31.5.09

Jesus, abençoa os meninos de rua...
Clip sob canção composta por mim (letra e musica) e interpretada por mim (voz e violão) e pela amiga Roseleni - Eternessencias (voz).
Um hino de amor aos meninos de rua do mundo inteiro.


16.5.09

Os olhos de Erika
(à minha amiga Erika Márcia)

Erika Márcia e seus olhos fatais,
Desconcertantes, avassaladores,
Fontes de luz, córregos de paz,
Uma tsunami, um chamariz de amores...

Os olhos de Erika Márcia... Prá que mais?
Já estão lá neles todos os sabores,
Toda delicadeza e todo gás,
Todos os poemas, todos os louvores...

Olhar para esse olhar desconcertante
É como o gole de um vinho rascante:
Arranha ao mesmo tempo que inebria...

Sou seu fiel seguiidor, olhar de imã
Que atrai, desperta, desconcerta e anima
Meu coração e meu risco de poesia...

13.5.09

Ponha o seu coração na sua vida
(à minha amiga Roseleni)

Ponha o seu coração na sua vida,
Fazendo a sua vida renascer...
Sem ele a vida é um beco sem saida...
É o coração, ele só, que a faz viver...

Tome pois isso como coisa decidida.
Não deixe sua decisão esmorecer...
O coração faz a vida mais vivida...
O coração faz a vida acontecer...

Por isso não perca tempo e se decida,
Ponha o seu coração na sua vida
E desde ai faça por merecer

Toda paz, toda beleza escondida,
E toda delicadeza conhecida,
E a que ao homem ainda não é dado conhecer...

11.5.09

Roteiro

E a gente inventa, tenta,
Reinventa, cria,
Descobre aqui e ali um pouco de alegria,
E segue como quem já andou bastante...
E assim, sempre entre um dia e um outro dia,
Entre uma poesia e uma outra poesia,
A gente segue, lucido, para adiante...

8.5.09

Improviso para minha irmã

Minha irmã não tem nome,
Tem poesia
Nem voz tem minha irmã,
Tem rimas ricas,
A sua alma nunca está vazia...
Tem frutas doces
Mesmo quando citricas...

Minha irmã não tem rosto
Tem sonetos,
E redondilhas,
E versos livres...
E brilho tem a minha irmã querida
Capaz de impressionar
Hábeis ourives...

Não tem familia,
Filhos,
Marido,
Tem beneficiários
Dos dons seus...
Nem é daqui minha irmã.
Ela é um Anjo
Daqueles que são
Próximos de Deus...

E eu daqui
Observando tudo
Tentando a inutil
Definição
Não percebi
Que a alma pobre
E fraca
Não sabe definir
O coração...

Então,
Sem defini-la,
E extasiado,
Tento um poema
Para minha irmã
Nessa manhã gentil de sexta feira,
Porque ela torna gentil
Essa manhã...

7.5.09

ABCdário materno
(de acordo com a ortografia dos Anjos)


Amar seu filho acima de tudo.
Brigar por esse amor com todas as forças do mundo.
Crescer como um gigante nos tempos de dificuldade.
Diminuir-se às vezes, como se não fosse um gigante.
Esperar a cada dia por dias melhores.
Falar usando a voz do coração.
Garantir a existencia do amanhã para a Humanidade inteira.
Habituar-se à entrega diária e sem cobranças.
Impor-se através da força invisivel do amor.
Jamais desistir.
Lamber a cria mil vezes por dia.
Mostrar-se sempre disponivel.
"Nada a temer senão o correr da luta"
Olhar com jeito de quem compreende até o incompreensivel.
Parar de viver a própria vida para viver a vida de seu filho.
Quem se atreve a julgar-se ser maior que uma Mãe?
Registrar cada dia em seu coração.
Saber sem precisar perguntar.
Ter sem precisar possuir.
Unica e para sempre.
Ver sem precisar enxergar.
Xodó de mãe não tem preço.
Zelar com amor e carinho pelo bem do seu filho.

21.4.09

Procuração (O verso brasileiro)

Nomeio para meu representante
O verso brasileiro, residente
Da rima, comportada ou dissonante,
Que torna o poema mais coerente...

Nomeio o verso, de hoje em diante,
E que esse titulo dure eternamente,
O verso, meu fiel acompanhante,
O verso bom, meu Principe Regente...

A ele entrego, em paz e confiante,
O meu destino deselegante
E todos os meus dias pela frente...

O verso, meu parceiro mais constante,
O verso brasileiro, doravante
O meu representante. Eu presente...
Procuração (A rima)

Procura-se rima de boa casta,
De letra nobre, de sentido são,
De texto fácil, de significação vasta,
De conteudo sem nenhuma exatidão,

Procura-se rima inédita, ainda que gasta,
Que possua força e qualificação,
Que seja como um boato que se alastra,
E ao mesmo tempo contida como um grão,

Procura-se rima bem apessoada,
Que seja comedida e comportada,
E faça a descompostura valer à pena...

Procura-se rima livre e disponível,
Que trate o inacreditável como crível,
E saiba dissolver-se no poema...

20.4.09

O principio de tudo

Palavra por palavra,
Minuto a minuto,
Fatia por fatia...
A eternidade
Teve inicio
Em seu primeiro dia...

11.4.09

O coração II

O coração, espirito guardado,
Grande demais para ser seduzido,
Forte demais para ser desencorajado,
Extremamente audacioso para ser seguido,
Irriquieto demais para ser filmado,
Sagaz demais para ser distraido,
Extremamente incomum para ser fotografado,
Extremamente incomum pra ser servido,
Inédito, ágil, unico, escancarado,
Benéfico, espalhado, bem instruido,
Às vezes como um objeto não identificado,
Às vezes como um lugar não permitido,
O coração, cancela sem cadeado,
Tentar cercea-lo é causa sem sentido,
É livre o coração, mesmo trancado,
É fluido universal, mesmo contido,
Às vezes como um trem descarrilhado,
Às vezes suave, como um gemido,
Às vezes ruidoso como um brado,
Às vezes não como a flecha de um cupido,
O coração, cantado e decantado,
O coração, a quem tudo é permitido...

9.4.09

O coração

O coração, espírito incontido,
Grande demais para ser formatado,
Ou, muitas vezes, para ser compreendido,
E muitas outras para poder ser explicado,
Por isso, alto demais para ser medido,
Complexo demais para ser domesticado,
Imenso o coração para ser todo lido,
Quase sem fim para ser inteiro decorado,
Etéreo demais para ser tolido,
Ou para ser, o coração, desativado,
Convicto demais para ser banido,
Coerente demais para ser barrado,
Barulhento demais para ser esquecido,
Inalcançavel demais para ser arrastado,
Vivo demais para ser desaprendido,
Veloz demais para ser desacelerado,
Enorme para ser todo destruido,
Ou para ser, por conta disso, controlado,
O coração. Como um poema vivo...
Como um poema, o coração, alado...

7.4.09

A criação

O homem criou o muro,
Deus criou o mar.
O homem criou o escuro,
Deus criou a luz pra iluminar.

O homem criou o duro,
Deus criou o espaço pra voar.
Até que um dia o homem caiu em apuros,
Mas Deus estava ali para ajudar...

5.4.09

Curantur

Um vinho, um video, um jogo de xadrez,
Um fim de semana pescando em Cabedelo,
Um verso de Shakespeare original em ingles,
Um Chico: Budapeste, A Fazenda Modelo,

Um feriado no final do mes,
Fazer as unhas, cortar cabelo,
Sair para jantar no japones,
Levar o cachorro pra tosar o pelo,

E quase nada em qualquer lugar,
Qualquer coisinha pode curar
Sem nenhum misterio, sem nenhuma ciencia,

Qualquer coisinha. É só experimentar.
É tiro e queda. Basta beliscar.
Qualquer besteira cura a carencia...
E novamente a cura...

E ainda eu digo: pra carencia, amiga
Tente escutar a musica de Lenine,
A bateria da Escola de Samba da Mangueira,
O essencialismo de Dorival Caymmi,
O verso bom de Manuel Bandeira...
Ainda a cura...

Outro remedio pra carencia, amiga,
É a poesia,
Mas também pode ser uma musica do Tom...
A rima é sempre boa companhia...
Ouvir Jobim cantando é sempre bom...

4.4.09

A cura...

O melhor remedio pra carencia, amiga,
É um banho frio,
Mas também pode ser um gole dágua...
Um banho lava o coração vazio...
Um gole arranca o coração da mágoa...

24.3.09

Nomenclatura II

Mundo, mundo,
Nem tão vasto assim...
E se eu me chamasse Joaquim?
Seria uma rima...
Uma das rimas mais usadas
No sertão...
E se eu me chamasse Olinto?
E se eu me chamasse Onofre?
E se eu me chamasse José Paulo Sebastião?
Mundo, mundo,
Nem tão vasto,
Nem tão vasto mas tão gasto,
Mundo, mundo, coitadinho,
E se eu me chamasse Zinho,
E se eu me chamasse, mundo, Gonzagão?
Nomenclatura I

Mundo, mundo,
Vasto mundo,
Se eu me chamasse João de Barro
Não haveria nem rima
Nem solução...

Mundo, mundo,
Todo vasto,
E se eu me chamasse
Carlos Drummond
Ao invés de me chamar
Algum João?

Aí então, vasto mundo,
Quem sabe
Se lá no fundo
Da nascente onipotente
Da palavra,
A poesia
Não chegava
A uma conclusão?

21.3.09

Conhecer voce
(para Cacá Happy)

Conhecer voce, assim, me fez sonhar
Com doce de coco,
Com comer chuvisco,
Com beber cerveja junto,
Com caminhar,
Com contar piada,
Com pintar o sete,
Com apostar corrida
Na beira do mar,
Me fez sonhar com hakuna matata,
Com felicidade
De não se acabar,
Como poesia quando nasce o dia,
Com poesia
Antes de se deitar,
Conhecer voce me fez fazer folia
Do pensamento querer acreditar
Em ser feliz,
Como a segunda via
De um verso
Que já não era pra contar,
Com coca-cola, vinho,
Agua de coco,
Peixinho frito,
Abraço de apertar,
Com dedos passeando por seus dedos,
Olhares desvendando
Seu olhar,
Conhecer voce me deu uma vontade
De ir a Paraiba pra buscar
Um grupo de forró de pe de serra
Pra gente junto
Forrozear,
E mais um tanto assim de coisa boa,
Passeio de canoa,
Trabalhar,
Catar conchinha
Tirar cara e coroa,
Brincar de pique esconde,
Volitar,
Nadar de costas,
Comer pamonha,
Brigar,
Fazer as pazes,
Se atracar,
Fugir para Fernando de Noronha,
Pegar um onibus
Pra Madagascar,
De invadir alguma livraria,
Sair de lá com livros de poesia,
E alguns outros livros
Que ensinem a voar,
Me deu vontade de voltar no tempo
E desde o inicio poder contar
Com seu sorriso,
Com seu pensamento,
Com seu jeitinho livre de falar
Das coisas boas,
Das coisas tristes,
Das coisas que algum dia vão chegar,
Ai que vontade me deu,
Moça bonita,
De ser alguem que possa ser seu par
Num jogo de ping pong,
De peteca,
De voley de praia,
De tardes de brincar
De amarelinha,
Queimado,
Malha,
Pique,
Buraco,
Video-game
Até cansar...
E ir assim, como essa poesia
Que até parece que se nega
A terminar...
Me deu vontade
Ao conhecer voce,
De ser,
Permanecer,
Continuar...

20.3.09

Isso é com eles lá
(Lula diz: Crise é tsunami nos EUA e, se chegar ao Brasil, será 'marolinha')

Não é uma tsunami. É uma marolinha.
Não é uma tragédia. É uma coisa à toa.
Não é uma desgraça. É uma desgracinha
Que pode acometer qualquer pessoa.

Não é um Titanic afundando. É uma canoinha.
Uma canoinha que parece uma canoa.
Não é pure nem pirão. É só farinha.
Não é nenhum temporal. É só garoa.

Isso é porque é na sua vida. Não na minha
Que segue plácida e sossegadinha
E que de tão plácida, às vezes até me enjoa...

Crise? Que crise? A crise da vizinha?
Mas isso é lá com ela, coitadinha...
Tem nada a ver com a minha vida boa...