O Salário
Salário não é oferta. Nem presente.
Nem generosidade do patrão.
Não é um valor doado gentilmente,
Um gesto humano de gratidão.
Salário não é a esmola pra um carente.
Não é uma forma de doação.
Não é tapa-buraco, pano-quente,
Não é um premio por distinção...
Salário é o germe e o fruto do trabalho.
De um latifúndio é a parte que te cabe.
É o que te resta da divisão.
Não há respeito se não há salário.
A falta do salário é falta grave.
Onde não tem salário tem ladrão.
27.10.04
A Pneumonia
Febre. Catarro. Falta de ar.
Tiragem intercostal inspiratória.
Dificuldade para respirar.
Antecedentes alérgicos na estória.
Tosse que teima em não querer passar.
É o pulmão encharcado que estertora
Sonoros crepitantes a indicar
Sinais de congestão inflamatória.
A pneumonia. Quase uma asfixia
Fotografada na radiografia
Que às vezes mostra a dura realidade:
O muro que separa a morte e a cura
É feito a trilha estreita em noite escura
Por entre espinhos da fatalidade...
Febre. Catarro. Falta de ar.
Tiragem intercostal inspiratória.
Dificuldade para respirar.
Antecedentes alérgicos na estória.
Tosse que teima em não querer passar.
É o pulmão encharcado que estertora
Sonoros crepitantes a indicar
Sinais de congestão inflamatória.
A pneumonia. Quase uma asfixia
Fotografada na radiografia
Que às vezes mostra a dura realidade:
O muro que separa a morte e a cura
É feito a trilha estreita em noite escura
Por entre espinhos da fatalidade...
26.10.04
O Mar de Lama
Uma homenagem aos politicos da minha cidade que estão sabendo dar um show nesse segundo turno das eleições mais lamentáveis que já presenciamos.
Você quer conhecer um Mar de Lama?
Seja bem vindo à minha cidade...
Mas não se assuste com a imensa gama
De baixaria e de leviandade...
Das peripécias da Primeira Dama
Aos equívocos da Municipalidade,
Parece que a loucura criou fama
E recebeu, aqui, vitalidade...
Quer conhecer? A estupidez te chama.
Nada se perde aqui. Tudo se trama:
É uma questão de criatividade.
Aqui é um ninho de ratazana
Por isso a minha gente não se engana:
Aqui é um Mar de Lama de verdade...
Uma homenagem aos politicos da minha cidade que estão sabendo dar um show nesse segundo turno das eleições mais lamentáveis que já presenciamos.
Você quer conhecer um Mar de Lama?
Seja bem vindo à minha cidade...
Mas não se assuste com a imensa gama
De baixaria e de leviandade...
Das peripécias da Primeira Dama
Aos equívocos da Municipalidade,
Parece que a loucura criou fama
E recebeu, aqui, vitalidade...
Quer conhecer? A estupidez te chama.
Nada se perde aqui. Tudo se trama:
É uma questão de criatividade.
Aqui é um ninho de ratazana
Por isso a minha gente não se engana:
Aqui é um Mar de Lama de verdade...
O Funcionário e o Mar
Ao Funcionario Publico Municipal de minha Campos dos Goytacazes nesse seu dia de memória inesquecivel: nunca vimos uma eleição assim antes...
O funcionário, face impublicável,
Não sabe se ri, se chora ou se reclama,
Sentindo-se completamente dispensável
No meio desse imenso mar de lama...
Ao Funcionario Publico Municipal de minha Campos dos Goytacazes nesse seu dia de memória inesquecivel: nunca vimos uma eleição assim antes...
O funcionário, face impublicável,
Não sabe se ri, se chora ou se reclama,
Sentindo-se completamente dispensável
No meio desse imenso mar de lama...
18.10.04
Crime e Castigo
A droga e o vicio destruiram Maradona,
Adão e Eva perderam-se em pecado,
Luis Carlos Prestes comandou uma intentona,
Tiradentes confessou que era o culpado,
Mike Tyson vacilou, beijou a lona,
Carl Lewis dançou porque correu dopado,
O Flu perdeu e desceu pra segundona,
Mas eu, meu Deus, o que é que eu fiz de errado?
Lampião morreu porque era um cangaceiro,
Ronald Biggs roubou muito dinheiro,
Judas traiu e até hoje e malhado...
Mas eu, que mal pra receber a praga
De ter que trabalhar feito um burro de carga
E o meu salário sair tão atrasado?
A droga e o vicio destruiram Maradona,
Adão e Eva perderam-se em pecado,
Luis Carlos Prestes comandou uma intentona,
Tiradentes confessou que era o culpado,
Mike Tyson vacilou, beijou a lona,
Carl Lewis dançou porque correu dopado,
O Flu perdeu e desceu pra segundona,
Mas eu, meu Deus, o que é que eu fiz de errado?
Lampião morreu porque era um cangaceiro,
Ronald Biggs roubou muito dinheiro,
Judas traiu e até hoje e malhado...
Mas eu, que mal pra receber a praga
De ter que trabalhar feito um burro de carga
E o meu salário sair tão atrasado?
27.9.04
O Candidato. Parte V
(Ou O Dia Seguinte)
Eu fui um candidato. Fiz comicio.
Peguei no colo muita criancinha.
Dei muito a mão aos pobres nesse oficio.
Beijei no rosto de muita velhinha.
Que gente feia abracei no sacrificio.
Que cara de pau essa minha.
Eu fiz da hipocrisia um atrificio
Pra obter o voto dessa gentinha.
Eu fui um candidato até o dia
Em que o povo que eu beijei, por ironia,
Me despachou como quem toca um cão...
Banquei o espertalhão. Não deu em nada.
Tentando ludibriar quem me enganava
Morri da minha própria má- intenção...
(Ou O Dia Seguinte)
Eu fui um candidato. Fiz comicio.
Peguei no colo muita criancinha.
Dei muito a mão aos pobres nesse oficio.
Beijei no rosto de muita velhinha.
Que gente feia abracei no sacrificio.
Que cara de pau essa minha.
Eu fiz da hipocrisia um atrificio
Pra obter o voto dessa gentinha.
Eu fui um candidato até o dia
Em que o povo que eu beijei, por ironia,
Me despachou como quem toca um cão...
Banquei o espertalhão. Não deu em nada.
Tentando ludibriar quem me enganava
Morri da minha própria má- intenção...
9.9.04
O Candidato. Parte IV
(ou Autoretrato)
Eu sou um candidato. Uma ameaça.
Eu vivo às custas do seu sofrimento.
Eu me aproveito da sua desgraça.
A sua dificuldade é o meu sustento.
Eu sou um candidato. A minha raça
Não tem pudor nem constrangimento.
Eu não me importo com o que você passa.
Eu quero é melhorar meu rendimento.
Eu sou um salafrário oficial.
Um clone exato do Lobo Mau.
A minha especialidade é a vovozinha.
Tudo que eu quero é me dar bem. Mais nada.
Sou um protótipo da coisa errada.
Eu sou uma erva daninha.
(ou Autoretrato)
Eu sou um candidato. Uma ameaça.
Eu vivo às custas do seu sofrimento.
Eu me aproveito da sua desgraça.
A sua dificuldade é o meu sustento.
Eu sou um candidato. A minha raça
Não tem pudor nem constrangimento.
Eu não me importo com o que você passa.
Eu quero é melhorar meu rendimento.
Eu sou um salafrário oficial.
Um clone exato do Lobo Mau.
A minha especialidade é a vovozinha.
Tudo que eu quero é me dar bem. Mais nada.
Sou um protótipo da coisa errada.
Eu sou uma erva daninha.
O Candidato. Parte III
Essa gente não recua.
Essa gente continua
Querendo fazer de um curral
Nossa cidade...
(lembrando Drummond)
Eu sou um candidato. Moral ilibada.
Passado probo. Individuo competente.
Eu quero ser um lutador, mais nada.
A voz que clama pela minha gente.
Eu sou um candidato. Voz pausada.
Terno. Gravata. Gesto convincente.
Pai de familia. Uma alma devotada
E um histórico de vida comovente.
Eu sou um candidato... Presepada
De atitude milimetricamente calculada.
Produto feito pra chegar na frente.
Eu sou uma arapuca especializada
Em pegar gente despreparada.
Um estelionatário inconsequente.
Essa gente não recua.
Essa gente continua
Querendo fazer de um curral
Nossa cidade...
(lembrando Drummond)
Eu sou um candidato. Moral ilibada.
Passado probo. Individuo competente.
Eu quero ser um lutador, mais nada.
A voz que clama pela minha gente.
Eu sou um candidato. Voz pausada.
Terno. Gravata. Gesto convincente.
Pai de familia. Uma alma devotada
E um histórico de vida comovente.
Eu sou um candidato... Presepada
De atitude milimetricamente calculada.
Produto feito pra chegar na frente.
Eu sou uma arapuca especializada
Em pegar gente despreparada.
Um estelionatário inconsequente.
O Candidato. Parte II
A cidade está repleta de arapucas.
Gente ruim que se locupleta da miséria alheia se une a gente miserável que tenta acordo com mil algozes.
Não sinto ódio dessa gente.
Sinto poesia por ela.
Eu sou um candidato. Eu realizo.
Eu tenho planos para minha cidade.
Seu voto é tudo de que eu preciso
Para fazer do meu sonho realidade.
Eu sou um candidato serio, eu friso.
Nasci sob o signo da idoneidade.
Eu sei exatamente aonde é que eu piso.
Eu sou um defensor da civilidade.
Mas quando chego em casa e fecho a porta
Eu fico pensando na cor da nota
Que eu vou ganhar pra mim se eu for eleito.
Por isso eu peço a você: não me abandone.
Decore meu numero. Decore meu nome.
Eu preciso ficar rico nesse pleito.
A cidade está repleta de arapucas.
Gente ruim que se locupleta da miséria alheia se une a gente miserável que tenta acordo com mil algozes.
Não sinto ódio dessa gente.
Sinto poesia por ela.
Eu sou um candidato. Eu realizo.
Eu tenho planos para minha cidade.
Seu voto é tudo de que eu preciso
Para fazer do meu sonho realidade.
Eu sou um candidato serio, eu friso.
Nasci sob o signo da idoneidade.
Eu sei exatamente aonde é que eu piso.
Eu sou um defensor da civilidade.
Mas quando chego em casa e fecho a porta
Eu fico pensando na cor da nota
Que eu vou ganhar pra mim se eu for eleito.
Por isso eu peço a você: não me abandone.
Decore meu numero. Decore meu nome.
Eu preciso ficar rico nesse pleito.
1.9.04
O Candidato
Eu sou um candidato. Eu negocio.
Se o que é pro rio eu digo que é pro mar,
O que é pro mar eu digo que é pro rio...
É uma questão de negociar...
Um cacarejo eu trato como um pio.
Um pio eu lanço como um ronronar.
Se é dupla eu dexo registrado um trio.
Eu negocio sem pestanejar.
Eu sou um candidato. Eu troco. Eu crio.
Se eu digo que tá cheio e tá vazio
Aí é que eu prometo completar...
Sou como um rato dentro de um navio:
Se eu perco a vez aqui, ali me alio...
Resta é fazer alguém me acreditar...
Eu sou um candidato. Eu negocio.
Se o que é pro rio eu digo que é pro mar,
O que é pro mar eu digo que é pro rio...
É uma questão de negociar...
Um cacarejo eu trato como um pio.
Um pio eu lanço como um ronronar.
Se é dupla eu dexo registrado um trio.
Eu negocio sem pestanejar.
Eu sou um candidato. Eu troco. Eu crio.
Se eu digo que tá cheio e tá vazio
Aí é que eu prometo completar...
Sou como um rato dentro de um navio:
Se eu perco a vez aqui, ali me alio...
Resta é fazer alguém me acreditar...
25.8.04
Fingindo
O poeta é um fingidor.
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
Autopsicografia, Fernando Pessoa
É quase poesia. É uma ousadia.
Parece. Tenta ter a mesma cor.
Até se esforça, como quem copia,
Ou como faz o pássaro cantor...
Mas assim com a canção que o pássaro cria
É quase uma canção, o trovador
Tenta a palavra em forma de poesia...
Por isso é que o poeta é um fingidor...
E finge o verso, ou quase o verso, e tenta,
Espera, espelha, espalha, experimenta,
E a poesia quase vai surgindo...
Mas, como um terno imitação de um Armani,
Este soneto, amigo, não se engane,
É só o poeta, um fingidor, fingindo...
Autopsicografia, Fernando Pessoa
É quase poesia. É uma ousadia.
Parece. Tenta ter a mesma cor.
Até se esforça, como quem copia,
Ou como faz o pássaro cantor...
Mas assim com a canção que o pássaro cria
É quase uma canção, o trovador
Tenta a palavra em forma de poesia...
Por isso é que o poeta é um fingidor...
E finge o verso, ou quase o verso, e tenta,
Espera, espelha, espalha, experimenta,
E a poesia quase vai surgindo...
Mas, como um terno imitação de um Armani,
Este soneto, amigo, não se engane,
É só o poeta, um fingidor, fingindo...
18.8.04
O Enigma da Serpente
Este soneto é uma letra de musica.
Faz parte da trilha sonora que estou compondo para o musical infantil O Pequeno Principe.
Fala do encontro do Principezinho com a serpente no deserto.
Esta e as outras cações brevemente estarão disponiveis em mp3 em site brevemente divulgado.
Eu não vou muito longe, me arrastando.
Eu ando como quem arranha o chão.
Não sei andar correndo nem voando.
Eu ando quase como um arranhão.
E muita gente me acha um bicho estranho
E acha estranha a minha condição.
O meu caminho eu traço enquanto arranho
O chão como quem vai de escorregão.
Eu não vou muito longe. Mas cuidado.
Basta somente um beijo meu, gelado,
Somente um beijo pra te levar
Por mares nunca dantes navegados,
Por sonhos que jamais serão sonhados
E o coração não ousa imaginar...
Este soneto é uma letra de musica.
Faz parte da trilha sonora que estou compondo para o musical infantil O Pequeno Principe.
Fala do encontro do Principezinho com a serpente no deserto.
Esta e as outras cações brevemente estarão disponiveis em mp3 em site brevemente divulgado.
Eu não vou muito longe, me arrastando.
Eu ando como quem arranha o chão.
Não sei andar correndo nem voando.
Eu ando quase como um arranhão.
E muita gente me acha um bicho estranho
E acha estranha a minha condição.
O meu caminho eu traço enquanto arranho
O chão como quem vai de escorregão.
Eu não vou muito longe. Mas cuidado.
Basta somente um beijo meu, gelado,
Somente um beijo pra te levar
Por mares nunca dantes navegados,
Por sonhos que jamais serão sonhados
E o coração não ousa imaginar...
12.8.04
11.8.04
Cuidado quando voce for escrever poesia no Livro de Plantão
ou A fogueira da Inquisição não se apagou...
Não pode verso em Livro de Plantão.
Não pode rima em plena Portaria.
Nos corredores pode também nção.
Na Recepção não pode ter poesia.
Não pode verso escrito em receituário.
Versinhos causam grande confusão.
Seja discreto, portanto, em seu poemário,
E siga sempre o Manual de Instrução:
Não rime nada que comprometa.
Segure a onda da sua caneta.
Sonetos só se forem pra tapear.
Por isso evite escrever poesia.
Tome cuidado porque a Auditoria
Costuma, invariavelmente, não gostar...
ou A fogueira da Inquisição não se apagou...
Não pode verso em Livro de Plantão.
Não pode rima em plena Portaria.
Nos corredores pode também nção.
Na Recepção não pode ter poesia.
Não pode verso escrito em receituário.
Versinhos causam grande confusão.
Seja discreto, portanto, em seu poemário,
E siga sempre o Manual de Instrução:
Não rime nada que comprometa.
Segure a onda da sua caneta.
Sonetos só se forem pra tapear.
Por isso evite escrever poesia.
Tome cuidado porque a Auditoria
Costuma, invariavelmente, não gostar...
6.8.04
A fraternidade em flocos
A fraternidade não se intimida.
Resiste à dor e à dificuldade.
Não capitula, ainda que ferida.
Serve de antídoto pra infelicidade.
Não esmorece quando coagida.
Não vive à cata de novidade.
Não queda desatenta ou distraida.
Não teme ou treme ante a fatalidade.
A fraternidade. Nunca dividida.
Nunca deixada prá trás. Nunca perdida.
Não faz acordos com a iniquidade.
Amor que dura por toda a vida.
A dracma que jamais será perdida.
O amor tem flocos de fraternidade.
A fraternidade não se intimida.
Resiste à dor e à dificuldade.
Não capitula, ainda que ferida.
Serve de antídoto pra infelicidade.
Não esmorece quando coagida.
Não vive à cata de novidade.
Não queda desatenta ou distraida.
Não teme ou treme ante a fatalidade.
A fraternidade. Nunca dividida.
Nunca deixada prá trás. Nunca perdida.
Não faz acordos com a iniquidade.
Amor que dura por toda a vida.
A dracma que jamais será perdida.
O amor tem flocos de fraternidade.
A fraternidade
A fraternidade se diverte e brinca,
Faz coisas tolas parecerem sérias.
A fraternidade não tem limites:
Resiste aos virus e às bacterias.
E enquanto brinca e se diverte, cuida.
Como um remedio que os anjos dão.
E enquanto cuida com paciencia e zelo
Vai se tornando um só coração.
A fraternidade. Nada a copia:
Tratado, pensamento, poesia...
Nada contem tanta sinceridade...
Benditos sejam os irmãos que a vida
Faz com que vivam sem despedida...
Não há adeus na fraternidade...
A fraternidade se diverte e brinca,
Faz coisas tolas parecerem sérias.
A fraternidade não tem limites:
Resiste aos virus e às bacterias.
E enquanto brinca e se diverte, cuida.
Como um remedio que os anjos dão.
E enquanto cuida com paciencia e zelo
Vai se tornando um só coração.
A fraternidade. Nada a copia:
Tratado, pensamento, poesia...
Nada contem tanta sinceridade...
Benditos sejam os irmãos que a vida
Faz com que vivam sem despedida...
Não há adeus na fraternidade...
4.8.04
O Papel Infeliz
Em Campos, minha cidade, há dois matutinos: a Folha da Manhã e O Diário.
Obedecem linhas politicas distintas e por vezes chegam a noticiar o mesmo fato como se fossem fatos diferentes.
Aos matutinos da minha cidade, o meu soneto.
Culpado! Culpado! Escreve a Folha...
É inocente! Garante O Diário...
Um jornalismo de multipla escolha
Feito pra um mundo todo ao contrário...
O objeto. Um assegura: é rolha.
O outro jura que é um dromedário.
Um diz que é culpa de uma abelha a bolha,
O outro, de um maníaco sanguinário.
Está criada a informação zarolha
Quando um jura que é toco, outro que é trolha
E onde nenhum dos dois admite falha...
E sob esse surrealismo extraordinário
Resta ao leitor esclarecido a encolha
Ou o papel infeliz do grande otário.
Em Campos, minha cidade, há dois matutinos: a Folha da Manhã e O Diário.
Obedecem linhas politicas distintas e por vezes chegam a noticiar o mesmo fato como se fossem fatos diferentes.
Aos matutinos da minha cidade, o meu soneto.
Culpado! Culpado! Escreve a Folha...
É inocente! Garante O Diário...
Um jornalismo de multipla escolha
Feito pra um mundo todo ao contrário...
O objeto. Um assegura: é rolha.
O outro jura que é um dromedário.
Um diz que é culpa de uma abelha a bolha,
O outro, de um maníaco sanguinário.
Está criada a informação zarolha
Quando um jura que é toco, outro que é trolha
E onde nenhum dos dois admite falha...
E sob esse surrealismo extraordinário
Resta ao leitor esclarecido a encolha
Ou o papel infeliz do grande otário.
31.7.04
Adormecendo...
"Mano, aproveito a ocasião (inocência de Lucas) para a lhe pedir outra vez uma poesia sobre o sono das crianças."
De meu irmão Celso após ler O Pote de Ouro, aqui neste blog...
Desliga o fio da correria:
Escola, pipa, televisão...
Somente o sono por companhia:
O quarto de dormir do coração...
Desliga o som. Desfaz tudo. Esvazia
O pensamento. Guarda a respiração.
E após tudo vazio inventa e cria
Usando as letras da imaginação...
Desliga a luz e faz o faz de conta:
Inventa, molda, escreve, escolhe e apronta
De olhos fechados, pra ninguém ver...
Feito um segredo seu e do seu sono...
Feito uma idéia que não tem dono
E mora dentro do adormecer...
"Mano, aproveito a ocasião (inocência de Lucas) para a lhe pedir outra vez uma poesia sobre o sono das crianças."
De meu irmão Celso após ler O Pote de Ouro, aqui neste blog...
Desliga o fio da correria:
Escola, pipa, televisão...
Somente o sono por companhia:
O quarto de dormir do coração...
Desliga o som. Desfaz tudo. Esvazia
O pensamento. Guarda a respiração.
E após tudo vazio inventa e cria
Usando as letras da imaginação...
Desliga a luz e faz o faz de conta:
Inventa, molda, escreve, escolhe e apronta
De olhos fechados, pra ninguém ver...
Feito um segredo seu e do seu sono...
Feito uma idéia que não tem dono
E mora dentro do adormecer...
Receita para se tornar um Doutor Exemplar...
Uma homenagem à covardia e à omissão daquele que obedece, adubos do abuso, do desmando e da estupidez daquele que manda...
Sê bonzinho, Doutor, com quem te ofende,
E prá quem te ameaça diz: Amém!...
Bendito seja o Doutor quando ele atende
Numa só tarde quase ou mais de cem...
E não reclama, Doutor, mas sê bonzinho
Com quem te pune mesmo sem razão...
Um cordeirinho é sempre um cordeirinho...
Um tubarão é sempre um tubarão...
Com quem te explora, sê complacente...
Com quem te lesa, sempre sorridente...
Vai relegando tudo... Deixa estar...
Quem sabe um dia, porque Deus não falha,
Tu exibas, orgulhoso, uma medalha
De Honra ao Mérito, Doutor exemplar...
Uma homenagem à covardia e à omissão daquele que obedece, adubos do abuso, do desmando e da estupidez daquele que manda...
Sê bonzinho, Doutor, com quem te ofende,
E prá quem te ameaça diz: Amém!...
Bendito seja o Doutor quando ele atende
Numa só tarde quase ou mais de cem...
E não reclama, Doutor, mas sê bonzinho
Com quem te pune mesmo sem razão...
Um cordeirinho é sempre um cordeirinho...
Um tubarão é sempre um tubarão...
Com quem te explora, sê complacente...
Com quem te lesa, sempre sorridente...
Vai relegando tudo... Deixa estar...
Quem sabe um dia, porque Deus não falha,
Tu exibas, orgulhoso, uma medalha
De Honra ao Mérito, Doutor exemplar...
28.7.04
A tristeza diária
À minha amiga Bruna (www.fotolog.net/brubruzynha) após me pedir perdão pela tristeza diária...
Não te perdoo pela tristeza diária
Porque não há nada pra perdoar...
Tristeza não é pecado, moça linda,
Nem é pecado querer chorar...
Portanto fica assim do seu jeitinho...
Não precisa contar nem se explicar...
Estarei sempre por aqui, pertinho,
A porta sempre aberta. Pode entrar.
E não precisa dizer nem falar nada.
Pode ir deitar ou sentar-se, recostada.
Descansa o coração que tá tristinho...
Conta comigo, delicada amiga...
Se não quiser nada dizer, não diga...
Mas fica sempre com meu carinho...
À minha amiga Bruna (www.fotolog.net/brubruzynha) após me pedir perdão pela tristeza diária...
Não te perdoo pela tristeza diária
Porque não há nada pra perdoar...
Tristeza não é pecado, moça linda,
Nem é pecado querer chorar...
Portanto fica assim do seu jeitinho...
Não precisa contar nem se explicar...
Estarei sempre por aqui, pertinho,
A porta sempre aberta. Pode entrar.
E não precisa dizer nem falar nada.
Pode ir deitar ou sentar-se, recostada.
Descansa o coração que tá tristinho...
Conta comigo, delicada amiga...
Se não quiser nada dizer, não diga...
Mas fica sempre com meu carinho...
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