21.3.12

Bom dia


(pra minha amiga Angela Barros)

Bom dia facers. Maravilhoso dia
Para curtir, postar e comentar,
Para cutucar, para escrever poesia,
Um lindo dia pra compartilhar

Piadas, risos, restos de alegria,
Motivos pra chorar e não chorar,
Bom dia pra uma boa companhia,
Um dia bom pra se acompanhar...

Então bom dia. E que seja diariamente,
Mesmo se a tempestade logo à frente...
Mesmo se a falta de ar...

Bom dia facers... E eu já to curtindo
Em forma de soneto um dia lindo...
Viver a vida é saber levar...

20.3.12

Desencantado

A vida que vai perdendo seu sentido:
Perfume, carro, TV 3D,
iPhone, iPad, um corpo bem nutrido,
Uma mulher bem nutrida pra voce...

A vida, como se ela precisasse ser sem ruido:
Trabalhar, receber... Trabalhar receber...
Ganhar... Gastar... Nada é caro nem proibido...
Voce se torna o que consegue ter:

Casa de praia, certificados,
Carros modernos, modos ultrapassados,
A roda viva destruindo a poesia...

A vida completamente transformada,
Feita de quanto mais ter tudo, mais ser nada...
Não era exatamente isso que eu queria...

Ceciliana

Eu canto porque a estante existe
E aparentemente está incompleta,
E ve-la incompleta assim me deixa triste:
Cade o poeta?

Então eu tento. O coração insiste,
E cada verso meu a poesia veta...
Observa-me, censora, dedo em riste,
Da sua janela indiscreta...

Mas eu insisto, e a minha pobre estante
Incentiva-me a seguir assim adiante
Criando versos para completa-la...

Por isso tento rascunhos de poesias
Trazendo rima e ritimo pros meus dias
Em silencio, no sofá da minha sala...

Lá vai Ricardo...

Ricardo Teixeira deixa a direção da CBF após 23 anos no cargo.

Lá vai Ricadro Teixeira... Era sem hora...
Que coisa boa pro futebol brasileiro...
23 anos, Ricardo? Que demora...
23 anos? Quanto dinheiro...

Lá vai Ricardo... Quem é que chora?
Se ninguém chora, eu quero ser o primeiro
A chorar porque o Ricardo foi embora,
Mas de alegria, não de desespero...

Lá vai embora Ricardo Teixeira...
Fica triste não, Ricadro... Besteira...
Garanto que voce vai ficar bem sozinho...

Lá vai Ricardo, escapando da banheira...
Lá vai Ricardo... Fim de carreira...
Lá vai Ricardo e seu futebolzinho...

14.3.12

O nascimento

Cesárea não é parto. É cirurgia.
É o nascimento sem contração.
É o bisturi e o corte. É a anestesia.
É cirurgia. Não é parto não.

É o resultado da bio-engenharia,
A farmacologia a favor da precisão,
A técnica em busca da garantia.
Não é um parto. É uma intervenção.

E comodo? Decerto. Prático? Bastante.
É de uma precisão impressionante.
Tempos modernos em busca de alegria.

A cesárea. Nascimento sem parto.
Um Centro Cirurgico ao ivés de um quarto.
E ainda assim nascimento, poesia...

8.3.12

Eu comemoro a mulher

Eu comemoro a mulher que amamenta,
Eu comemoro a mulher que não,
Eu comemoro a mulher que não esquenta,
Eu comemoro a mulher-preocupação,
 
Eu comemoro a mulher que é aos 80,
Eu comemoro a mulher que ainda é um grão,
Eu comemoro a mulher briguenta,
Eu comemoro a mulher pena e compaixão,
 
Eu comemoro a mulher que se pinta,
A mulher de trinta, a de tres vezes trinta,
A mulher que acaba de nascer,
 
A mulher que procria, a mulher que não procria,
A mulher tristeza, a mulher alegria,
A mulher... Sem ela, o que se há de fazer?

21.2.12

Onde?

Onde a poesia que eu pensei que havia
Deixado aqui pra depois escrever?
Poxa, poesia, mas que mania
Que você tem de desaparecer...

Não foi a primeira vez que a poesia
Sumiu da minha frente sem eu ver...
E eu que cheguei a pensar  que a conhecia...
Como é que eu deixei isso acontecer?

Na minha frente, e não mais que de repente,
Desaparece da minha frente
A poesia que era quase minha...

A poesia que eu pensei que era,
Sumiu, porque a poesia não espera,
Antes de me contar o que continha...

20.2.12

Em algum lugar

Onde o poema que era pra estar aqui?
Em que lugar aquele verso se meteu?
Pra onde ele foi que eu não vi?
Pra que lado ele correu?

Onde o poema que, quando eu me distrai,
Aproveitando, desapareceu?
Onde o poema que eu quase escrevi?
Onde o poema que pensei ia ser meu?

A pagina de papel espera, em branco,
A versejada que desejei tanto
Que quase comecei a rabiscar...

Pra onde foi aquela poesia
Que me deixou -distração ou ironia?-
Esta outra poesia em seu lugar?

16.2.12

Fim de férias

De volta à vida diária e rotineira,
Ao atendimento ambulatorial,
À vida que tem sido pela vida inteira
A minha vida normal,

De volta à vida receitadeira:
Paracetamol, metroclopramida, fenobarbital,
De volta à vida sem sol, sem prainha cervejeira,
De volta à vida sem bailes de carnaval...

De volta à vida diária: a da pereba,
A do enterobius vermiculares, a da giárdia e ameba,
À vida que desidrata em disenteria,

De volta ao mundo das convulsões febris,
De volta, feliz, a esse mundo infeliz,
De volta ao meu mundo, ao meu dia a dia...

Poeminha insone


Aos que não tem sono e não conseguem dormir,
Aos que navegam bem na madrugada,
Aos que passeiam daqui pra ali,
Transformando a navegação numa embolada,

Aos que se deitam, mas voltam pra curtir,
Pra compartilhar, pra postar, pra dar risada,
Aos que não conseguem nem tentam insistir,
E levam a noite nessa virada,

Aos sonâmbulos que quase não bocejam,
Mas, ao invés disso, festejam
A noite e essa solidão que não machuca...

Aos que não tem sono pelo mundo afora,
Esse sonetinho escrito agora,
Às duas da manhã, com café sem açúcar...

12.2.12

Poeminha aerado


(escrito em 8 de fevereiro durante a viagem do Rio a Natal)
Um poeminha escrito a 12 mil metros de altura,
Um outro escrito ao nivel do mar...
Em que pedaço de céu o primeiro deles se segura?
Em que pedaço de chão ao outro é dado voar?

Um poeminha escrito a 12 mil metros... Que loucura...
O que mais a poesia é capaz de inventar?
É como se não cessasse nunca essa procura:
Inspirar, fluir, nascer, crescer, ficar...

A 12 mil metros, um poeminha inteiro
Entre o Rio Grande do Norte e o de Janeiro,
Entre Natal e o Rio essa visita.

A 12 mil metros, frases pousando,
Criando versos que vão se entrelaçando
A 12 mil metros... Que coisa mais bonita...

5.2.12

Tricolor de coração


Sou tricolor de coração,
Sou do time tantas vezes de me dar tanta alegria,
Tantas vezes vitorioso, tantas outras não...
O bom da felicidade é não possuir garantia...

Sou tricolor de coração... Um azarão?
E o que me importa? E por que me importaria?
Sou do time tantas vezes que me causa essa aflição,
Sou do time tantas vezes que me causa essa poesia...

Sou tricolor. E o que mais, além disso, me interessa?
Sou tricolor. Já não tenho pressa
Nem necessidade de vencer ou vencer...

Sou tricolor. Isso pra mim é suficiente.
Poupe-me portanto desse seu acre inconsequente.
Sou tricolor, e isso me dá prazer...

4.2.12

A falta

Eu sou pior que meus versos. Admito.
Invejo deles a cor, o tom, o palavreado.
Tudo neles parece mais bonito,
Tudo mais límpido, mais vivo e bem cuidado.
 
Às vezes acho isso tão esquisito
E não entendo o que foi que deu errado:
O método? A auto-estima? O treino? O rito?
A execução daquilo que foi planejado?
 
O fato é que o poema, ainda que frágil,
É como se pertencesse a um outro estágio,
É como se possuísse outra autoria...
 
Eu quase me perco, muita vez, a olha-los...
Como eu tão turvo? Como eles tão claros?
Por que é que falta em mim tanta poesia?

3.2.12

A poesia


Eu sou pior do que os versos que eu crio,
Por isso passo meu tempo os observando.
Por que tão cheios de luz e eu tão vazio?
Por que tão inteiros e eu tão desmontando?

Por que tão dóceis e eu tão arredio?
Às vezes eu gasto meu tempo articulando
Palavras como se fosse um desafio,
Mas é o meu verso que vai me desafiando...

Eu sou pior do que os versos que eu consigo...
Mas se eles não ligam, eu também não ligo,
E continuo escrevendo...

Quem sabe um dia, sem que eu perceba,
A poesia inteira que eu bebi, me beba,
E eu vá, bebido de poesia, renascendo...

Acorda e segue

Eu sou pior que os pedaços de poesia
Que tento rabiscar diariamente.
Careço de versos mais leves, de harmonia,
De rima rica, de leitura fluente...

Minha vida é feita de letra mais vazia,
Restos de frase torta e inconsequente,
Formando poemas sem sumo, sem ousadia,
Poesias sem graça, coisa decadente...

E, por ser verso sem garantia,
Rima sem antidoto anti-desarmonia,
Discretos sinais de que vai um dia ser feliz,

Por isso mesmo é que o poema, complacente,
Permanece ao meu lado, paciente,
Dizendo pra mim: acorda e segue, Luis...

28.1.12

Significado

Para minha amiga Nancy Ribeiro, dançarina e poetisa.

Nancy significa dançarina,
Mas também significa poetisa.
Mistura ser mulher com ser menina,
Ser como o aço com ser como a brisa.

Nancy significa bailarina,
Parece que voa por onde pisa.
Mistura sonho com adrenalina,
Gesto improvisado com técnica precisa.

Nancy significa poesia
Escrita com frases de pura maestria,
Sonetos escritos com sutileza...
 
Nancy significa rima rica,
Escrita de um jeito que ninguém explica,
Nancy significa delicadeza.

27.1.12

Toma

(para minha amiga Renata)

Quer um carinho? Toma um carinho...
Quer um abraço? Toma um abraço...
Ninguém precisa sentir-se tão sozinho...
Ninguém precisa ocupar tão pouco espaço...

Quer um beijinho? Toma um beijinho...
Quer bem mais forte? Deixa que eu amasso...
Deixa que eu te protejo de mansinho...
Deixa que eu te acompanho passo a passo...

E pede qualquer coisa... Ta valendo...
E nem precisa me explicar, porque eu entendo...
Tem dias que a gente só precisa disso:

Carinho, dengo, amasso, proteção,
Recarregando a vida e o coração...
E ser feliz assim, sem compromisso...

22.1.12

Homem que é homem

Sabe aprender, tenta ensinar,
Reconhece que às vezes pode não conseguir
Vencer, fazer, dizer, pedir, postar,
Mas desconhece o que significa desistir,

Sabe que há musicas difíceis de cantar,
Escadas complicadas de subir,
Sabe que nem sempre é possível escapar,
Sabe que nem sempre é possível fingir,

E mesmo nos dias de falta de ar,
Nas horas proibitivas de sonhar,
Nas dores impossíveis de se traduzir,

Resiste, porque não conhece voltar,
Caminha, porque não conhece parar,
E segue, porque é o que sabe: seguir...

19.1.12

Luiza II (de volta ao Brasil)

E eu que já tava juntando uns trocados,
Economizando, tentando não gastar,
Já tava até com uns dólares guardados
Mas ai a Luiza resolveu voltar...

Até meus plantões eu já tinha trocado,
Meu FGTS acabado de sacar,
Eu confesso que eu tava animado...
Mas ai a Luiza resolveu voltar...

E agora? O que é que eu faço? Não viajo?
Vendo meus dólares com deságio?
Cancelo o pacote pro Canadá?

Eu que já tava gostando da piada,
Bagagem pronta, passagem comprada,
E agora, que a Luiza resolveu voltar?

Luiza I (no Canadá)

Tá todo mundo querendo saber,
Já comentou ou tá querendo comentar
A festa, o edredon, o estupro na TV,
Todo mundo, menos Luiza, que tá no Canadá...

Tá todo mundo esperando acontecer,
Tá todo mundo tentando adivinhar,
Tá todo mundo pagando pra ver,
Todo mundo, menos Luiza, que tá no Canadá...

Tá todo mundo no calçadão de Ipanema,
Tá todo mundo na fila do cinema,
Tá todo mundo que eu conheço indo malhar...

Tá todo mundo querendo companhia...
Tá todo mundo compartilhando essa poesia...
Todo mundo, menos Luiza, que tá no Canadá...

15.1.12

10 anos

10 anos postando rimas, criando versos, inventando quadras,
10 anos, com ou sem motivos, procurando motivos pra escrever
Sonetos, poemas livres, palavras livres, rimadas,
10 anos como se o verso acabasse de nascer,

10 anos me surpreendendo com as coisas improvisadas,
Com os versos improvisados, banhados de bem querer,
Com as ironias discretas, com as ironias ousadas,
Com as ironias nem sempre tão fáceis de se compreender,

10 anos, pra poesia, quase tempo imperceptivel,
10 anos, como se fosse uma contagem impossivel,
10 anos como se o tempo não visse o tempo passar,

10 anos entre sonetos, quadras, livres, redondilhas,
10 anos como se fosse um pai cuidando das filhas,
10 anos como se a vida acabasse de começar...