17.9.13

Extase

Como é que às vezes não se comover,
Como é que às vezes não se emocionar,
Como é que às vezes não se conter,
Como é que às vezes não desabar,

E não parar, nessas vezes, pra escrever,
E não parar, nessas vezes, pra contar
O que se sentiu... Como é que pode ser?
O que se pensou... Como deixar passar?

E a poesia, fiel companheira,
Que acompanha minha vida a vida inteira,
Fazendo questão de estar sempre do meu lado,

Escreve, conta, se emociona, rima,
Descarregando emissões de adrenalina,
Fazendo o coração extasiado...

12.9.13

Quem?

De perto, ninguém é normal o bastante,
Ninguém é incorrupto o suficiente,
Nem tão consciente, nem tão perseverante,
E felizmente, nem de todo inconsequente.

De perto ninguém é assim, tão elegante,
E nem tão brega, igualmente,
Nem tão osso duro, nem tão inconstante,
Nem tem clareza de tudo, absolutamente,

De perto, duvidas mescladas com certezas,
Fragilidades com delicadezas,
São fontes de infinitas possibilidades...

De perto nada é exatamente o que parece...
A alma humana... Quem é que conhece?
Quem é que sabe todas as verdades?

5.9.13

Dias de frio

Dias de frio, dias que pedem
A prescrição de descongestionantes,
Tosses que não param, corizas que não cedem,
Espirros absolutamente deselegantes,

 Dias de frio que se sucedem,
Apavorando crianças e gestantes,
Semanas de frio que não se despedem
Pros dias voltarem a ser como eram antes...

Dias de frio, toucas de lã,
Casacos em ação desde a manhã,
E um chocolate quente pra compor...

Dias de um frio assim, que crueldade,
São dias próprios pra sentir saudade
Daqueles deliciosos dias de calor...

4.9.13

Dias assim

Dias de chuva, de céu cinzento,
Pouca gente sai de casa em dias assim,
Dias de cinza frio, chuva de vento,
Tudo sombrio e aparentemente ruim,

Dias de um frio que congela o pensamento,
Dias propícios pra virar pinguim,
Janelas e portas fechadas, todos dentro
Da casa e ninguém brincando no jardim...

Dias assim, dias esvaziados,
De bater o queixo, dias de resfriados,
Dias de vontade de não ter o que fazer,

Dias assim, propícios pra poesias
Que são como as lareiras desses dias
Que bem de vez em quando vem me ver...

3.9.13

Paolinha

A minha amiga alemã que é mineirinha,
Mais mineirinha, decerto, que alemã,
Faz muito tempo que e minha amiguinha,
Faz muito tempo que sou seu fã,

Essa mineirinha alemã, amiga minha,
Que trocou o pão de queijo pelo strudel de maçã,
Mas que pra mim será sempre a minha Paolinha,
Por isso esse poeminha de manhã,

 Por isso esse poeminha pra minha amiga,
Que é mega super hiper ultra giga
Amiga minha e de quem não abro mão,

Um presentinho que Deus deu pra mim,
Que Manhuaçu emprestou pra Berlim,
Mas que mora dentro do meu coração...

Tolerância

Se o dia amanheceu, o que era pra ser massa,
E assim que amanheceu, amanheceu nublado,
Se a foto que era pra você sair fazendo graça,
Não disfarçou seu tom mal humorado,

Se você faz fiu fiu pra mocinha que passa
E a mocinha que passa chama você de tarado,
Se sua vida tá mais pra limão com cachaça
Que prum suco de mangaba bem gelado,

Se dias assim acabam com seu dia,
Diminuem sua calma, aumentam sua azia,
Se dias assim acabam com você,

Cultive sementinhas de paciência,
A tolerância é a nutrição da boa convivência,
A vida é boa para quem sabe viver...

2.9.13

O futuro

Se o preço cobrado não foi o combinado,
Se a mercadoria foi entregue com defeito,
Se se o bife bem passado veio mal passado,
Se voce foi tratado com preconceito,

Se no meio a pressa encontra o sinal fechado,
Se a UTI já não suporta tanto leito,
Se voce perdeu a chave do cadeado,
Se é muita fome pra pouco leite de peito,
 
Não se desespere, não se entregue,
Desanuvie, desencane, desapegue,
 Muita agua vai passar sob essa ponte,

Muita ponte nova ainda vai ser projetada,
Muita nova civilização criada,
Muito infinito para alem do horizonte...

Sorte

Se o dia é confuso, se o trem demora,
Se o salário é pouco, se o patrão é mau,
Se falta uma hora e meia pra chegar a hora,
Se voce vai dar plantão no carnaval,

Se já tá batendo uma vontade de ir embora
E nada da sinaleira dar o sinal,
Se chove, venta e faz bem frio lá fora,
Se não tem cremogema pro mingau,

Não entre em pane, nao se descabele,
Stress faz o cabelo cair e seca a pele,
Fica calmo, respira... Sorte a sua,

Porque para além das dificuldades mora a calma,
Para além da dor mora o sorriso da alma,
E porque além de tudo, a vida continua...

24.8.13

Viver

Viver é ir juntando os pedacinhos
Dos cacos de vidro que a gente insiste em quebrar,
Fazer e refazer nossos caminhos,
É saber seguir aprendendo a recuar,

Descobrir como caminhar por entre espinhos
Sem desistir das rosas, sem cansar,
Viver as vezes é aos pouquinhos,
 Outras vezes é complicado de acordar,

Viver as vezes é como escrever poesias:
Você vai juntando palavras frias
Sem ter certeza como terminar,

E a poesia escrita sem certezas
Vai revelando delicadezas
Que a vida nos oferece sem cobrar...

Sabadozinho

Sabadozinho. Bom dia pra plantão.
Plantão de sábado tudo pode acontecer.
Sala de parto. Consulta. Internação.
Páginas e páginas pra escrever.

Sabadozinho bom. Sem solidão.
Muitas pessoas pra se conhecer.
Umas legais. Umas grossas. Outras não.
Tudo na vida é como dá pra ser.

Sabadozinho bom. E lá vou eu.
Essa é a vida que Deus me concedeu.
O único jeito é ser feliz assim.

Sabadozinho bom. Todo alegria.
E que jamais nos falte a poesia.
E que esses sábados nunca tenham fim...

23.8.13

Poesia

Pra que é que serve afinal fazer poesia?
Escrever sonetos serve pra que?
Passar o tempo em franca romaria
Tentando rimas e coisas pra dizer?

Pra que será que serve essa mania
De escrever coisas que ninguém vai ler?
Uns curtem, outros compartilham? Que alegria...
É só pra isso que serve escrever?

Dizem que versos já revolucionaram,
Governos caíram, Generais tombaram,
Amores eternos aconteceram...

Mas deve ser lenda criada por poetas.
Poesias são como paisagens desertas
Que somente alguns poucos viram e creram...

Vida

Quando menino, tempos atrás,
Levado, encrenqueiro, gordinho comilão,
Vivia reclamando dos meus pais,
Dos meus professores, da minha religião,

O tempo fez do menino um bom rapaz,
Um rapaz bom, mas ainda reclamão,
Brigão, encrenqueiro, falador demais,
Como se fosse o dono da razão...

O rapaz virou homem, que por sua vez,
Permaneceu contestando em reclamês
A vida, as gentes, as normas gerais...

O homem velho, hoje mais conformado,
Não reclama de tudo, nem vive em pecado,
Reclama menos, talvez, mas age mais...

Sacada

Experimente acordar de madrugada,
Quando sem sono e sem nada pra fazer,
Ninguém no Skype, no whats app, nada...
Nada de interessante na TV,

Experimente: cafezinho com torrada
E um pedacinho de queijo pra comer,
Tentar dormir de volta? Que piada...
Experimente sem conseguir adormecer...

Desiste então dessa cama desgraçada
Que botou você pra fora, essa malvada,
E que parece que nem se importa com você...

Madrugada. E sua alma abandonada.
Até que de repente, uma sacada:
Tem poesia querendo se escrever...

22.8.13

Desse jeito

Você se prepara pro calor, faz frio,
Você se prepara pro frio e faz calor,
Você pensa que tá cheio, tá vazio,
Você pensa que não vai doer e sente dor,

Você quer ir pra São Paulo e vai pro Rio,
Quer uma esteira, mas leva um cobertor,
Você vai ver um sexteto e assiste um trio,
Vai ver um trio e acaba é um só cantor...

As vezes é assim mesmo: desencontros...
Nem sempre dá pra gente unir os pontos,
Nem sempre na vida dois e dois se dão...

Resta seguir mesmo entre desalinhos,
Viver às vezes é refazer caminhos,
E ir protegendo sempre o coração...

22 de agosto

A folha de papel branco sobre a mesa
Provoca meu coração escrevedor,
Olha pra mim como se ela fosse uma princesa,
Canta pra mim como se eu fosse um cantador,

A folha de papel branco e uma certeza:
Lembra um espirito provocador,
Uma força que me atrai pra correnteza,
Um sol que tenta me queimar com seu calor...

A folha branca, de proposito vazia,
Como uma moça que me pede uma poesia,
Como um governo que me cobra seu imposto,

A folha de papel, uma armadilha,
Que é como uma filha pra esse pai sem filha,
Tornando bom esse meu 22 de agosto...

21.8.13

Aceitação

Às vezes não era pra ser o que é,
Às vezes o que é não é o que era pra ser,
Às vezes porque o que era não deu pé,
Às vezes porque não deu pra acontecer,

Por isso às vezes o que a gente quer
Nem sempre é aquilo que a gente pode ter,
O jeito é aproveitar a vida como der,
O jeito é saber aprender a viver,

Porque nem sempre as coisas planejadas
E milimetricamente calculadas
Saem do jeito como as planejamos,

Resta seguir, reclamando menos
Do jeito que somos, das coisas que temos,
Da vida nem sempre feliz que nós levamos...

16.8.13

Dias assim

Hay dias que no sé lo que me pasa,
Escrevo poesias sem parar,
Algumas rasgo, de tão sem graça,
Algumas guardo pra depois postar,

Umas escrevo pra agradar a massa,
Outras escrevo só pra me agradar,
Algumas com temperatura, gosto e raça,
Outras que nem tem por que rimar,

Hay dias que no sé, mas nem Neruda,
Nem Chico, nem Drummond, nada me ajuda,
Eu tento poesias e não consigo escrever...

Hay dias em que eu tento mas não consigo poesias,
E ainda bem que são raros esses dias
Que vem e vão, mas não me fazem sofrer. ..

15.8.13

A poesia

A poesia não precisa contar pra conter,
A poesia não precisa conter pra contar,
Às vezes necessita apenas parecer,
Às vezes necessita apenas apontar,

A poesia não precisa papel pra escrever,
A poesia não precisa rimar ou não rimar,
Às vezes necessita só subverter,
Às vezes necessita só sonhar,

De muito pouca coisa precisa a poesia,
Às vezes sobra numa mão vazia,
Às vezes cabe em qualquer lugar,

A poesia além do que a sabemos,
A poesia além de como a lemos,
Melhor, às vezes, é não tentar explicar...

14.8.13

Experimente

Pros dias de imprevisíveis turbulências,
E de impaciências,
E de falta absoluta de harmonia,
Experimente poesia,
Redescobrir poesia,
Raciocinar poesia,
Por precaução
Contra a azia...

13.8.13

Poesia

Pros dias de ocitocina em baixa,
Poesia,
Pros dias sem a minima garantia,
Dias nublados,
Sem perspectivas,
Pros dias explosivos feito ogivas,
Poesia,
Pros dias de aparente asfixia,
Pros dias alegres
Feito piadas,
Pros dias cortantes feito espadas,
Pros dias de dor de cabeça e de azia,
Poesia,
Pros dias de mortes inesperadas,
Poesia,
Pros dias de alivio e sofrimento,
Pros dias em que tudo dá errado,
Pros dias onde tudo é
 abençoado,
Pros dias de imensíssimo movimento,
Poesia,
Pra todos os dias
De chuva e sol,
Pros dias em que o sol é sustenido,
Pros dias em que o sol é sol bemol,
Pros dias de vidro,
Pros dias de campos de girassol,
Poesia,
Que não se basta,
Que não se limita,
Que não se copia,
Que não se gasta,
Que não se edita,
Que não se adia,
Que não se afasta,
Que não hesita,
Que não varia,
Pros dias de um futuro sem fio guia,
Poesia...