2.1.12

2 de janeiro de 2012

Um poema para começar o dia.
Que seja feito de palavra reciclada,
Reformatando angustia em alegria
De forma alegre, original e ousada.

Um poema em manhã chuvosa e fria,
Como se a felicidade fosse aguada.
Um poema tolo a me indicar: sorria...
Um poema só... Não preciso de mais nada...

Então um poema , essa manhã chovendo,
E o tempo que faz com que eu vá envelhecendo,
E a vida, que enquanto isso, vai passando...

O poema, a vida, a chuva fria, a idade...
Goticulas de minha felicidade
Que segue assim, sempre me acompanhando...

13.12.11

É hoje...


É hoje o Dia Mundial da Alegria,
Dia de não tolerar a intolerância,
O Dia Internacional da Poesia,
O Dia Nacional de Proteção à Infância,

É hoje o Dia do NÃO à hipocrisia,
Dia de Ignorar a ignorância,
Dia de estar em boa companhia,
Dia de escrever poesia com elegância,

É hoje o dia, amanhã ninguém sabe.
Aproveite hoje antes que o dia acabe,
Que diz que eu estou errado não sabe o que diz.

É hoje o dia. Aproveite.  A hora é essa.
Felicidade às vezes também tem pressa.
É hoje seu dia de ser feliz.

6.12.11

Estrela


Estrela quando anoitece,
Estrela quando amanhece,
Estrela no inverno e no verão,
Estrela na prosa,
Estrela na poesia,
Estrela na mão e na contra mão,
Estrela que não falha,
Estrela que brilha,
Estrela de silêncio e sedução,
Estrela morena,
Estrela diária,
Estrela que mais se parece com um clarão,
Estrela se segunda,
Estrela de sexta,
Estrela de sábado, domingo e feriadão,
Estrela de manhã já bem cedinho,
Estrela iluminando meu caminho,
Estrela entrando no meu coração,
Estrela delicada como a brisa,
Estrela perigosa como a brasa,
Estrela Deusa: não provoca não,
Estrela que é só uma,
Estrela única,
Estrela misteriosa como a mimica,
Estrela como bolha de sabão,
Estrela calma,
Estrela terna,
Estrela eterna,
Estrela de ocasião,
Estrela que pode o que nenhuma pode,
Estrela que vai onde as outras nunca vão...

5.12.11

O poema em silencio

Ninguém por perto, aparentemente.
Sozinho, sem ter com quem conversar,
Como se eu fosse o unico sobrevivente
De um trágico naufrágio em alto mar...

Sozinho. Sem amigo. Sem parente.
Ninguém pra responder nem perguntar.
Longe de tudo, de toda gente,
Nada que tente me fazer falar...

E quando tudo se torna essa quietude,
A poesia toma uma atitude
E a palavra dá um jeito de se fazer escrever,

E escapa, descompacta, da caneta,
Para ir formando o verso letra a letra,
Fazendo o poema nascer...




2.12.11

Sonetinho farmacológico

A febre que não responde à dipirona,
A digitalização e o coração com insuficencia,
O broncoespasmo resistente à hidrocortisona,
O antibiograma e a multipla resistencia,

Usar ou não, e em que dose, a amiodarona,
O fenobarbital e os niveis de consciencia,
A hipersensibilidade à ceftriaxona,
Anafilaxia e adrenalina na emergencia...

O manual de Farmacologia...
Que bom se o Dr. Goodmam* me fizesse companhia
Ou se eu tivesse assistido a mais aulas do Lacaz**...

E eu que achava complicada a porfiria***...
Eu era feliz, hoje eu sei, e não sabia,
Há 30 anos atras...

* GOODMAN & GILMAN: MANUAL DE FARMACOLOGIA E TERAPÊUTICA, o livro clássico de farmacologia desde meus tempos de estudante (e permanece até hoje um clássico)

** Professor Paulo da Silva Lacaz, ilustre Catedrático de Bioquimica na UFRJ, possuidor de profundos conhecimentos e didática absolutamente pessoal de transmitir seus conhecimentos.

*** Uma hemoglobinopatia. As aulas do Professor Lacaz sobre as profirias eram antológicas, tamanha sua facilidade de visualizar e exemplificar em pleno (como se estivesse vendo a molécula. Incrivel) ar as caracteristicas bioquimicas da hemoglobina para espanto de todos.

Outro sonetinho ambulatorial

Começa o dia. A febre não para.
A dor não para. Resiste, insistente:
O edema, a ulcera, a escarlatina, a escara...
A dor tem muitos nomes diferentes...

Começa o turno. Fila logo de cara.
O exantema. A crise. O bebê gemente.
Penicilina procaina ou ampi e gara?
Anticonvulsivante? Antiácido? Compressa quente?

Começa o preenchimento da ROA vazia.
O longo desfile da dor durante o dia.
Os vários nomes da dor se apresentando.

Começa o dia da dor que não termina
Com analgésico nem com cefalotina
Enquanto o soneto passeia, observando...




1.12.11

Sonetinho ambulatorial

Pode entrar o primeirinho. O que é que ele ta sentindo?
Deita na cama. Abre a boca. Assim. Não precisa chorar.
Quando é que isso começou? Onde mais que ta saindo?
Tá dando pra ele o remedio que eu pedi pra voce dar?

O próximo. Oi. Boa tarde. Ta com febre? Ta tossindo?
Ta com o nariz entupido? Catarro? Falta de ar?
Ta coçando? Ta ardendo? Ta doendo? Ta sumindo
Depois daquela pomada que eu mandei manipular?

Manda entrar aquelezinho no colo da mãe, gemendo.
Oi, mãezinha, boa tarde. O que mais que ele ta tendo?
Tou pedindo um Raio X de tórax pro seu nenem...

Receitas. Carimbos. Gotas. Suspensão. Supositório.
Como são longas as tardes dos dias de ambulatório.
Por hoje é só. Por enquanto. Até semana que vem...

30.11.11

Às mães que tem seus filhos internados...

Às mães que tem seus filhos internados,
Trazendo seus corações diminuidos,
Seus sonhos, por assim dizer, danificados,
E os seus sorrisos, subtraidos...

Às mães de filhos hospitalizados
Entre injeções, punções e comprimidos,
A esses passaros de luz aprosionados,
A esses pedaços de paz perdidos,

Às mães que vivem a dor dos seus rebentos
Entregues a exames e medicamentos,
Reféns da doença e da internação,

Que Deus permaneça ao seu lado nesses dias
De arritimias e ultrassonografias,
E hipernatermias e hipotensão,

Que Deus permaneça ao seu lado nessa hora
Do choque, da palidez e da pletora,
Da drenagem da bolha, da estertoração,

Que Deus permaneça ao seu lado nesse instante
Da insuficiencia respiratória sibilante,
Da necessidade de ventilação,

Que Deus permaneça sempre ao seu lado
Nesses dias de prognóstico reservado,
De duvida, de dor e de aflição...

21.11.11

Facebookiana

No que voce está pensando? (pergunta o facebook)
Estou pensando numa poesia
Porque adoro postar de madrugada,
Ainda mais quando a madrugada é fria
E, porque fria, crua e abandonada...

Estou pensando se eu conseguiria
Fazer poesia sem pensar em nada,
Fazer poesia sem ter alegria,
Ou sem estar com a alma atormentada...

E o face quer saber: no que eu estou pensando?
Não estou pensando, face, estou tentando
Fazer poesia como quem não pensa...

Como quem vai, com a noite, madrugando,
Enquanto o dia vai se aproximando
Como quem entra sem pedir licença...

18.11.11

A palavra

Eu vou atrás da palavra camuflada,
Dessas que se enturmam sem se apresentar,
Como se desejassem dançar fantasiadas,
Como se tivessem necessidade de dançar...

Eu vou atrás da palavra disfarçada,
Dessas que falam como se tivessem nada pra falar,
Dessas que são ricas, mas como se não possuissem nada,
Eu vou atrás dessa palavra até encontrar...

E quando enfim essa palavra for localizada,
Eu vou cuidar para que ela seja bem cuidada
E esteja sempre por perto, e venha me visitar,

E assim essa palavra vá ficando acostumada,
Transformando-se em palavra descansada,
E queira nunca mais me abandonar...

14.11.11

Amanhecer

Onde a palavra exata pra poesia?
A rima pro soneto? O verso? O tema?
Na página em branco nenhuma garantia,
Nada que permita concluir um poema...

Onde a palavra que se escreveria
Pra fazer o poema valer à pena?
A cabeça tão cheia, a página tão vazia,
Quem sabe resolver esse problema?

Acordar a palavra que dorme escondida
Trazendo vida à página sem vida,
Permitindo ao verso respirar aliviado,

Ganhar de surpresa uma rima oportuna
E o poema, que era sem palavra alguma,
Respira, amanhece, feliz, acordado...


31.7.11

Sonhar 

É colocar a mão desnuda em fechaduras,
Ir destrancando portas bem trancadas...
As vezes abrindo salas muito escuras,
Outras vezes varandas ventiladas...

Nos mete as vezes em perigosas aventuras,
As vezes em delicadas enrascadas...
É o antidoto ideal pras amarguras,
É o bom descanso pras dores mal curadas...

É o mais necessario dos terriveis riscos,
O mais saboroso e suave dos petiscos,
A mais amarga e crucial das alegrias

Onde nada é intocável ou é impossivel,
Ou impensável, onde nada é desprezivel,

Nada mais necessário em nossos dias...

25.7.11

As 12000 mulheres
(Em 2010 12000 mulheres foram presas nos EUA por amamentar em publico)

12000 mulheres aprisionadas,
Tratadas como se fossem criminosas,
12000 mulheres desrespeitadas
Por 12000 acusações maldosas...

Como se fossem 12000 depravadas,
Perturbadoras da ordem, perigosas,
12000 mulheres sentenciadas,
12000 ordens de prisão maliciosas...

Como se o fato de possuirem glandulas mamárias
Fosse razão para as fazerem presidiárias,
Fosse argumento para trancá-las na prisão...

12000 mulheres humilhadas...
12000 sentenças contaminadas...
12000 motivos para lhes pedir perdão...

8.7.11

Ao bebe que viverá 100 anos
(Para o professor Marcus Renato e os participantes do Congresso Virtual de Aleitamento)

Proteção para o bebe que viverá 100 anos,
Para esse bebe centenário, proteção,
Para que os bicos não o afastem dos seus planos,
Para que as fórmulas não distraiam sua vocação,

Proteção para esse centenário entre os humanos.
Que faça 100 anos sem travar na contra-mão
Assediado por bicos ortodonticos insanos,
Desacatado por latas de pura perdição...

Proteção para o nosso bebe centenário
Contra a formula insana, contra o bico ordinário,
Contra o desmame precoce e sem razão...

Para que viva 100 anos livre da tortura
Da boca disforme, do bico sem cura,
Pelo leite materno ofertemos proteção...