A duvida
Que graça a vida teria se não houvesse poesia?
Escrever prosa sem rima, palavra não versejada,
Acordar, dormir, comer, trabalhar sem garantia,
Beber cerveja, enfartar, namorar, jogar pelada...
Pagar imposto de renda, mandar um mail pra tia,
Tomar remedio de verme depois de comer empada,
Aprender a dedilhar no violão Leo e Bia,
Gastar o tempo corrido com a hora sempre atrasada,
Que graça teria a vida se não houvesse Bandeira?
Que coisa... O que é que seria de nossa segunda feira?
Para que é que serviriam os cadernos de escrever?
Se não houvesse Cecilia, se não houvesse Ferreira,
Será que a gente escreveria alegria de que maneira?
Se não houvesse a poesia como seria viver?
3.2.10
E se (ainda)...
E se eu votasse no outro candidato?
E se eu me mudasse para Araraquara?
E se eu não assinasse esse contrato?
E se eu não me entregasse assim de cara?
E se eu deixasse comida no prato?
E se eu me apaixonsse pela Guanabara?
E se eu decidisse ir morar no mato?
E se eu comprasse a coleção da Nara?
E se eu quisesse declamar poesia?
E se eu perdesse o prazo de garantia?
E se eu cantasse pra poder dormir?
E se eu fosse dormir hoje mais cedo?
E se eu dormisse sem perder o medo?
E se meu sonho era voce sorrir?
E se eu votasse no outro candidato?
E se eu me mudasse para Araraquara?
E se eu não assinasse esse contrato?
E se eu não me entregasse assim de cara?
E se eu deixasse comida no prato?
E se eu me apaixonsse pela Guanabara?
E se eu decidisse ir morar no mato?
E se eu comprasse a coleção da Nara?
E se eu quisesse declamar poesia?
E se eu perdesse o prazo de garantia?
E se eu cantasse pra poder dormir?
E se eu fosse dormir hoje mais cedo?
E se eu dormisse sem perder o medo?
E se meu sonho era voce sorrir?
E se...
Para M.
E se eu soubesse conquistar seu coração?
Se eu descobrisse como voce ficar bem?
Se eu inventasse canções como o Barão?
Se eu não deixasse voce nunca ficar sem?
E se eu não contasse pra ninguém não?
E se eu não me importasse com ninguém?
E se eu chegasse pela contra-mão?
Se eu não ligasse de perder o trem?
Se eu me virasse todo pelo avesso
Trocando o final do fim pelo começo
E o começo assim não tivesse fim?
E se eu fizesse um verso que nem esse,
E se eu mostrasse a voce, se voce lesse,
Voce diria será o que de mim?
Para M.
E se eu soubesse conquistar seu coração?
Se eu descobrisse como voce ficar bem?
Se eu inventasse canções como o Barão?
Se eu não deixasse voce nunca ficar sem?
E se eu não contasse pra ninguém não?
E se eu não me importasse com ninguém?
E se eu chegasse pela contra-mão?
Se eu não ligasse de perder o trem?
Se eu me virasse todo pelo avesso
Trocando o final do fim pelo começo
E o começo assim não tivesse fim?
E se eu fizesse um verso que nem esse,
E se eu mostrasse a voce, se voce lesse,
Voce diria será o que de mim?
2.2.10
A casa
A casa onde eu moro não tem parede,
Por não ter muros, não tem portão,
E por não ter parede, não tem rede,
Nem rua, nem quintal, nem céu, nem chão...
Tem agua boa pra matar a sede,
E pra matar a fome, muito pão,
Não é azul, não é branca, nem é verde,
Não é casinha nem é casarão...
Nem endereço tem a minha casa,
Enchente não enche, tufão não arrasa,
E olha que haja tufão...
Eu moro num lugar desconhecido,
Eu moro ali desde recem-nascido,
Eu moro dentro do meu coração...
A casa onde eu moro não tem parede,
Por não ter muros, não tem portão,
E por não ter parede, não tem rede,
Nem rua, nem quintal, nem céu, nem chão...
Tem agua boa pra matar a sede,
E pra matar a fome, muito pão,
Não é azul, não é branca, nem é verde,
Não é casinha nem é casarão...
Nem endereço tem a minha casa,
Enchente não enche, tufão não arrasa,
E olha que haja tufão...
Eu moro num lugar desconhecido,
Eu moro ali desde recem-nascido,
Eu moro dentro do meu coração...
1.1.10
O bebe canguru
Quem ousaria incomodá-lo, assim?
Que dor? Que movimento descuidado?
Que som abusivo? Que toque frio e ruim?
Que exagero de luz mal calculado?
Quem ousaria provocar o fim
Desse sono reparador tão delicado?
Suave como um piano de Jobim...
Discreto como um Quintana declamado...
Quem ousaria tamanha iniqüidade?
Separar mãe e filho: insanidade...
Atrapalhar esse vínculo sagrado...
Bem aventurado o colo que se entrega
Ao filho, bem aventurado, que se apega
A esse encontro bem aventurado.
Quem ousaria incomodá-lo, assim?
Que dor? Que movimento descuidado?
Que som abusivo? Que toque frio e ruim?
Que exagero de luz mal calculado?
Quem ousaria provocar o fim
Desse sono reparador tão delicado?
Suave como um piano de Jobim...
Discreto como um Quintana declamado...
Quem ousaria tamanha iniqüidade?
Separar mãe e filho: insanidade...
Atrapalhar esse vínculo sagrado...
Bem aventurado o colo que se entrega
Ao filho, bem aventurado, que se apega
A esse encontro bem aventurado.
31.12.09
Desejo
Que nosso próximo 2000 seja bem 10,
Que a gente continue tentando ser feliz,
Que para a caminhada não nos faltem os pés,
Que não nos desestimulem os imbecis,
Que representemos bem nossos papéis,
Que duvidemos menos do que o próximo diz,
Que não nos canse nadar contra as marés,
Que a nossa prontidão venha com bis...
Que o nosso próximo 2000 seja alimento,
Preparação, substancia, refazimento,
Que a gente vá resistindo e vá tentando,
Verdadeiro como é uma criança quando ora,
Feliz como é possível ser aqui e agora,
Inominado, como é uma mãe amamentando...
Que nosso próximo 2000 seja bem 10,
Que a gente continue tentando ser feliz,
Que para a caminhada não nos faltem os pés,
Que não nos desestimulem os imbecis,
Que representemos bem nossos papéis,
Que duvidemos menos do que o próximo diz,
Que não nos canse nadar contra as marés,
Que a nossa prontidão venha com bis...
Que o nosso próximo 2000 seja alimento,
Preparação, substancia, refazimento,
Que a gente vá resistindo e vá tentando,
Verdadeiro como é uma criança quando ora,
Feliz como é possível ser aqui e agora,
Inominado, como é uma mãe amamentando...
15.12.09
O Amor
Para Helder e Silvana em seus 25 anos de casado
Que seja de longe a palavra mais vivida,
A mais falada, cantada e declamada,
E porque mais falada, a mais sentida,
E porque mais sentida, a mais usada.
Que seja a palavra mais permitida,
Que nunca seja a palavra protelada,
Como fonte de luz, a mais bebida,
Como fonte da vida, a mais sonhada,
Que não se perca nunca distraida,
Que não se encontre nunca dividida,
Que não se esqueça nunca abandonada,
Que seja sempre e para toda a vida
Redesenhada, fortalecida,
A presença de Deus multiplicada...
Que dure para além da eternidade,
Que viva muito mais que a vida inteira,
Que não se contenha, como é a calamidade,
Que não se limite, como é a cachoeira,
E que transforme com facilidade
A vida comezinha e corriqueira
Como um poema descreve a eternidade,
Como um falcão sobrevoa a cordilheira...
Que esteja acima da felicidade,
Que não se curve ante a dificuldade,
Que não se renda às horas mais vazias,
Que seja para sempre então lembrada
Como era um dia quando foi provocada,
Doce como era nos primeiros dias...
Para Helder e Silvana em seus 25 anos de casado
Que seja de longe a palavra mais vivida,
A mais falada, cantada e declamada,
E porque mais falada, a mais sentida,
E porque mais sentida, a mais usada.
Que seja a palavra mais permitida,
Que nunca seja a palavra protelada,
Como fonte de luz, a mais bebida,
Como fonte da vida, a mais sonhada,
Que não se perca nunca distraida,
Que não se encontre nunca dividida,
Que não se esqueça nunca abandonada,
Que seja sempre e para toda a vida
Redesenhada, fortalecida,
A presença de Deus multiplicada...
Que dure para além da eternidade,
Que viva muito mais que a vida inteira,
Que não se contenha, como é a calamidade,
Que não se limite, como é a cachoeira,
E que transforme com facilidade
A vida comezinha e corriqueira
Como um poema descreve a eternidade,
Como um falcão sobrevoa a cordilheira...
Que esteja acima da felicidade,
Que não se curve ante a dificuldade,
Que não se renda às horas mais vazias,
Que seja para sempre então lembrada
Como era um dia quando foi provocada,
Doce como era nos primeiros dias...
11.12.09
Mais da lágrima
Não tome a lágrima por coisa corriqueira,
Patética talvez, sem significancia,
Jamais a trate de qualquer maneira
Como coisinha assim, sem importancia.
Não caia, entretanto, dela, prisioneira,
Julgada e condenada em ultima instancia,
Não sofra dela a dor mais derradeira,
A que provoca a mágoa e atiça a ansia...
Aprenda dela as oportunidades
Como quem olha as próprias qualidades,
Como quem cava as portas de saida...
A lágrima assim, como reengenharia,
Acesso, senha, passe, vale, guia,
Caligrafia para a própria vida...
Não tome a lágrima por coisa corriqueira,
Patética talvez, sem significancia,
Jamais a trate de qualquer maneira
Como coisinha assim, sem importancia.
Não caia, entretanto, dela, prisioneira,
Julgada e condenada em ultima instancia,
Não sofra dela a dor mais derradeira,
A que provoca a mágoa e atiça a ansia...
Aprenda dela as oportunidades
Como quem olha as próprias qualidades,
Como quem cava as portas de saida...
A lágrima assim, como reengenharia,
Acesso, senha, passe, vale, guia,
Caligrafia para a própria vida...
1.12.09
A lágrima
Cuida da sua lágrima com carinho...
Nunca trate-a como coisa sem valor...
Seja simpática... Trate-a com jeitinho...
Aproxime-se dela se preciso for...
Converse com ela pelo caminho
Sobre sua insatisfação, sobre sua dor,
Sobre as vezes em que seu coração sofreu sozinho,
Sobre as vezes em que ele caiu por tanto amor...
Não a despreze, nunca a recrimine,
Cuidar da própria lágrima não é crime,
É aprender a própria evolução...
A lágrima de dor, se bem cuidada
É como um bálsamo para a alma cansada,
É como um alívio para o coração...
Cuida da sua lágrima com carinho...
Nunca trate-a como coisa sem valor...
Seja simpática... Trate-a com jeitinho...
Aproxime-se dela se preciso for...
Converse com ela pelo caminho
Sobre sua insatisfação, sobre sua dor,
Sobre as vezes em que seu coração sofreu sozinho,
Sobre as vezes em que ele caiu por tanto amor...
Não a despreze, nunca a recrimine,
Cuidar da própria lágrima não é crime,
É aprender a própria evolução...
A lágrima de dor, se bem cuidada
É como um bálsamo para a alma cansada,
É como um alívio para o coração...
4.11.09
Cantoria II
Escrevo por um instante... Quase um cantico...
E a minha vida, nesse cantico, se completa...
Nem bem alegre nem triste nem romantico...
Quase uma senha secreta...
As vezes como um arqueólogo semantico,
As vezes igual, como uma linha reta...
As vezes básico demais, as vezes tantrico,
As vezes prosador, as vezes poeta...
E no instante em que escrevo, silencioso,
Esse silencio se assume poderoso
E desarruma meu coração.
E desse coração desarrumado
Vejo nascer o poema alinhavado
E não consigo encontrar explicação...
Escrevo por um instante... Quase um cantico...
E a minha vida, nesse cantico, se completa...
Nem bem alegre nem triste nem romantico...
Quase uma senha secreta...
As vezes como um arqueólogo semantico,
As vezes igual, como uma linha reta...
As vezes básico demais, as vezes tantrico,
As vezes prosador, as vezes poeta...
E no instante em que escrevo, silencioso,
Esse silencio se assume poderoso
E desarruma meu coração.
E desse coração desarrumado
Vejo nascer o poema alinhavado
E não consigo encontrar explicação...
3.11.09
Cantoria
Eu canto porque o instante silencia
E a minha vida nessa hora se incomoda...
Não sou alegre nem sou triste, todavia
Eu canto sambas de roda...
Eu canto porque o instante, como um guia,
Me pede pra cantar, e não me poda...
Faço da musica agradável companhia,
Da voz, minha orquestra de cordas...
Eu canto: Chico, Zeca Pagodinho,
Misturo Bach com uns sambas de Paulinho
E assim a musica livre se completa...
Meu reino por uma cantoria, é o que eu diria...
Meu reino por uma cantoria,
Batuca meu coração de poeta...
Eu canto porque o instante silencia
E a minha vida nessa hora se incomoda...
Não sou alegre nem sou triste, todavia
Eu canto sambas de roda...
Eu canto porque o instante, como um guia,
Me pede pra cantar, e não me poda...
Faço da musica agradável companhia,
Da voz, minha orquestra de cordas...
Eu canto: Chico, Zeca Pagodinho,
Misturo Bach com uns sambas de Paulinho
E assim a musica livre se completa...
Meu reino por uma cantoria, é o que eu diria...
Meu reino por uma cantoria,
Batuca meu coração de poeta...
20.10.09
A corredeira
Dize-me com que versos tu caminhas
E eu te direi o poeta que tu és...
A forma como tu rimas tuas linhas,
Os versos com que tu desenhas teus papéis...
Como tu tratas as coisas comezinhas,
De que maneira tu contas de um a dez,
Com que argumentos tu agradas as Rainhas,
Com que argumentos tu agradas as ralés...
Dize-me com que versos poemeias,
Espalhando poemas a mancheias
Como quem trama a revolução
E eu te direi o poeta em que te tornas
Cada vez que em palavras tu transformas
A corredeira de teu coração...
Dize-me com que versos tu caminhas
E eu te direi o poeta que tu és...
A forma como tu rimas tuas linhas,
Os versos com que tu desenhas teus papéis...
Como tu tratas as coisas comezinhas,
De que maneira tu contas de um a dez,
Com que argumentos tu agradas as Rainhas,
Com que argumentos tu agradas as ralés...
Dize-me com que versos poemeias,
Espalhando poemas a mancheias
Como quem trama a revolução
E eu te direi o poeta em que te tornas
Cada vez que em palavras tu transformas
A corredeira de teu coração...
18.10.09
18 de outubro
(Dia do Médico)
Gastrenterite aguda, pneumonia,
Abcesso, febre, vomitos, convulsão...
Palavras doentes por companhia,
Palavras pálidas por intima opção...
E desde o inicio quem arriscaria
De cada uma delas a significação?
Ptose, penfigo, hidrocefalia,
Apnéia, linfoma, decorticação...
Palavras doloridas e diárias,
Muitas vezes cruéis, como a urticária,
Outras tantas, gentis, como a amamentação...
Palavras que desenham seu caminho...
Quem dera escritas com o branco de seu linho...
Quem dera guardassem todas solução...
(Dia do Médico)
Gastrenterite aguda, pneumonia,
Abcesso, febre, vomitos, convulsão...
Palavras doentes por companhia,
Palavras pálidas por intima opção...
E desde o inicio quem arriscaria
De cada uma delas a significação?
Ptose, penfigo, hidrocefalia,
Apnéia, linfoma, decorticação...
Palavras doloridas e diárias,
Muitas vezes cruéis, como a urticária,
Outras tantas, gentis, como a amamentação...
Palavras que desenham seu caminho...
Quem dera escritas com o branco de seu linho...
Quem dera guardassem todas solução...
16.10.09
15.10.09
A companhia
Dize-me com quem andas
E eu te direi um versinhoo:
Quem anda muito se perde,
As vezes, devagarinho...
Dize-me então com quem andas
E eu te contarei baixinho
O que aprendi com um verso de Drummond:
Tinha uma pedra no meio do caminho...
Então? Com quem é que andas?
Com quem vais por estas bandas?
Com quem divides teus pés?
Dize-me, e então de presente,
Eu saberei imediatamente
Por com quem andas, quem és...
Dize-me com quem andas
E eu te direi um versinhoo:
Quem anda muito se perde,
As vezes, devagarinho...
Dize-me então com quem andas
E eu te contarei baixinho
O que aprendi com um verso de Drummond:
Tinha uma pedra no meio do caminho...
Então? Com quem é que andas?
Com quem vais por estas bandas?
Com quem divides teus pés?
Dize-me, e então de presente,
Eu saberei imediatamente
Por com quem andas, quem és...
A Cidade dos Anjos
(Para Roberta Profice)
Nunca chove na Cidade dos Anjos...
Na Cidade dos Anjos o vento nunca assusta...
Não há temporais, relampagos, trovoadas...
Nem raios além dos de um dia de sol...
Nunca chove lá como chove a chuva
Que alaga em poças
Nosso coração...
A Cidade dos Anjos traz suas praças
E calçadas
Trabalhadas com flores e borboletas
Além daqueles pequenos insetos multicoloridos
Da National Geograpihic
Cujo nome não sei dizer de cor...
Repleta de delicadezas,
A Cidade dos Anjos é um bordado
De sorrisos
Alinhavado
Com as malhas do coração gentil
De suas gentes...
Um dia,
Se eu tiver merecimento,
Quero pedir a Deus
Para visitar
A Cidade dos Anjos,
Onde moram os avós,
Os bisavós
E os velhinhos de nossa existencia...
Vou colher uma foto,
E depois de revelar
Colocarei ela num porta retratos
Ao lado da cabeceira da minha cama tosca
No meu quarto quase sem janelas
Onde venta lá fora
E chove as vezes,
E relampeja,
E trovoa...
E cada vez que eu olhar
Aquela foto colhida,
Eu me lembrarei
Do dia
Em que por bondade de Deus
Eu vi a Cidade dos Anjos
E por algum instante,
Entre Anjos,
Fui feliz...
(Para Roberta Profice)
Nunca chove na Cidade dos Anjos...
Na Cidade dos Anjos o vento nunca assusta...
Não há temporais, relampagos, trovoadas...
Nem raios além dos de um dia de sol...
Nunca chove lá como chove a chuva
Que alaga em poças
Nosso coração...
A Cidade dos Anjos traz suas praças
E calçadas
Trabalhadas com flores e borboletas
Além daqueles pequenos insetos multicoloridos
Da National Geograpihic
Cujo nome não sei dizer de cor...
Repleta de delicadezas,
A Cidade dos Anjos é um bordado
De sorrisos
Alinhavado
Com as malhas do coração gentil
De suas gentes...
Um dia,
Se eu tiver merecimento,
Quero pedir a Deus
Para visitar
A Cidade dos Anjos,
Onde moram os avós,
Os bisavós
E os velhinhos de nossa existencia...
Vou colher uma foto,
E depois de revelar
Colocarei ela num porta retratos
Ao lado da cabeceira da minha cama tosca
No meu quarto quase sem janelas
Onde venta lá fora
E chove as vezes,
E relampeja,
E trovoa...
E cada vez que eu olhar
Aquela foto colhida,
Eu me lembrarei
Do dia
Em que por bondade de Deus
Eu vi a Cidade dos Anjos
E por algum instante,
Entre Anjos,
Fui feliz...
6.9.09
50 anos
06/09/1959 - 06/09/2009
Abro a janela. Observo a paisagem.
É o futuro aparentemente a se mostrar.
Abro a janela como quem segue própria viagem.
Abro a janela. O futuro a respirar.
Da janela o futuro diz sua imagem
E chega como um trem sempre a chegar.
O futuro, como uma grande tecelagem.
Da janela, o futuro a me olhar...
E como um indagador insaciável
Pergunto a esse futuro imponderável:
_Qual é o tempo ainda que me cabe?
E o futuro, inteiro e silencioso,
Responde-me, num sopro cuidadoso:
_Quem é que sabe? E outra vez: _Quem é que sabe?
06/09/1959 - 06/09/2009
Abro a janela. Observo a paisagem.
É o futuro aparentemente a se mostrar.
Abro a janela como quem segue própria viagem.
Abro a janela. O futuro a respirar.
Da janela o futuro diz sua imagem
E chega como um trem sempre a chegar.
O futuro, como uma grande tecelagem.
Da janela, o futuro a me olhar...
E como um indagador insaciável
Pergunto a esse futuro imponderável:
_Qual é o tempo ainda que me cabe?
E o futuro, inteiro e silencioso,
Responde-me, num sopro cuidadoso:
_Quem é que sabe? E outra vez: _Quem é que sabe?
25.8.09

Arrastre al pecho...
A pele pronta: cor, temperatura,
O cheiro, como o arquiteto da procura,
Os movimentos bem direcionados...
O olhar atento, a lingua canolada,
Exteriorizda, preparada,
O instinto dispensando aprendizados...
Ávido e lucido, o recem-nascido
Como se usasse um sexto sentido
Movimenta lentamente as mãos, o rosto,
E segue silencioso nessa entrega:
A entrega da busca a desaguar na pega
Do seio sob a gota de colostro...
13.7.09
A dificuldade
A dificuldade é ter de explicar coisas tão basicas
Como se fossem códigos secretos...
Comportamentos comuns, coisinhas simples
Tratados como confusos dialetos...
Atitudes diárias tratadas com suspeita,
E sentimentos bons como dejetos...
A culpa aprisionando os pensamentos,
O estigma culpando os bons e os maus projetos...
Essa pra mim é a maior dificuldade...
Ter de provar mais que sinceridade...
Ter de provar inocencia...
Ver posta à prova sua vida, sua verdade,
Ver desprezada a sua capacidade
E abandonada a sua coerencia...
A dificuldade é ter de explicar coisas tão basicas
Como se fossem códigos secretos...
Comportamentos comuns, coisinhas simples
Tratados como confusos dialetos...
Atitudes diárias tratadas com suspeita,
E sentimentos bons como dejetos...
A culpa aprisionando os pensamentos,
O estigma culpando os bons e os maus projetos...
Essa pra mim é a maior dificuldade...
Ter de provar mais que sinceridade...
Ter de provar inocencia...
Ver posta à prova sua vida, sua verdade,
Ver desprezada a sua capacidade
E abandonada a sua coerencia...
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