O som do soneto
O poema guarda o som da batucada
Plantado pelo poeta batuqeiro
Que empresta à rima a forma ritimada
Tratando a letra como um pandeiro.
E faz um baticum de voz calada,
Samba de pensamento partideiro...
Um batucar de rima cadenciada...
Cadencia, feito a de um samba do Salgueiro...
E assim, o poeta, de alma preparada,
Batuca o verso, letra improvisada,
Do jeito que faz quem samba no terreiro...
E a batucada que a mão faz, espalmada,
É a mesma que a palavra, declamada,
Revela em ritmo o verso brasileiro...
2.5.05
1.5.05
A pena máxima
Eu tenho um coração descomportado,
Impaciente, desinibido,
Que tende sempre a ir para o lado errado
E não percebe nunca onde há o perigo,
E bate sempre descompassado,
E, porque inexperiente, é distraido:
Não entra por onde era pra ter entrado,
Não sai por onde era pra ter saido...
E chega sempre algum tempo atrasado,
E mal vestido, e desarrumado,
Com a sensação do dever não cumprido...
Eu tenho um coração, pobre coitado,
Que mora no meu peito, condenado
À pena incondicional de ter nascido...
Eu tenho um coração descomportado,
Impaciente, desinibido,
Que tende sempre a ir para o lado errado
E não percebe nunca onde há o perigo,
E bate sempre descompassado,
E, porque inexperiente, é distraido:
Não entra por onde era pra ter entrado,
Não sai por onde era pra ter saido...
E chega sempre algum tempo atrasado,
E mal vestido, e desarrumado,
Com a sensação do dever não cumprido...
Eu tenho um coração, pobre coitado,
Que mora no meu peito, condenado
À pena incondicional de ter nascido...
25.4.05
O Amar
Estranha criatura. E traiçoeira.
E atraente. E doce criatura.
Cruel, como é cruel a ratoeira.
Sublime, como é o balsamo que cura.
Cheia de ardis, feito uma feiticeira,
E dos misterios de uma noite escura,
É, como a brisa, às vezes, passageira,
Às vezes não , como uma sepultura.
Mortal e ao mesmo tempo alvissareira,
Mistura o gesto bom, como é o da freira,
Com o doloroso, como é o da sutura...
Estranha criatura. E como cheira
Vulgar, às vezes, como uma rameira,
E algumas outras tão suave e pura...
Estranha criatura. E traiçoeira.
E atraente. E doce criatura.
Cruel, como é cruel a ratoeira.
Sublime, como é o balsamo que cura.
Cheia de ardis, feito uma feiticeira,
E dos misterios de uma noite escura,
É, como a brisa, às vezes, passageira,
Às vezes não , como uma sepultura.
Mortal e ao mesmo tempo alvissareira,
Mistura o gesto bom, como é o da freira,
Com o doloroso, como é o da sutura...
Estranha criatura. E como cheira
Vulgar, às vezes, como uma rameira,
E algumas outras tão suave e pura...
24.4.05
A Professora
Dedicado à Professora Regina Tonelli por seus empenho e dedicação ao fazer a correção de meu livro A Palavra Dada, no prelo.
À Professora Regina, em nome de todas as professoras, com carinho.
A professora, perfeição plástica,
Caminha, exatidão aritimética,
Levando a autoridade da gramática
E a delicadeza da poética...
Abrasando pronomes abusivos,
Vai, dissolvendo as silabas a mais,
Trocando de lugar os substantivos,
Contendo os singulares e os plurais,
Cauterizando excessos descritivos,
Simplificando os textos mais complexos,
Limpando os tempos verbais imperativos,
Acrescentando acentos circunflexos,
E segue adiante a professora, segue
Por entre consoantes e vogais,
O olhar astuto, a palavra leve,
Podando as concordancias nominais,
Detém-se ante os paragrafos e os hiatos,
Define e reorganiza as concordancias,
Corrige os substantivos abstratos
Pulverizando as exorbitancias...
E, um apos outro, curetando excessos
E descontaminando os maus ruidos,
Faz com que os versos maus se tornem versos
Maravilhosamente bons para os ouvidos...
A professora, a retidão, a regra,
O polimento da aspereza, o brilho,
Como quem dá o corte à faca cega,
Como quem veste e arruma o próprio filho...
E assim, redescobrindo o brilho oculto
Entre os escombros da palavra fria,
Faz, como quem lapida o mármore bruto,
Como quem planta mudas de harmonia...
A professora... Quem mais poderia?
Dedicado à Professora Regina Tonelli por seus empenho e dedicação ao fazer a correção de meu livro A Palavra Dada, no prelo.
À Professora Regina, em nome de todas as professoras, com carinho.
A professora, perfeição plástica,
Caminha, exatidão aritimética,
Levando a autoridade da gramática
E a delicadeza da poética...
Abrasando pronomes abusivos,
Vai, dissolvendo as silabas a mais,
Trocando de lugar os substantivos,
Contendo os singulares e os plurais,
Cauterizando excessos descritivos,
Simplificando os textos mais complexos,
Limpando os tempos verbais imperativos,
Acrescentando acentos circunflexos,
E segue adiante a professora, segue
Por entre consoantes e vogais,
O olhar astuto, a palavra leve,
Podando as concordancias nominais,
Detém-se ante os paragrafos e os hiatos,
Define e reorganiza as concordancias,
Corrige os substantivos abstratos
Pulverizando as exorbitancias...
E, um apos outro, curetando excessos
E descontaminando os maus ruidos,
Faz com que os versos maus se tornem versos
Maravilhosamente bons para os ouvidos...
A professora, a retidão, a regra,
O polimento da aspereza, o brilho,
Como quem dá o corte à faca cega,
Como quem veste e arruma o próprio filho...
E assim, redescobrindo o brilho oculto
Entre os escombros da palavra fria,
Faz, como quem lapida o mármore bruto,
Como quem planta mudas de harmonia...
A professora... Quem mais poderia?
10.4.05
Cadê o salário?
Aos colegas médicos pediatras da Unidade Neonatal do Hospital dos Plantadores de Cana de Campos que estão sem receber desde janeiro.
Um mês sem...
Dois meses sem...
Três meses sem...
Se a gente não faz nada
Esse salário só sai pro mês que vem...
Luna ta quase tendo nenem,
Daqui a pouco Isabel quer um também,
O Anderson ta pensando em ter mais cem,
A Débora e a Karina... O que é que tem?
Não é pra isso que existe o gen?
Mas o salário...
Nem...
Um mês sem...
Dois meses sem...
Três meses sem...
Muito ti-ti-ti,
Muito blá-blá-blá,
Muito nhem-nhem-nhem...
Mas pagar mesmo
Quem tem que pagar não paga
Porque dinheiro não tem,
Quem tem que assumir promete
Promessas pra mais além,
O cheque já foi assinado...
Mas quem autoriza?
Quem?
Um mês sem...
Dois meses sem...
Três meses sem...
Se a gente não grita, se fica entocado,
Vai acabar feito Sadam Houssain
Desprevenido e mal pago
Vendo o Bush se dar bem.
Eu sempre soube que o touro
Só segue pro matadouro
Porque não faz nem idéia
Da grande força que tem.
Entendeu bem?
Um mês sem...
Dois meses sem...
Três meses sem...
A gente ta que nem Pedro Pedreiro
Esperando o dinheiro desde o ano passado
Para o mês que vem.
Sem essa, vamos embora,
Esperar? Por que? Por quem?
Quem sabe é que faz a hora.
Não fica esperando o trem...
Quem espera
Só se desespera.
Vem brigar com a fera...
Vem...
Um mês sem...
Dois meses sem...
Três meses sem...
Dinheiro não evapora.
Ta sempre na mão de alguém.
Salário tem que ser pago
Sem faltar nenhum vintém.
Quem espera sentado nunca alcança.
Quem não tem procura,
Quem procura acha,
Quem acha tem
Por isso para de dizer amém
Pra um mês sem...
Dois meses sem...
Três meses sem...
Pois quem se humilha
Por que é seu direito
E julga que lutar
Não lhe cai bem
Nem é um homem
É um capacho,
É um borra-botas,
É um pau-mandado,
Não tem nem nome,
É um ninguém...
Aos colegas médicos pediatras da Unidade Neonatal do Hospital dos Plantadores de Cana de Campos que estão sem receber desde janeiro.
Um mês sem...
Dois meses sem...
Três meses sem...
Se a gente não faz nada
Esse salário só sai pro mês que vem...
Luna ta quase tendo nenem,
Daqui a pouco Isabel quer um também,
O Anderson ta pensando em ter mais cem,
A Débora e a Karina... O que é que tem?
Não é pra isso que existe o gen?
Mas o salário...
Nem...
Um mês sem...
Dois meses sem...
Três meses sem...
Muito ti-ti-ti,
Muito blá-blá-blá,
Muito nhem-nhem-nhem...
Mas pagar mesmo
Quem tem que pagar não paga
Porque dinheiro não tem,
Quem tem que assumir promete
Promessas pra mais além,
O cheque já foi assinado...
Mas quem autoriza?
Quem?
Um mês sem...
Dois meses sem...
Três meses sem...
Se a gente não grita, se fica entocado,
Vai acabar feito Sadam Houssain
Desprevenido e mal pago
Vendo o Bush se dar bem.
Eu sempre soube que o touro
Só segue pro matadouro
Porque não faz nem idéia
Da grande força que tem.
Entendeu bem?
Um mês sem...
Dois meses sem...
Três meses sem...
A gente ta que nem Pedro Pedreiro
Esperando o dinheiro desde o ano passado
Para o mês que vem.
Sem essa, vamos embora,
Esperar? Por que? Por quem?
Quem sabe é que faz a hora.
Não fica esperando o trem...
Quem espera
Só se desespera.
Vem brigar com a fera...
Vem...
Um mês sem...
Dois meses sem...
Três meses sem...
Dinheiro não evapora.
Ta sempre na mão de alguém.
Salário tem que ser pago
Sem faltar nenhum vintém.
Quem espera sentado nunca alcança.
Quem não tem procura,
Quem procura acha,
Quem acha tem
Por isso para de dizer amém
Pra um mês sem...
Dois meses sem...
Três meses sem...
Pois quem se humilha
Por que é seu direito
E julga que lutar
Não lhe cai bem
Nem é um homem
É um capacho,
É um borra-botas,
É um pau-mandado,
Não tem nem nome,
É um ninguém...
6.4.05
27.3.05
A Tribuna
Em 13 de abril de 1984 nosso pai Clovis Tavares de alguma forma nos deixou mais sós.
Neste 21 aniversario de sua partida recordo-me da imagem da Tribuna do Salão de Pregações da Escola Jesus Cristo que desde aquela data tem nos enchido o coração de todos com ternura e saudade...
Do alto da Tribuna, a voz vestida
De anjo, de guardião, de estrela-guia,
Falando da morte como quem vida,
Falando em prosa como quem poesia...
Do alto da Tribuna, a voz temida.
A multidão silenciava e ouvia.
Nem medo nem rancor, a voz... Despida
De preconceito, de hipocrisia...
Do alto da Tribuna, como um raio.
Dali do alto, como num ensaio
Para a outra vida que o aguardava...
Do alto da Tribuna, como um mito.
Dali do alto sempre. Como um rito.
Era dali que ele nos encantava.
Em 13 de abril de 1984 nosso pai Clovis Tavares de alguma forma nos deixou mais sós.
Neste 21 aniversario de sua partida recordo-me da imagem da Tribuna do Salão de Pregações da Escola Jesus Cristo que desde aquela data tem nos enchido o coração de todos com ternura e saudade...
Do alto da Tribuna, a voz vestida
De anjo, de guardião, de estrela-guia,
Falando da morte como quem vida,
Falando em prosa como quem poesia...
Do alto da Tribuna, a voz temida.
A multidão silenciava e ouvia.
Nem medo nem rancor, a voz... Despida
De preconceito, de hipocrisia...
Do alto da Tribuna, como um raio.
Dali do alto, como num ensaio
Para a outra vida que o aguardava...
Do alto da Tribuna, como um mito.
Dali do alto sempre. Como um rito.
Era dali que ele nos encantava.
23.3.05
O amor (A palavra)
Como ela surge? Do breu? Do nada?
Como é que desconcerta o pensamento?
Como é que quase sempre ela se agrada
De quem não tem nada por dentro?
Como é que deixa a alma hipertrofiada?
Por que é que trás, às vezes, sofrimento?
Por que é que chega com voz tão delicada?
Por que é que se vai, quando vai, feito um tormento?
Por que é que é sempre intocada
E, ainda que cantada e decantada,
Nunca experimenta o envelhecimento?
Como é real se é coisa imaginada?
Como é verdade se não pode ser provada?
Porque é que eu ainda tento?
Como ela surge? Do breu? Do nada?
Como é que desconcerta o pensamento?
Como é que quase sempre ela se agrada
De quem não tem nada por dentro?
Como é que deixa a alma hipertrofiada?
Por que é que trás, às vezes, sofrimento?
Por que é que chega com voz tão delicada?
Por que é que se vai, quando vai, feito um tormento?
Por que é que é sempre intocada
E, ainda que cantada e decantada,
Nunca experimenta o envelhecimento?
Como é real se é coisa imaginada?
Como é verdade se não pode ser provada?
Porque é que eu ainda tento?
Minha amiga foi morar em Friburgo
Na mala, roupas, bijouterias
E os já famosos óculos escuros.
Pelo menos dois dois livros: um de poesias
E outro sobre bebes prematuros.
Partiu em busca de melhores dias,
De novas alegrias pra alem-muros...
Talvez, cansada das mesmas alegrias...
Talvez por sentir-se em apuros...
Partiu levando as suas mãos vazias
Deixando pra tras velhas companhias
E uma ou outra recordação...
Que Deus te guie nessa caminhada
Amiga decidida e delicada
Que estará sempre em meu coração...
Na mala, roupas, bijouterias
E os já famosos óculos escuros.
Pelo menos dois dois livros: um de poesias
E outro sobre bebes prematuros.
Partiu em busca de melhores dias,
De novas alegrias pra alem-muros...
Talvez, cansada das mesmas alegrias...
Talvez por sentir-se em apuros...
Partiu levando as suas mãos vazias
Deixando pra tras velhas companhias
E uma ou outra recordação...
Que Deus te guie nessa caminhada
Amiga decidida e delicada
Que estará sempre em meu coração...
14.3.05
12.3.05
Versos para Maria Clara
Maria Clara, filha de meus sobrinhos Pedro e Juliana, minha sobrinha-neta
Maria Clara, Maria pura,
Maria rindo, Maria boa,
Mariazinha cheia de ternura,
Maria linda, um doce de pessoa...
Maria Clara, rara criatura,
Maria, que de tão leve, quase voa,
Clarinha, um pedacinho de candura,
Maria, bela como quem perdoa...
Maria Clara, caricatura
Da Luz Divina que nos abençoa,
O amor da tua familia te segura...
Eu te imagino, e fico rindo à toa...
Maria Clara, filha de meus sobrinhos Pedro e Juliana, minha sobrinha-neta
Maria Clara, Maria pura,
Maria rindo, Maria boa,
Mariazinha cheia de ternura,
Maria linda, um doce de pessoa...
Maria Clara, rara criatura,
Maria, que de tão leve, quase voa,
Clarinha, um pedacinho de candura,
Maria, bela como quem perdoa...
Maria Clara, caricatura
Da Luz Divina que nos abençoa,
O amor da tua familia te segura...
Eu te imagino, e fico rindo à toa...
7.3.05
O amor
Se fosse simples assim, como parece,
Ou tão fácil, como as vezes tudo indica,
Indiscutível, como a chuva quando desce
Pelas ladeiras da velha Vila Rica,
Fosse evidente, como o grão quando floresce
Ou como a flor, quando frutifica,
Ou talvez obvio, como quando amanhece,
Ou como o gosto da cica,
Eu saberia. Mas não.
E imponderável como o coração
E quase tão incompreensível quanto o tempo.
Por vezes não suporta um arranhão,
Por outras, desafia uma Nação...
Quem sabe, com certeza, o que tem dentro?
Se fosse simples assim, como parece,
Ou tão fácil, como as vezes tudo indica,
Indiscutível, como a chuva quando desce
Pelas ladeiras da velha Vila Rica,
Fosse evidente, como o grão quando floresce
Ou como a flor, quando frutifica,
Ou talvez obvio, como quando amanhece,
Ou como o gosto da cica,
Eu saberia. Mas não.
E imponderável como o coração
E quase tão incompreensível quanto o tempo.
Por vezes não suporta um arranhão,
Por outras, desafia uma Nação...
Quem sabe, com certeza, o que tem dentro?
1.3.05
A poesia em Minas
Eu fui à Minas colher poesias
Nas páginas dos livros, nas estantes,
Nas folhas de papel, brancas, mas frias,
Junto aos livreiros, comerciantes...
Eu fui à Minas, por esses dias,
(Minas tem versos impressionantes)
Voltei de lá com as minhas mãos vazias
E algumas conclusões desconcertantes...
Em Minas a poesia é sem limites...
Despenca do céu, feito estalactites...
Brota da terra, feito o ribeirão...
Está presente em todos os lugares:
Ladeiras, cachoeiras, montes, lares,
Invade e escapa do coração...
Eu fui à Minas colher poemas
Mas as palavras são sempre tão pequenas
Pro tanto de poesia que brota daquele chão...
Eu fui à Minas colher poesias
Nas páginas dos livros, nas estantes,
Nas folhas de papel, brancas, mas frias,
Junto aos livreiros, comerciantes...
Eu fui à Minas, por esses dias,
(Minas tem versos impressionantes)
Voltei de lá com as minhas mãos vazias
E algumas conclusões desconcertantes...
Em Minas a poesia é sem limites...
Despenca do céu, feito estalactites...
Brota da terra, feito o ribeirão...
Está presente em todos os lugares:
Ladeiras, cachoeiras, montes, lares,
Invade e escapa do coração...
Eu fui à Minas colher poemas
Mas as palavras são sempre tão pequenas
Pro tanto de poesia que brota daquele chão...
A musica em Minas
Eu fui a Minas conhecer a musica mineira,
Beber um pouco da sua harmonia.
Musica feita daquela maneira
Tem um segredo qualquer, alguma magia...
Eu fui à Minas subir ladeira
E descer ladeira tendo por companhia
A alma dessa gente cantadeira
De cantico, de cantiga, de cantoria...
E lá descobri a musica guardada
Na voz daquela gente, musicada
Pelos designios dos Céus...
Minas de cantos e de delicadezas...
Minas Gerais e Musica: irmãs siamesas...
A voz de um povo que parece a voz de Deus...
Eu fui a Minas conhecer a musica mineira,
Beber um pouco da sua harmonia.
Musica feita daquela maneira
Tem um segredo qualquer, alguma magia...
Eu fui à Minas subir ladeira
E descer ladeira tendo por companhia
A alma dessa gente cantadeira
De cantico, de cantiga, de cantoria...
E lá descobri a musica guardada
Na voz daquela gente, musicada
Pelos designios dos Céus...
Minas de cantos e de delicadezas...
Minas Gerais e Musica: irmãs siamesas...
A voz de um povo que parece a voz de Deus...
25.2.05
Minha maneira Quintana…
E todos esses que ai estão
Atravancando o meu caminho,
Criando espaços onde a solidão...
Elaborando ausências de carinho...
E todos esses na contramão,
Percursos feitos de redemoinho,
Sujando a boa letra da canção,
Salgando a pêra, azedando o vinho,
Esses que morrem por não ter paixão,
Esses que vivem em desalinho,
Esses que comem sem digestão,
Esses que matam devagarinho,
E todos esses, sem coração,
Gentes sem lar nenhum, aves sem ninho,
Que se alimentam da própria negação
E que ruminam seu suor mesquinho,
Filhos de Deus sem Deus que ai estão...
Ah, qualquer dia eles passarão....
Enquanto eu fico aqui
No meu cantinho...
E todos esses que ai estão
Atravancando o meu caminho,
Criando espaços onde a solidão...
Elaborando ausências de carinho...
E todos esses na contramão,
Percursos feitos de redemoinho,
Sujando a boa letra da canção,
Salgando a pêra, azedando o vinho,
Esses que morrem por não ter paixão,
Esses que vivem em desalinho,
Esses que comem sem digestão,
Esses que matam devagarinho,
E todos esses, sem coração,
Gentes sem lar nenhum, aves sem ninho,
Que se alimentam da própria negação
E que ruminam seu suor mesquinho,
Filhos de Deus sem Deus que ai estão...
Ah, qualquer dia eles passarão....
Enquanto eu fico aqui
No meu cantinho...
19.1.05
Versos para meu pai
Em 20 de janeiro de 2005 meu pai estaria fazendo 90 anos
I
Quando era longa e lenta a caminhada,
Quando era chuva, quase inundação,
Quando era a forca pouca, quase nada,
Quando era rala a alimentação,
Quando era como a casa abandonada
Da grama crescer junto do portão,
Quando era noite desenluarada,
Quando era quase como a solidão,
Eu te busquei, de alma desesperada,
Como quem sonha a dádiva sagrada,
A divida perdoada, a absolvição...
Eu nem notei, porque alma descuidada,
A tua mão me preparando a estrada,
A tua presença no meu coração...
II
E quando era a alegria alucinante,
E quando o sol era a mãe da luz do dia,
Quando a felicidade era bastante,
E quando tudo falava de alegria,
E a vida se seguia, interessante,
E o dia parecia em harmonia,
E havia um oásis, bem ali adiante,
Feliz, que a toda gente recebia,
E quando o tom do dia era elegante,
Sutil, feito um acorde dissonante,
Quando ninguém notava ou percebia
A tua presença era solida e incessante,
A assinatura de quem garante...
A tua presença, como poesia...
III
Por isso, desde as horas de tristeza
Aos dias de sol claro e transparente,
Dos ventos de calor e de clareza,
Aos dias de torpor opalescente,
Das horas de murmúrios sob a mesa
Aos dias de barulhos estridentes,
Dos tempos de descaso e de incerteza
Aos dias que se mostram coerentes,
Não me negaste a tua delicadeza,
Tua lição dita com leveza,
Ensinamentos prudentes...
Minha alegria, Pai, vem da certeza
De que essa chama de amor mantem-se acesa,
O amor que sinto, Pai... O amor que sentes...
Em 20 de janeiro de 2005 meu pai estaria fazendo 90 anos
I
Quando era longa e lenta a caminhada,
Quando era chuva, quase inundação,
Quando era a forca pouca, quase nada,
Quando era rala a alimentação,
Quando era como a casa abandonada
Da grama crescer junto do portão,
Quando era noite desenluarada,
Quando era quase como a solidão,
Eu te busquei, de alma desesperada,
Como quem sonha a dádiva sagrada,
A divida perdoada, a absolvição...
Eu nem notei, porque alma descuidada,
A tua mão me preparando a estrada,
A tua presença no meu coração...
II
E quando era a alegria alucinante,
E quando o sol era a mãe da luz do dia,
Quando a felicidade era bastante,
E quando tudo falava de alegria,
E a vida se seguia, interessante,
E o dia parecia em harmonia,
E havia um oásis, bem ali adiante,
Feliz, que a toda gente recebia,
E quando o tom do dia era elegante,
Sutil, feito um acorde dissonante,
Quando ninguém notava ou percebia
A tua presença era solida e incessante,
A assinatura de quem garante...
A tua presença, como poesia...
III
Por isso, desde as horas de tristeza
Aos dias de sol claro e transparente,
Dos ventos de calor e de clareza,
Aos dias de torpor opalescente,
Das horas de murmúrios sob a mesa
Aos dias de barulhos estridentes,
Dos tempos de descaso e de incerteza
Aos dias que se mostram coerentes,
Não me negaste a tua delicadeza,
Tua lição dita com leveza,
Ensinamentos prudentes...
Minha alegria, Pai, vem da certeza
De que essa chama de amor mantem-se acesa,
O amor que sinto, Pai... O amor que sentes...
6.1.05
Ame
Para www.fotolog.net/botan
Não tenha medo de passar vexame:
Ame.
Do amor suave, feito amor de mommy,
Do amor devastador, feito um tsunami,
Do amor sutil, feito um origami,
Porque talvez isso seja a cura da sua pane,
Ame.
Ainda que armadilhas o amor trame,
Envolva-se, declare-se, entregue-se, game,
Aprenda a desatar os nós de arame
E ame.
E nem precisa da força de um Van Damme.
Lembra a vitória dos fracos em Vietnam
E ame.
O amor distante. Bangl Adesh. Miami.
De uma estrangeira ou de uma Yanomami,
Ame.
E não importa que nome você chame:
Luciana, Luciene, Luciane...
Ame...
Mesmo chegando atrasado para o Exame,
Ame.
Se o amor for só desejo, o beijo infame,
Ame.
E se for paciente, feito o desmame,
Ame.
Se necessário a pressa, antes que inflame,
Ame.
Antes do tiro, do vôo, do derrame,
Ame.
Se for preciso, faz changez de dame
E ame.
E se acham você um tolo, que se dane,
Ame.
Mesmo que seja a musa do reclame,
Ame.
Amor aos montes, como num enxame,
Ou com cautela, como num tatame,
Ame.
E ame mesmo que ninguém ame,
E mesmo temendo que você se engane,
Não caia do salto, não saia da pose, não reclame,
Ame.
Como Tarzan amou Jane,
De sunga ou num Giorgio Armani,
Aqui ou no Suriname,
Ame.
Porque nada na vida faz sentido algum sem que por algum motivo você
Ame.
Para www.fotolog.net/botan
Não tenha medo de passar vexame:
Ame.
Do amor suave, feito amor de mommy,
Do amor devastador, feito um tsunami,
Do amor sutil, feito um origami,
Porque talvez isso seja a cura da sua pane,
Ame.
Ainda que armadilhas o amor trame,
Envolva-se, declare-se, entregue-se, game,
Aprenda a desatar os nós de arame
E ame.
E nem precisa da força de um Van Damme.
Lembra a vitória dos fracos em Vietnam
E ame.
O amor distante. Bangl Adesh. Miami.
De uma estrangeira ou de uma Yanomami,
Ame.
E não importa que nome você chame:
Luciana, Luciene, Luciane...
Ame...
Mesmo chegando atrasado para o Exame,
Ame.
Se o amor for só desejo, o beijo infame,
Ame.
E se for paciente, feito o desmame,
Ame.
Se necessário a pressa, antes que inflame,
Ame.
Antes do tiro, do vôo, do derrame,
Ame.
Se for preciso, faz changez de dame
E ame.
E se acham você um tolo, que se dane,
Ame.
Mesmo que seja a musa do reclame,
Ame.
Amor aos montes, como num enxame,
Ou com cautela, como num tatame,
Ame.
E ame mesmo que ninguém ame,
E mesmo temendo que você se engane,
Não caia do salto, não saia da pose, não reclame,
Ame.
Como Tarzan amou Jane,
De sunga ou num Giorgio Armani,
Aqui ou no Suriname,
Ame.
Porque nada na vida faz sentido algum sem que por algum motivo você
Ame.
5.1.05
O sorriso de Anginhaa
Para www.fotolog.net/anginhaa
Eu quero esse sorriso de presente.
Eu quero. Pra alegrar a minha vida.
Só pra ficar com cara de contente.
Esse sorriso. O céu sob medida.
Eu quero esse sorriso. Frente a frente.
Eu quero. A minha única saída.
Esse sorriso: gesto que não mente.
Esse sorriso: coisa mais querida.
Por isso o meu presente é esse sorriso.
Meu pedacinho de paraíso.
Fatia grande de coisa boa.
Eu só preciso que você sorria.
É o meu presente. Ganhei meu dia.
E eu passo o resto do dia rindo a toa.
Para www.fotolog.net/anginhaa
Eu quero esse sorriso de presente.
Eu quero. Pra alegrar a minha vida.
Só pra ficar com cara de contente.
Esse sorriso. O céu sob medida.
Eu quero esse sorriso. Frente a frente.
Eu quero. A minha única saída.
Esse sorriso: gesto que não mente.
Esse sorriso: coisa mais querida.
Por isso o meu presente é esse sorriso.
Meu pedacinho de paraíso.
Fatia grande de coisa boa.
Eu só preciso que você sorria.
É o meu presente. Ganhei meu dia.
E eu passo o resto do dia rindo a toa.
31.12.04
24.12.04
Oração de Natal
Senhor Jesus.
Hoje é o Dia do teu Natal.
A Humanidade recorda nesta data os fatos ligados àqueles dias que transformaram a tua chegada numa grandiosa estória de símbolos inesquecíveis: os anuncios dos anjos, a viagem ate Belém num burrinho, o teu nascimento numa estrebaria, a alegria dos pastores comuns de guardar ovelhas quando receberam a noticia de teu nascimento, a visita dos Magos, a ira de Herodes...
Dois milênios se passaram...
Viemos hoje aqui neste teu dia e na tua presença, do mesmo modo como estiveram do teu lado os pastores, homens comuns do campo, guardadores de rebanho, somente para venerar esta data que guarda com ela o inicio de teu martírio e de teu exemplo de amor a Humanidade.
Trazemos, Senhor Jesus, as mãos vazias.
O ouro que nos cabia trazer, nós o perdemos pelo caminho, trocando-o por valores de realeza quase sem valor até que nos restassem somente algumas miseras patacas as quais acabamos por igualmente gastar e nada possuir além da lembrança do quanto já tivemos em mãos...
O incenso precioso era para tê-lo trazido conosco se não tivéssemos abandonado seu aroma quando nos sentimos atraídos por outros aromas que a nós nos pareceram mais atraentes: dois milênios foram tempo suficiente para nos perdermos em outras divindades e valores...
A mirra que intencionavamos trazer acabamos por derramá-la sem cuidado, desapercebendo dessa forma seus sinais de imortalidade infinita, e nos tornando frágeis e tolos e vãos...
Perdemos o rumo da Estrela que surgiu para nos guiar, por isso nos atrasamos tanto...
Trazemos hoje o coração enfraquecido e submerso neste mundo de desacerto e treva a que nos conduzimos...
Deste longo mergulho na sombra pudemos ver de perto o desafeto e o desamor tornarem-se gestos comuns e quase necessários...
Homens destruindo Torres Gêmeas e vendo suas nações dizimadas por caças e bombas sem motivo nenhum alem do ódio e da ira torpe e rude do coração mau...
Nos aproximamos perigosamente da fome e do flagelo e acabamos percebendo que nada ou quase nada podemos fazer ou tentar longe da tua infinita misericórdia...
Mas eis que é Natal, Senhor Jesus...
Temos ouvido, ecos deixados pelos Anjos em suas visitas, que para nosso bem nasceu Jesus, nosso Salvador...
É delicado o Cântico dos Anjos que nos chama em tom quase maternal: Hosana, Jesus nasceu...
É santificada essa Boa Nova...
E terna e pura a luz da tua Estrela...
Acolhedora a tua Manjedoura...
Suave o significado da tua Mensagem de amor...
Deliciosa a companhia dos magos e dos pastores...
Alegre a musica alegre que os presenciamos cantar e dançar como pediram-lhes a Legião de Anjos...
Acolhedora e agradável a tua gruta santa, a nos proteger da noite, do medo, do frio e da solidão que nos dilacera lá fora...
Ah, Menino Jesus...
Cordeiro de Deus que por nós, pecadores, derramou seu sangue para nos mostrar o caminho da salvação...
Estamos hoje, após dois milênios de noite e desamor angustiantes, diante de ti.
Recebe nossas mãos vazias...
E permanece nosso pensamento assim:
Extasiados com a complexidade de tua singeleza e admirados com a força gigantesca de tua aparente fragilidade...
Mestre amado,
Aqui está o nosso coração humilhado diante de teu exemplo...
Insufla nossa boca com teu sopro, fazendo-as cheias de palavras como as de Simeão: podemos partir em paz porque os nossos olhos viram a salvação.
Senhor Jesus,
Feliz Natal.
Glória a Deus nas Alturas e paz na Terra aos Homens a quem Ele quer bem.
Que assim seja.
Senhor Jesus.
Hoje é o Dia do teu Natal.
A Humanidade recorda nesta data os fatos ligados àqueles dias que transformaram a tua chegada numa grandiosa estória de símbolos inesquecíveis: os anuncios dos anjos, a viagem ate Belém num burrinho, o teu nascimento numa estrebaria, a alegria dos pastores comuns de guardar ovelhas quando receberam a noticia de teu nascimento, a visita dos Magos, a ira de Herodes...
Dois milênios se passaram...
Viemos hoje aqui neste teu dia e na tua presença, do mesmo modo como estiveram do teu lado os pastores, homens comuns do campo, guardadores de rebanho, somente para venerar esta data que guarda com ela o inicio de teu martírio e de teu exemplo de amor a Humanidade.
Trazemos, Senhor Jesus, as mãos vazias.
O ouro que nos cabia trazer, nós o perdemos pelo caminho, trocando-o por valores de realeza quase sem valor até que nos restassem somente algumas miseras patacas as quais acabamos por igualmente gastar e nada possuir além da lembrança do quanto já tivemos em mãos...
O incenso precioso era para tê-lo trazido conosco se não tivéssemos abandonado seu aroma quando nos sentimos atraídos por outros aromas que a nós nos pareceram mais atraentes: dois milênios foram tempo suficiente para nos perdermos em outras divindades e valores...
A mirra que intencionavamos trazer acabamos por derramá-la sem cuidado, desapercebendo dessa forma seus sinais de imortalidade infinita, e nos tornando frágeis e tolos e vãos...
Perdemos o rumo da Estrela que surgiu para nos guiar, por isso nos atrasamos tanto...
Trazemos hoje o coração enfraquecido e submerso neste mundo de desacerto e treva a que nos conduzimos...
Deste longo mergulho na sombra pudemos ver de perto o desafeto e o desamor tornarem-se gestos comuns e quase necessários...
Homens destruindo Torres Gêmeas e vendo suas nações dizimadas por caças e bombas sem motivo nenhum alem do ódio e da ira torpe e rude do coração mau...
Nos aproximamos perigosamente da fome e do flagelo e acabamos percebendo que nada ou quase nada podemos fazer ou tentar longe da tua infinita misericórdia...
Mas eis que é Natal, Senhor Jesus...
Temos ouvido, ecos deixados pelos Anjos em suas visitas, que para nosso bem nasceu Jesus, nosso Salvador...
É delicado o Cântico dos Anjos que nos chama em tom quase maternal: Hosana, Jesus nasceu...
É santificada essa Boa Nova...
E terna e pura a luz da tua Estrela...
Acolhedora a tua Manjedoura...
Suave o significado da tua Mensagem de amor...
Deliciosa a companhia dos magos e dos pastores...
Alegre a musica alegre que os presenciamos cantar e dançar como pediram-lhes a Legião de Anjos...
Acolhedora e agradável a tua gruta santa, a nos proteger da noite, do medo, do frio e da solidão que nos dilacera lá fora...
Ah, Menino Jesus...
Cordeiro de Deus que por nós, pecadores, derramou seu sangue para nos mostrar o caminho da salvação...
Estamos hoje, após dois milênios de noite e desamor angustiantes, diante de ti.
Recebe nossas mãos vazias...
E permanece nosso pensamento assim:
Extasiados com a complexidade de tua singeleza e admirados com a força gigantesca de tua aparente fragilidade...
Mestre amado,
Aqui está o nosso coração humilhado diante de teu exemplo...
Insufla nossa boca com teu sopro, fazendo-as cheias de palavras como as de Simeão: podemos partir em paz porque os nossos olhos viram a salvação.
Senhor Jesus,
Feliz Natal.
Glória a Deus nas Alturas e paz na Terra aos Homens a quem Ele quer bem.
Que assim seja.
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