25.11.07

O dicionário

Não uso dicionário...
Meu dicionário é meu coração.
Não há palavra que ele desconheça,
Não há nenhuma
Que cause confusão.
E não importa a língua
Ingles, Nagô,
Castelhano,
Francês,
Turco, Alemão...
O coração conhece,
Entende,
Fala,
Responde,
Escreve
E diz
Com perfeição...
Por isso é que eu não uso
Dicionário.
Meu dicionário
Não cabe
Na minha mão...
Prossegue além da letra,
Da palavra,
Do significado
E da razão...
E não tem regras,
Nem páginas,
Nem índice,
Nem letras,
Nem pecado,
Nem perdão...
Eu não preciso de dicionários,
Turvos...
Meu dicionário
É meu coração...

11.10.07

Eternesencias...
Para minha irmãzinha Rose in http://www.eternessencias.blogspot.com/

Por ter achado aqui morada boa,
Terreno fertil para se plantar,
Casa de campo deliciosa,
A poesia, que não se perdoa,
Vai se vestir de letra preguiçosa
E entrar aqui para descansar...

Por ter achado aqui alivio e alento,
Reparo, amparo, refazimento,
E principalmente boa companhia,

A poesia, mal acostumada,
Vai ficar viciada...
Ai ai ai ai coitada da poesia...

29.9.07

Esse seu olhar...

É como se fosse um verso de Drummond,
Uma letra pra Chico Buarque musicar,
É como se fosse uma musica do Tom,
Esse seu olhar...

É como se fosse um passatempo bom
Que não deixasse o tempo passar,
É como Caetano criando um som,
Esse seu olhar...

É como se fosse coisa de cinema,
Raio de lua, risco de poema,
Banho de rio, beira de mar...

É como um doce que não termina,
Bela menina,
Esse seu olhar...

28.9.07

O que vale

A coisa que valoriza uma pessoa
Não é a idade e o sexo que ela tem,
Não é se o beijo é bom, se a boca é boa,
Não é o namorado dela é quem...

Não é se é nova demais ou se é coroa,
Se tem seu carro, se ganha bem,
Se é rico, e porque é rico, se ri à toa,
Se tá sempre faturando algum de alguém,

A coisa que valoriza o ser humano
Longe de ser o carro do ano,
É a consciencia tranquila, é a paz serena,

É errar e redimir-se diariamente,
Seguindo devagar e lentamente
Abandonando o que não vale à pena...
Orkutiana IV

Eu adiciono gente bonita
E gente feia, e gente nem tanto,
Gente tristinha, gente esquisita,
Gente que acredita em Pai de Santo,

Eu adiciono. Isso não me irrita.
Gente é bom demais. Eu não me espanto,
É como receber uma visita,
E se a conversa tá chatinha eu canto...

Eu adiciono quase toda gente
Triste, pra lá de baixo astral, contente,
Gente que vive com sono...

Eu não me importo com mesquinharias...
Não coleciono quinquilharias...
Não penso duas vezes... Adiciono...
Orkutiana III

Eu sempre adiciono os curiosos,
Os irremediaveis fofoqueiros,
Os insensatos, os maliciosos,
E os da própria inveja prisioneiros...

Adiciono profiles mentirosos,
Adiciono profiles interesseiros,
Adiciono profiles perigosos,
Adiciono profiles passageiros,

Eu sempre adiciono. E não me importo
Se é verdadeiro ou não o texto, a foto,
Se cada palavra contem sinceridade...

Eu simplesmente vou adicionando
Como que segue colecionando
Sementes pequenininhas de amizade...

Orkutiana II


 

Eu sempre adiciono caucasianos,

Mulatos, afros, índios, orientais,

Paranaenses, pernambucanos,

Nascidos em Quito, criados em La Paz,


 

Fãs de Cauby Peixoto ou Los Hermanos,

De Chico Buarque ou Science, tanto faz,

Gente com mais de cinqüenta anos,

Gente novinha demais...


 

Canhotos, destros, desajeitados,

Tímidos, loucos, bem apessoados,

Ricos, famosos e desconhecidos...


 

Os impacientes e os apressados,

Os que chegarem de todos os lados

Eu sempre os adiciono como amigos...


 


 


 


 


 


 

 

14.9.07

O Aleitamento materno


 

Ao mesmo tempo alimento e poesia,

Fermento sólido para a maternagem,

Para a articulação temporo-mandibular, um guia,

Para a família, motivo de tietagem,


 

Tese de doutorado para a Pediatria,,

Prova de fogo para a equipe de Enfermagem,

Para os alunos , uma minimonografia,

Para a mãe o pai e o filho, uma viagem...


 

Ao mesmo tempo poético e cientifico,

Instintivo, cultural, técnico, mítico,

É um misto de vontade com virtude...


 

Fonte da vida por ele preservada,

Força titânica em veste delicada,

Mapa da fonte da juventude...

O amor sem fim

Para Luisa


 

Por quanto tempo o amor que não termina?

A entrega total mais arrebatadora?

E o coração, por quanta adrenalina

Jura a jura de amor mais duradoura?


 

E a paixão mais pura e cristalina,

A mais incrivelmente arrasadora,

Em quanto tempo vira purpurina,

Resto de coisa própria pra vassoura?


 

E o que era absolutamente inseparável,

Inconfundivelmente inquebrantável

Em quanto tempo torna-se assim:


 

Pedaço, resto, lixo, pó, espuma,

Pedaço de nada, coisa nenhuma?

Quanto tempo dura o amor sem fim?


 


 


 


 


 


 


 


 

5.9.07

Idade nova...

Idade nova chegando...
Menos tempo, de hoje em diante, para errar...
Já faz bastante tempo, confesso, venho errando,
E já não há mais tanto tempo pra gastar...

Idade nova se completando...
E já sem tempo prá desperdiçar...
Desde que aqui cheguei fui me adaptando
Mas já está chegando a hora de voltar...

Idade nova, e eu fico imaginando
Que é como se a gente fosse se cansando
De querer tanto e de nunca se bastar...

Idade nova... Tempo de ir deixando
As vaidades de lado e ir caminhando
Até a idade do tempo se esgotar...

26.8.07

Os que atentaram


 

Quantos, exatamente, os que morreram?

Quantos aqueles os que atentaram?

Quantos mandaram? Quantos obedeceram?

Que coisas quantos deles combinaram?


 

Porque seus nomes jamais apareceram?

Com medo de que fardo se ocultaram?

Por que atrás de Herodes se esconderam

Ou livres de que penas se julgaram?


 

Que fatos não sabemos, mas aconteceram?

Quantos deles se arrependeram

Ou quantos outros jamais confessaram?


 

Desejavam vencer, mas não venceram...

Não poderiam perder... Mas se perderam...

Tiveram a honra de crer, mas fracassaram...

Assim que os anjos se foram...


 

E ouvindo isso, rapidamente seguiram

Para Belém, onde o procuraram...

Perguntaram a uns sobre o que viram,

E sobre o que ouviram, a outros perguntaram,

Até que num estábulo o descobriram,

Envolto em panos, numa manjedoura o encontraram...

Fizeram silencio,

Se aproximaram,

Olharam o menino

E se entreolharam...

E, assim, silenciosos,

Reconheceram

O menino de que os Anjos

Lhes falaram...

Quem sabe lhe trouxeram

Lã e leite,

Quem sabe queijo fresco

Lhe ofertaram...

Na sua pobreza,

Os pastores perceberam

O que o menino e seus pais

Passaram...

Assim que souberam

Vieram,

Maravilhados,

Sem se distraírem,

O adoraram,

Alguns fizeram preces

E sorriram,

Outros sorriram

Ao mesmo tempo

Que choraram...

Um se encantaram muito

Com o que viram,

Com o que ouviram,

Com o que lhes fora

Revelado...

Outros se extasiaram,

Agradecidos,

Com todas as coisas

Que presenciaram...

Algum tempo depois

Alguns saíram,

Outros, emocionados,

Continuaram...

Agradeceram a Deus

Que os fez lembrados,

Permanecendo um tempo ainda

Ajoelhados...

Até que todos

Se retiraram,

Absolutamente

Magnificados...

Sorriam

Enquanto iam,

E conversavam,

Pareciam nem sentir

O frio gelado...

Conta-se que disso

Nunca se esqueceram...

Mil vezes repetiram,

Outras mil contaram,

Dizendo dos Anjos

Que em Legião desceram,

Falando das musicas

Que os Anjos cantaram,

Contando da Boa Nova

Que os trouxeram

E do menino

Que visitaram,

Do Salvador

Que pessoalmente

Conheceram

Por terem sido

Pelos Anjos

Convidados...

Dizem que alguns

Nunca mais beberam...

Dizem que alguns

Nunca mais pecaram,

Dizem que alguns

Que viram e creram

De tal maneira

Se modificaram

Que seus amigos

Nunca entenderam

Porque mudaram...

Os pastores que os Anjos

Escolheram...

Os Pastores,

Os primeiros

Que o encontraram...

13.7.07

Somos mamiferos

Somos mamiferos
Do mesmo modo que o são
O cão e o gato,
A ovelha, o coelho, o lobo,
O lince, a vaca,
O canguru, a paca,
O leão,
O chimpanzé e o rato...
Mamiferos,
Dependentes dos ductos lactíferos
Do mesmo modo que o são os dromedários,
Nossos irmãos de hábitos mamários,
Como também o camelo,
O leão-marinho,
A anta,
O mico-leão-dourado,
A onça parda,
A onça pintada,
O quati,
O tamanduá
E o leopardo...
Que coisa boa:
Mamiferos como a leitoa
E os bacurinhos,
E quase, como eles, tão lindinhos...
Somos mamiferos
Como o elefante africano,
Da mesma forma que o rinoceronte...
Alimentamo-nos da mesma fonte
Que o texugo mama
E onde também a lhama...
Dependuramo-nos na mesma mama...
Irmãos da mesma livre demanda
Da ratazana,
Da jaguatirica,
Do gato do mato
E do urso panda...
E embora apaixonados por teorias,
Por técnicas, controversias, prós e contras,
Somos mamiferos
Como são os lobos, quem diria,
E os hipopótamos,
Os javalis e as lontras...
Como o morcego lanudo
E o ratinho caseiro,
Somos da mesma forma atraidos pelo cheiro
Do leite de peito.
E não tem jeito:
Somos mamiferos.
Alimentamo-nos das mesmas mamas cheias
Do modo como se alimentam as baleias,
E da mesma maneira
Que alimentam-se a toupeira
O gorila
E o boto,
E o rato-do-campo-de-rabo-curto,
O tatu-peba, se não me engano,
E ainda o tigre siberiano...
Do mesmo modo que eles
Nós mamamos...
Mesma atração instintiva por mamilos
Que possuem os veados e os esquilos,
E da mesma forma que a baleia-anã,
Nossa irmãzinha,
Somos os filhos da apojadura
Como o arminho,
Como a doninha,
Como a fuinha...
Somos os donos da proxima mamada
Como os sacarrabos,
Como os gatos bravos,
Como a onça bastarda...
Somos mamiferos,
E como nossos irmãos de peito
Sobrevivemos aos milenios do mesmo jeito:
Ninho, aconchego, calor,
E leite quente,
Naturalmente...
E muito embora
Aparentemente
Mais inteligentes,
Nós, homo-sapiens,
Não nos enganemos:
Do mesmo modo que os irmãos que temos,
Que mamam da mesma forma que o fazemos,
E crescem do mesmo modo que crescemos,
A mesma mama,
A mesma sucção,
Por que é que ainda não nos convencemos?
Somos mamiferos...
Por que é que tanta gente acha que não?

9.7.07

A graça

Que graça teria a vida
Se não houvesse a poesia?
Nascer, viver, morrer,
Misturar-se à terra fria,
Tornar-se um Fisico, um Quimico,
Um Doutor em Pediatria,
Um Pós-graduado em Farmácia,
Um Professor de Biologia,
Our concour em Matemática,
Um Mestre em Fisioterapia,
Que graça, me diz, que graça
Se não houvesse a poesia?
Ganhar bastante dinheiro,
Trabalhar dia após dia,
Fazer amigos, casar-se,
Ver aumentar a familia,
Viajar o mundo inteiro
Numa imensa romaria:
Ir do Rio à Nova Iorque,
De Nova Iorque à Bahia,
Da Bahia ao Himalaia,
Do Himalaia à Hungria,
Da Hungria à Machu Picchu,
De Machu Picchu à Turquia,
Da Turquia até Passargada,
De Passargada à Utopia,
De Utopia à Montes Claros,
Dali à Santa Maria,
Aprender mil idiomas,
Mil costumes, mil manias,
Conhecer gentes e modas
Saber de Reis e Rainhas,
Fotografar paisagens
Que jamais ninguém havia...
Trazer o mundo no bolso...
Mas que graça isso teria
Sem a graça de poder
Rimar cotia com tia,
Ler um verso de Quintana,
Ter Castro Alves como guia,
Carlos Drummond como amigo,
Ferreira como companhia,
Chico Buarque como Mestre,
Vinicius como Sinfonia,
Bandeira como delirio,
Pessoa como terapia,
Mário de Andrade como ouro,
Gulherme de Almeida como prataria,
Augusto dos Anjos como astro,
Cecilia como maravilha...
Que graça teria a vida
Se a vida tivesse tudo
Mas caminhasse esquecida
Da poesia?

29.6.07

O tempo

Deixa que o tempo resolve tudo:
Carencia, ódio, desencanto, dor.
Ele age sempre bem, e, embora mudo,
É dono de um rugido assustador...

Deixa que o tempo resolve, sem descuido,
Até a morte, se preciso for...
O tempo é sempre o maior escudo,
Sempre o melhor cobertor...

Não tente resolver tudo sozinho...
Lembra-te desse bom companheirinho,
O tempo, que te segue e te acompanha...

Deixa, porque o tempo, bom companheiro,
É o teu melhor conselheiro...
Adota o tempo. Eu garanto: é causa ganha...

17.6.07

O Livro dos Espíritos

Recordo-me, menino ainda assustado,
De ter tomado nas mãos aquele livro
Cuja autoria maior era inequívoca...
Recordo-me, menino impressionado,
Das primeiras leituras, sem motivo,
E da impressão que me causou, magnífica.

Era um menino
De muitos sonhares,
Muitos poemas por escrever,
De um dia conhecer muitos lugares,
E muitas gentes para conhecer.

Era um menino
Cheio de perguntas
Que os outros meninos não sabiam responder.
E eram tantas, cada vez mais muitas,
Que eu insistia em fazer.

Era um menino
Ainda, quando um dia,
Tomei aquele livro em minha mão
Como se fosse um clarão na noite fria
Iluminando a minha escuridão.

E assustado, o menino, ao folheá-lo,
E antes que eu percebesse ou concordasse,
Aquele livro foi me convencendo.
E sem que ninguém me pedisse que o lesse,
E sem que ninguém me obrigasse,
Aquele livro foi me envolvendo.

Que é Deus? Decidido, perguntava.
Que se deve entender por Infinito?
É dado ao homem conhecer o princípio das coisas? continuava,
E o menino lia tudo, aflito...


Quando começou a Terra a ser povoada?
De onde vieram para a Terra os seres vivos?
E a cada pergunta formulada,
Respostas. Ensinamentos expressivos.
E as dúvidas que tem a alma encarnada
Formavam as respostas desse livro.

Que sucede à alma no instante da morte?
Como se explica a vida intra-uterina?
Em que consiste a missão dos espíritos encarnados?
E, como lista sem fim que não termina,
Do mesmo modo que o Mestre quando ensina,
A responderam espíritos abnegados.

Era uma onda imensa e benfazeja,
De luz intensa, arrebatadora,
Era o alicerce de uma nova igreja,
Sem rituais, sem reis, mas reveladora.

Recordo-me, menino ainda assustado,
Como colhido por um redemoinho,
Que já não me era possível mais fugir.
Recordo-me, absolutamente extasiado,
Daquele grande mapa do caminho
Do qual era impossível desistir.

Hoje, o menino de ontem, já crescido,
Ao deparar-se com aquelas mesmas letras,
Confessa-se ainda emocionado
Ao compreender-se um recém-nascido,
Um pó na infinitude dos planetas
E pela mesma grande Lei subjugado.

Hoje, o menino de ontem, quase nada,
Toma nas mãos o Livro dos Espíritos
E para si mesmo diz: Tudo o que eu sei
Vai nestas letras atribuídas a Kardec:
Nascer, viver, morrer,
Renascer ainda
E progredir continuamente,
Esta é a lei.

3.5.07

A mãe ...

Ao saber da noticia da morte de Herodes, a mãe do menino por ele assassinado se perturba e ora...




A mãe do menino morto
Quando soube do ocorrido,
Quedou-se tremula e pálida
Como um pássaro ferido...

E ainda pálida e tremula
Mal conseguiu escutar
A noticia do Rei morto
Que vieram lhe contar.

Gelou a mão nessa hora,
E, sem conseguir falar,
Desatinada da vida
Desconsolou-se a chorar...

No instante em que lhe contaram
Do Rei cruel que morrera
Seus olhos se encheram d’água
Pelo filho que perdera

Naquela noite sem nome,
Aqueles gritos de não,
A dor, o sangue, a tragédia
Sem nenhuma explicação...

Reviu o filho no colo
Que a morte veio buscar
Seu corpo desfalecido,
Sua vida a lhe escapar,

O choro do desespero,
A crueza do soldado,
Os restos mortais do filho
Sem vida, despedaçado...



A mãe do menino, atônita,
Chorou, dor desconsolada...
Ali perdera sua vida
Na que se lhe fora roubada,

Ali secara-lhe o animo,
E a sua esperança inteira,
Sua dor, sua fome, seu sono,
Seu nome quase esquecera,

A mãe do menino, em pranto,
Naquela hora, atordoada,
Reviu a imagem do filho
Reviu o corte da espada,

Perdeu a voz, já sem forças,
Sentou-se ao lado da esteira
No mesmo triste cantinho
Onde seu filho morrera,

Sentou sozinha e em silencio,
Sentiu um breve arrepio,
Abraçou o próprio colo
Sem percebê-lo vazio,

Lembrou ali do menino,
Das risadas que ele dava,
Das farras que ele fazia,
Das noites que ele chorava,

Lembrou das horas de febre,
Das dores de vez em quando,
Das noites de sono leve,
Dos dias de amamentando...

A mãe do menino morto,
Sem que pudesse entender,
Trazia o filho em seus braços
E viu seu filho morrer...

Daquela hora em diante
Também aos poucos morreu,
Sem filho, ficou sozinha,
Sem luz, tudo escureceu,



Seu sorriso foi-se embora,
Sua vida, abandonada,
Perdeu sua identidade,
Sua forca, esvaziada...

Naquela hora tão triste
Viu morrer sua alegria,
Quis lutar, mas não lutava,
Gritar, mas não conseguia,

Quis brigar... Mas de que jeito?
Fugir... Mas para onde iria?
Quis fazer voltar o tempo...
Quis morrer... Mas não sabia...

Foram tempos de silencio,
De luto, de depressão,
Desencanto, sofrimento,
Desalento, solidão,

Ate que aquela noticia
Trazida não sei por quem,
Tocou a mãe tão sofrida
Do menino de Belém...

Morrera o Rei desumano...
Seu nome, ela não dizia...
Sua lei, não questionava...
Sua ordem, não discutia...

Sobre ele não falava,
Comentários não ouvia,
Pois morto ele já estava
E mais morto aquele dia...

Chorando, a mãe do menino
Ao saber do acontecido,
Orou a Deus, recordando
Seu filho morto querido,

Rogou a Deus, comovida
Na oração que ela fazia,
Improvisando uma prece
Que, mais ou menos, dizia:

“Senhor, que de hoje em diante
E por toda a eternidade
A ira seja asfixiada
Pelas mãos da piedade.



Que o ódio seja banido
Desde esse dia em diante
Transformando horror e medo
Em amor ao semelhante,

A crueldade impostora
Que seja desmascarada
Tornando-se auxilio e apoio
Para cada alma cansada,

Que a lamina fria da espada
Deixe assim de existir
E cada mãe assustada
Possa voltar a sorrir,

Que cada filho levado
Pelos soldados sem Deus
Seja tido como um Anjo
Um mensageiro dos Céus,

E o Rei, já depois de morto
Vendo essa transformação
Caia em si, desesperado,
E aprenda a grande lição:

Que suplique por piedade,
Mergulhado em sofrimento,
Sofrendo cada maldade,
Vivendo cada lamento,

Cada dor, cada crueldade,
Cada morte encomendada,
Que assim viva intensamente
Ate não restar mais nada

E quando não mais houver
Nenhuma dor não sentida,
Nenhuma morte ignorada,
Nenhuma lagrima esquecida,

Então que a Misericórdia
Divina aja em seu favor
E aceite o arrependimento
Revelado pela dor,



E livre de sua miséria,
E longe do seu poder.
Possa o Rei tornar-se homem
E começar a viver...”

Foi quando a mãe do menino
Terminando, silenciou.
Seus olhos possuíam brilho
Quando a oração acabou.

Parecia enternecida,
Uma paz a dominava.
Já não trazia na face
O medo. Já não chorava.

E conta-se que depois disso,
Essa mãe, recuperada,
Fez-se mãe fortalecida,
Fez-se mãe modificada,

Daquele dia em diante
Passou a prestar auxilio
Às mães mais necessitadas
Em memória do seu filho,

Ofereceu sua ajuda
Às mães com filhos menores,
Tornando seus dias tristes
Dias um pouco melhores...

Recuperou seu sorriso,
Retomou a sua vida,
Arrumou a sua casa,
Retornou à sua lida,

Vivendo solidariedade,
Descobrindo comunhão,
Distribuindo amizade,
Disseminando perdão,

Reconstruindo sua paz
E a paz da sua vizinhança,
Deixando, pelo caminho,
Sinais de vida e esperança...

Depois dali, nunca mais
Tanta dor desabalada,
Tanta dor incompreendida,
Tanta dor inconformada,

Depois dali, e para sempre,
Se dor, desespero não,
Se desanimo, coragem,
Sempre luz, se escuridão,

Pois nenhuma tirania,
Nenhuma ordem ou poder,
Nenhum exercito insano
Tem força capaz de vencer

Nenhuma mãe
Companheira obstinada,
E o amor dessa mãe
Para com os seus...
“Mãe não tem limite
É tempo sem hora”,
Imitação
Fiel
E essencial
De Deus...

5.4.07

Sempre a poesia...

A poesia, que ampara os tristes
E dá suporte aos desconsolados,
Que vale como um trago de carinho
Aos corações em dor, desamparados...

A poesia, que acolhe os fracos
E dá sustento aos corações cansados,
A poesia, unica companhia
Dos que se desesperam, isolados...

A poesia, que estanca as dores,
Que, como um bálsamo, ameniza horrores,
Que arranja um jeito pro que não tem jeito...

Como um milagre da vida, a poesia,
Como um Tratado de Psicologia,
A poesia, como o leite de peito...

3.4.07

A poesia...

Eu tornei poesia descontentamentos,
A alegria que eu tinha, eu tornei poesia,
Eu fiz versos dos restos dos meus pensamentos,
Da minha tristeza, da minha azia,

Dos meus desafetos, dos meus lamentos,
Dos meus episódios de taquicardia,
Disfarcei com poesia desapontamentos,
Desenhei com sonetos minha alma vazia,

Desde ai a poesia tornou-se a primeira,
A mais longa, sincera e fiel companheira
A me indicar o caminho de saida...

Desde ai, por não haver outra maneira,
Desde ai, a poesia inteira...
Desde ai a poesia, a minha vida...

26.3.07

Gostar é assim...

Gostar é assim mesmo.
Indefinido.
Nem sempre dois e dois
Ali
São quatro.
Às vezes é tudo culpa do cupido.
Outras, do excesso de salto
No sapato.

Gostar é assim mesmo.
Ora atrevido.
Ora tão cheio de dedos
E recato.
Às vezes é como um naufrago
Perdido.
Às vezes è como um cisne
Amar um pato.


Gostar é assim então.
Complicadinho.
Tem quem goste só pouquinho
Mas tem quem goste
Pela vida inteira.


Gostar é por vezes
Cheio de carinho.
Por outras vezes
É gostar sozinho.
Mas sempre é bom.
De qualquer maneira.