27.3.12

Achados e perdidos


Se não pode, não pode. Ta resolvido.
Se eu soubesse que não podia não teria convidado.
Convidei porque não tinha percebido
Que alguma coisa no convite tava errado...

Tava dando ocupado. Faz sentido.
Ou se vai prum lado ou se vai pro outro lado.
Eu não sabia, por isso fui atrevido.
Eu não sabia, por isso fui abusado.

Mas deu errado. Passou. Ficou perdido.
Não aconteceu como era pra ter sido,
Não houve como eu tinha planejado...

Quem sabe na próxima ne? Ta entendido.
Achei que era pra ter acontecido.
Achei. Mas não era. Eu tava enganado.

26.3.12

Segunda feira


Ainda bem que hoje é segunda feira
Muito trabalho, coisas pra fazer,
Chega de fazer nada, de leseira...
Segunda feira, muito prazer...

Ainda bem... Acorda, dormideira...
Relógio, relógio meu... Cadê você?
Chegou segunda e, queira ou não queira,
A semana está começando pra valer...

Que venha terça, quarta, quinta, sexta...
Tá pensando o que? Te mete a besta...
A semana vem que vem arrebentando...

Segunda feira que venha, poderosa...
Segunda feira maravilhosa...
Pode chegar, segunda... Eu tou entrando...

O médico e o poeta

Vai, garoto, ser médico na vida,
E tenta a poesia... Às vezes adianta
Rimar sorrriso com dor, luz com ferida,
E canticos com placas na garganta...

Vai, moço, ser médico... Não tem saida,
Mas tenta a poesia... Medica e canta
A lactação e a morte, a dor comprida
E a dor dilacerada, como um mantra...

E ve se aprende: não há garantia.
Na medicina, bem como na poesia,
Tudo acontece subitamente...

O verso e a infecção não marcam dia,
Por isso a página em branco e a antibioticoterapia
Pode ser que não funcionem prontamente...

24.3.12

A milicia de Anjos

Poeminha improvisado de Feliz Aniversário para minha amiga Grasielly Mariano

Começa o dia 24 de março,
Primeiras horas da madrugada,
Uma luz diferente invade o espaço,
Uma luz levemente prateada,

Anjos passeiam fazendo estardalhaço,
Deixando toda a cidade iluminada,
Cantam seus canticos com desembaraço,
Cantam com a alma animada.

É março. O dia vai amanecendo.
É dia 24. Hoje eu entendo
Porque a cada 24 de março, todo ano,

Anjos do céu, em milicias, descendo,
Vão cantando seus canticos dizendo:
_Feliz Aniversário, Grasiely Mariano!!!

21.3.12

Sai fora

(pra minha amiga Roberta Lugão que amanheceu com dor de cabeça)

Sai, dor de cabeça da Roberta
Vai catar sua turma, coisa ruim...
Sai fora, vaza, some, segue a seta,
E para de me olhar assim...

Sai da Roberta dor... E desinfeta...
Vai bem pra longe... Vai lá pro fim...
Não provoca a palavra do poeta,
Dor de cabeça chinfrim...

Vai se afogar no oceano Pacifico
Vai beber soda caustica e acido nítrico,
Vai se tratar... Congela, dor bandida...

Deixa a Roberta em paz... Desaparece...
Dor de cabeça que ninguém merece,
Deixa a Roberta cuidar da sua vida...

Bom dia


(pra minha amiga Angela Barros)

Bom dia facers. Maravilhoso dia
Para curtir, postar e comentar,
Para cutucar, para escrever poesia,
Um lindo dia pra compartilhar

Piadas, risos, restos de alegria,
Motivos pra chorar e não chorar,
Bom dia pra uma boa companhia,
Um dia bom pra se acompanhar...

Então bom dia. E que seja diariamente,
Mesmo se a tempestade logo à frente...
Mesmo se a falta de ar...

Bom dia facers... E eu já to curtindo
Em forma de soneto um dia lindo...
Viver a vida é saber levar...

20.3.12

Desencantado

A vida que vai perdendo seu sentido:
Perfume, carro, TV 3D,
iPhone, iPad, um corpo bem nutrido,
Uma mulher bem nutrida pra voce...

A vida, como se ela precisasse ser sem ruido:
Trabalhar, receber... Trabalhar receber...
Ganhar... Gastar... Nada é caro nem proibido...
Voce se torna o que consegue ter:

Casa de praia, certificados,
Carros modernos, modos ultrapassados,
A roda viva destruindo a poesia...

A vida completamente transformada,
Feita de quanto mais ter tudo, mais ser nada...
Não era exatamente isso que eu queria...

Ceciliana

Eu canto porque a estante existe
E aparentemente está incompleta,
E ve-la incompleta assim me deixa triste:
Cade o poeta?

Então eu tento. O coração insiste,
E cada verso meu a poesia veta...
Observa-me, censora, dedo em riste,
Da sua janela indiscreta...

Mas eu insisto, e a minha pobre estante
Incentiva-me a seguir assim adiante
Criando versos para completa-la...

Por isso tento rascunhos de poesias
Trazendo rima e ritimo pros meus dias
Em silencio, no sofá da minha sala...

Lá vai Ricardo...

Ricardo Teixeira deixa a direção da CBF após 23 anos no cargo.

Lá vai Ricadro Teixeira... Era sem hora...
Que coisa boa pro futebol brasileiro...
23 anos, Ricardo? Que demora...
23 anos? Quanto dinheiro...

Lá vai Ricardo... Quem é que chora?
Se ninguém chora, eu quero ser o primeiro
A chorar porque o Ricardo foi embora,
Mas de alegria, não de desespero...

Lá vai embora Ricardo Teixeira...
Fica triste não, Ricadro... Besteira...
Garanto que voce vai ficar bem sozinho...

Lá vai Ricardo, escapando da banheira...
Lá vai Ricardo... Fim de carreira...
Lá vai Ricardo e seu futebolzinho...

14.3.12

O nascimento

Cesárea não é parto. É cirurgia.
É o nascimento sem contração.
É o bisturi e o corte. É a anestesia.
É cirurgia. Não é parto não.

É o resultado da bio-engenharia,
A farmacologia a favor da precisão,
A técnica em busca da garantia.
Não é um parto. É uma intervenção.

E comodo? Decerto. Prático? Bastante.
É de uma precisão impressionante.
Tempos modernos em busca de alegria.

A cesárea. Nascimento sem parto.
Um Centro Cirurgico ao ivés de um quarto.
E ainda assim nascimento, poesia...

8.3.12

Eu comemoro a mulher

Eu comemoro a mulher que amamenta,
Eu comemoro a mulher que não,
Eu comemoro a mulher que não esquenta,
Eu comemoro a mulher-preocupação,
 
Eu comemoro a mulher que é aos 80,
Eu comemoro a mulher que ainda é um grão,
Eu comemoro a mulher briguenta,
Eu comemoro a mulher pena e compaixão,
 
Eu comemoro a mulher que se pinta,
A mulher de trinta, a de tres vezes trinta,
A mulher que acaba de nascer,
 
A mulher que procria, a mulher que não procria,
A mulher tristeza, a mulher alegria,
A mulher... Sem ela, o que se há de fazer?

21.2.12

Onde?

Onde a poesia que eu pensei que havia
Deixado aqui pra depois escrever?
Poxa, poesia, mas que mania
Que você tem de desaparecer...

Não foi a primeira vez que a poesia
Sumiu da minha frente sem eu ver...
E eu que cheguei a pensar  que a conhecia...
Como é que eu deixei isso acontecer?

Na minha frente, e não mais que de repente,
Desaparece da minha frente
A poesia que era quase minha...

A poesia que eu pensei que era,
Sumiu, porque a poesia não espera,
Antes de me contar o que continha...

20.2.12

Em algum lugar

Onde o poema que era pra estar aqui?
Em que lugar aquele verso se meteu?
Pra onde ele foi que eu não vi?
Pra que lado ele correu?

Onde o poema que, quando eu me distrai,
Aproveitando, desapareceu?
Onde o poema que eu quase escrevi?
Onde o poema que pensei ia ser meu?

A pagina de papel espera, em branco,
A versejada que desejei tanto
Que quase comecei a rabiscar...

Pra onde foi aquela poesia
Que me deixou -distração ou ironia?-
Esta outra poesia em seu lugar?

16.2.12

Fim de férias

De volta à vida diária e rotineira,
Ao atendimento ambulatorial,
À vida que tem sido pela vida inteira
A minha vida normal,

De volta à vida receitadeira:
Paracetamol, metroclopramida, fenobarbital,
De volta à vida sem sol, sem prainha cervejeira,
De volta à vida sem bailes de carnaval...

De volta à vida diária: a da pereba,
A do enterobius vermiculares, a da giárdia e ameba,
À vida que desidrata em disenteria,

De volta ao mundo das convulsões febris,
De volta, feliz, a esse mundo infeliz,
De volta ao meu mundo, ao meu dia a dia...

Poeminha insone


Aos que não tem sono e não conseguem dormir,
Aos que navegam bem na madrugada,
Aos que passeiam daqui pra ali,
Transformando a navegação numa embolada,

Aos que se deitam, mas voltam pra curtir,
Pra compartilhar, pra postar, pra dar risada,
Aos que não conseguem nem tentam insistir,
E levam a noite nessa virada,

Aos sonâmbulos que quase não bocejam,
Mas, ao invés disso, festejam
A noite e essa solidão que não machuca...

Aos que não tem sono pelo mundo afora,
Esse sonetinho escrito agora,
Às duas da manhã, com café sem açúcar...

12.2.12

Poeminha aerado


(escrito em 8 de fevereiro durante a viagem do Rio a Natal)
Um poeminha escrito a 12 mil metros de altura,
Um outro escrito ao nivel do mar...
Em que pedaço de céu o primeiro deles se segura?
Em que pedaço de chão ao outro é dado voar?

Um poeminha escrito a 12 mil metros... Que loucura...
O que mais a poesia é capaz de inventar?
É como se não cessasse nunca essa procura:
Inspirar, fluir, nascer, crescer, ficar...

A 12 mil metros, um poeminha inteiro
Entre o Rio Grande do Norte e o de Janeiro,
Entre Natal e o Rio essa visita.

A 12 mil metros, frases pousando,
Criando versos que vão se entrelaçando
A 12 mil metros... Que coisa mais bonita...

5.2.12

Tricolor de coração


Sou tricolor de coração,
Sou do time tantas vezes de me dar tanta alegria,
Tantas vezes vitorioso, tantas outras não...
O bom da felicidade é não possuir garantia...

Sou tricolor de coração... Um azarão?
E o que me importa? E por que me importaria?
Sou do time tantas vezes que me causa essa aflição,
Sou do time tantas vezes que me causa essa poesia...

Sou tricolor. E o que mais, além disso, me interessa?
Sou tricolor. Já não tenho pressa
Nem necessidade de vencer ou vencer...

Sou tricolor. Isso pra mim é suficiente.
Poupe-me portanto desse seu acre inconsequente.
Sou tricolor, e isso me dá prazer...