfume, também este fim deixou um aroma suave de perfume.
Um poema?
Ah... Uma estória que começa em poesia não pode ter um fim, ainda que suposto, sem poesia...
Mas foi apenas uma impressão que não se cumpriu...
E que deixou um poema que aqui segue.
Vivi dias felizes do seu lado...
(e eu nem sonhava quando te encontrei)
Foi algo assim como um tempo encantado...
Eu era um pária e me tornei um Rei...
Olhei para um futuro iluminado
E eu quis ter o futuro que eu sonhei...
Mas o futuro passou... virou passado...
Passou... mas foi verdade o que provei...
Saboreei poesias deliciosas...
Um mar de rosas maravilhosas
Depois de tanto tempo sem carinho...
Passou. Não quis ficar. Voou, que pena,
Deixando o seu perfume em meu poema
E as marcas dos seus pés no meu caminho...
Passou. Não quis ficar. Mas o perfume
Traz o sabor suave do seu nome...
De um tempo bom quando eu não fui sozinho...
26.9.03
Voce é um anjo...
Você é um anjo? Responde...
Caiu do céu? Diz pra mim...
Conta-me: foi quando? aonde?
No meio de que jardim?
Caiu do céu por acaso
Ou veio aqui cumprir uma missão?
Chegou bem na hora? Houve atraso?
Alguma antecipação?
Como cruzou meu caminho
Descobrindo onde é que eu tava,
Oferecendo o carinho
De que eu tanto precisava?
E porque não foi embora
Logo depois que me viu?
Porque mudou minha estória?
Porque é que não desistiu?
Porque é que não sentiu medo?
Porque ficou do meu lado?
Porque contou seu segredo?
Porque aprendeu meu passado?
Porque fez planos futuros?
Porque tentou me ajudar?
Brilhou meus dias escuros
E me ensinou a voar...
Porque me estendeu seu braço?
Porque tocou minha mão?
Porque curou meu cansaço
Da vida, da ingratidão?
Porque pediu um poema?
Porque me olhou delicada?
Porque essa voz tão serena
E essa pele amorenada?
Você é um anjo, confessa...
Caiu do céu feito um passe...
Como quem chega sem pressa...
Como quem pousa com classe...
Disse-me coisas de um jeito
Saboroso de falar...
Tomou conta do meu peito
De um jeito bom de tomar...
Ficou comigo. E, brincando,
Transformou a minha vida...
Eu nem vi você chegando...
Eu nem penso em despedida...
Um anjo bom, certamente...
Um anjo que me envolveu...
Entrou na minha vida lentamente...
Um anjo bom... Que bom que Deus me deu...
Você é um anjo? Responde...
Caiu do céu? Diz pra mim...
Conta-me: foi quando? aonde?
No meio de que jardim?
Caiu do céu por acaso
Ou veio aqui cumprir uma missão?
Chegou bem na hora? Houve atraso?
Alguma antecipação?
Como cruzou meu caminho
Descobrindo onde é que eu tava,
Oferecendo o carinho
De que eu tanto precisava?
E porque não foi embora
Logo depois que me viu?
Porque mudou minha estória?
Porque é que não desistiu?
Porque é que não sentiu medo?
Porque ficou do meu lado?
Porque contou seu segredo?
Porque aprendeu meu passado?
Porque fez planos futuros?
Porque tentou me ajudar?
Brilhou meus dias escuros
E me ensinou a voar...
Porque me estendeu seu braço?
Porque tocou minha mão?
Porque curou meu cansaço
Da vida, da ingratidão?
Porque pediu um poema?
Porque me olhou delicada?
Porque essa voz tão serena
E essa pele amorenada?
Você é um anjo, confessa...
Caiu do céu feito um passe...
Como quem chega sem pressa...
Como quem pousa com classe...
Disse-me coisas de um jeito
Saboroso de falar...
Tomou conta do meu peito
De um jeito bom de tomar...
Ficou comigo. E, brincando,
Transformou a minha vida...
Eu nem vi você chegando...
Eu nem penso em despedida...
Um anjo bom, certamente...
Um anjo que me envolveu...
Entrou na minha vida lentamente...
Um anjo bom... Que bom que Deus me deu...
Amigas
Para Tati e Silvana
Basta um olhar. E é como a frase inteira...
Basta um sorriso, mais nada...
Amigas: Deus as fez dessa maneira...
Amigas: donas da mesma risada...
Gostosa essa amizade verdadeira...
Cumplicidade compartilhada...
Amigas: Deus as quis dessa maneira...
Amigas: que expressão mais delicada...
Para Tati e Silvana
Basta um olhar. E é como a frase inteira...
Basta um sorriso, mais nada...
Amigas: Deus as fez dessa maneira...
Amigas: donas da mesma risada...
Gostosa essa amizade verdadeira...
Cumplicidade compartilhada...
Amigas: Deus as quis dessa maneira...
Amigas: que expressão mais delicada...
22.9.03
A Palavra Ruim
Eu disse coisas que não deveria...
A hora errada... a palavra errada...
Eu falhei justo quando não podia...
Eu fiz a coisa toda desastrada...
Em vez de me alegrar na sua alegria,
Em vez de participar da sua risada,
Eu fui indelicado aquele dia
Deixando a sua alma magoada...
Naquela hora, eu não percebia,
E, sem perceber, eu quase te perdia
Como quem perde uma jóia lapidada...
Minha indelicadeza te ofendia...
Minha palavra ruim te entristecia...
Eu fiz besteira aquela madrugada...
Eu disse coisas que não deveria...
A hora errada... a palavra errada...
Eu falhei justo quando não podia...
Eu fiz a coisa toda desastrada...
Em vez de me alegrar na sua alegria,
Em vez de participar da sua risada,
Eu fui indelicado aquele dia
Deixando a sua alma magoada...
Naquela hora, eu não percebia,
E, sem perceber, eu quase te perdia
Como quem perde uma jóia lapidada...
Minha indelicadeza te ofendia...
Minha palavra ruim te entristecia...
Eu fiz besteira aquela madrugada...
19.9.03
Os Sonetos Imperfeitos
Já há algum tempo eu comecei a tentar escrever sonetos. O máximo que consegui foi escrever estruturas imperfeitas que apavorariam Bilac. Chamei-os uma vez de sonetos imperfeitos, dado o numero abusivo de quebra das regras da criação dos sonetos. Como não escrevo seguindo mapas, decidi continuar a escreve-los assim, barbarizando as regras sem me arvorar a contesta-las. É apenas um modo de escrever poemas. Me desculpem os puristas mas arriscar é essencial. Este poeminha nasceu hoje entre as consultas de um ambulatório do SUS em Tocos, Distrito de Campos. Não sei porque exato esse tema veio me caçar ali na roça. Mas ai esta mais um soneto imperfeito feito de supetão...
Sonetos imperfeitos, como os faço,
Com cada verso escrito em um tamanho...
É essa a característica do meu traço...
E eu confesso: já nem acho estranho...
Sonetos imperfeitos como escrevo...
Que vem naturalmente de onde vem...
Depois de prontos é que eu percebo
A graça que cada um deles guarda e tem...
Sonetos imperfeitos. Nem sonetos,
Nem imperfeitos. Simplesmente feitos
Sem dar aviso... De supetão...
Sonetos imperfeitos que me cercam...
São feito gotas de óleo que não secam
E lubrificam meu coração...
Já há algum tempo eu comecei a tentar escrever sonetos. O máximo que consegui foi escrever estruturas imperfeitas que apavorariam Bilac. Chamei-os uma vez de sonetos imperfeitos, dado o numero abusivo de quebra das regras da criação dos sonetos. Como não escrevo seguindo mapas, decidi continuar a escreve-los assim, barbarizando as regras sem me arvorar a contesta-las. É apenas um modo de escrever poemas. Me desculpem os puristas mas arriscar é essencial. Este poeminha nasceu hoje entre as consultas de um ambulatório do SUS em Tocos, Distrito de Campos. Não sei porque exato esse tema veio me caçar ali na roça. Mas ai esta mais um soneto imperfeito feito de supetão...
Sonetos imperfeitos, como os faço,
Com cada verso escrito em um tamanho...
É essa a característica do meu traço...
E eu confesso: já nem acho estranho...
Sonetos imperfeitos como escrevo...
Que vem naturalmente de onde vem...
Depois de prontos é que eu percebo
A graça que cada um deles guarda e tem...
Sonetos imperfeitos. Nem sonetos,
Nem imperfeitos. Simplesmente feitos
Sem dar aviso... De supetão...
Sonetos imperfeitos que me cercam...
São feito gotas de óleo que não secam
E lubrificam meu coração...
17.9.03
As três formas de amar
Amar
Primeira forma
Primeiro eu. Segundo eu. Depois você.
Você me pediu pra amar assim.
Mas como, se eu não sei como fazer
Deixar você pra cuidar de mim?
Se o seu sorriso é que me faz sorrir
E a sua paz é a minha felicidade,
Falta aprender como não sentir
Tanta necessidade
De entregar tudo pra você primeiro
Para que assim sobre o mundo inteiro
Pra conquistar do seu lado.
Primeiro você. Isso é tão verdadeiro.
Segundo nós. Tem mais sabor e cheiro.
Terceiro eu. É bem mais reservado.
Amar
Segunda forma
Primeiro você. Segundo você. Depois eu.
Você falou que é assim que sabe amar.
Eu aceitei. Você me convenceu.
Ninguém entrega o que não pode dar.
Ninguém garante nada sem certeza.
Não compra nada sem ter pra pagar.
Sua verdade, a sua delicadeza...
Foi como isca de me pescar.
E não me importo em ser o terceiro.
O ultimo, às vezes, chega em primeiro.
Tem tantas voltas pro mundo dar...
Aceito o seu amor. Ele é sincero.
Sabor do doce que há muito espero.
Te amar é bom em qualquer lugar.
Amar
Terceira forma
Primeiro nós. Segundo Nós. Depois nós.
É aí que eu quero poder chegar.
Como duas vozes cantando a mesma voz.
Como a areia da praia guarda o mar.
Primeiro nós. Segundo nós. Depois o mundo
Inteiro só pra gente conquistar.
Nem um nem outro em primeiro ou em segundo,
Mas feito as duas asas de voar...
Mas feito a tinta e a tela... O carro e a estrada ...
A lua e a viola enluarada...
A rima e o poema pra rimar...
Num tempo quase sem diferença.
Entrega inteira... Integração imensa...
Num tempo suave que se chama amar...
Amar
Primeira forma
Primeiro eu. Segundo eu. Depois você.
Você me pediu pra amar assim.
Mas como, se eu não sei como fazer
Deixar você pra cuidar de mim?
Se o seu sorriso é que me faz sorrir
E a sua paz é a minha felicidade,
Falta aprender como não sentir
Tanta necessidade
De entregar tudo pra você primeiro
Para que assim sobre o mundo inteiro
Pra conquistar do seu lado.
Primeiro você. Isso é tão verdadeiro.
Segundo nós. Tem mais sabor e cheiro.
Terceiro eu. É bem mais reservado.
Amar
Segunda forma
Primeiro você. Segundo você. Depois eu.
Você falou que é assim que sabe amar.
Eu aceitei. Você me convenceu.
Ninguém entrega o que não pode dar.
Ninguém garante nada sem certeza.
Não compra nada sem ter pra pagar.
Sua verdade, a sua delicadeza...
Foi como isca de me pescar.
E não me importo em ser o terceiro.
O ultimo, às vezes, chega em primeiro.
Tem tantas voltas pro mundo dar...
Aceito o seu amor. Ele é sincero.
Sabor do doce que há muito espero.
Te amar é bom em qualquer lugar.
Amar
Terceira forma
Primeiro nós. Segundo Nós. Depois nós.
É aí que eu quero poder chegar.
Como duas vozes cantando a mesma voz.
Como a areia da praia guarda o mar.
Primeiro nós. Segundo nós. Depois o mundo
Inteiro só pra gente conquistar.
Nem um nem outro em primeiro ou em segundo,
Mas feito as duas asas de voar...
Mas feito a tinta e a tela... O carro e a estrada ...
A lua e a viola enluarada...
A rima e o poema pra rimar...
Num tempo quase sem diferença.
Entrega inteira... Integração imensa...
Num tempo suave que se chama amar...
12.9.03
O passo do tempo
Escrevi esse poemito tolo há mais de 20 anos. Fazia parte de meu caderninho de versos dos tempos da Medicina no Fundão. Tolo, jamais o publicaria. Uma foto-imagem guardada em www.dialomagem.blogger.com.br me o fez recordar. Nada. Quase nada. Um canto de um garoto ainda. Atonito com a velocidade da vida. Não fosse a imagem deliciosa do blog visitado, permaneceria comigo. Eu o reparto. Como quem dividia biscoito Maria e ki-suco no primário. Nada demais nesse verso. So comunhão.
O tempo passa depressa...
Tão depressa... Ninguem vê...
Pergunto: Que pressa é essa?
E o tempo, com muita pressa,
Não para pra responder...
Escrevi esse poemito tolo há mais de 20 anos. Fazia parte de meu caderninho de versos dos tempos da Medicina no Fundão. Tolo, jamais o publicaria. Uma foto-imagem guardada em www.dialomagem.blogger.com.br me o fez recordar. Nada. Quase nada. Um canto de um garoto ainda. Atonito com a velocidade da vida. Não fosse a imagem deliciosa do blog visitado, permaneceria comigo. Eu o reparto. Como quem dividia biscoito Maria e ki-suco no primário. Nada demais nesse verso. So comunhão.
O tempo passa depressa...
Tão depressa... Ninguem vê...
Pergunto: Que pressa é essa?
E o tempo, com muita pressa,
Não para pra responder...
11.9.03
A fração de um segundo
Ontem voce me disse assim: te amo...
Foi sem querer. Mas aconteceu.
Tentou mudar. Pode ter sido engano.
Mas voce sabe bem: falou, valeu...
Ontem voce escapou dizer: te amo...
Trocou pra eu te adoro assim que percebeu.
Mas depois que a bomba explodiu, causando o dano,
Não tem mais jeito... Já aconteceu...
Não era pra dizer. Mas voce disse.
Falou como quem diz uma tolice.
Eu te amo. Escapou. Foi de repente.
Quem sabe alguma coisa ai dentro
Ta balançando seu pensamento
Modificando o que voce sente?
Voce me disse eu te amo . E num segundo
Eu me senti como quem ganha o mundo.
Voce me deu a vida de presente.
Ontem voce me disse assim: te amo...
Foi sem querer. Mas aconteceu.
Tentou mudar. Pode ter sido engano.
Mas voce sabe bem: falou, valeu...
Ontem voce escapou dizer: te amo...
Trocou pra eu te adoro assim que percebeu.
Mas depois que a bomba explodiu, causando o dano,
Não tem mais jeito... Já aconteceu...
Não era pra dizer. Mas voce disse.
Falou como quem diz uma tolice.
Eu te amo. Escapou. Foi de repente.
Quem sabe alguma coisa ai dentro
Ta balançando seu pensamento
Modificando o que voce sente?
Voce me disse eu te amo . E num segundo
Eu me senti como quem ganha o mundo.
Voce me deu a vida de presente.
8.9.03
7.9.03
O Retorno
Em 6 de setembro comemorei 44 anos de idade. Era o momento de tornar registrado um pedaço da estória do meu pensamento. O registro da infancia. O descaminho após a separação. E o retorno. Lento. Leve. Mas definitivo. Uma festa de aniversário que a vida me preparou e tem me oferecido com graça. O Retorno não é um poema. É um relato. E, mais do que um relato, é uma reverecia à vida a que retorno e que retorna à mim. Navegar é preciso. Viver não é preciso. Retornar é estar de volta ao paraiso.
I
De onde eu vim era frio.
O vento assoviava uma canção ruim.
As cores eram cinzentas.
As vozes odientas,
As ruas eram toscas de onde eu vim.
O ar cheirava a ozena.
De onde eu vim não havia nenhum poema,
Nenhum alento.
De onde eu vim morava o pensamento
Estranho.
Vinagre era água de banho
E era a mesma água que tinha pra beber.
Era um lugar chamado desprazer
Onde comida era resto.
De aspecto abominável feito o incesto.
E não havia boa companhia no lugar de onde eu vim.
Só gente estranha. Gente disfarçada.
Maledicente, mal-intencionada,
Interesseira e desinteressada...
A ingratidão era a marca registrada.
Ninguém sorria pra mim.
A figueira era seca. Não frutificava.
A dracma, perdida.
A idéia era fragil. Não se sustentava
E a vida parecia não ter vida.
O vento ali não soprava
O fogo nem aquecia.
O sono jamais descansava.
A comida não alimentava quem comia.
E feito a morte quando não avisa,
E feito o câncer que não se anuncia,
Também a escuridão, lá de onde eu vim, não se anunciava.
Simplesmente se aproximava
E me abraçava
Como se fosse grande amiga minha.
Mas era só maçã envenenada.
Bruxa na pele de fada,
De olhar tranqüilo e aparência mansinha.
Mas era como a pele infectada
Disseminando a doença obscura
E sem cura
Do desespero...
E se divertia...
O desespero alheio, sua alegria.
E assim era a escuridão quando ela vinha...
Estúpida, insensível, erva daninha...
Covarde, fria, seca, podre, ruim...
E assim era o lugar de onde eu vim...
II
Mas de onde eu vim não era o meu lugar
Nem minha casa ou meu ninho...
Foi por descuidos e descaminhos
Pisando em flores, colhendo espinhos,
Feito uma nau perdida em alto mar,
Plantando estupidez, colhendo enganos,
Somando perdas, coletando danos,
Feito uma embarcação a naufragar.
Foi desse modo que eu fui parar
Nesse lugar que não me pertencia
E nem à minha vida e a meu destino.
Foi tão somente onde eu cheguei um dia
Por desacerto meu. Por desatino.
Não era meu lugar, mas de onde eu vim.
Fazia frio. Era um lugar ruim
Aonde eu cheguei quando eu perdi meu sim...
Onde eu quase morri...
Mas não era o lugar onde eu nasci
III
Onde eu nasci tinha musica, poesia,
Amor de pai e mãe, nome de irmão.
Um violão dedilhava a canção que eu escolhia
E um professor me ensinava a tocar violão.
Onde eu nasci tinha comida que satisfazia,
Tinha um quintal do tamanho da imaginação,
Tinha vovó Maria,
Bolas de gude só por distração,
E tinha as coisas erradas que eu fazia,
Pecados que de tão tolos já nem são...
Onde eu nasci tinha afeto.
Tinha o pai sempre por perto.
Beijo na testa. Aperto de mão.
Eu tinha casa boa de morar.
Brinquedo bom pra brincar.
Roupa lavada. Café com pão.
Tinha descanso e suporte,
Escudo e escora,
Ensinamentos da vida além da morte.
Lições de vida pela vida afora.
Eu tinha um quarto pra descansar.
Tudo de bom para acontecer.
E muitas musicas pra cantar.
E vários versos pra se escrever.
E quando o tempo fechava
E a noite absurda
Era a anunciação do temporal,
Havia a proteção que não faltava,
O aconchego, o colo, o braço, a mão...
A boa palavra
Que não chegava impondo condição...
E mesmo quando a dor era mais forte
Havia alento,
Refazimento,
Havia ungüento pra dor do mal...
Onde eu nasci era assim:
Repouso e pasto,
Caminho longo ao sol, porem seguro.
Havia o mundo, mundo, vasto mundo... Vasto.
Que eu observava de cima do meu muro.
Um muro alto que me protegia...
Um muro imenso que me preservava
Das tempestades de hipocrisia,
Do mau juízo, da má palavra...
E ali de cima do alto do meu muro
Que era como se fosse um pai pra mim
Eu respirava ar puro...
Onde eu nasci era assim...
IV
Mas
Um dia quando tudo deu errado
E nesse dia eu descuidei de mim
Eu fui, feito um cartão extraviado,
Desembocar nos rumos de onde eu vim...
Um dia, feito um rio extravasado,
Um dia, feito um temporal ruim,
Ruim feito um feitiço encomendado,
Ruim feito a crueldade que é sem fim,
Um dia, quando tudo foi quebrado,
Ou quase tudo, melhor assim,
Eu capotei... Cai desacordado...
Tive o meu rosto inteiro deformado...
Meu santuário usurpado...
Um dia, quando tudo deu errado...
Um dia, quando eu descuidei de mim...
V
Hoje
Há os que julgam que eu nunca fui.
Há os que acreditam que eu não voltarei.
Há ainda os que estão certos de que eu sou
Do lugar pra onde eu fui quando eu nem sei
Por que motivos, com que interesses,
Quando eu morri, quando eu me descuidei...
E ha os que me enxergam tão perdido
Que quase não conseguem acreditar
Que eu resolvi voltar pra minha casa...
Que eu tenho rumo e pernas de voltar...
Há os que me evitam,
Os que me procuram,
E os que só se aproximam pra roubar
Não a moeda, a vida...
Não o sonho...
Mas a capacidade de sonhar...
Ha os que sabem,
Os que nem supõem,
Os que se negam a acreditar...
Os que criticam,
Os que observam,
E há os que não sabem disfarçar:
Condenam,
Executam,
Discriminam
E cobram mesmo sem ter o que cobrar...
Enganam mesmo sem nenhum motivo,
Escondem sem ter coisa pra ocultar.
E mentem mesmo sem necessidade.
E falam coisas de não se falar.
Gentes...
Inúmeras pessoas.
Muita gente.
Quase impossível pra mim determinar
Tudo que falam,
Tudo que pensam,
Tudo que teimam em acreditar...
VI
Enquanto eu sigo o rumo do retorno
E cruzo pontes e matas e quebradas
E varo dias, e cruzo noites,
E passo acordado as madrugadas,
Enquanto eu varo noites sem sono
Cujo único objetivo é o de chegar
Eu cruzo gentes pelo caminho...
Como é imenso o meu caminhar...
É o retorno à casa tão distante.
Retorno imprescindível e impressionante.
É meu caminho de volta ao lar
Onde ao chegar eu estarei cansado
Porem imensamente gratificado
Por ter conseguido chegar.
VII
Retorno.
Já posso ouvir a musica ao longe.
O som da casa que há muito deixei.
A arvore é a mesma. O cachorro
Acho que não. Talvez. Sei lá. Não sei.
Retorno.
Conheço, eu imagino, alguns olhares.
Algumas vozes. Lembro do portão.
Parece o mesmo. A rua, a mesma.
Acho que eu fui o único fujão.
Retorno.
Não tenho outra saída.
Definitivamente nenhuma outra razão:
Voltar somente. Retomar a vida.
Porque insistir andar na contramão?
Retorno.
É minha estória. Não tenho medo
É meu caminho. Parece minha canção:
Pra você ver: eu to voltando pra casa.
I wanna hold your hand. Me de a mão.
Retorno.
E não me esqueço da poesia.
Minha companhia de aflição.
Amou comigo. Sofreu comigo.
E não me impôs nenhuma condição.
Retorno.
As coisas não saíram do lugar.
Estavam exatamente onde ainda estão.
Retorno. É minha vida. É meu legado.
Minha alforria. Minha absolvição.
Retorno.
Deixo pra trás pecados e desvios.
A poeira nos sapatos. E a lição:
Partir diariamente. Seguir longe.
Voar em desvarios absurdos.
Atravessar descampados
E mares nunca dantes navegados
Mas não deixar morrer o coração
Que sempre volta. Mais cedo. Mais tarde.
Silenciosamente. Ou com alarde.
Surpreendendo quase sempre ou não.
Retorno.
A musica ao longe. A casa. A trilha.
O cão que já faz parte da família.
A minha mãe. Minha irmã. Meus dois irmãos.
E a criançada.
Meu Deus. Como essa turma ta levada.
Meu Deus. Quem me segura essa emoção.
Retorno.
Não há caminho mais verdadeiro.
Nada desviará minha atenção.
Coisa nenhuma. Nenhum dinheiro.
Nenhuma rota de distração.
Retorno.
É meu triunfo. E única ambição.
De volta à casa. Meu pouso certo.
Eu nunca estive tão perto.
Eu nunca andei com tanta determinação.
É minha casa. Discos. Livros. Poesias.
Os restos intocados dos meus dias.
Parece ate que estou nessa canção:
Eu tou voltando pra casa.
Nada me atrasa
Nada me faz perder a condução.
Tudo é igual
Ou parecido
Ou quase tudo
O cachorrinho não.
Retorno.
Trago na minha idéia uma canção.
E mil poemas de felicidade.
Eu tou voltando pra imortalidade.
Eu tou voltando pro meu coração.
Em 6 de setembro comemorei 44 anos de idade. Era o momento de tornar registrado um pedaço da estória do meu pensamento. O registro da infancia. O descaminho após a separação. E o retorno. Lento. Leve. Mas definitivo. Uma festa de aniversário que a vida me preparou e tem me oferecido com graça. O Retorno não é um poema. É um relato. E, mais do que um relato, é uma reverecia à vida a que retorno e que retorna à mim. Navegar é preciso. Viver não é preciso. Retornar é estar de volta ao paraiso.
I
De onde eu vim era frio.
O vento assoviava uma canção ruim.
As cores eram cinzentas.
As vozes odientas,
As ruas eram toscas de onde eu vim.
O ar cheirava a ozena.
De onde eu vim não havia nenhum poema,
Nenhum alento.
De onde eu vim morava o pensamento
Estranho.
Vinagre era água de banho
E era a mesma água que tinha pra beber.
Era um lugar chamado desprazer
Onde comida era resto.
De aspecto abominável feito o incesto.
E não havia boa companhia no lugar de onde eu vim.
Só gente estranha. Gente disfarçada.
Maledicente, mal-intencionada,
Interesseira e desinteressada...
A ingratidão era a marca registrada.
Ninguém sorria pra mim.
A figueira era seca. Não frutificava.
A dracma, perdida.
A idéia era fragil. Não se sustentava
E a vida parecia não ter vida.
O vento ali não soprava
O fogo nem aquecia.
O sono jamais descansava.
A comida não alimentava quem comia.
E feito a morte quando não avisa,
E feito o câncer que não se anuncia,
Também a escuridão, lá de onde eu vim, não se anunciava.
Simplesmente se aproximava
E me abraçava
Como se fosse grande amiga minha.
Mas era só maçã envenenada.
Bruxa na pele de fada,
De olhar tranqüilo e aparência mansinha.
Mas era como a pele infectada
Disseminando a doença obscura
E sem cura
Do desespero...
E se divertia...
O desespero alheio, sua alegria.
E assim era a escuridão quando ela vinha...
Estúpida, insensível, erva daninha...
Covarde, fria, seca, podre, ruim...
E assim era o lugar de onde eu vim...
II
Mas de onde eu vim não era o meu lugar
Nem minha casa ou meu ninho...
Foi por descuidos e descaminhos
Pisando em flores, colhendo espinhos,
Feito uma nau perdida em alto mar,
Plantando estupidez, colhendo enganos,
Somando perdas, coletando danos,
Feito uma embarcação a naufragar.
Foi desse modo que eu fui parar
Nesse lugar que não me pertencia
E nem à minha vida e a meu destino.
Foi tão somente onde eu cheguei um dia
Por desacerto meu. Por desatino.
Não era meu lugar, mas de onde eu vim.
Fazia frio. Era um lugar ruim
Aonde eu cheguei quando eu perdi meu sim...
Onde eu quase morri...
Mas não era o lugar onde eu nasci
III
Onde eu nasci tinha musica, poesia,
Amor de pai e mãe, nome de irmão.
Um violão dedilhava a canção que eu escolhia
E um professor me ensinava a tocar violão.
Onde eu nasci tinha comida que satisfazia,
Tinha um quintal do tamanho da imaginação,
Tinha vovó Maria,
Bolas de gude só por distração,
E tinha as coisas erradas que eu fazia,
Pecados que de tão tolos já nem são...
Onde eu nasci tinha afeto.
Tinha o pai sempre por perto.
Beijo na testa. Aperto de mão.
Eu tinha casa boa de morar.
Brinquedo bom pra brincar.
Roupa lavada. Café com pão.
Tinha descanso e suporte,
Escudo e escora,
Ensinamentos da vida além da morte.
Lições de vida pela vida afora.
Eu tinha um quarto pra descansar.
Tudo de bom para acontecer.
E muitas musicas pra cantar.
E vários versos pra se escrever.
E quando o tempo fechava
E a noite absurda
Era a anunciação do temporal,
Havia a proteção que não faltava,
O aconchego, o colo, o braço, a mão...
A boa palavra
Que não chegava impondo condição...
E mesmo quando a dor era mais forte
Havia alento,
Refazimento,
Havia ungüento pra dor do mal...
Onde eu nasci era assim:
Repouso e pasto,
Caminho longo ao sol, porem seguro.
Havia o mundo, mundo, vasto mundo... Vasto.
Que eu observava de cima do meu muro.
Um muro alto que me protegia...
Um muro imenso que me preservava
Das tempestades de hipocrisia,
Do mau juízo, da má palavra...
E ali de cima do alto do meu muro
Que era como se fosse um pai pra mim
Eu respirava ar puro...
Onde eu nasci era assim...
IV
Mas
Um dia quando tudo deu errado
E nesse dia eu descuidei de mim
Eu fui, feito um cartão extraviado,
Desembocar nos rumos de onde eu vim...
Um dia, feito um rio extravasado,
Um dia, feito um temporal ruim,
Ruim feito um feitiço encomendado,
Ruim feito a crueldade que é sem fim,
Um dia, quando tudo foi quebrado,
Ou quase tudo, melhor assim,
Eu capotei... Cai desacordado...
Tive o meu rosto inteiro deformado...
Meu santuário usurpado...
Um dia, quando tudo deu errado...
Um dia, quando eu descuidei de mim...
V
Hoje
Há os que julgam que eu nunca fui.
Há os que acreditam que eu não voltarei.
Há ainda os que estão certos de que eu sou
Do lugar pra onde eu fui quando eu nem sei
Por que motivos, com que interesses,
Quando eu morri, quando eu me descuidei...
E ha os que me enxergam tão perdido
Que quase não conseguem acreditar
Que eu resolvi voltar pra minha casa...
Que eu tenho rumo e pernas de voltar...
Há os que me evitam,
Os que me procuram,
E os que só se aproximam pra roubar
Não a moeda, a vida...
Não o sonho...
Mas a capacidade de sonhar...
Ha os que sabem,
Os que nem supõem,
Os que se negam a acreditar...
Os que criticam,
Os que observam,
E há os que não sabem disfarçar:
Condenam,
Executam,
Discriminam
E cobram mesmo sem ter o que cobrar...
Enganam mesmo sem nenhum motivo,
Escondem sem ter coisa pra ocultar.
E mentem mesmo sem necessidade.
E falam coisas de não se falar.
Gentes...
Inúmeras pessoas.
Muita gente.
Quase impossível pra mim determinar
Tudo que falam,
Tudo que pensam,
Tudo que teimam em acreditar...
VI
Enquanto eu sigo o rumo do retorno
E cruzo pontes e matas e quebradas
E varo dias, e cruzo noites,
E passo acordado as madrugadas,
Enquanto eu varo noites sem sono
Cujo único objetivo é o de chegar
Eu cruzo gentes pelo caminho...
Como é imenso o meu caminhar...
É o retorno à casa tão distante.
Retorno imprescindível e impressionante.
É meu caminho de volta ao lar
Onde ao chegar eu estarei cansado
Porem imensamente gratificado
Por ter conseguido chegar.
VII
Retorno.
Já posso ouvir a musica ao longe.
O som da casa que há muito deixei.
A arvore é a mesma. O cachorro
Acho que não. Talvez. Sei lá. Não sei.
Retorno.
Conheço, eu imagino, alguns olhares.
Algumas vozes. Lembro do portão.
Parece o mesmo. A rua, a mesma.
Acho que eu fui o único fujão.
Retorno.
Não tenho outra saída.
Definitivamente nenhuma outra razão:
Voltar somente. Retomar a vida.
Porque insistir andar na contramão?
Retorno.
É minha estória. Não tenho medo
É meu caminho. Parece minha canção:
Pra você ver: eu to voltando pra casa.
I wanna hold your hand. Me de a mão.
Retorno.
E não me esqueço da poesia.
Minha companhia de aflição.
Amou comigo. Sofreu comigo.
E não me impôs nenhuma condição.
Retorno.
As coisas não saíram do lugar.
Estavam exatamente onde ainda estão.
Retorno. É minha vida. É meu legado.
Minha alforria. Minha absolvição.
Retorno.
Deixo pra trás pecados e desvios.
A poeira nos sapatos. E a lição:
Partir diariamente. Seguir longe.
Voar em desvarios absurdos.
Atravessar descampados
E mares nunca dantes navegados
Mas não deixar morrer o coração
Que sempre volta. Mais cedo. Mais tarde.
Silenciosamente. Ou com alarde.
Surpreendendo quase sempre ou não.
Retorno.
A musica ao longe. A casa. A trilha.
O cão que já faz parte da família.
A minha mãe. Minha irmã. Meus dois irmãos.
E a criançada.
Meu Deus. Como essa turma ta levada.
Meu Deus. Quem me segura essa emoção.
Retorno.
Não há caminho mais verdadeiro.
Nada desviará minha atenção.
Coisa nenhuma. Nenhum dinheiro.
Nenhuma rota de distração.
Retorno.
É meu triunfo. E única ambição.
De volta à casa. Meu pouso certo.
Eu nunca estive tão perto.
Eu nunca andei com tanta determinação.
É minha casa. Discos. Livros. Poesias.
Os restos intocados dos meus dias.
Parece ate que estou nessa canção:
Eu tou voltando pra casa.
Nada me atrasa
Nada me faz perder a condução.
Tudo é igual
Ou parecido
Ou quase tudo
O cachorrinho não.
Retorno.
Trago na minha idéia uma canção.
E mil poemas de felicidade.
Eu tou voltando pra imortalidade.
Eu tou voltando pro meu coração.
5.9.03
Tudo que eu mereço
Às vezes tão sem modos, sem juizo...
Às vezes de um sorriso tão sincero...
Às vezes delicioso paraiso...
Às vezes o inferno que eu não quero...
Às vezes menos do que eu preciso...
Às vezes muito mais do que eu espero...
Às vezes calmo assim, quase indeciso...
Às vezes incendiário, feito Nero...
Às vezes me acalenta, cuidadoso...
Às vezes me encabula, escandaloso...
Às vezes nem parece o que eu conheço...
Às vezes tanto que me desmonta...
Às vezes real... Às vezes faz de conta...
Ah, esse amor é tudo que eu mereço...
Às vezes tão sem modos, sem juizo...
Às vezes de um sorriso tão sincero...
Às vezes delicioso paraiso...
Às vezes o inferno que eu não quero...
Às vezes menos do que eu preciso...
Às vezes muito mais do que eu espero...
Às vezes calmo assim, quase indeciso...
Às vezes incendiário, feito Nero...
Às vezes me acalenta, cuidadoso...
Às vezes me encabula, escandaloso...
Às vezes nem parece o que eu conheço...
Às vezes tanto que me desmonta...
Às vezes real... Às vezes faz de conta...
Ah, esse amor é tudo que eu mereço...
3.9.03
Cinco Silencios
Primeiro Silencio
Um verso feito sem som
Escrito sem palavra de dizer.
Feito de coisa prá não ser mostrada,
Feito palpitação descompassada,
Feito sentir o coração bater...
Segundo Silencio
Existe um poema escrito sem palavras
De versos de não se fazerem à mão.
Palavras jamais datilografadas,
Um poema escrito além da compreensão.
Que é para alem dos olhos. Voz cantada
Para o deleite do coração.
Terceiro Silencio
Falar, mas sem usar palavra alguma...
Dizer das coisas sem pronunciar...
E assim dizendo sem dizer, assim,
Não deixar nunca de dizer nada
Perder a necessidade da palavra
Pra falar...
Quarto Silencio
A palavra que não tem som
Escreve o verso que não tem forma
Que é como o vento,
Que é como a luz,
Que é como o copo d´água quando entorna...
Porque a palavra inteira, sem tamanho,
Sem cor, sem vícios, sem definição,
É como o pensamento,
É como a idéia,
É como a forma do coração...
Quinto Silencio
A poesia não imaginada
Feita do verso que não se escreveu
Traduzindo a palavra não pensada
Feito a manhã que não aconteceu...
Tem gente que pensa que é nada...
Tem gente que traz a alma alimentada
Depois que leu...
Primeiro Silencio
Um verso feito sem som
Escrito sem palavra de dizer.
Feito de coisa prá não ser mostrada,
Feito palpitação descompassada,
Feito sentir o coração bater...
Segundo Silencio
Existe um poema escrito sem palavras
De versos de não se fazerem à mão.
Palavras jamais datilografadas,
Um poema escrito além da compreensão.
Que é para alem dos olhos. Voz cantada
Para o deleite do coração.
Terceiro Silencio
Falar, mas sem usar palavra alguma...
Dizer das coisas sem pronunciar...
E assim dizendo sem dizer, assim,
Não deixar nunca de dizer nada
Perder a necessidade da palavra
Pra falar...
Quarto Silencio
A palavra que não tem som
Escreve o verso que não tem forma
Que é como o vento,
Que é como a luz,
Que é como o copo d´água quando entorna...
Porque a palavra inteira, sem tamanho,
Sem cor, sem vícios, sem definição,
É como o pensamento,
É como a idéia,
É como a forma do coração...
Quinto Silencio
A poesia não imaginada
Feita do verso que não se escreveu
Traduzindo a palavra não pensada
Feito a manhã que não aconteceu...
Tem gente que pensa que é nada...
Tem gente que traz a alma alimentada
Depois que leu...
1.9.03
25.8.03
A Dúvida
Que graça tem, afinal, fazer poesia?
Passar o tempo inteiro escrevinhando?
E, ao transformar palavra em companhia,
Não reparar o tempo passando?
Que graça tem? Que toque de magia
Passar as horas rimando
Boneca com peteca, pia com tia?
Isso é comum desde quando?
Que graça tem que a tanta gente encanta?
Fazer poesia... Do que adianta?
Fazer poesia serve pra que?
Fazer poesia. Mania? Vicio?
Perda de tempo? Ócio? Desperdicio?
Para que serve escrever?
Que graça tem, afinal, fazer poesia?
Passar o tempo inteiro escrevinhando?
E, ao transformar palavra em companhia,
Não reparar o tempo passando?
Que graça tem? Que toque de magia
Passar as horas rimando
Boneca com peteca, pia com tia?
Isso é comum desde quando?
Que graça tem que a tanta gente encanta?
Fazer poesia... Do que adianta?
Fazer poesia serve pra que?
Fazer poesia. Mania? Vicio?
Perda de tempo? Ócio? Desperdicio?
Para que serve escrever?
24.8.03
Soneto de amar demais
Eu vou fazer você gostar de mim.
Eu vou tentar fazer você gostar
Desse meu jeito de gostar assim...
Eu vou tentar fazer você me amar.
Você me procurar pra dizer sim.
Você lembrar de mim quando acordar.
E, pouco a pouco, sem achar ruim,
Você gostando até se apaixonar.
E ai provar do amor que te ofereço.
Fazer do meu amor seu endereço
E do meu coração sua morada.
Eu vou fazer você me amar de um jeito
Que seja pra você o amor perfeito...
Uma estória de amor apaixonada.
Eu vou fazer você gostar de mim.
Eu vou tentar fazer você gostar
Desse meu jeito de gostar assim...
Eu vou tentar fazer você me amar.
Você me procurar pra dizer sim.
Você lembrar de mim quando acordar.
E, pouco a pouco, sem achar ruim,
Você gostando até se apaixonar.
E ai provar do amor que te ofereço.
Fazer do meu amor seu endereço
E do meu coração sua morada.
Eu vou fazer você me amar de um jeito
Que seja pra você o amor perfeito...
Uma estória de amor apaixonada.
As canções de lembrar você
Demorou tanto esse caminhar,
Demorou tanto pra acontecer,
Tanta paisagem, tanto lugar,
Tanto prazer que nem era prazer,
Tantos lugares de viajar,
Tantas pessoas de conhecer,
Foi tanto tempo que deu pra pensar
Que eu já não tinha nada mais pra ver.
Até que um dia, sem eu planejar,
E sem que eu começasse a perceber,
Uma passagem para algum lugar
E algum poema que eu nem sei porque
Serviram como a chave de eu te achar,
Como um copinho de eu te beber.
E, sem que eu conseguisse me soltar,
E, sem que eu pretendesse me prender,
Aconteceu gostar. E de eu gostar
Aconteceu do coração querer.
E, como quem não sabe mais voltar,
E, como quem não escolhe o que fazer,
Foi algo assim como se aproximar,
Foi como um banho de bem-querer,
Foi como um cheiro de se encantar,
Foi como uma água boa de beber,
Foi como um gosto de despertar,
Foi como um pedacinho de prazer...
Demorou tanto tempo pra chegar,
Tantas palavras pra eu escrever,
Tantas conchinhas, tanta água do mar,
Tantas manhãs sem ver o sol nascer,
Que eu não sabia mais acreditar,
Que eu já pensava nem merecer...
Foi tanto Titanic a naufragar...
Foi tanta trilha de eu me perder,
Até que eu encontrei o seu olhar,
Seu jeito doce de ser...
Tanto custou pra essa manhã chegar...
Mas acabou por amanhecer...
E desde ai foi que eu dei de cantar
Canções que eu canto pensando em você,
Canções que eu canto pra te lembrar,
Canções que eu canto pra te dizer:
Demorei tanto pra te encontrar...
Não vou me dar ao luxo de te perder...
Demorou tanto esse caminhar,
Demorou tanto pra acontecer,
Tanta paisagem, tanto lugar,
Tanto prazer que nem era prazer,
Tantos lugares de viajar,
Tantas pessoas de conhecer,
Foi tanto tempo que deu pra pensar
Que eu já não tinha nada mais pra ver.
Até que um dia, sem eu planejar,
E sem que eu começasse a perceber,
Uma passagem para algum lugar
E algum poema que eu nem sei porque
Serviram como a chave de eu te achar,
Como um copinho de eu te beber.
E, sem que eu conseguisse me soltar,
E, sem que eu pretendesse me prender,
Aconteceu gostar. E de eu gostar
Aconteceu do coração querer.
E, como quem não sabe mais voltar,
E, como quem não escolhe o que fazer,
Foi algo assim como se aproximar,
Foi como um banho de bem-querer,
Foi como um cheiro de se encantar,
Foi como uma água boa de beber,
Foi como um gosto de despertar,
Foi como um pedacinho de prazer...
Demorou tanto tempo pra chegar,
Tantas palavras pra eu escrever,
Tantas conchinhas, tanta água do mar,
Tantas manhãs sem ver o sol nascer,
Que eu não sabia mais acreditar,
Que eu já pensava nem merecer...
Foi tanto Titanic a naufragar...
Foi tanta trilha de eu me perder,
Até que eu encontrei o seu olhar,
Seu jeito doce de ser...
Tanto custou pra essa manhã chegar...
Mas acabou por amanhecer...
E desde ai foi que eu dei de cantar
Canções que eu canto pensando em você,
Canções que eu canto pra te lembrar,
Canções que eu canto pra te dizer:
Demorei tanto pra te encontrar...
Não vou me dar ao luxo de te perder...
20.8.03
Como tocar o coração de Tati?
Qualquer canção de amor é uma canção de amor:
Não faz brotar amor e amantes
Porém, se essa canção nos toca o coração,
O amor brota melhor e antes.
Qualquer Canção - Chico Buarque/1980
E como tocar o coração de Tati?
Como fazê-lo vibrar quando me lê?
Que palavras devo usar no meu poema?
Que coisas devo dizer?
Que letra eu deveria que a acendesse
E a fizesse desejar me ver?
Como tocar o coracao de Tati?
E eu que pensei que eu soubesse escrever...
Eu faço rima e chamo de poesia
Mas o que eu quero isso eu nao sei fazer.
Ah, coração de Tati...
Como eu faço?
Eu tento e nao consigo tocá-lo...
Porque?
Qualquer canção de amor é uma canção de amor:
Não faz brotar amor e amantes
Porém, se essa canção nos toca o coração,
O amor brota melhor e antes.
Qualquer Canção - Chico Buarque/1980
E como tocar o coração de Tati?
Como fazê-lo vibrar quando me lê?
Que palavras devo usar no meu poema?
Que coisas devo dizer?
Que letra eu deveria que a acendesse
E a fizesse desejar me ver?
Como tocar o coracao de Tati?
E eu que pensei que eu soubesse escrever...
Eu faço rima e chamo de poesia
Mas o que eu quero isso eu nao sei fazer.
Ah, coração de Tati...
Como eu faço?
Eu tento e nao consigo tocá-lo...
Porque?
19.8.03
Nada não
Não fiz perguntas sobre o seu passado:
Como vivia,
Por onde andava
Ou o que fazia...
Não fiz pergunta nenhuma.
Ela sorria.
E me falou que gostava de poesia...
Nem quis saber sobre muita coisa:
Se trabalhava,
Se tinha estudo
Ou se gostava
De Roberto Marinho...
Ela me tratou, entretanto, com carinho...
Eu aprendi seu nome,
Fiz um verso
E dei, pra ela cuidar,
Meu corração...
E todo o resto
Foi só desimportancia...
Conversa...
Entulho...
Lastro...
Nada não...
Não fiz perguntas sobre o seu passado:
Como vivia,
Por onde andava
Ou o que fazia...
Não fiz pergunta nenhuma.
Ela sorria.
E me falou que gostava de poesia...
Nem quis saber sobre muita coisa:
Se trabalhava,
Se tinha estudo
Ou se gostava
De Roberto Marinho...
Ela me tratou, entretanto, com carinho...
Eu aprendi seu nome,
Fiz um verso
E dei, pra ela cuidar,
Meu corração...
E todo o resto
Foi só desimportancia...
Conversa...
Entulho...
Lastro...
Nada não...
17.8.03
Proposição
Quero ser seu
Mas não quero ser seu
Dono.
Quero cuidar do seu sono
E de voce acordada.
Quero poder dar tudo
E cobrar nada
E amar voce por toda a minha vida.
Quero ser sua porta de saida.
Ser o repouso da sua alma cansada.
Não quero saber seu segredo.
So quero
Chegar mais cedo
Do que voce precisar.
Quero ser como seu banho refrescante à beira-mar.
Quero ser seu companheiro.
Quero ser seu operário.
Mas não quero, nem por sonho,
Ser o seu proprietário.
Só seu par.
Mas se não acontecer...
Se essa proposição for recusada
E eu acabar não me tornando nada,
Nem dono, companhia, vicio, sede,
Nem cola, espelho, objetivo, grude,
Saida, acostamento, pasto, pouso, rede,
O seu maior pecado,
A sua maior virtude,
Se eu acabar me transformnando em nada
Do que eu pretendi
Um dia
Ser do seu lado,
Vou transformar voce em poesia,
Guardar seu nome muito bem guardado...
Voce, meu pedacinho de alegria...
Razão do meu coração descompassado.
Quero ser seu
Mas não quero ser seu
Dono.
Quero cuidar do seu sono
E de voce acordada.
Quero poder dar tudo
E cobrar nada
E amar voce por toda a minha vida.
Quero ser sua porta de saida.
Ser o repouso da sua alma cansada.
Não quero saber seu segredo.
So quero
Chegar mais cedo
Do que voce precisar.
Quero ser como seu banho refrescante à beira-mar.
Quero ser seu companheiro.
Quero ser seu operário.
Mas não quero, nem por sonho,
Ser o seu proprietário.
Só seu par.
Mas se não acontecer...
Se essa proposição for recusada
E eu acabar não me tornando nada,
Nem dono, companhia, vicio, sede,
Nem cola, espelho, objetivo, grude,
Saida, acostamento, pasto, pouso, rede,
O seu maior pecado,
A sua maior virtude,
Se eu acabar me transformnando em nada
Do que eu pretendi
Um dia
Ser do seu lado,
Vou transformar voce em poesia,
Guardar seu nome muito bem guardado...
Voce, meu pedacinho de alegria...
Razão do meu coração descompassado.
15.8.03
12.8.03
A função do poema
Eu hoje amanheci triste. O que ontem teve cor de delicadeza e brilho, nessa manhã me pareceu cinzento feito o breu e nuvem de chuva.
Corri para o poema e escrevi dois sonetos.
Algumas horas depois, as nuvens negras se dissiparam e o sol apareceu de novo.
Descobri que não se deve olhar para o amor de óculos escuros. A luz se confunde com as cores da lente e voce acaba pondo cores erradas nas cores exatas...
Era a função do poema naquele momento em que perdi o foco me proteger da minha desesperança...
Quando a desesperança se dissipou restou o poema. Ainda que triste, é mais suave que o alcool ou o tiro...
Viva a poesia.
Um verso só
Hoje, tenho certeza, fui mais um
Apaixonado, doce, dedicado...
Eu dei meu coração. Me abandonei.
Hoje sou só mais um abandonado.
Hoje, tenho certeza, não fui nada
Além de atenção e simpatia.
Fiz o que achava que era pra fazer
E no final sobrou só poesia.
Hoje, tenho certeza, estou sozinho...
Eu dei, prá quem não quis, o meu carinho...
Prá quem não aceitou, meu coração...
Hoje, tenho certeza, só me cabe
A palavra do verso que se sabe
Silencio, solitude, solidão...
O que vai ficar
Não vou mais esperar que voce goste de mim...
Que voce queira me entregar seu coração.
Ficar pedindo pra voce dizer sim
Quando o que voce quer é dizer não.
Não vou mais esperar em mim por seu carinho...
A hora de te ver à qualquer hora...
Eu sou sozinho. Eu sempre fui sozinho.
Por que tentar deixar de ser sozinho agora?
Por isso não vou mais esperar voce chegando...
Não mais imaginar voce me procurando...
Voce não quer ficar. Por isso some.
Mas guardo de lembrança o beijo recebido.
Lembranças do que foi, mas sem ter sido:
Seus olhos, seu sorriso, sua voz, seu nome...
Algumas horas após esses poemas tristes perderam o sentido e novas rimas os substituiram no lago dos versos cujos primeiros baldes de agua encantada serão derramadas aqui nesse blog nas próximas vezes...
Até que as proximas nuvens apareçam...
E assim continuamente...
Eis a função do poema...
Eu hoje amanheci triste. O que ontem teve cor de delicadeza e brilho, nessa manhã me pareceu cinzento feito o breu e nuvem de chuva.
Corri para o poema e escrevi dois sonetos.
Algumas horas depois, as nuvens negras se dissiparam e o sol apareceu de novo.
Descobri que não se deve olhar para o amor de óculos escuros. A luz se confunde com as cores da lente e voce acaba pondo cores erradas nas cores exatas...
Era a função do poema naquele momento em que perdi o foco me proteger da minha desesperança...
Quando a desesperança se dissipou restou o poema. Ainda que triste, é mais suave que o alcool ou o tiro...
Viva a poesia.
Um verso só
Hoje, tenho certeza, fui mais um
Apaixonado, doce, dedicado...
Eu dei meu coração. Me abandonei.
Hoje sou só mais um abandonado.
Hoje, tenho certeza, não fui nada
Além de atenção e simpatia.
Fiz o que achava que era pra fazer
E no final sobrou só poesia.
Hoje, tenho certeza, estou sozinho...
Eu dei, prá quem não quis, o meu carinho...
Prá quem não aceitou, meu coração...
Hoje, tenho certeza, só me cabe
A palavra do verso que se sabe
Silencio, solitude, solidão...
O que vai ficar
Não vou mais esperar que voce goste de mim...
Que voce queira me entregar seu coração.
Ficar pedindo pra voce dizer sim
Quando o que voce quer é dizer não.
Não vou mais esperar em mim por seu carinho...
A hora de te ver à qualquer hora...
Eu sou sozinho. Eu sempre fui sozinho.
Por que tentar deixar de ser sozinho agora?
Por isso não vou mais esperar voce chegando...
Não mais imaginar voce me procurando...
Voce não quer ficar. Por isso some.
Mas guardo de lembrança o beijo recebido.
Lembranças do que foi, mas sem ter sido:
Seus olhos, seu sorriso, sua voz, seu nome...
Algumas horas após esses poemas tristes perderam o sentido e novas rimas os substituiram no lago dos versos cujos primeiros baldes de agua encantada serão derramadas aqui nesse blog nas próximas vezes...
Até que as proximas nuvens apareçam...
E assim continuamente...
Eis a função do poema...
11.8.03
Canção pra fazer Tati dormir
Descansa, anjo... Eu cuido do teu sono...
Repousa junto a mim teu coração.
Dorme tranqüila. Nada lá fora
Pode te ameaçar o sono agora.
Descansa. Fica leve. Sai do chão.
Descansa, anjo, que eu te protejo
Dos olhos da bruxa, do bicho papão.
Descansa enquanto aliso teus cabelos.
Descansa. Já não há mais pesadelos.
Descansa. Eu te dou minha proteção.
Esquece o teu cansaço. Deita o corpo.
Mergulha inteira no pensamento.
Eu faço a brisa soprar mansinho.
Invento um canto de passarinho
Pra que nada perturbe esse momento.
E dorme... Assim... Como quem perde a hora...
Como quem não tem hora pra acordar...
Dorme gostoso, moça morena
Do cabelo comprido, voz amena
E da risada boa de escutar...
Eu cuido pra que nada te aconteça.
Nada apareça de ruim que te incomode.
Nenhum barulho. Nenhum ruído.
Nenhuma coisa má. Nenhum perigo.
Nada te assuste. Nada te acorde.
Dorme tranqüila. Deixa que eu te cuido.
Nem muito frio. Nem muito calor.
Nenhum estrondo ou musica agitada.
Dorme. Eu me entendo com a madrugada.
Dorme. Eu me entendo com o Criador.
Mas nem que para isso eu me abandone
E até me esqueça eu mesmo de dormir.
E passe a noite te vigiando.
E passe a noite inteira te cuidando
E a noite passe sem eu sentir.
Então descansa. Eu cuido do resto.
Da dor. Do desconforto. Do cansaço.
Nada te preocupa mais. Descansa.
Dorme teu sono feito uma criança
E o que for preciso, deixa, eu faço:
Apago o Sol e reinvento a Lua.
Eu mudo as cores do meu País.
Eu troco o mar de lugar. Te trago a praia.
Levo a Bahia pro alto do Himalaia.
Misturo Guarapari com Paris.
Pego a Baia da Guanabara
E embrulho de presente pra trazer.
Chamo as estrelas pra cantar baixinho
Que é pra não amolar o teu soninho.
Preparo frases pra te dizer:
_Bom dia, Princesinha. _Dormiu bem?
_Sonhou alguma coisa especial?
_Ta descansada? _Quer pão com queijo?
_Quer bolo de fubá? _Café com beijo?
_Quer ser a musa do meu carnaval?
E fico imaginando coisas boas
Pra te esperar acordar:
Brinquedos, brincadeiras, passatempos,
Recortes, origamis, cataventos...
E muitas musicas pra cantar...
Descansa. Eu te preparo essa alegria.
Delicia. Poesia. Encantamento.
Invento coisa nova com tempero.
Talco. Perfume. Banho de cheiro.
E um chafariz feito de envolvimento.
Pra proteger teu sono delicado.
Pra te manter dormindo, distraída.
Eu redescubro o verso mais sublime.
Eu torço contigo contra o meu time.
Eu te ofereço toda minha vida.
E a Lua cheia se aproximando
Traz para mim, de prata, um violão.
So pra eu cantar serenata dedilhada.
Fazendo musica na madrugada.
So pra deixar feliz teu coração.
Por isso dorme, Tati. Delicada.
Nada de mal vai te acontecer.
Eu dou um susto na bruxa malvada.
Dorme tranqüila, Tati, porque nada
Eu vou deixar mais te fazer sofrer.
Descansa, Anjo. Eu cuido de tudo.
Descansa, Anjo. Pode deixar.
Descansa que eu te guardo, Princesinha.
Descansa. E guarda esse poeminha
Que é feito de um pedaço de eu te amar.
Descansa, anjo... Eu cuido do teu sono...
Repousa junto a mim teu coração.
Dorme tranqüila. Nada lá fora
Pode te ameaçar o sono agora.
Descansa. Fica leve. Sai do chão.
Descansa, anjo, que eu te protejo
Dos olhos da bruxa, do bicho papão.
Descansa enquanto aliso teus cabelos.
Descansa. Já não há mais pesadelos.
Descansa. Eu te dou minha proteção.
Esquece o teu cansaço. Deita o corpo.
Mergulha inteira no pensamento.
Eu faço a brisa soprar mansinho.
Invento um canto de passarinho
Pra que nada perturbe esse momento.
E dorme... Assim... Como quem perde a hora...
Como quem não tem hora pra acordar...
Dorme gostoso, moça morena
Do cabelo comprido, voz amena
E da risada boa de escutar...
Eu cuido pra que nada te aconteça.
Nada apareça de ruim que te incomode.
Nenhum barulho. Nenhum ruído.
Nenhuma coisa má. Nenhum perigo.
Nada te assuste. Nada te acorde.
Dorme tranqüila. Deixa que eu te cuido.
Nem muito frio. Nem muito calor.
Nenhum estrondo ou musica agitada.
Dorme. Eu me entendo com a madrugada.
Dorme. Eu me entendo com o Criador.
Mas nem que para isso eu me abandone
E até me esqueça eu mesmo de dormir.
E passe a noite te vigiando.
E passe a noite inteira te cuidando
E a noite passe sem eu sentir.
Então descansa. Eu cuido do resto.
Da dor. Do desconforto. Do cansaço.
Nada te preocupa mais. Descansa.
Dorme teu sono feito uma criança
E o que for preciso, deixa, eu faço:
Apago o Sol e reinvento a Lua.
Eu mudo as cores do meu País.
Eu troco o mar de lugar. Te trago a praia.
Levo a Bahia pro alto do Himalaia.
Misturo Guarapari com Paris.
Pego a Baia da Guanabara
E embrulho de presente pra trazer.
Chamo as estrelas pra cantar baixinho
Que é pra não amolar o teu soninho.
Preparo frases pra te dizer:
_Bom dia, Princesinha. _Dormiu bem?
_Sonhou alguma coisa especial?
_Ta descansada? _Quer pão com queijo?
_Quer bolo de fubá? _Café com beijo?
_Quer ser a musa do meu carnaval?
E fico imaginando coisas boas
Pra te esperar acordar:
Brinquedos, brincadeiras, passatempos,
Recortes, origamis, cataventos...
E muitas musicas pra cantar...
Descansa. Eu te preparo essa alegria.
Delicia. Poesia. Encantamento.
Invento coisa nova com tempero.
Talco. Perfume. Banho de cheiro.
E um chafariz feito de envolvimento.
Pra proteger teu sono delicado.
Pra te manter dormindo, distraída.
Eu redescubro o verso mais sublime.
Eu torço contigo contra o meu time.
Eu te ofereço toda minha vida.
E a Lua cheia se aproximando
Traz para mim, de prata, um violão.
So pra eu cantar serenata dedilhada.
Fazendo musica na madrugada.
So pra deixar feliz teu coração.
Por isso dorme, Tati. Delicada.
Nada de mal vai te acontecer.
Eu dou um susto na bruxa malvada.
Dorme tranqüila, Tati, porque nada
Eu vou deixar mais te fazer sofrer.
Descansa, Anjo. Eu cuido de tudo.
Descansa, Anjo. Pode deixar.
Descansa que eu te guardo, Princesinha.
Descansa. E guarda esse poeminha
Que é feito de um pedaço de eu te amar.
10.8.03
O Coração guardado
O coração guardado com carinho
Não se mistura com as coisas que ela faz...
Não toca nas lixeiras do caminho...
Não troca flertes com qualquer rapaz...
O coração guardado se preserva
Da dor, do mal, da podridão, do medo,
Feito uma luz que se guarda da treva...
Feito um Tesouro guardado e seu segredo...
O coração guardado permanece
Fonte de vida, lago de esperança,
Repouso de descanso e bem estar...
O coração guardado feito prece
Que faz dessa mulher uma criança
Que quer sorrir, pular, cantar, crescer, brincar...
O coração guardado com carinho
Não se mistura com as coisas que ela faz...
Não toca nas lixeiras do caminho...
Não troca flertes com qualquer rapaz...
O coração guardado se preserva
Da dor, do mal, da podridão, do medo,
Feito uma luz que se guarda da treva...
Feito um Tesouro guardado e seu segredo...
O coração guardado permanece
Fonte de vida, lago de esperança,
Repouso de descanso e bem estar...
O coração guardado feito prece
Que faz dessa mulher uma criança
Que quer sorrir, pular, cantar, crescer, brincar...
Inalcançável
Cheguei bem perto. Vi o que havia dentro.
Aproximei-me demais tentando entrar.
Eu pude ouvir o som do pensamento...
Acreditei haver chegado lá.
Mas uma tranca na porta de entrada
E um muro alto por proteção...
Como uma Fortaleza resguardada...
Como uma Fortaleza, o coração...
Tentei tomar pra mim... Escorregava...
Trazer comigo. Em vão, pois me escapava...
Tentei correr atrás... Mas fui mais lento...
E desde então dei de escrever poemas...
Julguei ter sido um SIM o que era apenas
O ruído das palavras contra o vento...
Cheguei bem perto. Vi o que havia dentro.
Aproximei-me demais tentando entrar.
Eu pude ouvir o som do pensamento...
Acreditei haver chegado lá.
Mas uma tranca na porta de entrada
E um muro alto por proteção...
Como uma Fortaleza resguardada...
Como uma Fortaleza, o coração...
Tentei tomar pra mim... Escorregava...
Trazer comigo. Em vão, pois me escapava...
Tentei correr atrás... Mas fui mais lento...
E desde então dei de escrever poemas...
Julguei ter sido um SIM o que era apenas
O ruído das palavras contra o vento...
A Menina do Poema
A Menina do Poema foi embora
E não lembrou de se despedir...
Levou as rimas
Levou os risos
Levou os beijos meus no seu partir...
A Menina do Poema foi pra longe
E não deixou aviso nem recado...
Tentei segui-la,
Mas me perdi...
Eu nunca compreendi
O meu pecado.
A Menina do Poema foi embora...
Não leu os versos que eu escrevi...
E pra que serve um poema
Atordoado
Que já não sabe pra onde ir?
A Menina do Poema foi embora
Levando a luz que imaginei ser minha...
Silencio...
Sombra...
Palidez...
Penumbra...
E a voz que já não canta mais,
Sozinha...
A Menina do Poema foi embora
Sem despedida.
Sem explicação.
Restou a letra
Quase inconformada
Dizendo:
Volta pro meu coração...
A Menina do Poema foi embora
E não lembrou de se despedir...
Levou as rimas
Levou os risos
Levou os beijos meus no seu partir...
A Menina do Poema foi pra longe
E não deixou aviso nem recado...
Tentei segui-la,
Mas me perdi...
Eu nunca compreendi
O meu pecado.
A Menina do Poema foi embora...
Não leu os versos que eu escrevi...
E pra que serve um poema
Atordoado
Que já não sabe pra onde ir?
A Menina do Poema foi embora
Levando a luz que imaginei ser minha...
Silencio...
Sombra...
Palidez...
Penumbra...
E a voz que já não canta mais,
Sozinha...
A Menina do Poema foi embora
Sem despedida.
Sem explicação.
Restou a letra
Quase inconformada
Dizendo:
Volta pro meu coração...
8.8.03
O Desejo...
No meio do caminho a palavra: interrompido...
Bandeiras vermelhas na beira-mar...
As frases do poema, sem sentido...
E tudo era um sinal: Vai devagar...
E toda gente a repetir: Cuidado...
E os mais experientes: Não vai não...
E tudo concluia: há algo errado...
Mas o poeta seguiu seu coração...
E caminhou, ignorando alarmes,
PERIGO escrito com letras enormes...
Passagem proibida... Ponte estreita...
E caminhou, sem dar ouvido a nada...
Resta aguardar, após a madrugada,
O amanhecer do Dia da Colheita...
No meio do caminho a palavra: interrompido...
Bandeiras vermelhas na beira-mar...
As frases do poema, sem sentido...
E tudo era um sinal: Vai devagar...
E toda gente a repetir: Cuidado...
E os mais experientes: Não vai não...
E tudo concluia: há algo errado...
Mas o poeta seguiu seu coração...
E caminhou, ignorando alarmes,
PERIGO escrito com letras enormes...
Passagem proibida... Ponte estreita...
E caminhou, sem dar ouvido a nada...
Resta aguardar, após a madrugada,
O amanhecer do Dia da Colheita...
Encantamento
Morar na praça do pensamento...
Beber da agua da bica do entrelace...
Surfar nas ondas do deslumbramento
Como se nada mais importasse...
Passar perfume de envolvimento...
Se alimentar das raizes do entregar-se...
Criar um mundo de sonho e ir morar dentro...
Isso é encantar-se...
Como nas Fábulas Encantadas,
Viver um Conto de Fadas
E Mil e Uma Noites de alegria,
Para que na milésima segunda
O encanto acabe feito um mar que afunda
A Embarcação construida de poesia...
Morar na praça do pensamento...
Beber da agua da bica do entrelace...
Surfar nas ondas do deslumbramento
Como se nada mais importasse...
Passar perfume de envolvimento...
Se alimentar das raizes do entregar-se...
Criar um mundo de sonho e ir morar dentro...
Isso é encantar-se...
Como nas Fábulas Encantadas,
Viver um Conto de Fadas
E Mil e Uma Noites de alegria,
Para que na milésima segunda
O encanto acabe feito um mar que afunda
A Embarcação construida de poesia...
A unica forma
Eu passo o tempo escrevendo, escrevendo,
Escrevendo, escrevendo,
Escrevendo, escrevendo
Sem perceber a hora de parar...
As vezes eu chego a caminhos delicados,
As vezes me canso dos meus pecados
Que eu passo o tempo fingindo ignorar...
E continuo escrevendo, escrevendo,
Escrevendo, escrevendo,
Escrevendo, escrevendo
Palavras imensas de não terminar...
Às vezes eu me espanto quando leio...
Às vezes nem lembro que existe freio...
Às vezes nem sinto a chuva chegar...
E permaneço escrevendo, escrevendo,
Escrevendo, escrevendo,
Escrevendo, escrevendo
Feito uma frase de não se bastar...
Tem dias que nem vejo anoitecendo...
Tem dores que nem sinto mais doendo...
Tem vezes que eu nem sei continuar...
Eu passo o tempo escrevendo, escrevendo,
Escrevendo, escrevendo,
Escrevendo, escrevendo
Sem perceber a hora de parar...
As vezes eu chego a caminhos delicados,
As vezes me canso dos meus pecados
Que eu passo o tempo fingindo ignorar...
E continuo escrevendo, escrevendo,
Escrevendo, escrevendo,
Escrevendo, escrevendo
Palavras imensas de não terminar...
Às vezes eu me espanto quando leio...
Às vezes nem lembro que existe freio...
Às vezes nem sinto a chuva chegar...
E permaneço escrevendo, escrevendo,
Escrevendo, escrevendo,
Escrevendo, escrevendo
Feito uma frase de não se bastar...
Tem dias que nem vejo anoitecendo...
Tem dores que nem sinto mais doendo...
Tem vezes que eu nem sei continuar...
O beijo de Tati
Tati me pediu um poema...
Acho que acabei escrevendo uma cantada...
Vc me desculpa, Tati?
Como é que será o gosto
Do beijo que vem de Tati?
Terá sabor de chiclete?
De bala de chocolate?
Terá sabor de veneno?
Terá gosto de suspiro?
Será gostoso e sereno
Ou perigoso delírio?
Se o beijo for como o gosto
Do seu rosto delicado
Será um beijo suave
Com tempero de pecado.
Se for como a cor morena
Da sua pele macia
Será um beijo sereno
Feito truque de magia.
Se for como a cor bonita
Do seu cabelo ondulado
Terá o sabor que excita
Só em ser imaginado.
Que gosto terá o beijo
Que vem da boca de Tati?
Será que terá gosto de aventura?
Será que terá gosto de paixão?
Será daqueles que deixa a gente mole
E entrega sem pensar o coração?
Terá sabor de coisa que apaixona?
Terá sabor de coisa duradoura?
Será que é relaxante feito espuma?
Será que é coisa assim, provocadora?
Se for gostoso feito o seu sorriso
Ou delicado feito a sua voz
Terá sabor de coisa sem juízo...
Terá um gostinho de quero mais...
Ah, Tati,
Não me maltrate,
Me deixa experimentar o beijo seu...
Me deixa descobrir o gosto dele...
Me mostra, como se ele fosse meu...
Quem sabe eu o descubra delicado
E de outra vez eu o perceba intenso
E de uma outra cheio de pecado
E de outra vez desarme o meu bom senso,
E cada vez assim, de uma maneira
Suave e intempestivo, água e vinho,
Discreto e delicado, outras nem tanto,
Por vezes mais levado, molhadinho,
Por vezes, comportado, quase santo,
E assim todos os beijos num só beijo
E cada vez um sabor diferente
Eu possa descobrir cada um deles
Como quem lê um livro lentamente...
Até que o tempo passe e eu compreenda
Que o gosto do beijo de Tati é mais que um gosto...
É alguma coisa linda, além da lenda...
Além da delicadeza do seu rosto...
E nesse dia, maravilhado,
Como quem descobriu o que queria
Eu possa te dizer, apaixonado,
Tati, teu beijo tem gosto de poesia...
Tati me pediu um poema...
Acho que acabei escrevendo uma cantada...
Vc me desculpa, Tati?
Como é que será o gosto
Do beijo que vem de Tati?
Terá sabor de chiclete?
De bala de chocolate?
Terá sabor de veneno?
Terá gosto de suspiro?
Será gostoso e sereno
Ou perigoso delírio?
Se o beijo for como o gosto
Do seu rosto delicado
Será um beijo suave
Com tempero de pecado.
Se for como a cor morena
Da sua pele macia
Será um beijo sereno
Feito truque de magia.
Se for como a cor bonita
Do seu cabelo ondulado
Terá o sabor que excita
Só em ser imaginado.
Que gosto terá o beijo
Que vem da boca de Tati?
Será que terá gosto de aventura?
Será que terá gosto de paixão?
Será daqueles que deixa a gente mole
E entrega sem pensar o coração?
Terá sabor de coisa que apaixona?
Terá sabor de coisa duradoura?
Será que é relaxante feito espuma?
Será que é coisa assim, provocadora?
Se for gostoso feito o seu sorriso
Ou delicado feito a sua voz
Terá sabor de coisa sem juízo...
Terá um gostinho de quero mais...
Ah, Tati,
Não me maltrate,
Me deixa experimentar o beijo seu...
Me deixa descobrir o gosto dele...
Me mostra, como se ele fosse meu...
Quem sabe eu o descubra delicado
E de outra vez eu o perceba intenso
E de uma outra cheio de pecado
E de outra vez desarme o meu bom senso,
E cada vez assim, de uma maneira
Suave e intempestivo, água e vinho,
Discreto e delicado, outras nem tanto,
Por vezes mais levado, molhadinho,
Por vezes, comportado, quase santo,
E assim todos os beijos num só beijo
E cada vez um sabor diferente
Eu possa descobrir cada um deles
Como quem lê um livro lentamente...
Até que o tempo passe e eu compreenda
Que o gosto do beijo de Tati é mais que um gosto...
É alguma coisa linda, além da lenda...
Além da delicadeza do seu rosto...
E nesse dia, maravilhado,
Como quem descobriu o que queria
Eu possa te dizer, apaixonado,
Tati, teu beijo tem gosto de poesia...
31.7.03
30.7.03
Epitáfio
Um catador de conchinhas que passava o tempo entre o aqui e o ali buscando o além...
Um catador de conchinhas que viveu a vida inteira assim, intensamente...
Um catador de conchinhas que catava conchinhas prá que nunca se soube bem...
Um catador de conchinhas que catava conchinhas por catar, somente...
Um catador de conchinhas que passava o tempo entre o aqui e o ali buscando o além...
Um catador de conchinhas que viveu a vida inteira assim, intensamente...
Um catador de conchinhas que catava conchinhas prá que nunca se soube bem...
Um catador de conchinhas que catava conchinhas por catar, somente...
O Caminhar
Caminho pelas ruas da Cidade.
Não sei exatamente onde parar.
Reduzo a velocidade.
De repente
Uma vontade enorme de voltar.
Prossigo.
Eu acelero novamente.
Alguma coisa teima em me levar
Adiante, além, ali...
Possivelmente
N´alguma estrada de continuar...
E vou seguindo.
Agora, acelerado.
Nem nada e nem ninguem me faz parar.
Eu sigo o meu caminho não traçado
Como que me pedindo pra eu traçar.
Caminho pelas ruas.
Já é tarde.
Parece que a cidade já não há.
Só descampado,
Velocidade,
Só mata ,
Lago,
Vento ,
Rio,
Mar...
E assim eu sigo
Como quem procura
Sem conhecer o que,
Porque buscar...
Caminho pelas ruas da Cidade...
Como é moroso o meu caminhar...
Caminho pelas ruas da Cidade.
Não sei exatamente onde parar.
Reduzo a velocidade.
De repente
Uma vontade enorme de voltar.
Prossigo.
Eu acelero novamente.
Alguma coisa teima em me levar
Adiante, além, ali...
Possivelmente
N´alguma estrada de continuar...
E vou seguindo.
Agora, acelerado.
Nem nada e nem ninguem me faz parar.
Eu sigo o meu caminho não traçado
Como que me pedindo pra eu traçar.
Caminho pelas ruas.
Já é tarde.
Parece que a cidade já não há.
Só descampado,
Velocidade,
Só mata ,
Lago,
Vento ,
Rio,
Mar...
E assim eu sigo
Como quem procura
Sem conhecer o que,
Porque buscar...
Caminho pelas ruas da Cidade...
Como é moroso o meu caminhar...
13.7.03
Iber
O menino Iber, filho dos amigos Joca e Beatriz, foi vitima de um acidente fatal quando, ao subir no muro para tentar repor uma bola em jogo, tocou sem querer num fio de alta tensão... Um segundo foi a distancia entre o menino e o anjo. Menino bom que tive a opotunidade de conhecer em seu primeiro choro na sala de parto... Que o menino-anjo nos proteja a partir de agora dos muros e das bolas e dos fios da vida... Que Deus nos abençoe.
Foi só por brincadeira, sem maldade...
Mais uma levadice de menino...
Nada demais... Nenhuma leviandade...
Nem foi pecado... Foi só desatino...
Pegar a bola no muro... Deu vontade...
E entre o jogo e a morte, um fio fino:
No caminho da bola a eletricidade...
No caminho da eletricidade, o seu destino...
E assim, por brincadeira, sem pecado,
Sem que se compreendesse o significado
E sem que houvesse alguém para explicar,
Além do muro alto, outros gramados
Onde o menino, quase sem pecados,
Inexplicavelmente foi morar...
O menino Iber, filho dos amigos Joca e Beatriz, foi vitima de um acidente fatal quando, ao subir no muro para tentar repor uma bola em jogo, tocou sem querer num fio de alta tensão... Um segundo foi a distancia entre o menino e o anjo. Menino bom que tive a opotunidade de conhecer em seu primeiro choro na sala de parto... Que o menino-anjo nos proteja a partir de agora dos muros e das bolas e dos fios da vida... Que Deus nos abençoe.
Foi só por brincadeira, sem maldade...
Mais uma levadice de menino...
Nada demais... Nenhuma leviandade...
Nem foi pecado... Foi só desatino...
Pegar a bola no muro... Deu vontade...
E entre o jogo e a morte, um fio fino:
No caminho da bola a eletricidade...
No caminho da eletricidade, o seu destino...
E assim, por brincadeira, sem pecado,
Sem que se compreendesse o significado
E sem que houvesse alguém para explicar,
Além do muro alto, outros gramados
Onde o menino, quase sem pecados,
Inexplicavelmente foi morar...
4.7.03
A minha felicidade...
I
A minha felicidade não é só minha.
É minha e do vizinho que me cerca.
Felicidade, quando sozinha,
É poesia incompleta.
A minha felicidade não é só minha.
É minha e de cada um que me rodeia.
Quanto mais minha, mais da minha vizinha,
Como se eu fosse um ponto numa teia.
A minha felicidade é feito o cheiro
Que a cozinheira põe em seu tempero
E abre o apetite de quem cheira...
A minha felicidade não é só minha.
É como o vôo livre da andorinha.
É minha e é também da Terra inteira.
II
A minha felicidade é verdadeira.
Distribuida, permanece inteira,
E não termina, mesmo quando dada.
Fica pequenininha se trancada,
Quando é sozinha, fica abandonada,
Se eu guardo só pra mim, vira poeira.
E assim, feliz, sem ser feliz guardado,
(que diigam: coisa de poetinha)
A minha felicidade é o meu legado.
Achei quando pensei que já não tinha.
Quando eu já me sentia um derrotado
Chegou, sem eu notar de onde é que vinha.
Mas sei que só tomei ela emprestado:
Porque a minha felicidade não é só minha.
I
A minha felicidade não é só minha.
É minha e do vizinho que me cerca.
Felicidade, quando sozinha,
É poesia incompleta.
A minha felicidade não é só minha.
É minha e de cada um que me rodeia.
Quanto mais minha, mais da minha vizinha,
Como se eu fosse um ponto numa teia.
A minha felicidade é feito o cheiro
Que a cozinheira põe em seu tempero
E abre o apetite de quem cheira...
A minha felicidade não é só minha.
É como o vôo livre da andorinha.
É minha e é também da Terra inteira.
II
A minha felicidade é verdadeira.
Distribuida, permanece inteira,
E não termina, mesmo quando dada.
Fica pequenininha se trancada,
Quando é sozinha, fica abandonada,
Se eu guardo só pra mim, vira poeira.
E assim, feliz, sem ser feliz guardado,
(que diigam: coisa de poetinha)
A minha felicidade é o meu legado.
Achei quando pensei que já não tinha.
Quando eu já me sentia um derrotado
Chegou, sem eu notar de onde é que vinha.
Mas sei que só tomei ela emprestado:
Porque a minha felicidade não é só minha.
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