Sonetinho Desapontado
(ou: Cecilia Meirelles tinha razão...)
Foi instalado no Hospital de Guarus um relogio de ponto que funciona mediante registro da impressao digital dos funcionários. Um must de tecnologia num país de banguelas. A fila interminavel de funcionários que entravam e saiam do Hospital cruzando pela nova maquininha gerou o maior pandepá. E a poesia se fez presente. Ou o médico chega e começa o atendimento e esquece o ponto ou entra na fila do ponto e ignora o atendimento...
Se eu começo o atendimento, atraso o ponto...
Se eu bato o ponto, atraso o atendimento...
Se eu não passo o cartão, ganho um desconto...
Se eu não atendo é um descontentamento...
E assim eu sigo, um tanto o quanto tonto...
Uma dúvida atroz me rói por dentro:
Eu largo a Emergencia e marco o ponto
Ou largo o ponto e abaixo o vencimento?
O ponto ou a Emergencia? A febre ou o ponto?
O ponto digital ou o sangramento?
Ó duvida cruel... Eu não aguento...
Como é que eu faço? Com quem eu conto?
Será que tem que ser assim e pronto?
Quem é que muda esse regulamento?
25.11.03
19.11.03
O Coração
O coração, sem freio, sem cadeado,
Não reconhece mão ou contra-mão.
Não sabe nunca o que é certo e o que é errado.
Caminha por ai sem proteção.
Não tem defesa. Não é murado.
Vai desarmado. É a sua condição.
Não leva má intenção e é descuidado.
Escolhe sempre errado o sim e o não.
Não tem palavras. Bate calado
Dentro do peito, trancado
Feito um inconfidente na prisão...
Por não ter muros, vive espalhado...
Por não ter freios, desabalado...
Por não ter olhos, não tem perdão
O coração, sem freio, sem cadeado,
Não reconhece mão ou contra-mão.
Não sabe nunca o que é certo e o que é errado.
Caminha por ai sem proteção.
Não tem defesa. Não é murado.
Vai desarmado. É a sua condição.
Não leva má intenção e é descuidado.
Escolhe sempre errado o sim e o não.
Não tem palavras. Bate calado
Dentro do peito, trancado
Feito um inconfidente na prisão...
Por não ter muros, vive espalhado...
Por não ter freios, desabalado...
Por não ter olhos, não tem perdão
16.11.03
Um poeminha
Eu faço verso de um palavreado.
Que é coisa breve, Quase sem som.
De rima improvisada e sem pecado.
De um pensamento de desejo bom.
Eu faço verso de não dizer nada.
Nenhuma novidade. Nenhum brilho.
Como quem reinventa a caminhada.
Como quem redescobre o próprio trilho.
Eu faço verso de pequena rima,
De poesia tosca e pequenina,
De pés descalços, tocando o chão...
Eu faço verso de motivo aguado
Que não tem tranca nem cadeado
E nem tem freios no coração...
Eu faço verso de um palavreado.
Que é coisa breve, Quase sem som.
De rima improvisada e sem pecado.
De um pensamento de desejo bom.
Eu faço verso de não dizer nada.
Nenhuma novidade. Nenhum brilho.
Como quem reinventa a caminhada.
Como quem redescobre o próprio trilho.
Eu faço verso de pequena rima,
De poesia tosca e pequenina,
De pés descalços, tocando o chão...
Eu faço verso de motivo aguado
Que não tem tranca nem cadeado
E nem tem freios no coração...
10.11.03
4.11.03
As trinta gramas
João Geraldo nasceu com aproximadamente 1200 gramas. Nos 10 primeiros dias de vida chegou a pouco mais de um quilo. Hoje, por volta de 1350 gramas, percorre um lento caminho até a alta. À nosso pequeno homenzinho, este poema.
Mil trezentos e vinte... Mil trezentos e cincoenta...
As trinta gramas essenciais...
A progressão, que é vagarosa e lenta...
As trinta gramas a mais...
Sessenta, setenta, oitenta... Então noventa...
Tão pouco e tanta diferença faz...
Como se fosse a medalha de quem tenta...
As trinta gramas fundamentais...
E a cada grama, um Everest inteiro...
Como quem cruza a fronteira... Como quem chega em primeiro...
Como quem ganha a carta de alforria...
As trinta gramas de felicidade...
As trita gramas buscando a liberdade...
As trinta gramas a mais de cada dia...
João Geraldo nasceu com aproximadamente 1200 gramas. Nos 10 primeiros dias de vida chegou a pouco mais de um quilo. Hoje, por volta de 1350 gramas, percorre um lento caminho até a alta. À nosso pequeno homenzinho, este poema.
Mil trezentos e vinte... Mil trezentos e cincoenta...
As trinta gramas essenciais...
A progressão, que é vagarosa e lenta...
As trinta gramas a mais...
Sessenta, setenta, oitenta... Então noventa...
Tão pouco e tanta diferença faz...
Como se fosse a medalha de quem tenta...
As trinta gramas fundamentais...
E a cada grama, um Everest inteiro...
Como quem cruza a fronteira... Como quem chega em primeiro...
Como quem ganha a carta de alforria...
As trinta gramas de felicidade...
As trita gramas buscando a liberdade...
As trinta gramas a mais de cada dia...
31.10.03
26.10.03
Nova Súplica ao Poema
Trazei-me, Poesia, a boaventura...
A que há em toda parte e falta em mim...
Contaminai-me com a tua alma pura...
Com teus caminhos cheios de sim...
Banhai-me, Poesia, com a ternura,
Daquelas ternuras que não tem fim...
Como se fosse uma infusão que cura...
Gosto de fruta... Cheiro de alecrim...
E fica, assim, comigo, poesia...
Clareza misturada à luz do dia...
Delicadeza misturada ao vento...
Cuida de mim como quem cuida a cria...
Fica comigo e em minha companhia...
Descansa e brinca no meu pensamento...
Trazei-me, Poesia, a boaventura...
A que há em toda parte e falta em mim...
Contaminai-me com a tua alma pura...
Com teus caminhos cheios de sim...
Banhai-me, Poesia, com a ternura,
Daquelas ternuras que não tem fim...
Como se fosse uma infusão que cura...
Gosto de fruta... Cheiro de alecrim...
E fica, assim, comigo, poesia...
Clareza misturada à luz do dia...
Delicadeza misturada ao vento...
Cuida de mim como quem cuida a cria...
Fica comigo e em minha companhia...
Descansa e brinca no meu pensamento...
19.10.03
O Poema
Revisado
Quando estou triste o poema me alimenta...
Desesperado, o poema me contém...
Se estou carente, o poema me sustenta...
Quando estou mal o poema me faz bem...
Se o dia é feio, o poema o reinventa...
Se falta todo mundo, o verso vem...
A minha garrafinha de agua benta...
Meu lugarzinho no trem...
Quando estou bem, o poema me acalanta...
Feliz da vida, o poema é quem me traz...
Se estou em paz, a palavra se agiganta...
Se estou mais leve, a palavra me refaz...
Se tudo em volta é luz, o verso canta...
Se tudo é só sorriso, o verso é mais...
O meu tapete voador... Meu mantra...
Meu pedacinho de paz...
Revisado
Quando estou triste o poema me alimenta...
Desesperado, o poema me contém...
Se estou carente, o poema me sustenta...
Quando estou mal o poema me faz bem...
Se o dia é feio, o poema o reinventa...
Se falta todo mundo, o verso vem...
A minha garrafinha de agua benta...
Meu lugarzinho no trem...
Quando estou bem, o poema me acalanta...
Feliz da vida, o poema é quem me traz...
Se estou em paz, a palavra se agiganta...
Se estou mais leve, a palavra me refaz...
Se tudo em volta é luz, o verso canta...
Se tudo é só sorriso, o verso é mais...
O meu tapete voador... Meu mantra...
Meu pedacinho de paz...
17.10.03
Voce é assim
Poema revisado.
Ao rever alguns poemas escritos há algum tempo, encontrei este.
O que a principio era só uma cantada ganhou um verso no final que acaba sendo um elogio e uma defesa da amamentação.
Eis ai duas das varias funções do aleitamento que não estão nos livros.
A cantada.
E o poema.
E cada vez que se estudar esse tema, a amamentação, e se propuserem novos angulos de visão e entendimento de sua complexidade, ainda assim a cantada e a poesia surpreenderão os que consideravam o assunto esgotado.
Aos bebes, às suas nutrizes e a seus particisuperpais meu agradecimento e minha poesia...
Ou quasepoesia...
Mais deliciosa que escrever poesia.
Mais limpa do que a voz de João Gilberto.
Voce é mais gostosa que a Bahia.
Mais clássica que um Lawrence no deserto...
Mais fotogenica que o Rio Guaiba.
Mais delicada do que chuva fina.
Melhor do que um forró na Paraiba.
Taquicardiza mais que a adrenalina.
Mais firme do que o som de Luiz Gonzaga.
Melhor do que escutar Chico cantando.
Bem mais desconcertante que Ipanema.
Possui mais poesia que Passargada.
Mais vida que um bebe amamentando.
Por isso é que eu te fiz esse poema.
Poema revisado.
Ao rever alguns poemas escritos há algum tempo, encontrei este.
O que a principio era só uma cantada ganhou um verso no final que acaba sendo um elogio e uma defesa da amamentação.
Eis ai duas das varias funções do aleitamento que não estão nos livros.
A cantada.
E o poema.
E cada vez que se estudar esse tema, a amamentação, e se propuserem novos angulos de visão e entendimento de sua complexidade, ainda assim a cantada e a poesia surpreenderão os que consideravam o assunto esgotado.
Aos bebes, às suas nutrizes e a seus particisuperpais meu agradecimento e minha poesia...
Ou quasepoesia...
Mais deliciosa que escrever poesia.
Mais limpa do que a voz de João Gilberto.
Voce é mais gostosa que a Bahia.
Mais clássica que um Lawrence no deserto...
Mais fotogenica que o Rio Guaiba.
Mais delicada do que chuva fina.
Melhor do que um forró na Paraiba.
Taquicardiza mais que a adrenalina.
Mais firme do que o som de Luiz Gonzaga.
Melhor do que escutar Chico cantando.
Bem mais desconcertante que Ipanema.
Possui mais poesia que Passargada.
Mais vida que um bebe amamentando.
Por isso é que eu te fiz esse poema.
13.10.03
O Coração
O Coração tem um sereno jeito... Fado Tropical/Chico Buarque-Ruy Guerra
O Coração tem um sereno jeito
E ao mesmo tempo um jeito intempestivo...
Vive buscando achar o amor perfeito
Enquanto perde-o, mesmo sem motivo...
O Coração, Nação sem preconceito...
Incoerente... Persuasivo...
Ao mesmo tempo que vai dentro do peito
Se atira ao mundo, quase obsessivo...
O Coração, com seu jeito sereno,
É feito o soro contra o veneno,
É o que há por trás de toda conclusão...
Sereno jeito, Coração insano,
Que busca o céu e que é tão leviano...
Terra misteriosa, o Coração...
O Coração tem um sereno jeito... Fado Tropical/Chico Buarque-Ruy Guerra
O Coração tem um sereno jeito
E ao mesmo tempo um jeito intempestivo...
Vive buscando achar o amor perfeito
Enquanto perde-o, mesmo sem motivo...
O Coração, Nação sem preconceito...
Incoerente... Persuasivo...
Ao mesmo tempo que vai dentro do peito
Se atira ao mundo, quase obsessivo...
O Coração, com seu jeito sereno,
É feito o soro contra o veneno,
É o que há por trás de toda conclusão...
Sereno jeito, Coração insano,
Que busca o céu e que é tão leviano...
Terra misteriosa, o Coração...
9.10.03
8.10.03
4.10.03
Desencontrado
A poesia, sem contar, saiu
Levando os versos que eu tinha pra escrever...
Deixou meu coração cheio de estórias
Mas sem palavras de poder dizer...
Quando o verso vai embora a alma fica
Como um navio quando se perdeu...
Estou sentado... Beira do porto...
Espero a volta do verso que era meu...
A poesia, sem contar, saiu
Levando os versos que eu tinha pra escrever...
Deixou meu coração cheio de estórias
Mas sem palavras de poder dizer...
Quando o verso vai embora a alma fica
Como um navio quando se perdeu...
Estou sentado... Beira do porto...
Espero a volta do verso que era meu...
28.9.03
A forma leve de amar você
Tati é um anjo. E anjos são livres por definição. E mesmo os anjos que não tem asas nem vestidinhos brancos nem tocam trombetas nem moram nas nuvens, mesmo estes, são livres, porque voar e ser livre é coisa dos anjos. Amar um anjo não pode ser amar assim, de qualquer jeito. Amar um anjo deve ser leve feito espuma, embora imenso feito o mar. Amar um anjo é aprender a forma leve que há de amar.
É não precisar se ver a toda hora:
Pode ser se ver agora
Mas pode ser ficar uma semana sem se olhar...
É não cercar seu caminho...
É ter que às vezes ficar sozinho
Pra ficar sempre
Sem se cansar.
É não passar torpedo o dia inteiro
Porque o amor, quando é verdadeiro,
Não depende de um torpedo
Pra durar.
E se chegar sexta feira
E der vontade de fazer besteira,
Andar a toa,
De passear,
E justo nesse dia você resolver voar,
É ter paciência...
Tomar um gole de tolerância...
Amar é mais que estar na sua presença...
Amar é imenso, mesmo que à distancia...
É não ficar preso.
Nada dessa coisa de fixação...
É como dar um pouco de desprezo...
É dar um pouco de desatenção...
Mas é amar também com lealdade,
Amar é feito de fidelidade
E de vontade de ser feliz...
Mas o caminho da felicidade
É feito as ruas da grande cidade:
Tem setas, placas, pontes, guardas, curvas,
E a contramão,
E o fino por um triz...
Amar assim é leve feito a espuma
Embora enorme feito o grande mar.
É quase nada, feito um grão de areia,
E ao mesmo tempo imenso feito o ar...
Quase apagado, como a lua nova,
Que é a mesma lua cheia das noites de luar...
É aprender a não ser pra ser...
Não precisar dizer pra dizer...
Não precisar tocar pra tocar...
É aprender a forma leve que há de amar.
Tati é um anjo. E anjos são livres por definição. E mesmo os anjos que não tem asas nem vestidinhos brancos nem tocam trombetas nem moram nas nuvens, mesmo estes, são livres, porque voar e ser livre é coisa dos anjos. Amar um anjo não pode ser amar assim, de qualquer jeito. Amar um anjo deve ser leve feito espuma, embora imenso feito o mar. Amar um anjo é aprender a forma leve que há de amar.
É não precisar se ver a toda hora:
Pode ser se ver agora
Mas pode ser ficar uma semana sem se olhar...
É não cercar seu caminho...
É ter que às vezes ficar sozinho
Pra ficar sempre
Sem se cansar.
É não passar torpedo o dia inteiro
Porque o amor, quando é verdadeiro,
Não depende de um torpedo
Pra durar.
E se chegar sexta feira
E der vontade de fazer besteira,
Andar a toa,
De passear,
E justo nesse dia você resolver voar,
É ter paciência...
Tomar um gole de tolerância...
Amar é mais que estar na sua presença...
Amar é imenso, mesmo que à distancia...
É não ficar preso.
Nada dessa coisa de fixação...
É como dar um pouco de desprezo...
É dar um pouco de desatenção...
Mas é amar também com lealdade,
Amar é feito de fidelidade
E de vontade de ser feliz...
Mas o caminho da felicidade
É feito as ruas da grande cidade:
Tem setas, placas, pontes, guardas, curvas,
E a contramão,
E o fino por um triz...
Amar assim é leve feito a espuma
Embora enorme feito o grande mar.
É quase nada, feito um grão de areia,
E ao mesmo tempo imenso feito o ar...
Quase apagado, como a lua nova,
Que é a mesma lua cheia das noites de luar...
É aprender a não ser pra ser...
Não precisar dizer pra dizer...
Não precisar tocar pra tocar...
É aprender a forma leve que há de amar.
O perfume
Ontem pela manhã eu tive a nítida impressão de um fim de história.
Um fim tão delicado quanto seu inicio.
E como todo fim delicado deixa um perfume, também este fim deixou um aroma suave de perfume.
Um poema?
Ah... Uma estória que começa em poesia não pode ter um fim, ainda que suposto, sem poesia...
Mas foi apenas uma impressão que não se cumpriu...
E que deixou um poema que aqui segue.
Vivi dias felizes do seu lado...
(e eu nem sonhava quando te encontrei)
Foi algo assim como um tempo encantado...
Eu era um pária e me tornei um Rei...
Olhei para um futuro iluminado
E eu quis ter o futuro que eu sonhei...
Mas o futuro passou... virou passado...
Passou... mas foi verdade o que provei...
Saboreei poesias deliciosas...
Um mar de rosas maravilhosas
Depois de tanto tempo sem carinho...
Passou. Não quis ficar. Voou, que pena,
Deixando o seu perfume em meu poema
E as marcas dos seus pés no meu caminho...
Passou. Não quis ficar. Mas o perfume
Traz o sabor suave do seu nome...
De um tempo bom quando eu não fui sozinho...
Ontem pela manhã eu tive a nítida impressão de um fim de história.
Um fim tão delicado quanto seu inicio.
E como todo fim delicado deixa um perfume, também este fim deixou um aroma suave de perfume.
Um poema?
Ah... Uma estória que começa em poesia não pode ter um fim, ainda que suposto, sem poesia...
Mas foi apenas uma impressão que não se cumpriu...
E que deixou um poema que aqui segue.
Vivi dias felizes do seu lado...
(e eu nem sonhava quando te encontrei)
Foi algo assim como um tempo encantado...
Eu era um pária e me tornei um Rei...
Olhei para um futuro iluminado
E eu quis ter o futuro que eu sonhei...
Mas o futuro passou... virou passado...
Passou... mas foi verdade o que provei...
Saboreei poesias deliciosas...
Um mar de rosas maravilhosas
Depois de tanto tempo sem carinho...
Passou. Não quis ficar. Voou, que pena,
Deixando o seu perfume em meu poema
E as marcas dos seus pés no meu caminho...
Passou. Não quis ficar. Mas o perfume
Traz o sabor suave do seu nome...
De um tempo bom quando eu não fui sozinho...
26.9.03
Voce é um anjo...
Você é um anjo? Responde...
Caiu do céu? Diz pra mim...
Conta-me: foi quando? aonde?
No meio de que jardim?
Caiu do céu por acaso
Ou veio aqui cumprir uma missão?
Chegou bem na hora? Houve atraso?
Alguma antecipação?
Como cruzou meu caminho
Descobrindo onde é que eu tava,
Oferecendo o carinho
De que eu tanto precisava?
E porque não foi embora
Logo depois que me viu?
Porque mudou minha estória?
Porque é que não desistiu?
Porque é que não sentiu medo?
Porque ficou do meu lado?
Porque contou seu segredo?
Porque aprendeu meu passado?
Porque fez planos futuros?
Porque tentou me ajudar?
Brilhou meus dias escuros
E me ensinou a voar...
Porque me estendeu seu braço?
Porque tocou minha mão?
Porque curou meu cansaço
Da vida, da ingratidão?
Porque pediu um poema?
Porque me olhou delicada?
Porque essa voz tão serena
E essa pele amorenada?
Você é um anjo, confessa...
Caiu do céu feito um passe...
Como quem chega sem pressa...
Como quem pousa com classe...
Disse-me coisas de um jeito
Saboroso de falar...
Tomou conta do meu peito
De um jeito bom de tomar...
Ficou comigo. E, brincando,
Transformou a minha vida...
Eu nem vi você chegando...
Eu nem penso em despedida...
Um anjo bom, certamente...
Um anjo que me envolveu...
Entrou na minha vida lentamente...
Um anjo bom... Que bom que Deus me deu...
Você é um anjo? Responde...
Caiu do céu? Diz pra mim...
Conta-me: foi quando? aonde?
No meio de que jardim?
Caiu do céu por acaso
Ou veio aqui cumprir uma missão?
Chegou bem na hora? Houve atraso?
Alguma antecipação?
Como cruzou meu caminho
Descobrindo onde é que eu tava,
Oferecendo o carinho
De que eu tanto precisava?
E porque não foi embora
Logo depois que me viu?
Porque mudou minha estória?
Porque é que não desistiu?
Porque é que não sentiu medo?
Porque ficou do meu lado?
Porque contou seu segredo?
Porque aprendeu meu passado?
Porque fez planos futuros?
Porque tentou me ajudar?
Brilhou meus dias escuros
E me ensinou a voar...
Porque me estendeu seu braço?
Porque tocou minha mão?
Porque curou meu cansaço
Da vida, da ingratidão?
Porque pediu um poema?
Porque me olhou delicada?
Porque essa voz tão serena
E essa pele amorenada?
Você é um anjo, confessa...
Caiu do céu feito um passe...
Como quem chega sem pressa...
Como quem pousa com classe...
Disse-me coisas de um jeito
Saboroso de falar...
Tomou conta do meu peito
De um jeito bom de tomar...
Ficou comigo. E, brincando,
Transformou a minha vida...
Eu nem vi você chegando...
Eu nem penso em despedida...
Um anjo bom, certamente...
Um anjo que me envolveu...
Entrou na minha vida lentamente...
Um anjo bom... Que bom que Deus me deu...
Amigas
Para Tati e Silvana
Basta um olhar. E é como a frase inteira...
Basta um sorriso, mais nada...
Amigas: Deus as fez dessa maneira...
Amigas: donas da mesma risada...
Gostosa essa amizade verdadeira...
Cumplicidade compartilhada...
Amigas: Deus as quis dessa maneira...
Amigas: que expressão mais delicada...
Para Tati e Silvana
Basta um olhar. E é como a frase inteira...
Basta um sorriso, mais nada...
Amigas: Deus as fez dessa maneira...
Amigas: donas da mesma risada...
Gostosa essa amizade verdadeira...
Cumplicidade compartilhada...
Amigas: Deus as quis dessa maneira...
Amigas: que expressão mais delicada...
22.9.03
A Palavra Ruim
Eu disse coisas que não deveria...
A hora errada... a palavra errada...
Eu falhei justo quando não podia...
Eu fiz a coisa toda desastrada...
Em vez de me alegrar na sua alegria,
Em vez de participar da sua risada,
Eu fui indelicado aquele dia
Deixando a sua alma magoada...
Naquela hora, eu não percebia,
E, sem perceber, eu quase te perdia
Como quem perde uma jóia lapidada...
Minha indelicadeza te ofendia...
Minha palavra ruim te entristecia...
Eu fiz besteira aquela madrugada...
Eu disse coisas que não deveria...
A hora errada... a palavra errada...
Eu falhei justo quando não podia...
Eu fiz a coisa toda desastrada...
Em vez de me alegrar na sua alegria,
Em vez de participar da sua risada,
Eu fui indelicado aquele dia
Deixando a sua alma magoada...
Naquela hora, eu não percebia,
E, sem perceber, eu quase te perdia
Como quem perde uma jóia lapidada...
Minha indelicadeza te ofendia...
Minha palavra ruim te entristecia...
Eu fiz besteira aquela madrugada...
19.9.03
Os Sonetos Imperfeitos
Já há algum tempo eu comecei a tentar escrever sonetos. O máximo que consegui foi escrever estruturas imperfeitas que apavorariam Bilac. Chamei-os uma vez de sonetos imperfeitos, dado o numero abusivo de quebra das regras da criação dos sonetos. Como não escrevo seguindo mapas, decidi continuar a escreve-los assim, barbarizando as regras sem me arvorar a contesta-las. É apenas um modo de escrever poemas. Me desculpem os puristas mas arriscar é essencial. Este poeminha nasceu hoje entre as consultas de um ambulatório do SUS em Tocos, Distrito de Campos. Não sei porque exato esse tema veio me caçar ali na roça. Mas ai esta mais um soneto imperfeito feito de supetão...
Sonetos imperfeitos, como os faço,
Com cada verso escrito em um tamanho...
É essa a característica do meu traço...
E eu confesso: já nem acho estranho...
Sonetos imperfeitos como escrevo...
Que vem naturalmente de onde vem...
Depois de prontos é que eu percebo
A graça que cada um deles guarda e tem...
Sonetos imperfeitos. Nem sonetos,
Nem imperfeitos. Simplesmente feitos
Sem dar aviso... De supetão...
Sonetos imperfeitos que me cercam...
São feito gotas de óleo que não secam
E lubrificam meu coração...
Já há algum tempo eu comecei a tentar escrever sonetos. O máximo que consegui foi escrever estruturas imperfeitas que apavorariam Bilac. Chamei-os uma vez de sonetos imperfeitos, dado o numero abusivo de quebra das regras da criação dos sonetos. Como não escrevo seguindo mapas, decidi continuar a escreve-los assim, barbarizando as regras sem me arvorar a contesta-las. É apenas um modo de escrever poemas. Me desculpem os puristas mas arriscar é essencial. Este poeminha nasceu hoje entre as consultas de um ambulatório do SUS em Tocos, Distrito de Campos. Não sei porque exato esse tema veio me caçar ali na roça. Mas ai esta mais um soneto imperfeito feito de supetão...
Sonetos imperfeitos, como os faço,
Com cada verso escrito em um tamanho...
É essa a característica do meu traço...
E eu confesso: já nem acho estranho...
Sonetos imperfeitos como escrevo...
Que vem naturalmente de onde vem...
Depois de prontos é que eu percebo
A graça que cada um deles guarda e tem...
Sonetos imperfeitos. Nem sonetos,
Nem imperfeitos. Simplesmente feitos
Sem dar aviso... De supetão...
Sonetos imperfeitos que me cercam...
São feito gotas de óleo que não secam
E lubrificam meu coração...
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