29.3.12

Mais nada

Eu desconheço a engenharia do argumento,
A tática precisa da discussão,
Embora equivocado muita vez, eu tento,
Como uma barca que perdeu a direção,

E falo coisas que me vem ao pensamento,
Dando espaço de sobra pro coração
Soltar-se, como se isso tivesse cabimento,
Argumentar-se, como quem pede atenção...

E assim, desconhecedor dessa engenharia,
A coerência me desafia,
E a meu favor, só a palavra desastrada...

Eu vou me embora. Passargada me espera.
Não quero mais ter razão. Isso é o que eu era.
Eu quero apenas ser feliz. Mais nada.

Eu

É porque eu só sei ser do jeito que eu sou,
E eu ser eu mesmo é o melhor que eu posso ser,
Qualquer outra possibilidade se esgotou
Bem antes mesmo de acontecer,

E é desse jeito que eu vou por onde eu vou,
E sei que ainda há muito pra crescer,
E olha que não foi fácil chegar aonde eu estou,
Aprendendo a fazer o que eu sei fazer...

Mas sei que caminho entre minhas próprias discordâncias,
E entre o que eu sou e o que eu quero há discrepâncias,
Distancias que eu preciso percorrer

Para amadurecer meu coração pequeno,
Para que eu possa ainda envelhecer sereno,
Para que eu não me arrependa de morrer...

28.3.12

Cabanão de novo...


Cabanão, mundão, cabanão, mundão,
Eu nem fui ainda a um show de João Gilberto,
Mal sei tocar Linha de Passe no violão,
Ainda nem vi a Torre Eiffel de perto,

Eu nunca vi um por do só no Maranhão,
Eu já comprei, mas ainda não chegou meu novo esteto,
Não vi o Brasil ser hexacampeão,
Falta tanto pra isso aqui ficar completo,

Porisso cabanão, mundão, dá mais um tempo,
Eu sei que nada na vida é cem por cento,
Mas eu ainda quero visitar Santa Maria,

Escrever mais um livro de poemas,
Então me dá mais um tempinho apenas,
Cabanão, mundão... Deixa pra outro dia...

Cabanão, mundão!!!


Cabanão mundão!!! Cabanão mundão!!!
Inda falta muita coisa acontecer...
Muita história, muita vida, muito chão,
Muita poesia pra se escrever,

Muita balada, muita animação,
Muito desespero de não ter pra onde correr,
Muita esperança ainda, muita solidão,
Muita mão e contra mão pra se perder...

Cabanão mundão, to te pedindo,
Cabanão que eu to me divertindo,
E mesmo nos dias em que eu choro de aflição,

Eu me levanto, me esqueço e vou curtindo,
Compartilhando tudo que acho lindo...
Cabanão, mundão, vai, cabanão!!!

A poesia


A impaciência bem cabe na poesia,
Bem como a ocitocina e o desamor,
A dexametasona e a ousadia,
A falta de ousadia, a morte, a dor,

O amor também cabe, a traição, a azia,
O azar, o salário do professor,
A companhia, a falta de companhia,
O padre, o monge, o espirita, o pastor...

Nada que existe entre a noite e o dia,
Escapa ao verso que o poeta cria,
Por isso nada é sem sentido ou sem valor,

Nenhuma ideia, por mais vazia,
Escapa à poesia que a vigia
E cuida dela como quem cuida de um amor...

27.3.12

Achados e perdidos


Se não pode, não pode. Ta resolvido.
Se eu soubesse que não podia não teria convidado.
Convidei porque não tinha percebido
Que alguma coisa no convite tava errado...

Tava dando ocupado. Faz sentido.
Ou se vai prum lado ou se vai pro outro lado.
Eu não sabia, por isso fui atrevido.
Eu não sabia, por isso fui abusado.

Mas deu errado. Passou. Ficou perdido.
Não aconteceu como era pra ter sido,
Não houve como eu tinha planejado...

Quem sabe na próxima ne? Ta entendido.
Achei que era pra ter acontecido.
Achei. Mas não era. Eu tava enganado.

26.3.12

Segunda feira


Ainda bem que hoje é segunda feira
Muito trabalho, coisas pra fazer,
Chega de fazer nada, de leseira...
Segunda feira, muito prazer...

Ainda bem... Acorda, dormideira...
Relógio, relógio meu... Cadê você?
Chegou segunda e, queira ou não queira,
A semana está começando pra valer...

Que venha terça, quarta, quinta, sexta...
Tá pensando o que? Te mete a besta...
A semana vem que vem arrebentando...

Segunda feira que venha, poderosa...
Segunda feira maravilhosa...
Pode chegar, segunda... Eu tou entrando...

O médico e o poeta

Vai, garoto, ser médico na vida,
E tenta a poesia... Às vezes adianta
Rimar sorrriso com dor, luz com ferida,
E canticos com placas na garganta...

Vai, moço, ser médico... Não tem saida,
Mas tenta a poesia... Medica e canta
A lactação e a morte, a dor comprida
E a dor dilacerada, como um mantra...

E ve se aprende: não há garantia.
Na medicina, bem como na poesia,
Tudo acontece subitamente...

O verso e a infecção não marcam dia,
Por isso a página em branco e a antibioticoterapia
Pode ser que não funcionem prontamente...

24.3.12

A milicia de Anjos

Poeminha improvisado de Feliz Aniversário para minha amiga Grasielly Mariano

Começa o dia 24 de março,
Primeiras horas da madrugada,
Uma luz diferente invade o espaço,
Uma luz levemente prateada,

Anjos passeiam fazendo estardalhaço,
Deixando toda a cidade iluminada,
Cantam seus canticos com desembaraço,
Cantam com a alma animada.

É março. O dia vai amanecendo.
É dia 24. Hoje eu entendo
Porque a cada 24 de março, todo ano,

Anjos do céu, em milicias, descendo,
Vão cantando seus canticos dizendo:
_Feliz Aniversário, Grasiely Mariano!!!

21.3.12

Sai fora

(pra minha amiga Roberta Lugão que amanheceu com dor de cabeça)

Sai, dor de cabeça da Roberta
Vai catar sua turma, coisa ruim...
Sai fora, vaza, some, segue a seta,
E para de me olhar assim...

Sai da Roberta dor... E desinfeta...
Vai bem pra longe... Vai lá pro fim...
Não provoca a palavra do poeta,
Dor de cabeça chinfrim...

Vai se afogar no oceano Pacifico
Vai beber soda caustica e acido nítrico,
Vai se tratar... Congela, dor bandida...

Deixa a Roberta em paz... Desaparece...
Dor de cabeça que ninguém merece,
Deixa a Roberta cuidar da sua vida...