Aprendenças
Gastei meus rascunhos
Tentando um verso
Que a poesia
Me pediu para escrever...
Usufruindo
Da companhia
Das tantas coisas
Pra se dizer...
Tentei sonetos
E redondilhas,
E frases
E fonemas
Sem pecado...
Gastei meus rabiscos
Num palavreado
Que se perdeu
Sem se deixar ler...
Palavras desenhando
Aprendizados...
Versos inteiros
De não se conter...
30.1.09
27.1.09
10.1.09
Somos todos pornográficos
A rede social Facebook resolveu tirar do ar fotos de mulheres amamentando seus filhos nas quais apareçam o bico do seio ou a auréola. A explicação oficial é que as fotos constituem pornografia, uma vez que mostram partes do seio consideradas obscenas.
Somos todos pornográficos, então:
As mães, os filhos, os apoiadores...
Fanáticos por peito, por pega, por sucção,
E pelos hormonios liberadores...
Somos os pornográficos da nova geração:
Os pornográficos sem falsos pudores,
Os sem pecado, e por isso sem perdão,
Apaixonados aconselhadores...
Somos os obscenos sem pecados,
Os pornograficos apaixonados,
Tirem-nos do ar... Mas não tem jeito...
Ainda assim continuaremos,
E cada vez mais fotografaremos
O bico do seio, a aréola e o leite do peito...
A rede social Facebook resolveu tirar do ar fotos de mulheres amamentando seus filhos nas quais apareçam o bico do seio ou a auréola. A explicação oficial é que as fotos constituem pornografia, uma vez que mostram partes do seio consideradas obscenas.
Somos todos pornográficos, então:
As mães, os filhos, os apoiadores...
Fanáticos por peito, por pega, por sucção,
E pelos hormonios liberadores...
Somos os pornográficos da nova geração:
Os pornográficos sem falsos pudores,
Os sem pecado, e por isso sem perdão,
Apaixonados aconselhadores...
Somos os obscenos sem pecados,
Os pornograficos apaixonados,
Tirem-nos do ar... Mas não tem jeito...
Ainda assim continuaremos,
E cada vez mais fotografaremos
O bico do seio, a aréola e o leite do peito...
Amamentação dói...
Dedicado à propaganda anti-amamentista espalhada pelo mundo...
Dói mais a omissão injustificada,
O silêncio daqueles que tem o que dizer,
Dói mais a inapetencia conformada
(o mesmo que a falta de fome de saber)
Dói mais a usura desenfreada,
A falta de vontade de aprender,
A propaganda mal intecionada
Que não se importa em mentir se é pra vender...
Dói mais a alma que se faz contaminada,
Que escolhe a escuridão escancarada
Como faz o que não é cego e nem quer ver...
Dói mais a morte da criança desmamada,
A vida humana desamparada,
Dói mais viver tudo isso e não se doer...
Dedicado à propaganda anti-amamentista espalhada pelo mundo...
Dói mais a omissão injustificada,
O silêncio daqueles que tem o que dizer,
Dói mais a inapetencia conformada
(o mesmo que a falta de fome de saber)
Dói mais a usura desenfreada,
A falta de vontade de aprender,
A propaganda mal intecionada
Que não se importa em mentir se é pra vender...
Dói mais a alma que se faz contaminada,
Que escolhe a escuridão escancarada
Como faz o que não é cego e nem quer ver...
Dói mais a morte da criança desmamada,
A vida humana desamparada,
Dói mais viver tudo isso e não se doer...
23.12.08
Mensagem de Natal
Aos familiares e aos bebes internados na UTI Neonatal Nicola Albano
Aqui estamos,
De longe viemos...
Um longo e cansativo itinerário...
Foram inúmeras as vezes que choramos,
Foram inúmeras as dores que sofremos,
E no entanto
Tudo parece ter sido Absolutamente necessário
Para que chegássemos até aqui:
As lágrimas, a aflição, o desespero,
As noites intermináveis sem dormir,
Os descaminhos sem sol por que passamos
E as fraquezas de quase desistir...
Tudo absolutamente necessário
Para que acabássemos por descobrir
Tantas lições de vida, acolhimento,
Amparo, apoio, sustentação,
Solidariedade abrandando o sofrimento,
Perseverança alimentando o coração...
Tudo absolutamente necessário,
E imaginar que imaginávamos o contrário
Quando a nossa vida cuidou de desabar...
Tudo em volta, de repente, sem sentido...
Faltou o chão, de repente, de pisar...
Foram dias inteiros tentando descobrir
E noites sem dormir nem acordar...
Um sofrimento diário
E no entanto
Parece que absolutamente necessário
Para que mobilizássemos nossas energias
Por dias e dias e dias e dias
E muitas vezes
Até por meses
Entre tomografias e ultra-sonografias,
Entre hipoglicemias e hiperglicemias,
E anemias e arritmias
E outros tantos sinônimos de dor...
Fomos bordando assim nosso calvário
E hoje
Parece que tudo
Foi absolutamente necessário
E nada absolutamente sem valor...
Porque a fraqueza nos fez fortalecidos,
A dor nos desenhou mais resistentes,
As ameaças tornaram-nos mais vivos
E tanta angustia, mais persistentes...
Tocaram-nos o afetos dos queridos:
Esposo, esposa, pais, irmãos, parentes...
Luzes para que não quedássemos perdidos,
Sustento para que não tombássemos descrentes...
E a dor que nos fez tantas vezes tão sozinhos,
Atormentando nossos caminhos,
Fazendo nosso coração passar tão mal,
É a mesma dor, condição transformadora,
Que com sua força renovadora
Nos traz aqui, nesse dia de Natal...
E a mesma dor que nos fez tão diminuídos
É a dor que nos tornou fortalecidos
E nos mostrou o caminho de saída,
E a mesma dor que tentou-nos derrotados
É a dor que nos traz hoje renovados
Valorizando mais que nunca a própria vida...
E a vida como uma dádiva sagrada
É o bem maior que em sua caminhada
Os nossos filhos vão preservando...
Vão resistindo, heróis, a tempestades,
Saindo ilesos de calamidades,
Salvando-se de enormes vendavais...
E a vida como uma graça alcançada
Por cada um deles nessa jornada
É o bem maior que cada um vai conquistando,
Vestidos de esperanças e vontades,
Superando, como heróis, dificuldades,
Conquistando, com sua dor, a própria paz...
Aqui estamos
Foi como se o coração parasse o calendário
E o tempo desistisse de passar...
E no entanto
Tudo parece ter sido absolutamente necessário
Para que chegássemos
A essa hora
E hoje, a esse dia,
Completa e inteiramente renovados
Dispostos como nunca a continuar...
Crescemos
Com a dor que enfrentamos, amadurecemos,
Amadurecidos, aprendemos a compartilhar
A nossa dor com a dor de toda gente,
E foi isso que nos fez seguir em frente
E nos deu força pra perseverar...
Crescemos
A dor que um dia nos fez sentir pequenos
Foi a mesma que nos ensinou a caminhar...
Uma lição de se aprender diariamente...
Uma lição de durar eternamente...
Um aprendizado que se chama amar...
Aos familiares e aos bebes internados na UTI Neonatal Nicola Albano
Aqui estamos,
De longe viemos...
Um longo e cansativo itinerário...
Foram inúmeras as vezes que choramos,
Foram inúmeras as dores que sofremos,
E no entanto
Tudo parece ter sido Absolutamente necessário
Para que chegássemos até aqui:
As lágrimas, a aflição, o desespero,
As noites intermináveis sem dormir,
Os descaminhos sem sol por que passamos
E as fraquezas de quase desistir...
Tudo absolutamente necessário
Para que acabássemos por descobrir
Tantas lições de vida, acolhimento,
Amparo, apoio, sustentação,
Solidariedade abrandando o sofrimento,
Perseverança alimentando o coração...
Tudo absolutamente necessário,
E imaginar que imaginávamos o contrário
Quando a nossa vida cuidou de desabar...
Tudo em volta, de repente, sem sentido...
Faltou o chão, de repente, de pisar...
Foram dias inteiros tentando descobrir
E noites sem dormir nem acordar...
Um sofrimento diário
E no entanto
Parece que absolutamente necessário
Para que mobilizássemos nossas energias
Por dias e dias e dias e dias
E muitas vezes
Até por meses
Entre tomografias e ultra-sonografias,
Entre hipoglicemias e hiperglicemias,
E anemias e arritmias
E outros tantos sinônimos de dor...
Fomos bordando assim nosso calvário
E hoje
Parece que tudo
Foi absolutamente necessário
E nada absolutamente sem valor...
Porque a fraqueza nos fez fortalecidos,
A dor nos desenhou mais resistentes,
As ameaças tornaram-nos mais vivos
E tanta angustia, mais persistentes...
Tocaram-nos o afetos dos queridos:
Esposo, esposa, pais, irmãos, parentes...
Luzes para que não quedássemos perdidos,
Sustento para que não tombássemos descrentes...
E a dor que nos fez tantas vezes tão sozinhos,
Atormentando nossos caminhos,
Fazendo nosso coração passar tão mal,
É a mesma dor, condição transformadora,
Que com sua força renovadora
Nos traz aqui, nesse dia de Natal...
E a mesma dor que nos fez tão diminuídos
É a dor que nos tornou fortalecidos
E nos mostrou o caminho de saída,
E a mesma dor que tentou-nos derrotados
É a dor que nos traz hoje renovados
Valorizando mais que nunca a própria vida...
E a vida como uma dádiva sagrada
É o bem maior que em sua caminhada
Os nossos filhos vão preservando...
Vão resistindo, heróis, a tempestades,
Saindo ilesos de calamidades,
Salvando-se de enormes vendavais...
E a vida como uma graça alcançada
Por cada um deles nessa jornada
É o bem maior que cada um vai conquistando,
Vestidos de esperanças e vontades,
Superando, como heróis, dificuldades,
Conquistando, com sua dor, a própria paz...
Aqui estamos
Foi como se o coração parasse o calendário
E o tempo desistisse de passar...
E no entanto
Tudo parece ter sido absolutamente necessário
Para que chegássemos
A essa hora
E hoje, a esse dia,
Completa e inteiramente renovados
Dispostos como nunca a continuar...
Crescemos
Com a dor que enfrentamos, amadurecemos,
Amadurecidos, aprendemos a compartilhar
A nossa dor com a dor de toda gente,
E foi isso que nos fez seguir em frente
E nos deu força pra perseverar...
Crescemos
A dor que um dia nos fez sentir pequenos
Foi a mesma que nos ensinou a caminhar...
Uma lição de se aprender diariamente...
Uma lição de durar eternamente...
Um aprendizado que se chama amar...
16.12.08
Reeditar-se
Para Roberta Profice
Viver é reeditar-se diariamente
Entre palavras e gestos, renascendo
A cada dia, e sempre lentamente
Como uma criança crescendo...
E cada dia é um dia diferente
Por isso é que é vivendo e aprendendo...
Viver é reeditar-se avidamente
Como um riacho correndo...
Nada acontece da mesma maneira.
Uma segunda feira e outra segunda feira
Não são exatamente o mesmo dia...
Reeditar-se. E a unica certeza
É estar em paz com a própria natureza,
É estar de bem com a própria poesia...
Para Roberta Profice
Viver é reeditar-se diariamente
Entre palavras e gestos, renascendo
A cada dia, e sempre lentamente
Como uma criança crescendo...
E cada dia é um dia diferente
Por isso é que é vivendo e aprendendo...
Viver é reeditar-se avidamente
Como um riacho correndo...
Nada acontece da mesma maneira.
Uma segunda feira e outra segunda feira
Não são exatamente o mesmo dia...
Reeditar-se. E a unica certeza
É estar em paz com a própria natureza,
É estar de bem com a própria poesia...
6.12.08
A poesia IV
A poesia, letra comezinha,
Não muita coisa além de um palavreado,
Mas com o mesmo efeito que a salsinha
Causa num belo prato de ensopado...
Nada demais. Palavra arrumadinha
Sem freio, sem portão e sem cadeado...
Pode conter um elefante, uma bimbinha,
Ou um mar todo nunca dantes navegado...
Por ser assim discreta e desregrada
Possui a força de uma enxurrada
E a delicadeza de uma brisa...
A poesia, letra abusada
Que quer ser mais que ser letra... Inconformada...
A poesia, fronteira sem divisa...
A poesia, letra comezinha,
Não muita coisa além de um palavreado,
Mas com o mesmo efeito que a salsinha
Causa num belo prato de ensopado...
Nada demais. Palavra arrumadinha
Sem freio, sem portão e sem cadeado...
Pode conter um elefante, uma bimbinha,
Ou um mar todo nunca dantes navegado...
Por ser assim discreta e desregrada
Possui a força de uma enxurrada
E a delicadeza de uma brisa...
A poesia, letra abusada
Que quer ser mais que ser letra... Inconformada...
A poesia, fronteira sem divisa...
5.12.08
A poesia III
A poesia, palavra enfileirada
Por conta de um arranjo calculado
Gerando um som que geralmente agrada
À medida em que o poema é declamado...
E veja que não é preciso quase nada,
Basta que a gente coloque lado a lado
Muitas palavras de uma maneira arrumada,
Muitas palavras de um modo encadeado,
E é assim que a poesia ganha um aroma
Onde cada palavra é um som que soma
E é essa soma mágica que cria
A poesia, palavra penteada,
A poesia, palavra perfumada,
Prosa vestida de gala, a poesia...
A poesia, palavra enfileirada
Por conta de um arranjo calculado
Gerando um som que geralmente agrada
À medida em que o poema é declamado...
E veja que não é preciso quase nada,
Basta que a gente coloque lado a lado
Muitas palavras de uma maneira arrumada,
Muitas palavras de um modo encadeado,
E é assim que a poesia ganha um aroma
Onde cada palavra é um som que soma
E é essa soma mágica que cria
A poesia, palavra penteada,
A poesia, palavra perfumada,
Prosa vestida de gala, a poesia...
4.12.08
A hora certa
Nada é tão frágil que não consiga crescer,
Nada é tão bom que não necessite mudar...
É tudo uma questão de perceber...
É tudo uma questão de acreditar...
Nada é tão "sonho" que não possa acontecer,
Nada é tão "hoje" que não mereça sonhar...
Tudo na vida é uma questão de fazer...
Tudo na vida é uma questão de tentar...
É amanhã o dia que há de ser,
Se ontem foi o tempo de aprender,
O hoje é a hora de se trabalhar...
É tudo uma questão de se envolver...
Nada é tão forte que não se possa vencer...
Nada é tão longe que não se possa alcançar...
Nada é tão frágil que não consiga crescer,
Nada é tão bom que não necessite mudar...
É tudo uma questão de perceber...
É tudo uma questão de acreditar...
Nada é tão "sonho" que não possa acontecer,
Nada é tão "hoje" que não mereça sonhar...
Tudo na vida é uma questão de fazer...
Tudo na vida é uma questão de tentar...
É amanhã o dia que há de ser,
Se ontem foi o tempo de aprender,
O hoje é a hora de se trabalhar...
É tudo uma questão de se envolver...
Nada é tão forte que não se possa vencer...
Nada é tão longe que não se possa alcançar...
2.12.08
A poesia II
A poesia, rima calculada,
Palavra articulada, a poesia,
Matematicamente desenhada,
Um exercicio de lógica, eu diria...
Milimétricamente metrificada,
Tática travestida de harmonia,
É técnica mesmo quando exagerada:
Nenhuma letra aonde não devia...
A poesia, frase articulada,
Fiel como é uma peça dissecada,
Ainda que sem destinação ou guia...
Letra estratégicamente alinhavada,
Pilula de emoção premeditada,
A poesia, pura engenharia...
A poesia, rima calculada,
Palavra articulada, a poesia,
Matematicamente desenhada,
Um exercicio de lógica, eu diria...
Milimétricamente metrificada,
Tática travestida de harmonia,
É técnica mesmo quando exagerada:
Nenhuma letra aonde não devia...
A poesia, frase articulada,
Fiel como é uma peça dissecada,
Ainda que sem destinação ou guia...
Letra estratégicamente alinhavada,
Pilula de emoção premeditada,
A poesia, pura engenharia...
A poesia I
A poesia, palavra ritimada,
Vestida toda de métrica e rima...
Para onde vai assim tão arrumada
Essa menina?
Possui ao mesmo tempo a voz calada
E a multipla atividade de uma enzima.
A poesia. Como a madrugada...
A poesia. Como a ocitocina...
Composta bem mais do éter que da letra,
Possui a efemeridade de um cometa
E a eternidade do infinito...
A poesia. Eterna e passageira.
Lampejo que perdura a vida inteira.
Eterna a poesia. Como um mito.
A poesia, palavra ritimada,
Vestida toda de métrica e rima...
Para onde vai assim tão arrumada
Essa menina?
Possui ao mesmo tempo a voz calada
E a multipla atividade de uma enzima.
A poesia. Como a madrugada...
A poesia. Como a ocitocina...
Composta bem mais do éter que da letra,
Possui a efemeridade de um cometa
E a eternidade do infinito...
A poesia. Eterna e passageira.
Lampejo que perdura a vida inteira.
Eterna a poesia. Como um mito.
23.11.08
O coração e a palavra
(para minha amiga Roberta Profice)
Se o coração não pensa antes de sentir
E quando sente é sempre por inteiro,
E não escolhe nunca pra onde ir,
E vai sempre pra onde pensou primeiro,
E quase nunca sabe decidir
Entre o que é falso e o que é verdadeiro,
E ao mesmo tempo não consegue se omitir
Nem tentar esconder o proprio cheiro,
Então também assim, amiga minha,
Quando disseres qualquer palavrazinha,
Antes de tudo, preste atenção
Pra que ela esteja sempre em sintonia
Com sua alma, com sua poesia,
Com sua vida e com seu coração...
(para minha amiga Roberta Profice)
Se o coração não pensa antes de sentir
E quando sente é sempre por inteiro,
E não escolhe nunca pra onde ir,
E vai sempre pra onde pensou primeiro,
E quase nunca sabe decidir
Entre o que é falso e o que é verdadeiro,
E ao mesmo tempo não consegue se omitir
Nem tentar esconder o proprio cheiro,
Então também assim, amiga minha,
Quando disseres qualquer palavrazinha,
Antes de tudo, preste atenção
Pra que ela esteja sempre em sintonia
Com sua alma, com sua poesia,
Com sua vida e com seu coração...
21.11.08
A morte do poeta
Ao poeta Antonio Roberto Fernandes, falecido nas primeiras horas de hoje...
Não diga "morte" quando o poeta parte,
Posto que quando parte não se acaba
Mas dignifica a vida com sua arte,
Fazendo brotar vida da palavra...
Posto que a morte é apenas uma parte
Por meio da qual toda a vida se alinhava,
Resume tudo, como um estandarte
Bem justo quando ninguém imaginava...
Não diga "morte", portanto... Diga um verso...
O poeta não morreu... Está disperso
Inundando todos nós com os versos seus...
Não diga "morte"... Diga: "Até um dia
Quando conversaremos em poesia"...
Diga ao poeta: "Fica com Deus"...
Ao poeta Antonio Roberto Fernandes, falecido nas primeiras horas de hoje...
Não diga "morte" quando o poeta parte,
Posto que quando parte não se acaba
Mas dignifica a vida com sua arte,
Fazendo brotar vida da palavra...
Posto que a morte é apenas uma parte
Por meio da qual toda a vida se alinhava,
Resume tudo, como um estandarte
Bem justo quando ninguém imaginava...
Não diga "morte", portanto... Diga um verso...
O poeta não morreu... Está disperso
Inundando todos nós com os versos seus...
Não diga "morte"... Diga: "Até um dia
Quando conversaremos em poesia"...
Diga ao poeta: "Fica com Deus"...
14.11.08
Improviso ao poeta Antônio Roberto
Melhora, amigo, sua poesia
Faz falta nesse mundo tão mesquinho...
Vem logo para nossa companhia,
Ler um soneto, contar um versinho...
Tem gente contando nos dedos esse dia...
E cada dia falta menos um pouquinho...
Por que essa falta de pressa tão Bahia?
Por que tão assim devagar, devagarinho?
A vida é como um poema bem comprido
Que quase nunca termina de ser lido:
Há sempre um verso livre por dizer...
Os pratos de vovó estão esperando...
Vem, poeta, estamos te aguardando...
Fica com Deus, meu poeta... Até mais ver...
Melhora, amigo, sua poesia
Faz falta nesse mundo tão mesquinho...
Vem logo para nossa companhia,
Ler um soneto, contar um versinho...
Tem gente contando nos dedos esse dia...
E cada dia falta menos um pouquinho...
Por que essa falta de pressa tão Bahia?
Por que tão assim devagar, devagarinho?
A vida é como um poema bem comprido
Que quase nunca termina de ser lido:
Há sempre um verso livre por dizer...
Os pratos de vovó estão esperando...
Vem, poeta, estamos te aguardando...
Fica com Deus, meu poeta... Até mais ver...
1.11.08
31.10.08
Ao poeta Antonio Roberto
Versos traçados em eletrocardiografia,
Sonetos feitos de venopunção,
Rimas fingindo-se antibioticoterapia,
Quadrinhas sustentando a intubação...
Redondilhas contornando a arritimia,
Sextetos comandando a oxigenação...
Rimas ricas para a hipocalcemia,
Metáforas estimulando o coração...
O poeta, entre potássios e glicoses,
Vai declamando seu verso a várias vozes
E não esmorece, absolutamente...
Traduz em poesia tudo em torno
E faz da própria vida um grande forno
Que prepara poesia eternamente...
22.10.08
A busca
(Poeminha após a leitura das explanações fonoaudiológicas sobre o reflexo da busca)
Eu não a imaginava assim, tão importante,
E nem sabia, sinceramente,
Que ela era um marco tão significante,
O começo de tudo, praticamente...
Dominado pelo estigma do eterno principiante,
Eu sempre vi nela um reflexo somente,
Primário como o de Moro, e desimportante,
E temporário, e menor, e inaparente...
Mas a vida, de forma delicada e brusca,
Tratou de me ensinar a compreender a busca
De uma maneira jamais por mim antes compreendida...
A busca além de um dos reflexos primitivos...
A busca além da busca que há nos livros...
A busca como preservação da própria vida...
(Poeminha após a leitura das explanações fonoaudiológicas sobre o reflexo da busca)
Eu não a imaginava assim, tão importante,
E nem sabia, sinceramente,
Que ela era um marco tão significante,
O começo de tudo, praticamente...
Dominado pelo estigma do eterno principiante,
Eu sempre vi nela um reflexo somente,
Primário como o de Moro, e desimportante,
E temporário, e menor, e inaparente...
Mas a vida, de forma delicada e brusca,
Tratou de me ensinar a compreender a busca
De uma maneira jamais por mim antes compreendida...
A busca além de um dos reflexos primitivos...
A busca além da busca que há nos livros...
A busca como preservação da própria vida...
7.8.08
Somos mamiferozinhos
Somos mamiferozinhos
Assim como são os gatinhos
E os cachorrinhos
E os filhotinhos das elefoas,
Como as oncinhas e os cavalinhos,
Como os bezerros e os macaquinhos,
Da mesma forma que os filhotes das leoas,
E as girafinhas e os canguruzinhos,
E como também são as ovelhinhas
Somos mamiferozinhos.
Mamamos do mesmo modo
Que os ursinhos,
Crescemos do mesmo jeito
Que os miquinhos,
Ficamos fortes
Como os tigrezinhos
Porque como esses bichinhos
Desde pequenininhos
Mamamos o leite de peito
Que a mamãe nos dá.
Mamiferozinhos nós somos.
Crescemos fortinhos
E desde miudinhos
Aprendemos, como eles, a falar:
Mamãe eu quero mamar
Somos mamiferozinhos
Assim como são os gatinhos
E os cachorrinhos
E os filhotinhos das elefoas,
Como as oncinhas e os cavalinhos,
Como os bezerros e os macaquinhos,
Da mesma forma que os filhotes das leoas,
E as girafinhas e os canguruzinhos,
E como também são as ovelhinhas
Somos mamiferozinhos.
Mamamos do mesmo modo
Que os ursinhos,
Crescemos do mesmo jeito
Que os miquinhos,
Ficamos fortes
Como os tigrezinhos
Porque como esses bichinhos
Desde pequenininhos
Mamamos o leite de peito
Que a mamãe nos dá.
Mamiferozinhos nós somos.
Crescemos fortinhos
E desde miudinhos
Aprendemos, como eles, a falar:
Mamãe eu quero mamar
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